
Volume 4 - Capítulo 305
A Virtude do Demônio
Eiro deu um passo para frente para ter um ângulo melhor, visualizando o livro que Armodeus segurava. Com uma expressão curiosa, desde que nunca esperava encontrar algo como um Grimório de verdade, o Demônio se inclinou para frente para encontrar a diferença entre um livro normal.
Ele encontrou algo. Apesar de ser o que que pretendia encontrar, na verdade. O que aconteceu de encontrar foi um tipo de pressentimento, como se tivesse visto algo semelhante mais cedo. Então, algo estalou em sua mente.
Era algo em que não pensou muito desde que estava muito focado em todo resto, então ainda conseguiu se lembrar dele até certo ponto… mas era o livro que Eiro encontrou naquela livraria. Aquele com uma quantidade enorme de magia por alguma razão.
Eiro esticou a mão e a moveu como se removesse um livro de uma prateleira e o livro de couro pequeno e sujo apareceu em sua mão.
— Hm? O que é isso? — Armodeus perguntou um pouco surpreso. Ele pensou que Eiro retiraria um item incrível a julgar por sua expressão, mas parecia um pequeno livro de couro esfarrapado.
— … Acho que pode ser um Grimório. Apesar de não ter certeza… — Eiro murmurou e virou a cabeça apara o lado, onde conseguia ver três figuras flutuando uma ao lado da outra. Elas apreciam um pouco exaustas por algum motivo, mas Eiro não os deixou descansar muito por ora, considerando quão importante isso era.
Bem, pelo menos, ele não deixou uma delas descansar.
— Gondos, por favor. — O Demônio disse e o Golem olhou para ele um pouco surpreso, assentindo.
— Sim. — Respondeu, embora outro dos três tenha ficado um tanto irritado com isso.
— Ei, por que está se fundindo com ele? Funciona tão bem comigo, certo? Se não melhor! — Sarius exclamou e Eiro o encarou por um instante.
— Todos vocês possuem forças e fraquezas. Nelli possui controle extremo sobre suas habilidades e uma vasta gama de conhecimentos, mas ela carece na área de Combate Mágico. Gondos possui habilidades perceptivas incríveis, motivo pelo qual o escolhi, mas não tem um controle preciso sobre suas habilidades nem um combate particularmente forte. você, Sarius… Você é poderoso, mas não é muito perceptivo, nem possui um pingo de controle sobre sua própria magia, além disso, você é um idiota precipitado e raivoso, não é uma boa combinação com minha própria personalidade. Então, sem rodeios, para isso, você não ‘funciona tão bem’. — O Demônio respondeu com um tom claro ao estender sua mão.
Com uma expressão presunçosa enquanto olhava para Sarius, o Espírito Elemental de Terra se fundiu com Eiro e o Diabrete conseguiu confirmar suas suspeitas.
Havia muitas partes parecidas entre esses dois livros. Se um deles era um grimório, então, sem dúvidas, o outro também era. Ainda assim, o pequeno grimório, na forma de um pequeno caderno esfarrapado, tinha algo maios interessante.
De novo, era como se esse livro devesse conter uma parte do corpo, ou alma do Demônio, embora Eiro não conseguisse dizer qual desses deveria ser.
— Rapaz, o que você- Ah, quer saber, só pararei de questionar… — Armodeus suspirou. Ele ficou surpreso quando viu Eiro se fundir com Gondos, mas, nesta altura, aceitou que continuaria vendo coisas bem estranhas se continuasse perto de Eiro. Portanto, tudo voltou ao normal dentro de alguns segundos.
— Poderia dar uma olhada? — O Artesão perguntou em vez disso. — Você pode dar uma olhada no Grimório de Archimedes, se quiser. Você não pode usar Magia Espacial, mas, pelo menos, deve haver alguns métodos benefícios para você usar. — Armodeus sugeriu comum sorriso.
Eiro assentiu. Ele não tinha muitas oportunidades de observas um livro como este tão de perto. Como Armodeus disse, poderia ser benéfico para ele se descobrisse como esses feitiços únicos foram criados.
Não se podia criar habilidades como essas sem imensa dedicação e tempo, então tinha que haver algum tipo de progresso para isso, o qual Eiro poderia utilizar em seus próprios feitiços, afinal, ao considerar a quantidade de Elementos Mágicos que poderia usar e as formas que aprendeu a utilizá-los, Eiro precisaria de alguns feitiços especiais para aproveitá-los ao máximo. Este grimório poderia ser uma ajuda incrível para isso.
Eiro ficou muto feliz que Armodeus cofiava o suficiente nele para que ele visse essa lembrança que um dos seus amigos mais queridos deixou. Essa era uma sensação muto boa.
