
Volume 4 - Capítulo 332
A Virtude do Demônio
— Agora, isso é uma surpresa. Isso é algo que eu nem planejava te ensinar. — Lognir apontou com os braços cruzados, surpreso que Eiro foi capaz de fundir, aparente com muita facilidade, sua aura com o ar ao redor dele. — Você possui habilidades impressionantes.
Eiro lenta parou de controlar sua aura, voltando ao normal alguns segundos depois.
— Obrigado. Embora, no fim do dia, eu diria que tive sorte com muita coisa. Muitas coincidências que se acumularam ao longo do tempo.
Lognir sorriu um pouco enquanto balançava a cabeça.
— Isso é o que você pode pensar, mas eu não teria certeza siso. Você possui algo especial dentro de você, algo que é parte do fluxo do destino. Você foi levado a todos os lugares onde precisava estar e, com seu próprio poder, agarrou essas oportunidades e as usou em seu benefício.
Eiro não tinha certeza do que deveria pensar sobre esse ponto de vista, já que nem sabia se ‘destino’ era algo real neste mundo. Parecia possível, claro, mas não era algo em que Eiro acreditava ou queria acreditar, afinal, um conceito que era baseado no fato de que você tinha menos vontade própria do que pensava a princípio, com tudo sendo premeditado. Esse conceito fazia Eiro se sentir um tanto impotente e essa era a sensação que menos apreciava de tudo que experienciou na sua vida.
— Não há nada com o que se preocupar. ‘Destino’ como um conceito não é tão poderoso. Você está dentro de um certo fluxo dele, mas esse ‘fluxo’ controla apenas as coisas que acontecem no mundo ao seu redor. Você tem o poder de parar dentro do fluxo, de fazer piruetas e truques e pode até mesmo sair dele para caminhar no próprio caminho, se isso é o que deseja. Há apenas algumas coisas que não podem ser mudadas dentro do destino. — Lognir explicou e Eiro ficou curioso sobre o que ele estava falando.
E como iria tirar uma pausa para organizar seus pensamentos, era uma boa ideia conversar mais sobre isso com Lognir.
— E o que seriam essas coisas?
— Claro, a resposta mais simples para isso é ‘aquilo que já aconteceu.’ O passado não pode ser mudado, não importa o quanto você tente. Então, existem certos eventos de importância na vida de cada criatura viva que são determinados quando nasceram. Tais coisas podem assumir qualquer forma possível. Normalmente existem apenas dos eventos ‘Fixos’ no fluxo do Destino de alguém. Existe, claro, o ‘Nascimento deste ser e o ‘Auge’ deste ser.
— … Auge? Quer dizer ‘Morte’? — Eiro perguntou, mas Lognir balançou a cabeça.
— Claro que não. A morte é algo que nem o Destino possui controle. Você poderia morrer nesse instante, por sua própria escolha, ou daqui dez anos nas mãos de outra pessoa. — O Dragão explicou. Dependendo do momento da sua morte, você pode não ter vivenciado seu verdadeiro ‘Auge’. Seu ‘Auge’ é o momento que possui mais impacto dentro da sua vida. Algo que abala todo seu ser e, algumas vezes, algo que pode te mudar para sempre. Ou é algo que fortalece suas crenças e estabelece que tipo de pessoa você é.
Eiro pensou sobre essa explicação para o Destino. Parecia que ele era uma força que existia, de alguma forma, mas ele o via sob a luz errada esse tempo todo.
— Há alguma forma de saber o que o meu ‘Auge’ deveria ser? — Eiro questionou, mas Lognir balançou a cabeça.
— Não há. Você pode tentar adivinhar, mas não há nada que diga definitivamente o que é o seu ‘Auge’.
— Entendo. — Eiro murmurou baixinho e Lognir caminhou até ele, colocando a mão no ombro do Demônio, puxando-o em direção ao outro lado da sala em que estavam.
— Venha, vamos tirar uma pausa. Podemos continuar mais tarde. Talvez tentar manipular a sua aura em alguns padrões mais diferentes e então começaremos com ‘Manipulação de Habilidades.’ Soa bem? — O Dragão sugeriu.
Eiro não era contra a ideia, então apenas assentiu em reposta. Os dois, com, Bavet no ombro de Eiro, saíram daquela sala e foram para a outra onde os outros dragões estavam e onde Armodeus inspecionava os mateias que recebeu para trabalhar. Ele também estava tentando descobrir o que poderia fazer com as escamas e as cascas dos ovos, de forma que não fosse desrespeitoso para os Dragões.
Mas, como não estava trabalhando em nada, Eiro decidiu que deveria checar Lugo por um tempo. Ele caminhou até o Cervo e se agachou na frente dele, esfregando a cabeça dele com um sorriso na face.
— Você está bem, cara? — Eiro perguntou. Com um berro alto, Lugo abriu os olhos e respondeu.
— Estou feliz de ouvir isso, mas, além disso, estou um pouco surpreso que aquelas crianças não te assustaram. — O Diabrete comentou com uma risada e Lugo virou a cabeça para os Dragões recém-nascidos, respondendo com outro berro, embora esse um pouco mais baixo que o primeiro.
