A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 333

A Virtude do Demônio

— Imagine duas cartas que você tem dentro de você, mas não em suas formas físicas, na verdade, em suas formas ‘mágicas’, se assim desejar chamar. Imagine o poder que elas lhe conferem na forma de algo físico e tangível. — Lognir disse com um tom claro enquanto Eiro meditava no chão. O demônio fez como pedido, embora esse passo ainda não fosse particular difícil.

Era semelhante a lidar com certos tipos de magia, então não era tão ruim, mas o ponto disso era chegar à fonte da ‘Vibração da Carta’ que outros portadores conseguiam sentir, para que Eiro conseguisse filtrar sua aura. Dessa forma, mesmo quando permitisse que outros vissem sua força regular, ainda esconderia o fato de que era um Portador de Carta, assim como aquele Monstro Corvo fez.

Ele não sabia quanta vantagem isso teria, mas não custava nada ter como uma opção. Além disso, se Eiro conseguisse descobrir o que a ‘Vibração’ real era, o que conseguia sentir através da aura de outras criaturas, ele poderia ser capaz de sentir isso, mesmo se estivessem tentando ocultar, afinal, a percepção de Eiro não perdia para a de ninguém, assim ele esperava pelo menos, então se alguém conseguisse sentir isso, seria Eiro.

O Demônio podia rapida transformar os dois poderes de Carta que tinha com ele o tempo todo, a <Percepção Suprema> e o <Domínio Supremo da Verdade>, em algo parecido com uma massa física dentro da sua , embora acabasse sendo na forma de duas esferas às quais Eiro mal conectava a um certo ‘significado’.

— Primeiro, você comparará essas duas esferas e tentará descobrir suas semelhanças e diferenças, ao mesmo tempo que as compara com sua própria aura. Desse modo, deve ser capaz de descobrir a ‘Vibração’, como você a chama, que está escondida dentro da sua aura. — Lognir tentou guiar Eiro através de todo o processo enquanto o Diabrete acenava em resposta às palavras do Dragão.

— Uhum… — Eiro resmungou baixinho, fazendo como pedido. Ele olhou para as duas esferas, tentando segurá-las para sentir se tinham alguma textura, mas não importava o que fizesse… Embora fosse capaz de visualizá-las na sua , era só isso. Ele não tinha certeza se conseguia real extrair as habilidades. Elas haviam se integrado profunda com ele, era difícil separá-las de suas outras habilidades.

Ao ver que Eiro estava tendo dificuldade, Lognir colocou a mão na cabeça do Demônio.

— Não se preocupe, vá no seu próprio ritmo. Não precisa masterizar essa arte instantanea. Na verdade, seria mais surpreendente se conseguisse, mas, aqui, deixe-me colocar um pouco de ‘ordem’ na sua .

Eiro sentiu um calor entrar através do seu couro cabeludo, as imagens mentais que estava vendo se tornando mais claras, como se de fato houvesse dois orbes flutuando na sua frente. Ele se lembrava dessa sensação, como se tudo o que não deveria estar ali simples desaparecesse dos seus pensamentos enquanto conseguia focar no que queria.

— Obrigado. — O Diabrete disse, agradecido, abrindo os olhos. Ele não conseguia prosseguir assim, apesar de as imagens terem se tornado mais claras, não mudava o fato de que não se tornaram verdadeiras massas físicas dentro da de Eiro.

Lognir deu um passo para trás e cruzou os braços, pensando profunda.

— Não podemos continuar até que você masterize isso. Acho que você deveria praticar um pouco mais e depois podemos revisitar. — O Dragão sugeriu. Embora estivesse um pouco incomodado com isso, desde que queria conseguir suas memórias o mais rápido possível, Eiro preferia terminar agora.

Mas, obvia, isso ainda não era possível. Era irritante. Muito, muito irritante. Enquanto Eiro pensava, ele fechou os olhos, imerso em pensamentos do que deveria fazer para conseguir.

Enquanto o demônio pensava, ele escutou passos desajeitados de uma jovem criatura se aproximando dele. Quando abriu os olhos de novo, ele viu uma das seis crianças de Lognir sentada na frente dele, curiosa. Todas as crianças de Lognir eram específicas e diferentes de Dragão, por mais que fizesse pouco sentido.

Lognir explicou mais cedo o motivo para Eiro. Sua companheira, Krista, era um Dragão do Caos. Ela exalava caos, o que tornava quase impossível tanto para Lognir quanto para Eiro descobrir o que ela faria a seguir, de tão longe que isso ia.

Se um Dragão do Caos acasalasse com outro tipo de Dragão, acabaria sendo, em sua maioria, com outro Dragão do Caos, embora às vezes com habilidades um pouco diferentes entre si, mas, neste caso, como Lognir era um Dragão da Verdade, ele trouxe ‘Ordem’ para o ‘Caos’ de Krista. Era por isso que todas essas crianças pareciam ter uma Raça Dracônica diferente. Um era um Dragão da Tempestade, outro um Dragão do Gelo e os outros eram Fogo, Rocha e Veneno. Por fim, havia aquele que caminhou até Eiro: o Dragão Demoníaco.

Ele tinha dois grandes chifres na cabeça e as garras mais afiadas da ninhada. Além disso, suas asas eram as mais proeminentes. Eiro se agachou na direção dele e esfregou a parte de cima da cabeça, Lognir risse.

