
Volume 4 - Capítulo 315
A Virtude do Demônio
Eiro olhou para a Kitbold na sua frente, depois virou a cabeça para os Hobgoblins que ainda estavam curvados para o Demônio ao lado do trono.
— Vocês quatro, expliquem a situação para mim.
— Ei, não ignore Kitsue, seu-
— Silêncio, gata. — Eiro encarou a Kitbold na sua frente e ela parecia ter sentido a pressão emitida pelo Demônio e tentou pular para trás, mas parecia que a pressão era tão forte que a Kitbold não conseguiu mover um único músculo.
Vent, o hobgoblin mago de vento, foi quem falou. Eiro pensou que ele era o Monstro com o maior nível em Entendimento de Linguagem Comum, com a exceção sendo esta Kitbold.
— Me desculpe, Mestre. Este inimigo nos invadiu há duas semanas… Assumiu a vila. Nós tentamos afugentá-la, mas ela é forte demais…
Eiro olhou para a Kitbold, Kitsue, por alguns segundos. Claro, ela parecia mais forte do que os outros monstros aqui, mas ele não conseguia imaginar que ela fosse tão forte. Com um suspiro irritado, Eiro caminhou até o trono bruto que havia sido construído, onde Kitsue estava sentada até alguns instantes.
O demônio se sentou e apoiou sua cabeça em sua mão.
— Ei, gata. Reúna os vira-latas. — Eiro comandou com um tom rugido e Kitsue virou a cabeça na direção dele.
— C-C-Como você ousa falar co-com Kitsue assim! Eu vou ma-matar vo-
— Não me faça repetir. — O Diabrete adicionou. A Kitbold estremeceu e quase caiu no chão por medo. Ela se virou e correu, tentando reunir os poucos Kobolds que ainda não estavam reunidos aqui. Claro, todos os goblins já haviam vindo até este lugar devido ao retorno de seu mestre.
Eles se afastaram para o lado para permitir que os Kobolds fossem até a frente do grupo, para que pudessem ter uma visão perfeita de Eiro, que estendeu suas mãos até as correntes colocadas ao redor das duas Hobgoblins fêmeas. Com relativa facilidade, ele as estilhaçou. Já havia algumas rachaduras nelas, não o suficiente para que os Hobgoblins quebrassem com a mão, mas suficiente para inserir algumas sementes dentro delas e quebrar as correntes em pedaços e queimá-las, fazendo parecer que ele as havia estilhaçado com nada além de um toque.
Claro, se Eiro estivesse tentando, poderia ter quebrado as correntes puxando-as, mas ainda demoraria mais tempo. Isso era algo que ele conseguiu em alguns segundos, então escolheu este método.
Então, enquanto os pedaços de metal caíam no chão, Eiro voltou sua atenção para os Kobolds e a única Kitbold que estavam parados ali, confusos.
— Todos vocês. Curvem-se. — Eiro comandou.
Sem hesitação, todos os goblins fizeram como ordenado, afinal, esse comando estava enraizado neles.
Os únicos que ainda estavam parados eram os Kobolds e a Kitbold. Eiro então gostou disso.
— Vocês não me escutaram? — O Diabrete perguntou com a voz cheia de raiva, uma que deveria ser capaz de convencê-los, mas, para ter certeza de que eles tivessem compreendido, Eiro fez mais uma coisa.
Ele invocou seu Grimório e o abriu nas páginas que havia preparado para Magia de Gravidade, enquanto apontava sua mão para os monstros em questão. Imediatamente começou a criar o círculo mágico da página em que abriu, usando Magia de Gravidade da pequena pedra mágica roxa para causar esse efeito.
Então, ativou assim que terminou sua frase.
— Eu disse para todos se curvarem.
De imediato, a imensa gravidade que não esperavam pressionou os Kobolds, forçando-os a ficar de joelhos. Neste ponto, haviam compreendido o que Eiro disse a eles e estavam se curvando ao Demônio.
— Bom. Para esclarecer, mesmo que todos vocês tenham tido um pouco de diversão durante as últimas duas semanas, isso acaba agora. Quero um bom motivo para que eu não aniquile vocês, Kobolds, e os utilize como provisões.
Kitsue tentou levantar sua cabeça para olhar para Eiro com uma expressão assustada.
— N-Não, não nos mate! Kitsue sente muito! Nossa vila foi destruída e procuramos por um novo lugar! Encontramos este!
Eiro olhou de volta, incomodado.
‘Uma vila Kobold foi destruída, hein?’
— Quem atacou vocês, então? — Eiro questionou e a Kitbold olhou para o chão com a cara cheia de puro ódio.
— Porcos! Porcos grandes e gordos!
— Você quer dizer orcs!? — Kitsue acenou a cabeça de imediato em resposta à questão de Eiro. Ele não ouviu falar de orcs vivendo nesta área. Então, olhou para a própria Kitsue e os Kobolds. Julgando pelos seus físicos, garras e a grossura de seus pelos, Eiro chegou a uma simples conclusão.
