A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 318

A Virtude do Demônio

Kitsue se levantou na frente de Gobo e rangeu seus dentes de raiva.

Ela estava ficando cada vez mais irritada e Eiro era capaz de ver que ela se preparava para usar uma de suas habilidades. A Kitbold se inclinou para frente, com cuidado para que isso não fosse aproveitado por Gobo, então caiu de braços para que ficasse de quatro.

Suas costas se inclinaram enquanto era possível ouvir seus ossos se estalarem e seus músculos se rasgarem. Ele não era o único capaz de ouvir isso, a maioria dos seres ao redor também conseguia. Parecia que Bavet estava interessado nisso, desde que ela utilizava uma das especialidades pessoais do slime: mudança de forma.

A estrutura física do corpo de Kitsue foi alterada, enquanto soltava um rugido profundo. Ela havia se transformado em um grande felino. Algo semelhante a um tigre, leão ou pantera, mas nenhum deles, pelo que Eiro podia discernir. Bem, não era como se ele tivesse visto qualquer um desses na vida real, apenas nos bestiários que aconteceu de ler aqui e ali, mas, pelo que sabia, o corpo atual da Kitsue compartilhava algumas partes em comum entre todos esses, ao mesmo tempo que tinha alguns aspectos únicos.

Mas uma coisa era certeza… Suas capacidades físicas deviam ter sido aprimoradas em comparação a antes. Ela afundou suas longas garras no chão enquanto se preparava para avançar. Claro, mesmo nesta forma, Kitsue não deveria ser um desafio para Gobo. Pelo menos se ele fosse capaz de se mover livremente, porém, como ele se restringiu a ser incapaz de sair do círculo que desenhou no chão, nem ser capaz de usar suas pernas para andar, isso era outra história.

Eiro tinha pouca intenção de permitir que Kitsue fosse a líder desta vila. Se ela vencesse, ele a mataria quando não houvesse ninguém por perto e faria parecer como se ela tivesse ido se vingar dos Orcs das Terras Altas, mas, em vez disso, acabou sendo morta, para que Gobo ainda pudesse ser o líder.

Isso, entretanto, seria muito vergonhoso na opinião de Eiro. Apesar de Kitsue ser fraca em comparação a Eiro e, após o treinamento que recebeu do Demônio, Gobo, ela era muito poderosa, capaz de dominar toda esta vila cheia de Goblins. Era provável que fosse necessário um grupo de aventureiros de rank C para derrotá-la, se não, até mesmo, um grupo de rank B. Pelo menos, ela era mais poderosa do que Gobo quando Eiro o encontrou pela primeira vez.

Esse sendo o caso, ela seria um bom indivíduo para se treinar e criar, além de Gobo e dos outros Goblins ‘especiais’. Provavelmente também havia alguns seres especiais entre os Kobolds, assim como aquele ao lado de Eiro, que já era capaz de usar Linguagem Comum, ainda melhor do que Kitsue, que já era surpreendentemente boa.

Depois de pensar por alguns instantes, Eiro voltou sua atenção para a luta acontecendo à sua frente. Kitsue estava pronta para avançar e Gobo mudou sua postura para receber o ataque dela com mais facilidade. Até sacou sua arma principal, aquela que se tornara mais capaz nos últimos tempos, o cajado. Isso não significava o cajado utilizado para conjurar magia, mas um bastão.

Bem, Eiro utilizou materiais que o tornavam um cajado mágico viável, embora não fosse tão capaz quanto um cajado ou varinha comum, mas, de qualquer forma, ele cumpria seu papel. Gobo respirou fundo e esfregou suas mãos no bastão, infundindo Escuridão nele, a Escuridão que criou ao pressionar suas mãos na superfície do bastão.

Este não era o melhor lugar para usar esse elemento, mas parecia que Gobo tinha um plano. Ele retirou o gerador de faíscas que Eiro deu para ele mais cedo e o utilizou para criar algumas chamas. Chamas que se espalharam na frente dele para ter certeza de que Kitsue não fosse capaz de atacá-lo de certos ângulos.

Eiro pensou que era bem óbvio o que Gobo tentava fazer, mas, ao considerar que Kitsue não conhecia muito sobre magia, sem mencionar Magia de Escuridão em particular, ele não a julgava por sua tolice. Na verdade, ela conseguiu usar sua velocidade para quase alcançar Gobo antes que ele conseguisse criar a parede, o que por si só mostrou suas habilidades físicas.

O Demônio observou a luta com curiosidade enquanto Kitsue avançava de novo, mas, agora, ela estava atacando de um ângulo em que o sol estava nas costas de Gobo, criando uma sombra que ele conseguia usar para fortalecer a Magia de Escuridão que infundiu em seu bastão.

Gobo se livrou das chamas, como as últimas fontes de luz interrompendo sua Magia de Escuridão e empurrou seu bastão na direção de Kitsue, mas, por algum motivo, parecia que ela conseguiu usar algum tipo de habilidade especial para desviar.

