A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 307

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para o livro que segurava e permitiu sua mana fluir por ele. Ele havia ouvido sobre os benefícios dos Grimórios, mas como eram difíceis de encontrar, nunca conseguiu confirmá-los por conta própria.

Mas uma coisa era certa: este Grimório parecia aprimorar o fluxo de mana consideravelmente. segurá-lo aprimorava seu fluxo de mana e versatilidade. Era uma quantidade minúscula, mas cada pouquinho contava no fim.

Eiro tentou o que era o mais importante para ele.

O principal propósito de um Grimório era ajudar um conjurador a recordar de seus feitiços. Grande parte do tempo, ao considerar o estresse mental que qualquer feitiço colocava no conjurador depois de alguns anos, muitos tinham dificuldade em se concentrar ou recordar de pedaços específicos dos feitiços. Um Grimório ajudava esses indivíduos a descobrir que tipo de feitiços deveriam usar.

Mas um livro que fosse feito para recordá-los de partes específicas dos feitiços não precisava ser um item mágico como a maioria dos Grimórios era no final e, devido à capacidade superior de Eiro quando se tratava de memória, ele nunca teria qualquer tipo de problema como de repente esquecer sobre um feitiço.

Especialmente ao considerar que não tinha problemas em chegar a certas conclusões e reaprender os sistemas de conjunções depois de ver um pouco dele, se necessário.

Então, por que um Grimório era tão especial? O que o tornava uma das ferramentas mais importantes para conjuradores de alto nível terem em seus arsenais? Era muito simples: ele permitia que usasse atalhos para conjurar feitiços.

Eiro abriu o Grimório em uma página específica e segurou o livro em sua mão esquerda enquanto apontava a direita para frente, permitindo que sua consciência se conectasse com o Grimório, tentando se concentrar nele até certo ponto e tentou conjurar um feitiço bastante simples.

Até Eiro tinha dificuldade de criar um feitiço completo do nada. Mesmo ele acabava desenhando diferentes linhas para facilitar. Em um ritmo mais rápido do que os outros, o que fazia parecer como se criasse feitiços instantâneos para aqueles que não tinham grande percepção, mas, no fim, ele ainda não criava cada parte do feitiço de uma vez.

Mas, agora, também devido à simplicidade do feitiço que estava testando, Eiro conseguiu criar um feitiço inteiro de uma só vez, em um instante. Foi uma sensação um pouco estranha, muito diferente da forma como Eiro conjurou até agora, mas isso o ajudaria a compreender certas coisas.

Depois de ativar o feitiço, Eiro notou que parecia haver um pouco mais de força do que o normal. Apesar disso, podia ter sido sua imaginação.

Eiro folheou o Grimório e olhou para um dos feitiços mais complicados. Como infundiu mais de um tipo específico de magia neste livro mágico, ele era capaz de influenciar quais partes seriam aprimoradas. Então poderia pegar um feitiço de vento complexo que ‘gravou’ em sua mente e fazê-lo aparecer dentro do Grimório.

Ao fundir mais Magia de Vento no livro, poderia decompor o feitiço em suas partes mais importantes, como se o analisasse. Embora Eiro não fosse capaz de conjurar um feitiço grande e complexo com a ajuda do Grimório, ele conseguia com partes menores, o que significava que ainda poderia aumentar a velocidade com que conjurava.

Eiro tinha certeza disso: com a ajuda deste Grimório, seria capaz de aprimorar sua compreensão de diferentes feitiços. Ele conseguiria fazer conexões com mais facilidade, já que até mesmo as conexões subconscientes que Eiro fazia eram captadas pelo Grimório, mas levava tempo para ele decifrar algumas delas. Mesmo assim, ele não conseguiria trazer à tona todos os seus pensamentos subconscientes.

Neste ponto, o Grimório já havia absorvido bastante informação, mesmo que Armodeus tivesse feito uma pergunta sobre algo que Eiro ainda não pensou muito. Por algum motivo, ele não parecia achar que isso era tão importante, desde que talvez já tivesse descoberto a solução e decidido que não era grande coisa.

— Se este Grimório se aprimora ao absorver magia, por que ele não possui nada que tenha relação com o feitiço que foi fundido com aquela tempestade que você falou? Não disse que este livro absorveu muito daquela magia?

Eiro se virou para o Anão Ancião e assentiu.

— Essa é uma boa pergunta. Hmm. Acho que pode ser porque ele ainda não estava vinculado a ninguém? Ele anota as coisas dentro de si mesmo com base na compreensão da pessoa vinculada a ele, eu acho. Sem ninguém para processar a magia, ele não poderia anotar nada. O Grimório já era um caso especial quando se tratava dessa magia, então faz sentido se ele fosse capaz de copiá-la.

