
Volume 4 - Capítulo 317
A Virtude do Demônio
Na manhã do dia seguinte, estava sentado no seu ‘trono’, olhando para a arena que foi construída na sua frente. Gobo estava de um lado e Kitsue, do outro.
Gobo encarou a Kitbold, que parecia mais do que confiante em vencer esta luta e fazer Eiro seu, embora o Demônio tenha deixado claro que não ficaria com ela, mesmo se ela conseguisse derrotar Gobo com uma única mão. Eiro poderia ter feito tal promessa para dar mais motivação a Kitsue e impedi-la de reclamar por ora.
Afinal, não havia como Gobo perder contra ela. Mesmo que ele se sentasse e permitisse que ela o espancasse.
Mesmo que não houvesse como Gobo perder, Eiro sabia que precisava ter certeza de que Kitsue entendesse quem era o Senhor aqui. Quem detinha o poder, quem tinha o direito de comandar, era Eiro. A própria Kitsue não tinha direitos a menos que Eiro os desse a ela. Com um sorriso amplo na face, a Kitbold olhou para seu oponente.
— Kitsue vai matar o Goblin e fazer o Goblin Vermelho seu companheiro!
— Você bateu a cabeça noite passada? Já te disse que ele não é um mero Goblin. Ele é um glorioso demônio. Não entendeu isso? — Gobo questionou com um olhar profundo, mas Kitsue inclinou a cabeça para o lado.
Eiro apreciou que Gobo falou por ele, mas, ao mesmo tempo… Sua raça estava entre os monstros mais fracos que existiam. Um Diabrete regular estava no mesmo nível de um Goblin e Eiro era um Diabrete Inferior, o que significava que ele era ainda mais fraco, além disso, devido à como Eiro começou… Ele nem possuía qualquer atributo, tornando-o ainda mais fraco do que um Diabrete Inferior naquela época. Eiro não tinha certeza se isso poderia ser chamado de tão ‘glorioso’, mas deixou isso passar. Ele gostava de ser elogiado.
— Kitsue não conhece Demônio! Demônio é Goblin Vermelho, sim? — Ela perguntou com uma expressão tola e Eiro a encarou, irritado. Parecia que Gobo também estava ficando um pouco mais irritado. Eiro havia o ajudado a se acalmar após o modo como ele reagiu na noite passada, mas parecia que Gobo ainda não conseguia fazer isso sozinho.
— Gobo. Concentre-se. — Eiro instruiu e o Hobgoblin se virou, acenando com a cabeça. Ele respirou fundo e olhou de volta para Kitsue.
— Irei fazer com que se arrependa de ter vindo aqui, gata. — Gobo disse com um tom bravo e Kitsue sorriu, sem levá-lo nada a sério.
Ao ver que esse era o caso, Gobo disse algo que Eiro não esperava. Claro que ele havia visto a possibilidade, mas imaginou que a probabilidade era bastante baixa… Bem, como havia a chance de acontecer, não importava muito. Na verdade, essa era uma rota bastante positiva. Isso permitiria que Gobo afirmasse seu domínio sobre os Kobolds através de supremacia absoluta enquanto mostrava para os outros Goblins que não saiu sem razão e voltou mais forte do que qualquer um deles teria esperado.
Gobo apontou sua mão e mostrou três dedos para Kitsue.
— Meu pé pressionará sua cabeça na terra dentro de três segundos.
Kitsue encarou Gobo de volta, exibindo uma expressão bastante animada. Ela não esperava tal anúncio, mas não parecia se opor a fazer tais ‘apostas’.
— Hehe… Kitsue irá te matar antes que você tenha a chance de agir! — Ela exclamou. Pensando que era um bom momento, Eiro estalou seus dedos para fazer um anúncio adequado. Ele fez com que Vent traduzisse o que ele disse para a Linguagem Goblin e um Kobold forte traduzisse para a Linguagem Kobold. Era importante que todos entendessem o que estava sendo dito. Mesmo que alguns já conhecessem um pouco da Linguagem Comum.
— Esta luta decidirá o líder desta vila. Claro, ele trabalhará sob minhas ordens, mas tomará as decisões enquanto eu estiver fora. Será ele que estará no comando de vocês e manterá esta Vila funcionando. — Eiro exclamou, esperando alguns momentos para permitir que Vent e o Kobold acompanhassem com suas traduções.
Assim que terminaram, o Diabrete continuou.
— Se há alguém aqui que deseja se opor, ficarei feliz em ouvir.
Todos os monstros na área permaneceram em silêncio, então Eiro decidiu que deveria começar.
— Certo. Jogarei esta moeda para o céu e, quando ela cair no chão, os dois começarão a lutar. Entendido? —Gobo e Kitsue acenaram a cabeça, então o Demônio arremessou a moeda no ar.
Kitsue olhou para a moeda o tempo todo, enquanto Gobo estava focando na própria Kitsue. Então, assim que a moeda atingiu o chão rochoso, ela chutou o solo e avançou na direção de Gobo.
