
Volume 4 - Capítulo 325
A Virtude do Demônio
Enquanto Eiro empurrava Corvo contra a parede, este monstro disse algo que Eiro não esperava. Ele virou a cabeça para o lado por um instante, dando uma olhada em uma figura parada ao longe no meio do ar. Ele não estava voando com algo como asas, estava de fato parado ali, como se levitasse.
E foi por um instante e Eiro também não estreitou o aperto que tinha em Corvo, mas, quando estava no processo de olhar de volta para Corvo, conseguiu sentir a literal ausência de massa na sua frente. Eiro caiu para frente e tentou se recompor enquanto percebia o que acontecia.
A primeira coisa que Eiro percebeu era que não havia como o Corvo ter fugido. Eiro teria notado isso de uma forma ou outra, fosse por vê-lo, escutando seus passos ou até mesmo sentir o vento sendo empurrado.
Mas não, nada disso aconteceu. Em vez disso, por uma fração de segundo, a área ao redor de Eiro estava vazia. Foi um período menor do que um piscar de olhos, mas, nesta fração de segundo, o Corvo sumiu. Então, ele retornou.
Talvez a cerca de 10 ou 15 monstros de Eiro, não era uma distância tão incrível, mas ainda era considerável. O ar naquela área começou a mudar, como se chamas quentes estivessem logo abaixo. saindo desse espaço instável, onde a figura de Corvo apareceu.
Ele conseguiu teletransportar, ou melhor, piscar, uma curta distância. Através da sua velocidade, desbloqueou a capacidade de fazer isso. Isso só poderia significar uma coisa.
O Corvo estava brincando com Eiro. Ele poderia ter virado as mesas instantaneamente. Talvez fosse burro demais para perceber esse fato, ou mantinha algum tipo de orgulho na sua mente, embora Eiro duvidasse que fosse este último.
Este monstro permaneceu ali e estava prestes a se mover, mas se virou como se tivesse esquecido algo. Ele levantou sua mão e segurou um objeto que aparente foi arremessado em sua direção pelo homem que estava parado no meio do ar à distância, embora fosse necessária uma quantidade incrível de força ou controle sobre magia à essa distância tão grande.
— Quase esqueci. Se aquele orc irá morrer em breve, eu tenho que fazer isso. — O monstro disse e levantou sua mão. O Corvo segurava o que parecia uma joia preciosa e esculpida, um tipo que Eiro não recordava de ter visto. Isso começou a brilhar e Eiro supôs o que aconteceria a seguir.
Ele saiu do caminho o mais rápido possível e mal conseguiu escapar do ataque. Um raio de luz poderoso que tinha cerca de 5 metros de diâmetro foi disparado daquela joia.
Ela devorou a montanha imediatamente, afundando na Vila dos Orcs. A lateral do corpo de Eiro foi ligeiramente queimada com esse raio, mas, por sorte, não parecia um risco, mesmo que tivesse drenado um pouco da sua vida. Um arranhão dele retirou cerca de um quarto a um terço da vida total de Eiro.
O Demônio rangeu os dentes e olhou para o buraco gigante criado nesta montanha. Ele enviou um pulso de mana através da rocha da montanha e compreendeu que isso deveria ser um dano suficiente para fazer a caverna desmoronar. A vila dos Orcs seria destruída.
Eiro sabia o que tinha que fazer. Claro, ele queria perseguir o Corvo, mas essa era uma derrota de qualquer forma. Ele já estava sendo cercado por penas negras para uma grande saída.
— Espero que possamos brincar de novo outra hora. Espero que fique mais forte até lá. Quero um desafiante contra quem posso ir com tudo. Você será esse desafiante? Será? — O Corvo perguntou e Eiro o encarou de volta com raiva brotando dentro dele.
— Sim, claro… quando essa hora chegar, irei te matar. Escutou? — Eiro anunciou com um rugido, observando o Corvo sorrir enquanto a gema que segurava se transformava em pó. Ele se transformou em um corvo de verdade e voou para longe com uma velocidade extrema.
E Eiro continuou a se concentrar no assunto que tinha em mãos, apesar de quão exausto se sentia. O Demônio se ergueu usando a pedra sob seus pés e se impulsionou em direção ao grupo mais próximo de árvores, pegando todas as nozes e sementes que conseguia delas, em seguida correndo até o orc idoso.
Nelli parecia ter conseguido estabilizá-lo por ora, mas pelo que Eiro conseguia dizer, ele não viveria muito mais com este tipo de ferimento e sua idade. Por mais irritado que isso tenha deixado Eiro, o Diabete segurou o orc idoso e começou a descer pelo túnel que foi criado por aquele raio.
O chão estava derretendo, mas, com um pouco de magia de gelo e terra, Eiro conseguiu ignorar isso.