Esses Kobolds e a Kitbold costumavam viver em uma vila no alto dessas montanhas. A julgar por seus corpos, eram mais do que adeptos a escalar e estavam acostumados com climas frios e ventos extremos. Se esse fosse o caso, então havia uma espécie de orcs que poderia tê-los atacado.
— Orcs das Terras Altas… — Eiro murmurou, até que percebeu o que isso poderia significar. Com um leve sorriso no rosto, sussurrou para si mesmo. — Na verdade, isso pode ser uma combinação muito interessante.
Assim que pensou nisso, observou enquanto a caravana de carroças com a carruagem na frente entrava nesta área. Claro, os Goblins e os Kobolds ficaram bastante surpresos de ver todas aquelas aranhas gigantes aqui, mas Eiro se certificou de que não se atacassem ou algo do tipo.
Gobo olhou para todos os Kobolds ao redor e a única Kitbold que havia ali.
— Mestre, o que aconteceu aqui? — Ele perguntou, bravo com o que tudo isso indicava e o Demônio explicou a situação.
— … Então, eles estavam procurando um refúgio, mas, em vez disso, assumiram este lugar? — Gobo questionou. Eiro olhou para ele e assentiu. O Hobgoblin virou e olhou para a Kitsune com raiva. — Então, sei o que devo fazer. Mestre, você entende também, certo?
— É claro. Divirta-se, cara. — Eiro disse com um pequeno sorriso. — Embora esteja ficando tarde. Que tal descansarmos por hoje à noite e você luta com ela amanhã? Isso daria tempo para nos estabelecermos, montarmos a as barracas e permitir que você converse com esses quatro um pouco mais.
Kitsue encarou Eiro de volta, confusa. Ela estava encarando Gobo o tempo todo até agora, mas depois de escutar que os dois iriam lutar, ela ficou um pouco nervosa e, talvez, um pouco agitada.
— Lutar? Este goblin não é páreo contra Kitsue! Goblin Vermelho, quando Kitsue matar esse, faça de Kitsue sua companheira!
— Hm? Você é idiota? — Eiro respondeu. Por causa da sua risada em resposta ao pedido que Gobo havia feito, ela deve ter se soltado um pouco mais. — Escute aqui, gata. Deixe-me te contar três coisas. Primeiro, sou um demônio, não um goblin. Segundo, você não tem poder aqui, não apostaremos nisso, não somos iguais. Você não é nada além de um mero inseto para mim. terceiro… — O Demônio afirmou. — Se você realmente acha que conseguirá derrotar Gobo, então deve ser uma idiota maior do que pensei. Ele não é tão forte como eu, mas, se quiser, ele poderia massacrar todos nessa vila, terminando antes mesmo de eu terminar de preparar o jantar. — Eiro conseguia ver os pelos no corpo da Kitsue se levantarem enquanto ela se assustava em resposta às palavras do Demônio.
Mas isso não importava para ele. Em vez disso, ele começou a organizar tudo. Ele já havia visto o estado da vila enquanto caminhava por aqui, então conseguiu dar uma boa olhada em como os Kobolds mudaram as coisas.
— Agora. Todos os goblins retornarão para suas casas originais antes dos kobolds invadirem. os Kobolds dividirão as casas restantes ou criarão suas próprias onde não incomodarem mais ninguém. Se precisarem da minha ajuda para criar a casa, usarei magia para tornar possível, mas não me incomodem se não for necessário. — Eiro declarou enquanto se virava.
Com um aceno de sua mão, a caverna oculta foi revelada quando Eiro derrubou a parede com magia de terra. Era a caverna onde o grupo havia dormido da última vez que esteve aqui. Também parecia um lugar bom o suficiente para o grupo ficar desta vez.
Gobo foi o primeiro a entrar, tentando acalmar sua fúria, seguido pelos outros hobgoblins. Eiro deixaria estes caras se recuperarem enquanto cuidava das coisas por ora. O Diabrete já sabia um lugar para manter as aranhas, pelo menos por um tempo, assim como um local para manter os cavalos e a carruagem de forma temporária.
Usando magia de terra, Eiro criou áreas ocas dentro das paredes do vale e deixou as aranhas lá, como se criasse um ‘ninho’ para elas.
Enquanto isso, os Goblins ajudavam a descarregar as carroças de acordo com as instruções de Nelli e Sarius enquanto Gondos ajudava Eiro a criar esses locais para as aranhas ficarem.
E logo ao lado de Eiro estava Armodeus, que aparentava estar sobrecarregado com essa situação.
— Tantos goblins e kobolds… eles são civilizados, de alguma forma?
— Hm? Ah, sim, mas isso é porque eu os assusto para caralho. Os goblins estão sob meu controle, especialmente porque Gobo está aqui, mas os kobolds são um problema. Gostaria de treinar a Kitbold para que se comporte e facilite o controle dos Kobolds. Eles seriam muito bons para patrulhar e caçar nas áreas por aqui. Parece que alguns deles seriam muito bons para cuidar dos campos. — O Diabrete explicou. — E se conseguirmos os Orcs das Terras Altas também, teremos artesãos muito bons, hein?
— Você… — Armodeus murmurou, surpreso e curioso. — Você acabou de dizer ‘Orcs das Terras Altas’?