— Claro, você é meu familiar super corajoso. — Eiro disse, de uma forma um tanto condescendente e passiva, mas o Cervo não pareceu entender isso e, em vez disso, apenas exibiu uma expressão presunçosa.
Ao ver Eiro interagir com Eiro dessa forma, Lognir olhou para os dois com curiosidade e perguntou.
— Que tipo de criatura ele é?
Eiro virou a cabeça um pouco surpreso.
— O que você quer dizer?
— Perguntei que tipo de criatura ele é. O que mais eu poderia perguntar? Ele não é um monstro, mas também não é apenas um animal. Eu reconheceria outra besta mágica se a visse. Então, perguntarei de novo. Que tipo de criatura ele é?
— … Então, é assim. Quando o conheci pela primeira vez, até pouco tempo atrás, o status dele parecia como o de qualquer outro animal, mas ele comeu uma Pedra Mágica da Natureza e, de repente, ganhou um nível.
— Ele comeu uma Pedra Mágica? E a absorveu dentro dele? — Lognir questionou, quase chocado de escutar algo assim. — … Escutando isso… Talvez seja algum tipo de Besta Divina?
— Bestas Divinas possuem a habilidade de absorver Pedras Mágicas?
— Não inerentemente, mas uma Besta Divina é uma criatura que possui ‘Níveis’ apesar de não os ter originalmente. Uma criatura abençoada por seres divinos. Elas possuem habilidades que são únicas delas.
— Mas como Lugo receberia a bênção de um Criatura Divina? E como isso não apareceu como um bênção no status dele? — O Demônio comentou e Lognir sorriu suave enquanto explicava.
— Claro, pode não fazer sentido, mas talvez seja um presente destinado a você? Algo de natureza divina teria o matado instantaneamente. Então, em vez disso, foi para seu familiar, o criatura mais próxima de você.
Eiro olhou para Lugo, mas não tinha certeza se essa explicação fazia sentido para ele. Ele não fez nada para merecer a bênção de um criatura divina. Ele nem merecia as bênçãos do Rei e Rainha dos Espíritos que recebeu, especialmente ao considerar o fato que Eiro era visto como nada além de uma criatura de extermínio em massa por aqueles nos céus.
Ele também não sentia nenhuma conexão com alguma divindade. Embora acreditasse na existência delas, claro, considerando que elas costumavam caminhar neste mundo, usando seus poderes divinos para qualquer coisa que quisessem, ele nunca passou um momento sequer rezando para elas. Nem sequer falou sobre elas com alguém.
Então, não fazia sentido. Além disso, durante esse breve período que foi afetado pelo rebote da habilidade aprimorada ‘Resistência à Energia Sagrada’, sentiu que o fluxo de Energia Sagrada por toda parte, sem nem precisar tentar. Embora sentisse um pouco de Energia Sagrada em tudo, os únicos dois lugares onde havia uma literal ausência dela era dentro de Eiro e dentro de Lugo.
E, claro, uma bênção de um divindade deixaria pelo menos um pouco de Energia Sagrada dentro de Lugo.
— Vou tentar pensar em algo. Quando conseguir, talvez eu venha te visitar, ou acontecerá de nos encontrarmos quando você voltar até Solomon no futuro.
Ao ouvir isso, Lognir levantou suas sobrancelhas e explicou.
— Ah, isso me recorda… Solomon me informou de algum tipo de torneio que acontecerá na capital em cerca de meio ano. Irei observá-lo junto de Solomon, para garantir que não haja nenhuma trapaça acontecendo. Prometi isso para ele. Claro, também sinto falta daquela criança algumas vezes.
Eiro riu baixinho dentro de si ao ouvir a criatura chamando Solomon de criança e olhou de volta para o Dragão.
— Na verdade, irei participar deste torneio. Solomon me pediu há um tempo, depois de explicar para ele que matei <O Mundo>.
— … Você o quê? — Lognir questionou. — Você matou <O Mundo>? Essa criatura não estava selada há muito tempo?
— Sim, estava, mas aconteceu que, acidentalmente destruí o selo, então matei <O Mundo> e me tornei um candidato para o próximo <O Mundo>. Após minha próxima evolução, presumo que poderei ativar com segurança essa Carta.
— Isso é de fato bastante interessante… Um Nobre competindo para se tornar parte do grupo do Herói, mal posso esperar para ver isso acontecer.
— Eu também, embora eu ache que há algo que você deveria saber sobre isso… — Eiro começou, explicando o resto do plano em que trabalharia no futuro e Lognir permaneceu ali perplexo. Claro, Armodeus, que também escutou isso pela primeira vez, reagiu chocado.
— Você irá matar <O Diabo>, roubar de volta a ‘Chave que abre tudo’, para poder roubar a parte que torna o ‘Herói’ o verdadeiro ‘Herói’ e matar o Rei dos Monstros? Como você é um Monstro, você se tornará o próximo Rei dos Monstros, enquanto ainda é o ‘Herói’?
— É mais ou menos isso.