Entretanto, assim que estavam trocando de grimórios, os dois livros colidiram por um instante, esfregando suas superfícies de couro brevemente. Foi apenas um instante, mas aprecia que este único momento foi mais do que suficiente para o que aconteceu a seguir.
Eiro viu as magias que estavam infundidas nos dois livros se fundirem, ou melhor, o livro pequeno e aparente modesto absorveu a magia do outro grimório.
E um instante depois… O grimório que Armodeus queria entregar para Eiro se tornou um livro velho e comum. Ainda tinha todas as informações escritas dentro dele, mas parou de funcionar como um Grimório deveria. Parecia que do nada envelheceu alguns anos, com partes dele secando e se esfarelando.
Quanto ao pequeno livreto que Eiro tinha com ele… Ele mudou um pouco mais, apesar de que de forma positiva. Antes, o pequeno grimório parecia como se estivesse prestes a se desfazer com um sopro, mas, agora, embora ainda parecesse bastante velho e não estivesse em condições de pico, não estava tão ruim como antes. As poucas cores com as quais o couro era tingido ficaram vibrantes, embora fosse uma mudança minúscula que a maioria não teria percebido.
— … Certo, o que acabou de acontecer? O que você fez? — O Anão Ancião questionou com uma carranca profunda e Eiro olhou para ele com uma expressão confusa.
— Eu não sei… Acho que este livro absorveu a magia desse grimório…
Então, Eiro entendeu algo. Agora, o livro estava cheio com magia, mas nem perto da quantidade que possuía antes. Naquela vez, foi como se o livro fosse algum tipo de sinalizador depois de absorver grande parte da tempestade aprimorada que assolava lá fora, mas, agora, ainda que contivesse muita magia poderosa, era bem menos do que antes. Mais razoável, até certo ponto.
Eiro encarou o livro e o folheou. Assim que fez isso, notou que de repente havia algumas escritas nele. Escritas que eram sustentadas por magia, como se fosse o conteúdo que deveria estar no outro grimório. Como se fosse uma cópia, mas a magia da peça original tivesse sido roubada.
— Isso é meio estranho… — Eiro murmurou enquanto olhava para o livro e Armodeus perguntou algo que estava em sua mente.
— Consegue utilizar os feitiços que estão nele?
— Hm? Não, não tenho Magia Espacial, então não consigo. — Eiro comentou. No entanto, Armodeus não desistiu.
— Sim, mas Grimórios são tipo atalhos de qualquer forma. Feitiços que são inscritos neles podem ser usados repetidas vezes. Com um pouco mais de mana, mas com muito mais eficiência. Também não é muito versátil. Em uma luta real, ajustar seu feitiço de acordo com seu oponente é vital, mas isso não pode ser feito com um grimório.
— Sei o que um grimório faz, obrigado. — Eiro respondeu com um suspiro profundo. — Mas, de novo, não posso usar isso, mas posso conseguir algum dia. — O Diabrete comentou enquanto continuava o folheando, chegando em um ponto surpreendente no começo do último terço do grimório: este pequeno que ficou ‘melhor’ ao absorver o Grimório de Choromancia. Os feitiços que estavam ali agora eram muito mais densos em textos, como se alguém tentasse fazer outra pessoa se lembrar deles.
Além disso, havia feitiços e fórmulas que não estavam naquele livro e este as ‘absorveu’. Como se o livro completasse ainda mais feitiços com base no tipo de magia infundido nele.
Claro, quanto mais Eiro folheava, mais confuso isso se tornava. Primeiro, o Grimório de Choromancia era quatro ou cinco vezes mais grosso do que o pequeno e sujo, mas, de alguma forma, o último ainda tinha muito mais páginas do que ele, mas não se tornava mais grosso, como se as páginas da frente desparecessem quanto mais ele lia em direção ao fim, mas ele ainda conseguia retornar com facilidade à primeira página.
Era um pouco estanho e, às vezes, confuso, por causa do tipo de magia que parecia causar isso. Eiro respirou fundo e começou a pensar, até ter outra ideia. Ele escolheu se separar de Gondos para facilitar o que faria a seguir, então começou a reunir ar ao redor da sua mão esquerda. Assim, inseriu a magia de ar contra o livro e, sem precisar aplicar muita força, a magia foi absorvida.
O Demônio abriu o livro e encontrou a página que queria, que falava sobre a Magia de vento que foi adicionada no fim deste livro. Ela começava com uma breve introdução de Magia de Vento no geral e, depois disso, havia um Círculo Mágico de Vento muito básico. Um que Eiro conhecia… Ainda assim, isso fez Eiro perceber algo.
Com este pequeno livro, ele poderia criar um Grimório que era perfeito para ele, desde que poderia conter informações de todas as magias que era capaz de usar.