Como se ela conseguisse colocar os pés no ar por uma fração de segundo para pular de novo, o que utilizou para mudar o ângulo em que atacou.

Mas, mesmo com uma mudança como essa, devido à natureza do ataque de Gobo, isso não importava. O Hobgoblin havia empurrado seu bastão e inserido o máximo de Magia de Escuridão que era capaz, concentrando-a na ponta do bastão. Então um espinho sólido de pura Magia de Escuridão disparou da ponta do seu bastão, sendo enterrado na carne da Kitbold.

Enquanto os outros do lado de fora da arena não sabiam o que estava acontecendo, Eiro sabia o que era esse ataque, afinal, o havia desenvolvido junto de Gobo. Em algum ponto ele havia descoberto o foco da Magia de Escuridão de Gobo, ou melhor, o talento que ele possuía nela: ‘Solidificação da Escuridão’. No começo, praticaram criar pontas de lanças para o bastão de Gobo, para que ele conseguisse fazer ataques surpresa.

Assim como ele havia feito isso, essa ‘ponta de lança’ não precisava sair da frente, em vez disso poderia sair de qualquer parte do bastão. Se um oponente segurasse o bastão, Gobo seria capaz de usar magia para criar um espinho de escuridão no local e danificá-lo.

O Hobgoblin balançou seu bastão ao redor do seu corpo para se aproveitar do momentum de Kitsue e depois a jogou no chão com toda a força que conseguiu reunir.

Eiro escutou ossos dela se quebrarem em seu peito que quase perfuraram alguns órgãos vitais, depois que Gobo começou a puxar a magia para fora do corpo de Kitsue.

A Kitbold tentou se levantar de novo, mas estava com muita dor para isso. Gobo decidiu que deveria terminar com isso e nocauteá-la, mas, quando estava prestes a atingi-la com seu bastão, Eiro o impediu ao segurar o bastão com o pé.

— Acho que isso é suficiente, não acha? — Eiro perguntou a Gobo. — Irá matá-la neste ritmo.

Gobo o encarou de volta por um instante e afastou seu bastão.

— Entendo… — Ele respondeu e o Diabrete sorriu um pouco enquanto se virava para os espectadores.

— A luta está encerrada! Kitsue sem dúvidas perdeu! — O Demônio exclamou, escutando uma voz atrás dele. Apesar de que não era uma voz normal, já que não era criada através de cordas vocais, mas, em vez disso, por meio de algum tipo de magia. O que fazia sentido, afinal felinos grandes não são capazes de falar.

— Kitsue não perdeu! Kitsue consegue lutar! — Ela tentou protestar, mas Eiro olhou para ela e agachou enquanto esfregava a mão na cabeça dela.

— Você morrerá se se mexer um pouco. Então, isso não é uma boa ideia. — Ele apontou e, de imediato, balançou sua cauda para frente, pressionando seu ferrão em uma das veias no pescoço de Kitsue.

Eiro não a envenenou, mas inseriu alguns anestésicos no sangue dela para fazê-la dormir e para que pudesse tratar seus ferimentos. O Demônio se levantou e pressionou a mão no ombro de Gobo.

— Bom trabalho. — Disse e continuou falando com os Goblins e Kobolds que estavam na sua frente, com o apoio dos tradutores que o ajudavam.

Primeiro, explicou que Kitsue estava bem e que precisava dormir e se recuperar um pouco, então continuou explicando o que aconteceria com esta Vila e os Kobolds daqui para frente, dizendo que escolheu tornar os Kobolds membros valiosos deste lugar, com Kitsue como representante deles, enquanto Gobo ainda fosse não apenas o representante dos Goblins, mas também o Chefe da Vila.

Então disse para os Kobolds se reunirem enquanto os Goblins retornavam às suas vidas normais. Eles poderiam se acalmar por ora, depois da forma como foram tratados nas últimas duas semanas.

Eiro pressionou seu pé no chão e fez com que uma placa de rocha se levantasse, segurando Kitsue para que pudesse levá-la até a caverna, onde a trataria com mais facilidade. Ele, seguido por Gobo e os outros Hobgoblins, assim como o Kobold tradutor, que parecia ser o segundo em comando dos Kobolds, de qualquer modo.

Com um leve suspiro, Eiro olhou para o corpo de Kitsue.

— Você realmente a destruiu, hein? — Ele murmurou, olhando para o Kobold. — Você. Ela não consegue se transformar de volta até que seu corpo esteja curado, certo?

Um pouco surpreso, o Kobold assentiu.

— Sim. Muda quando o corpo não está quebrado. Pode ser machucado, não pode estar fora de lugar. — O Kobold explicou. Então, estava tudo bem se ela ainda sentisse dor, contanto que tudo estivesse no lugar correto.

Eiro poderia trabalhar com isso. Ele retirou seu Três de Espadas e combinou com alguns pequenos bisturis que Armodeus fez para ele… Então, o Diabrete começou a curar o corpo de Kitsue.

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