— Isso faz sentido, mas isso não significa que você será capaz de roubar o conteúdo e poderes de qualquer Grimório com que tiver contato? — Armodeus perguntou com um sorriso. Parecia que a situação poderia ficar bastante caótica se Eiro não tivesse cuidado com isso.

— Talvez sim, mas não deve ser um problema. Grimórios são muito raros, para começar. — Eiro apontou, mas enquanto pensava em tudo o que tinha que fazer para encher este Grimório especial, Eiro percebeu algo importante. — Estou sendo negligente. — Eiro respirou fundo e o Anão Ancião ao seu lado o encarou um pouco surpreso.

— O que você quer dizer?

— … É simples. Na minha busca pela força, passei muito tempo aumentando a gama das minhas habilidades para estar preparado contra tudo que surgisse, mas tudo o que tenho feito é acumular muitas habilidades fracas, em vez de aprimorá-las e poli-las adequadamente nas armas e ferramentas que quero que sejam. Acho que deveria passar mais tempo treinando.

— Bem, você tem muito tempo, certo? Mesmo após voltar da viagem até o Dragão da Verdade, não há muito o que você precisa fazer. — Armodeus adicionou. Eiro fechou os olhos em contemplação enquanto esfregava seus dedos na superfície do Grimório. Então, levantou a mão e estalou seus dedos. Rapidamente, três Espíritos apareceram na sua frente.

— Sarius, você e eu treinaremos juntos para aprimorar nosso controle sobre habilidades mágicas de alto poder com a ajuda de Nelli, que é sem dúvidas a criatura com um dos controles de magia mais refinados que já conheci. Então, passarei algum tempo treinando com o fantoche de madeira para aprimorar minhas habilidades de combate físico. Eu devo conseguir concluir mais alguns dois desafios dele a este ponto. Posso não ser capaz de fazer isso agora, mas, depois que voltar para a cidade, relerei todos os livros desta mansão e, se possível, tentarei receber acesso à Biblioteca da Academia para aprimorar ainda mais meu conhecimento. Dessa forma, espero que eu consiga aprimorar minhas habilidades mais importantes. — Eiro explicou para Nelli, Sarius e Gondos. Depois olhou para Armodeus. — Posso precisar da sua ajuda com isso também.

O Anão Ancião levantou as sobrancelhas, curioso.

— É mesmo? E o que isso implica?

— Criar itens e materiais para aumentar algumas das minhas habilidades de resistência. Um item que continuamente insira pulsos de magia em mim, como uma forma de tortura, um objeto para injetar uma pequena quantidade de veneno no meu corpo, ou um item que me faça sentir enjoo físico constante. Esse tipo de coisa. — Eiro respondeu sem pestanejar e Armodeus olhou para ele com um sorriso

— Você quer que eu faça itens para você que são não apenas moralmente questionáveis, como letais e ilegais?

— Sim, por favor.

— Você é um homem bastante estranho, sabia? — Armodeus suspirou e Eiro assentiu.

— Sim, eu sei. — Com essas palavras o Diabrete se levantou e se virou. — Mais tarde falamos sobre nossa viagem para encontrar Lognir, tudo bem? Por agora, acho que devo passar meu tempo tentando aprimorar minha necromancia inexistente. — O Demônio explicou.

Ele saiu da biblioteca, seguido por Armodeus. Eles atravessaram a mansão e Eiro escolheu voltar para a torre para que pudesse se infundir com Magia de Morte. Isso seria muito desconfortável, mas pelo menos era eficaz.

Ao mesmo tempo, Eiro esperava adicionar algumas seções de Magia de Morte no Grimório que poderiam ajudá-lo a tentar falar com os espíritos dos dois aventureiros mortos.

A partir deste momento, pelos próximos dias Eiro tentou seu melhor para que conseguisse se aprimorar e se preparar para tudo o que viria. Certificou-se de conseguir provisões, trabalhou com Armodeus para aprimorar a carruagem, passou um tempo de qualidade com as crianças e passou muito tempo infundindo seu corpo com Magia de Morte. Em algum ponto, ficou infundido por tanto tempo que começou a perder vida de repente.

Mesmo depois de parar a infusão, isso continuou por mais alguns minutos, mas, por sorte, parou. Não causou muito dano, nem um décimo da vida total do Diabrete, ainda assim era algo bastante considerável e assustador.

Mas, em algum momento, embora Eiro ainda não tivesse conseguido a habilidade, contanto que estivesse infundido com Magia de Morte ele parecia capaz de usar necromancia até certo ponto, desde que utilizasse seu Grimório que foi de grande ajuda na tentativa de descobrir como se aproximar dos espíritos em primeiro lugar.

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