— Parece que Jhir gosta de você. Bem, isso era esperado.

— Era? Eu pensei que talvez Hargo e Migna se interessassem por mim. Não sou o melhor exemplo de um demônio. — Eiro comentou, se referindo aos Dragões do Gelo e de Fogo que também estavam olhando na direção do Diabrete. Os outros não estavam tão interessados.

— Por que isso? Você parece bastante Demoníaco para mim. — Lognir explicou e Eiro estreitou os olhos, pensativo.

— Eu… Eu ainda não te contei sobre isso?

O sorriso do Dragão da Verdade desapareceu em um instante enquanto encarava Eiro.

— … Me contar o quê?

— Uma das crianças que estive criando há sete ou oito anos é a Sacerdotisa Sagrada. E, claro, isso é parte do plano para querer me tornar o Herói.

— … Certo… Err… Algo mais que queira me contar antes de continuarmos?

— Acho que não. Já te disse o mais importante. — Eiro explicou enquanto continuava acariciando o focinho do dragão recém-nascido. — De qualquer modo, ele é fofo. É bom quando eles ainda são tão fofinhos… Preciso aproveitar com meus dois caçulas… — O demônio disse.

— Oh, não é melhor se eles se tornarem independentes para que você possa cuidar dos seus próprios assuntos?

— Em que mundo isso é verdade? Claro, quero dizer, é bom se eles se tornarem independentes em algum momento, mas isso é bom principal para eles, não para… você. Para você, eles sempre serão crianças pequenas e você quer cuidar deles. Não importa quão impressionantes eles sejam, mesmo em tenra idade. Meu filho mais velho nunca pareceu uma criança de verdade, então foi o primeiro a querer sair e fazer suas próprias coisas de vez em quando. Mesmo assim, eu me preocupo com ele e me certifico de que ele esteja bem quando eu não estou por perto.

Lognir riu ligeira.

— Sei, mas as suas crianças não são Dragões.

Eiro soltou um suspiro profundo.

— Verdade, mas por exemplo, uma das minhas crianças é literal invulnerável. Isso não significa que algo ruim não possa acontecer com ele. Ele pode passar por momentos difíceis e quem pode dizer que ele será real invulnerável para sempre? Vamos dizer que ele é um dragão. ‘Matadores de Dragões’ existem. Eles são raros, claro, mas podem aparecer a qualquer momento. Não acho que todos os Dragões estejam em bons termos. Ficar um pouco preocupado nunca é algo ruim.

— Você está certo, você não é um demônio apropriado. — Lognir disse com um sorriso irônico. — Acho que… Talvez essa seja uma boa forma de se olhar para isso… — O Dragão olhou para seu filho à sua frente e se abaixou, acariciando as costas dele.

Depois de alguns momentos, ele percebeu algo.

— Ah, acho que tenho uma ideia de como você pode masterizar aquela técnica muito rápido, afinal.

— E como é? — Eiro perguntou curioso e Lognir estava prestes a abrir sua boca quando outra pessoa entrou na sala.

— Ei, rapaz, Lognir, estou pronto para começar a trabalhar. Querem vir assistir? — Armodeus exclamou.

Esse era o acordo, afinal. Armodeus só poderia trabalhar com os materiais que recebeu aqui se Lognir o observasse. Como o Dragão imaginou que Eiro ainda deveria tirar uma pausa, ele se virou e assentiu.

— Parece uma boa ideia. Eiro, explicarei mais tarde. Por ora, vamos observar seu amigo trabalhar.

— Tudo bem. — Eiro fez com um leve suspiro. Claro, ele estava curioso, mas, contanto que conseguisse descobrir como recuperar suas memórias durante este tempo aqui, ele ficaria bem. Confiava em Lognir quando ele dizia que conseguiria ajudá-lo. Além disso, ainda era o primeiro dia, eles tinham muito tempo. De acordo com Lognir, já estavam muito adiantados no ‘cronograma’ que ele havia planejado, considerando quão rápido Eiro conseguiu manipular sua aura de forma suficiente.

O Demônio se levantou e seguiu Lognir até a sala em que Armodeus montou uma oficina improvisada enquanto o Dragão Dracônico seguia Eiro, tentando acompanhá-lo, mas para a surpresa do Diabrete, o Anão Ancião não montou uma oficina ‘improvisada’. Ele conseguiu criar uma forja adequada ao moldar a parede rochosa e estava usando magia para montar tudo. Era provável que fosse algum tipo de habilidade especial que o permitisse montar uma oficina perfeita aonde quer que fosse.

Ele até conseguiu carvão de algum lugar, embora Eiro não tivesse ideia de onde. Talvez ele também tivesse alguma habilidade de armazenamento em seu repertório. De qualquer forma, por agora, Eiro observou enquanto Armodeus triturava as cascas dos ovos dos Dragões. Semelhante à como os Dragões eram espécies diferentes, as cascas também tinham algumas propriedades únicas entre si, as quais o Anão Ancião queria aproveitar.

Depois que as cascas foram trituradas, o artesão as misturou com outros materiais e as derreteu, um processo que extraía certas propriedades metálicas das cascas.

E era isso que Armodeus utilizaria para criar alguns itens.

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