A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 335

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para sua mão direita, que brilhava suavemente. A luz que foi criada por meio da magia de Lognir manteve o lugar aceso, assim como as chamas da forja de Armodeus, refletindo nas gravações de metal que foram colocadas na prótese de Eiro.

Agora, ele estava testando o conjunto completo de ‘Gelo’, que foi criado com o metal que Armodeus extraiu do ovo do Dragão de Gelo.

Trocar parte do seu indicador já foi potente, mas, com toda a sua mão, o efeito estava em outro nível. O poder de outros tipos de magia era enfraquecido enquanto a magia de gelo era fortalecida. Claro, Eiro estava testando isso ao congelar água e diminuir a temperatura do ar, já que conjurar uma magia completa poderia ser um pouco imprudente em uma caverna como esta.

Só havia um problema com isso tudo. Era difícil para Eiro desmontar sua mão todas as vezes e demorava um tempo para fazer isso. Claro, com a carta do seu <Domínio Supremo da Verdade>, conseguiria analisar a situação e se preparar para isso, se tivesse tempo para pensar nisso, mas havia muitas situações em que ele não tinha esse tempo. Especialmente no meio de uma luta, seria impossível trocar se Eiro fizesse a escolha errada.

Considerando os inimigos em que as próteses aprimoradas seriam úteis ou até mesmo necessárias, Eiro não teria a oportunidade de trocar partes em sua prótese. Por isso que ele tinha que fazer algumas mudanças em sua prótese atual.

Em sua maioria, a mais importante era que Eiro precisava trocar sua prótese como um todo. Para isso, tinha que mudar a estrutura da prótese ao redor do pulso para que pudesse retirar o restante com mais facilidade, antes de colocar uma nova parte ali.

Por sorte, isso não era tão complexo, pois Eiro removeu todas as partes da prótese que usava e esculpiu o que restava no braço, fundido com sua carne. Essa era uma parte que Eiro não conseguiria remover com facilidade. Seria como retirar um pedaço de sua carne, algo que não queria fazer.

O Demônio mudou a estrutura um pouco e entregou as poucas peças extras que conseguiu para Armodeus para que ele pudesse inserir as gravações metálicas nelas, mas também adicionou algumas outras partes à ‘base’ da sua prótese.

Ele adicionou 10 alfinetes pequenos. Primeiro, eram parte do que ajudava Eiro a colocar as outras partes no lugar e eram objetos que poderiam ser fundidos com seu Três de Espadas. Como os anéis em que os fios se conectavam poderiam ser de qualquer tamanho, Eiro imaginou que seria uma boa ideia testar algo assim.

Ele ativou sua carta e observou enquanto um anel aparecia ao redor de cinco alfinetes diferentes, um anel em cada. Assim, Eiro poderia ser capaz de lutar um pouco melhor se algo acontecesse com sua mão direita, por exemplo, se fosse danificada ou se fosse pego de surpresa enquanto reparava ou limpava o interior da prótese.

Mas, além disso, o principal para Eiro querer usar isso era para o que tentaria a seguir. Ele moveu as lâminas em direção às partes das próteses colocadas no chão à sua frente, conectando os fios às diferentes partes.

Dessa forma, o Diabrete conseguia encaixar todas as peças no lugar certo, construindo sua prótese. Assim, Eiro conseguiu aumentar a velocidade de montagem e desmontagem da sua prótese de forma considerável.

Desse modo, Eiro descobriu a forma apropriada de utilizar sua prótese, mesmo dentro de batalha. Conseguiria trocar as partes de pouco em pouco?

Ele seria capaz de combinar diferentes peças dos quatro conjuntos especiais para melhorar certas combinações de magia. Por exemplo, seu congelamento instantâneo, ao combinar o Conjunto de Gelo com Conjunto de Fogo, aquecendo a água para congelá-la instantaneamente.

Eiro testou isso por um momento. A única coisa que tinha que fazer agora era como carregar os diferentes conjuntos de forma organizada, afinal não poderia mantê-las em sua tesouraria. Ela podia guardar muitos itens diferentes, mas cada um tinha que ser único. Peças parecidas de um conjunto não contariam. Claro, Eiro conseguiria guardar uma prótese inteira na sua tesouraria, já que era provável que fosse reconhecido como ‘um item’, mas isso só funcionaria para uma das próteses. As outras precisariam ficar fora de qualquer forma.

Bem, Eiro descobriria algo mais cedo ou mais tarde. Por ora, como planejava brincar com essas coisas mais um pouco enquanto Armodeus preparava algumas outras coisas, ele planejava continuar praticando sua manipulação de Aura.

Primeiro, tentou ‘bloquear’ a Aura mais um pouco, impedindo sua Aura de sair do seu corpo para parecer mais fraca do que era. Parecia que havia diferentes formas de fazer isso, como diferentes ‘passos’ que facilitariam o uso dessa habilidade com o tempo.

