
Volume 4 - Capítulo 314
A Virtude do Demônio
Eiro estava inclinado contra a galhada de Lugo enquanto lia um dos seus livros. Como conseguiria terminá-lo rápido se quisesse, em vez disso, pensou que seria uma boa ideia fazer o oposto e prolongar o tempo que poderia passar aproveitando essa boa literatura o máximo possível.
Afinal, não tinha muito mais o que fazer. Como estava montado nas costas de Lugo, não podia praticar nenhum tipo de combate, além disso, na área em que estavam, também não poderia praticar sua magia em larga escala.
Bem, ele estava fazendo algumas coisas enquanto lia nas costas de Lugo, mas eram coisas minúsculas que o Demônio utilizava para manter sua mente ocupada para que não ficasse entediado.
Por exemplo, estava tentando produzir diferentes tipos de venenos com seu ferrão, agora que já tinha uma ideia da técnica. Eiro começou a enchê-los em diferentes frascos de vidro para que pudesse manter um registro do seu progresso. O fato de possuir diferentes tipos de venenos disponíveis na forma de pequenos frascos seria útil. Ele não poderia produzir muito do nada, afinal. Isso e Armodeus poderia usá-los para desenvolver o item que Eiro queria para aumentar o nível de sua habilidade de Resistência à Toxinas.
Parecia que levaria um tempo para que ele fizesse algo que liberasse uma quantidade constante e pequena de toxinas, como ele queria, que fosse forte o suficiente para fazer com que alguém adquirisse proficiência em uma habilidade sem produzir efeitos colaterais duradouros.
Isso significa que o item teria que rastrear as diferentes partes sobre o usuário, como a composição de atributos, porte físico e o estado atual das diferentes habilidades. Era muito mais complexo do que se poderia pensar a princípio, considerando a leveza com que Eiro o descreveu.
Claro, com o tempo, Eiro deveria ser capaz de julgar coisas assim pessoalmente, considerando o fato de que era capaz de diferenciar pequenas quantidades de quase qualquer coisa. Até uma pequena diferença em algo que Eiro tivesse visto algumas vezes poderia ser algo que ele perceberia e, com sorte, usaria para encontrar um bom momento para parar, mas isso era um incômodo, ainda mais ao considerar que também queria utilizá-lo durante seu sono. Ele queria se aprimorar em todos os momentos possíveis.
Mas, além de tentar sua produção de veneno e pensar em métodos que poderiam ser usados para aprimorar suas habilidades, Eiro também estava usando magia em pequena escala. Ele fazia alguns pequenos pedregulhos flutuarem ao redor com algumas gotas de água, criando uma forte rajada sempre que queria.
Isso incluía praticar como retirar chamas do seu Portal Elemental para juntá-las, comprimi-las e guardá-las para um momento em que o Demônio poderia precisar delas em uma emergência.
Ele conseguia sentir tudo que estava em sua proximidade, então não era tão difícil mirar em algo que estivesse distante com aqueles orbes pequenos de chamas comprimidas. Bem, ele tinha que ter um pouco de cuidado por conta da vegetação, mas como eram chamas mágicas, deveriam ser afetadas com mais facilidade pela sua vontade.
Portanto, se Eiro quisesse, como aquele que ‘invocava’ as chamas do Plano Elemental de Fogo em primeiro lugar, seria capaz de apagar as chamas rapidamente depois de parar de manipulá-las.
Isso deveria ser mais do que suficiente para danificar e matar qualquer tipo de problema que não valesse a pena parar para resolver por conta própria, mas era muito problemático para as aranhas que seguiam a carruagem secretamente. Então, as aranhas poderiam pegar o corpo se Eiro achasse ser necessário e ele poderia dar uma olhada quando tirassem uma pausa para o bem-estar dos cavalos.
Bem, eles poderiam ter utilizado algum novo método que não necessitasse de cavalos, mas, no fim, por um breve período Armodeus e Eiro decidiram que criar uma carruagem que fosse puxada pelas Aranhas Gigantes, que Eiro e Bavet ‘domaram’, não fosse uma boa ideia. Bom, agora, eles ainda as faziam puxar algumas carroças com materiais que levavam consigo, para que pudessem melhorar a Vila Goblin antes de irem encontrar o Dragão.
Gobo ficaria para trás com Ariella e Mikey ao seu lado, já que esses três estavam um pouco mais próximos e o Hobgoblin era capaz de lutar adequada com a ajuda deles e lideraria os outros Goblins, assim como as aranhas, para desenvolver a Vila Goblin.
Na verdade, Eiro estava bastante curioso sobre como a vila havia se desenvolvido até então, com a ausência dele e de Gobo. Fazia um tempo, afinal. No pior caso, um dos outros Hobgoblins havia assumido como o novo líder e Eiro teria que forçá-lo à submissão de novo. Isso parecia um incômodo, mas, no fim do dia, se fosse necessário, Eiro faria. Além disso, não deveria ser tão difícil. Ele já fez antes quando era muito mais fraco do que agora.