Ela balançou sua garra na direção dele, mas o Hobgoblin reagiu com rapidez. Ele estava com sua arma presa ao quadril, mas não parecia que necessitaria dela. Ele também nem tentou usar magia.
Em vez disso, simplesmente segurou o braço de Kitsue e a puxou para que ela perdesse o equilíbrio, enquanto o Hobgoblin chutava o estômago dela com o máximo de força possível.
Então, ele a jogou no chão e observou enquanto ela ofegava por ar, o que era impossível devido à forma como Gobo a jogou. Assim, o Hobgoblin pressionou seu pé no rosto de Kitsue, esfregando-o e o empurrando no chão o mais forte que conseguia, sem que danificasse ela com isso, mas o suficiente para que ela não escapasse.
— Três segundos. Como eu disse. — Gobo comentou enquanto encontrava o olhar de Kitsue. Eiro tinha que dizer, ele estava muito orgulhoso da performance de Gobo. Provavelmente deveria dar a ele algum tipo de presente. Talvez pudesse pedir para Armodeus fazer alguns itens para Gobo. Isso parecia uma ideia muito boa.
Mas, de qualquer forma, mesmo que Gobo estivesse pressionando a cabeça de Kitsue no chão, isso não significa que a luta estava encerrada. Havia duas formas de perder: primeiro, se um deles estivesse incapaz de lutar, de acordo com o julgamento de Eiro, ou se um deles desistisse.
Eiro observou enquanto Kitsue levantava os braços e tentava afundar suas garras na perna de Gobo, mas tudo o que o Hobgoblin teve que fazer foi deslizar o pé leve para longe e pressionar os dedos na parte inferior do queixo dela. Então a chutou para o outro lado da arena antes que as garras de Kitsue conseguissem tocá-lo.
— Hm, você é mais fraca do que pensava. Quer saber, farei algo que meu mestre sempre faz quando me dá a honra de lutar com ele. — Gobo disse e Eiro pensou que isso estava ficando cada vez mais interessante.
Gobo pressionou seus dedos do pé na terra e desenhou um círculo ao redor de si mesmo.
— Não sairei deste círculo, nem usarei minhas pernas para atacar você. Se você conseguir me empurrar para fora do círculo, então a vitória é sua e me tornarei seu subordinado. As condições para minha vitória, sua derrota, permanecerão as mesmas de antes.
A Kitbold escutou as palavras de Gobo e olhou para Eiro, que sorria com as pernas cruzadas de excitação. Kitsue rangeu seus dentes e assentiu.
— Você irá se arrepender de subestimar Kitsue.
— Hm, irei? — Gobo perguntou. Imediatamente a Kitbold correu na direção de Gobo e pulou nele como um animal selvagem, mas tudo o que ele teve que fazer foi evitar os braços dela durante o ataque e pressionar sua palma na barriga dela enquanto segurava sua garganta com a outra mão. Num instante, Gobo a virou e mais uma vez a jogou no chão com facilidade.
Kitsue rangeu os dentes mais uma vez enquanto se levantava de novo e começava a balançar seus braços na direção de Gobo, como se fosse uma criança fazendo birra. Claro, Gobo conseguiu desviar de todos os golpes com absoluta facilidade, ao ponto de Kitsue ficar cada vez mais desesperada.
Mas Gobo nem mudou de expressão. Ela começou a perceber algo: que cometeu um erro imenso ao tentar assumir esta vila. Ela parecia bastante simples a princípio, mas agora que esses dois estavam aqui, a situação mudou.
Não era apenas Eiro, mas Gobo também. Ambos eram avassaladoramente fortes para ela. Kitsue encarou o Hobgoblin, com quem deveria lutar, com desespero, mas, no fim, isso nem era uma luta. Era Gobo tendo pena de Kitsue e não a matando de imediato. Ele estava brincando com ela e esse pensamento a aterrorizou.
Através disso tudo, Eiro conseguiu descobrir muitas coisas sobre Kitsue. O mais importante era que ela não poderia usar a habilidade que usou para assumir esta vila a princípio sem consequências, ou que ela não poderia ser utilizada sempre que Kitsue quisesse.
Além disso, era mais do que óbvio que tipo de Kitbold ela era. Seu pelo era bem tratado, embora de forma grosseira. Ela conseguia falar a Linguagem Comum e agia de uma forma mimada que irritava Eiro.
— Hm… Então, ela era o bichinho de estimação de alguém, entendo…? — Eiro murmurou para si mesmo e Bavet, sentado em seu ombro como uma aranha, murmurou confuso.
— Um bichinho? Ela não parece meio burra para isso?
— Bem, nem todos os bichinhos de estimação são espertos. Você, em particular, deveria saber disso. — Eiro disse para o Slime metamorfo, que resmungou baixinho para si, irritado com o que Eiro disse, respondesse ao Demônio de modo nervoso, embora ainda fosse incapaz de dizer o que queria.
— Eu ignorarei isso por agora…
— Bom. Porque você deveria prestar atenção nessa luta, ela vai ficar bem mais interessante a partir de agora… — Eiro sorriu.