Logo, o Demônio chegou ao interior da caverna. A primeira coisa que viu foram alguns pedaços de corpos de orcs espalhados perto do buraco, com um deles enterrado na rocha derretido. Morto, claro.
Outros foram esmagados pelos detritos. Um dos orcs pareceu ajudar usando magia de terra, protegendo as crianças e a criança orc com quem Eiro falou antes.
Eiro cerrou seus dentes e inseriu magia nas nozes que tinha com eles, junto com as que havia reunido agora. Ele as arremessou em diferentes partes da caverna e usou Magia de Natureza para fazer árvores crescerem rapidamente das nozes.
Através dessas árvores, Eiro conseguiu estabilizar temporariamente esta área da caverna. O Demônio olhou para a criança Orc perto dele e correu até ela, entregando uma bolsa cheia de pedras mágicas da natureza.
— Certifique-se de que qualquer um que tenha controle sobre sua mana a insira nesta pedra e naquelas árvores. Isso as sustentará por mais tempo. Eu cuidarei do resto da caverna. Quando tudo estiver seguro, darei um sinal e abrirei um caminho para você começar a descer a montanha. Vá para onde precisar, eu te encontrarei aonde quer que você vá. — A criança não parecia entender o que estava acontecendo, mas, pelo menos, escutou as palavras de Eiro e sabia o que tinha que fazer.
Enquanto isso, Eiro fez o que disse que faria. Depois de deitar o orc idoso ao lado de outro mais forte, para que alguém pudesse carregá-lo, Eiro cresceu árvores pela caverna, as quais poderiam ser usadas como suporte, impedindo que tudo desmoronasse.
Eiro também tentou fazer as raízes dessas árvores crescerem em direção a um único lugar, onde poderia nutri-las com magia enquanto todos escapavam, mas isso parecia muito mais difícil do que ele pensava. Pelo menos, conseguiu sustentar pouco mais de metade das árvores sozinho. As outras eram mantidas pelas pedras mágicas entregues para os Orcs.
— Garoto! Vai! — Eiro gritou na direção da criança Orc e, assim que o lugar foi esvaziado, Eiro enviou Nelli, Gondos e Sarius para fazer os outros Orsc saírem, aqueles que mantinham as árvores. Gondos certificou-se de segurar algumas das rochas menores que estavam caindo, mas, por sorte, isso não foi mais necessário quando todos saíram. Assim que eles saíram, Eiro virou a cabeça e observou as outras árvores apodrecerem e definharem. Era isso que acontecia com plantas criadas por meio da Magia de Natureza, se não fossem alimentadas constantemente, morreriam muito rápido.
Agora, tudo o que Eito tinha que fazer era correr, algo que não era um problema ao considerar suas asas.
Ele correu atrás dos orcs e conseguiu vê-los descendo a montanha. Parecia que estavam na direção da vila dos Kobolds.
Eiro não tinha certeza do que aconteceria com os Orcs se permitisse que tudo isso ocorresse de forma descontrolada, como um deslizamento de terra ou uma avalanche, então tentou controlar partes específicas deste lado da montanha para os Orcs conseguirem ter uma descida segura.
Demorou um bom tempo até que tivesse certeza de que tudo estava seguro, desde que a montanha nesta parte desmoronou por completo. Embora houvesse alguns tremores e deslizamentos, como Eiro pensou, mas isso só aconteceu em áreas que os Orcs não eram mais afetados.
O Demônio voou até o lugar em que todos os Orcs haviam se reunido, uma área plana e segura em que conseguia se sentar e descansar, agora que nada mais estava acontecendo.
Eiro pousou na frente dos orcs e todos olharam nervosos para ele, pensando que ele poderia ter sido a causa do colapso da vila deles. Até a criança orc com quem ele falou antes parecia muito nervosa com essa possibilidade.
— Vo-Você-
— Não, não fui eu. Havia um monstro escondido no pico desta montanha. Ele saiu enquanto eu conversava com aquele velho ali. — Eiro explicou, ao ver os olhos cansados e entreabertos do orc idoso à beira da morte. — Era aquele que estava matando todo mundo. Ele era rápido e conseguia até mesmo se teletransportar. Acho que pode ter danificado os orcs da sua vila sem causar danos no exterior.
A criança o encarou.
— Por que alguém faria algo assim?!
— … Existem alguns indivíduos muito doentios neste mundo, garoto. Lembre-se disso. Eu consegui afastá-lo, mas ele disparou aquele último ataque do qual não conseguia me defender. Me desculpe por permitir que isso acontecesse.
Lágrimas se acumularam nos olhos da criança orc.
— E-Ele virá tentar nos matar de novo…?
— Não, não se preocupe. Ele não tem esse plano… Não se preocupe.