Assim que estava pensando sobre isso, o Demônio notou que estavam se aproximando da Vila Goblin. No mínimo estava começando a subir uma das montanhas que a cercava.
Gobo estava ficando animado, já que não esteve em casa por um bom tempo. Enquanto isso, Eiro e Gondos se certificavam de que as estradas não causassem problemas para a carruagem e carroças, com magia de Terra. Assim que chegaram perto o suficiente para que Eiro conseguisse sentir o que estava acontecendo na Vila e, para ser honesto, ele teria preferido que um dos Hobgoblins tivesse assumido a vila, mas, infeliz, não foi o caso.
Assim que chegaram à entrada, Eiro desceu das costas de Lugo e usou Magia de Terra para abrir o caminho e alargou a caverna para que a carruagem e carroças pudessem se mover. O Demônio assumiu a liderança com uma carranca profunda na sua face. Ele se perguntava como isso aconteceu.
Enquanto caminhava pela caverna, Eiro retirou sua máscara e capa enquanto dizia aos outros para ficarem aqui até que ele dissesse para eles irem. Assim que o Diabrete entrou na luz da vila, já estava mais do que irritado. Foi como se todo o trabalho que tivesse feito tivesse se tornado inútil.
Os passos de Eiro ecoaram através da vila no vale, que havia sido infestada com um novo tipo de praga: Kobolds.
Os monstros bípedes, parecidos com cachorros, encararam Eiro com expressões agressivas e violentas enquanto o demônio ia na direção do ‘novo líder’ da vila. Alguns dos Kobolds mais idiotas tentaram atacá-lo, mas o Demônio decepou suas cabeças antes que conseguissem se aproximar, usando o Três de Espadas. Enquanto isso, todos os goblins estavam se curvando para Eiro, como se o mestre deles tivesse retornado.
Parecia que havia um Kobold para cada três Goblins, então Eiro estava se perguntando por que eles estavam sendo tratados dessa forma. Os Goblins apreciam servos dos Kobolds. Embora os Kobolds fossem um pouco mais fortes do que um Goblin comum, isso não deveria ser o caso com os Goblins da Montanha. Eles deveriam estar em pé de igualdade, pelo que Eiro conseguia julgar.
Ele conseguia dizer que havia algo de especial sobre o Líder dos Kobolds, o que poderia explicar o que aconteceu aqui. Apesar de que ainda era um pouco chato lidar com isso. Eiro logo chegou ao lugar em questão e encarou a visão na sua frente em descrença.
Os quatro hobgoblins mais fortes que Eiro havia deixado no comando estavam destruídos. Clypt, o guerreiro pesado e Vent, o mago de vento, estavam ao lado do novo chefe desta vila, enquanto Glat, a espadachim e Sagit, a arqueira, estavam de pé na lateral, com os pés e braços acorrentados. Eiro se perguntou como eles conseguiram algo assim, mas, em sua maioria, os Kobolds pareciam um pouco mais inteligentes do que os Goblins. Então, isso poderia ter relação com o líder bastante especial deles.
— Que visão rara. Um Kitbold? — Eiro perguntou, na verdade, um pouco curioso, já que nunca viu um deles e o líder sorriu em resposta. Neste ponto, os quatro Hobgoblins notaram Eiro e se ajoelharam para se curvar ao Demônio.
— Kitsue deve dizer, intruso também é uma visão rara! Kitsue nunca viu um Goblin vermelho com asas! — A Kitbold comentou com as pernas cruzadas em uma pose bastante estranha, como se a Kitbold fêmea estivesse tentando seduzir Eiro logo de cara, algo que não funcionou com alguém que tinha zero desejo sexual.
Um Kitbold era um ser semelhante a um kobold, embora muito mais raro, pelo menos nesta parte do mundo. Em vez de ter a aparência de um lobo bípede de 1,20 a 1,50 metro de altura, eles possuíam a aparência de um gato bípede com cerca de 1,20 metro de altura. Não eram particularmente mais fortes do que Kobolds, mas frequente mais inteligentes e ágeis, com uma natureza inesperada e pouco agressiva.
Eiro leu que alguns diziam que os Kitbolds eram descendentes de Kobolds que, de alguma forma, acasalaram com felinos selvagens, assim perdendo uma quantidade considerável de sua monstruosidade. De qualquer forma… Eiro não gostava da forma como essa Kitbold estava o encarando agora. Devagar, ela se levantou do ‘trono’ em que estava sentada e caminhou até ele com uma expressão determinada.
Ela balançava seu quadril para o lado ligeiramente, como se estivesse imitando a forma como as mulheres no distrito da luz vermelha se moviam para atrair seus clientes.
A Kitbold caminhou até Eiro com um sorriso amplo.
— O Goblin Vermelho é forte! Kitsue permitirá que você se torne companheiro dela!