Por agora, Eiro só conseguia encolher sua aura ao absorvê-la em seu próprio corpo, mas uma forma muito mais eficiente que isso era impedir que sua Aura saísse do seu corpo em primeiro lugar, ‘bloqueando’ o caminho para fora ao criar uma barreira mental na sua pele.

Eiro pensou que masterizar isso também tornaria mais fácil bloquear a Vibe das Cartas, como se a barreira fosse algum tipo de peneira que permitisse sair sua aura, mas mantivesse sua Vibe dentro. Então, a partir daí, ele poderia manipular o restante da Vibe dentro dele. Pelo menos, era isso que Eiro esperava conseguir fazer.

Embora Lognir estivesse feliz em explicar mais algumas partes, dando algumas dicas aqui e ali, na maior parte do tempo ele deixava o Demônio para que ele conseguisse descobrir as coisas sozinho. Então, o Dragão consertava quaisquer erros que o Diabrete estivesse cometendo.

Eiro se concentrou em tudo dentro dele. Pensou sobre sua aura e começou a manipulá-la, adquirindo um pouco de proficiência. Ele tentou imitar as diferentes formas que sua aura reagiria, dependendo de suas emoções. A tornou ardente e espetada para parecer que estava bravo e a tornou suave e macia para que ele parecesse estar triste.

Assim que descobriu que havia ficado um pouco mais proficiente, melhorando sua capacidade de sentir sua aura, como se ficasse mais familiarizado com ela como um tipo de ‘substância’.

Então, ele puxou tudo para dentro dele, permitindo que ela fluísse para fora, muito devagar, para que conseguisse testar criar uma barreira. Com cuidado, um pouco da sua aura vazou pela sua pele em um ponto em que Eiro tentava concentrá-la e tentou contê-la de alguma forma. Não queria controlar a Aura em si, mas sim criar alguma outra força que contivesse a Aura.

Mas, assim que o Demônio pensou ter descoberto algo, quase conseguindo compreender a sensação de estar a contendo, Eiro escutou uma voz alta e poderia em sua orelha.

— Rapaz, abra seus olhos agora! — Armodeus exclamou.

Eiro abriu os olhos, bastante irritado por ter sido interrompido, antes que olhasse para Armodeus.

— … O que foi? — Ele questionou e o velho lhe entregou as duas adagas que havia aprimorado.

A adaga que Eiro herdou de Avalin, aquela com a Pedra Mágica de Fogo em seu cabo, agora tinha algumas inscrições preenchidas com o metal do Dragão de Fogo, enquanto a parte externa tinha uma camada fina deste metal a cobrindo, exceto nos gumes.

E havia a adaga oca que deveria ser preenchida com veneno. Armodeus cobriu o interior dela com metal do Dragão de Veneno para fortalecer o veneno que ficava dentro dela e cobriu o lado de fora, como a Adaga Flamejante foi coberta.

— Você poderia tê-las colocado ali e me dito quando eu tivesse terminado. Há mais alguma coisa, certo?

— Claro que sim, rapaz. Quero… criar mais um item para você, mas, para isso, preciso medir o comprimento do seu ferrão. — Armodeus explicou e Eiro olhou para os materiais que restavam, enquanto também olhava para os dedos do Anão Ancião, onde conseguia ver o resíduo de um certo metal.

— Você quer fazer algo para aprimorar o veneno do meu ferrão? — Eiro perguntou. Armodeus acenou com a cabeça.

— Sim, rapaz. Sua cauda é bastante forte, certo? Se não se importar, gostaria de fazer uma base de aço com partes feitas com este metal especial de veneno. Seu ferrão é forte, claro, mas é como… uma garra. Uma adaga sempre será mais forte que uma garra e o mesmo vale para quando eu fizer uma agulha. É um pequeno sistema para injetar grandes quantidades de veneno mais rápido do que seu ferrão. Claro, também posso fazer pequenos recipientes de armazenamento para aumentar a quantidade que você pode usar de uma vez, se quiser.

Eiro coçou a parte de trás de sua cabeça enquanto levantava sua cauda, apontando-a para Armodeus.

— Isso será ótimo, na verdade. Só… tenha cuidado. É meio estranho quando ela é tocada.

— Sim, já entendi, rapaz. — O artesão disse com um sorriso. Ele estava animado por conseguir fazer equipamentos para alguém diferente de uma pessoa normal. Armaduras para ferrões, assim como armas para aprimorá-los, não eram itens comuns de se ver.

Assim, o Anão Ancião se agachou atrás de Eiro e olhou de perto a cauda e ferrão dele, medindo tudo e calculando suas dimensões. Na maior parte do tempo, ele foi cuidadoso, mas, algumas vezes, tinha que pressionar a cauda e o ferrão para descobrir quão resistente aquela estrutura parecida com uma carapaça era.

Desse modo, Eiro se tornou algo que Armodeus utilizou para completar seus sonhos de artesanato único.

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