A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 300

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para o teto em contemplação, tentando conectar mais alguns pontos final sair desta sala.

Depois que a primeira penalidade acabou, Eiro conseguiu pensar apropriada de novo, embora houvesse lacunas e buracos óbvios em sua memória. Era bastante irritante, até enfurecedor. Ele não pediu por uma habilidade assim e as repercussões foram real horrendas.

— Por outro lado… eu teria morrido sem isso, não teria? — O Demônio murmurou enquanto virava a cabeça e olhava para o livro que trouxera consigo. Era o livro em que anotara tudo o que aconteceu durante o período em que esquecia tudo o que pensava.

O Diabrete resmungou um pouco enquanto se sentava, inclinado contra a parede. Ele não conseguiu fazer muito nesta última semana. A única coisa que que real conseguiu fazer nestes dias foi ler os livros que Gobo e Bavet traziam pare ele todos os dias, assim como aumentar seus atributos com os pontos que acumulou nesse tempo que esqueceu sobre essa parte de suas habilidades.

Por sorte, Eiro conseguiu relembrar disso muito rapida depois de rever, aos poucos, todas as memórias que ainda restavam de sua vida.

Agora que o Demônio distribuiu seus pontos a alguns atributos que achava que precisavam ser aprimorados, seu status começou a parecer um pouco mais ‘aleatório’, como queria.

[Nome – Eiro] 

[Raça – Diabrete Elemental] 

[Nível – 26] 

[Vida – 137.955] 

[Mana – 338.550] 

[Força – 136] 

[Constituição – 141] 

[Resistência – 127] 

[Agilidade – 212] 

[Evasão – 107] 

[Destreza – 158] 

[Inteligência – 315] 

[Sabedoria – 305] 

[Percepção – 206] 

[Força de Vontade – 161] 

[Carisma – 102] 

[0 Pontos de Atributos Disponíveis] 

A pior parte dessa semana em que fora confinado para sua própria segurança foi que ele nem conseguiu praticar adequada. Usar qualquer tipo de magia teria interrompido a Energia Profana na sala, o que poderia resultar na sua morte caso algum tipo de Energia Sagrada fluísse por este espaço de uma forma ou de outra.

— E logo depois de eu ter absorvido aquele maldito Portal Elemental… Real preciso testar isso quando isso acabar. — O Demônio disse, encarando a notificação flutuando acima dele.

Em mais dez minutos, sua habilidade revertida <Vulnerabilidade à Energia Sagrada> voltaria a ser <Resistência à Energia Sagrada> e final ele conseguiu sair.

Ele observou o contador diminuir e, assim que chegou a zero, Eiro parou a infusão desta sala com a Energia Profana e abriu a escotilha, sentindo seu corpo mudar de novo enquanto a Resistência à Energia Sagrada retornava a ele.

O Diabrete saiu da sala com um sorriso amplo. Ele respirou fundo o ar que não estava infundido com algum tipo de magia maligna e desceu as escadas em direção aos outros.

Mas algo… estava estranho.

Ele não tinha certeza do que era, mas o deixou preocupado. Ele acelerou, seu entusiasmo vacilante ao entrar no quarto em que todos estavam reunidos.

Eiro olhou para eles e percebeu o que estava errado.

Imediatamente, afinal, as coisas que estavam ‘estranhas’ estavam o encarando. Rostos de pessoas que não reconhecia, tentando falar com ele com vozes que também não conseguia se recordar. Seus tons eram genuínos e cheios de ‘Verdade’, Eiro sabia disso. Elas eram seus amigos e família, os mais importantes para ele, mas ele não se recordava deles. Ele não se lembrava nada deles, agora que tentou…

Enquanto estava na sala da torre, ele não se importou com isso, penou que era assim que deveria ser, por algum motivo.

— A Energia Prof… — O Demônio começou a murmurar. Enquanto a Energia Sagrada era algo que representava todas as virtudes da vida, a Energia Profana representava os pecados da vida.

Ele estava com fome, mas conseguiu superar isso. Ele estava com raiva, mas quase sempre estava e mal percebeu. Estava ganancioso por conhecimento enquanto tentava recuperar suas memórias até certo ponto, mas aquele que prevaleceu sobre ele durante essa última semana, considerando a situação em que Eiro era incapaz de sair daquela sala, incapaz de se esticar direito… como a primeira coisa que fez quanto entrou lá foi dormir…

— Isso tem que ser uma piada… Preguiça? — Eiro sussurrou com um sorriso irônico.

Ele não se importou o suficiente para descobrir naquele tempo, não é? Ele viveu em ignorância completa durante aquela semana?

Eiro tentou agir de forma natural enquanto se aproximava e os cumprimentava. Ele os abraçou e os segurou por um empo, um por um, concluindo quem era quem pelo que recordava do seu livro e das poucas memórias que ainda tinha espalhadas sobre eles em sua cabeça.

Devagar, pânico de Eiro diminuiu um pouco ao perceber que talvez fosse uma reação exagerada. Talvez tudo ficasse bem.

— Então, como foi ficar lá durante uma semana inteira? — O garoto com um sorriso amplo e alegre, que Eiro concluiu ser Arc, perguntou. Com um sorriso, o Demônio respondeu de forma bastante simples.

— Bem… muito entediante, eu diria? Não havia muito o que se fazer… fiquei sentado lá por uma semana, nada mais além de um pouco de leitura. — Eiro comentou enquanto virava a cabeça para os únicos dois seres que ainda se recordava um pouco, afinal, eram os mais únicos aqui… Um Hobgoblin e um Slime eram muito fáceis de serem diferenciados dos outros.

Mas, mesmo assim, Eiro ainda tinha dificuldade em se lembrar de memórias específicas que tinha com esses dois no momento.

— Você se sente um pouco pecaminoso agora, depois de se banhar em Energia Profana? Oh, consegue utilizar Magia Profana agora ou algo do tipo? — Arc questionou, mas Eiro riu e balançou a cabeça.

— Não, e não consigo, mas posso ter desenvolvido uma pequena afinidade. Talvez devêssemos testar isso, se houver uma forma de tentar.

Um homem com uma postura digna começou a resmungar um pouco em resposta a isso. Solomon, Eiro presumiu.

— Não tenho certeza se é possível testar sua afinidade com Magia Profana. É o mesmo que acontece com Magia Sagrada, na qual são necessários materiais especiais, mas não sei bem o que seria com Magia Profana. Se quiser, posso pesquisar um pouco.

— Oh, isso seria ótimo, obrigado. — O Diabrete disse. Por um tempo, eles conversaram. Eiro conseguiu agir como se tudo estivesse bem, pelo menos naquele momento.

Fizeram algumas piadas, Eiro falou com todos e se certificou de que entendia tudo sobre quem eles eram e como suas personalidades eram. Ele queria recuperar suas memórias sobre eles o mais rápido possível. Deveria ser possível, ele havia escrito no livro inúmeras vezes que deveria ser capaz de se lembrar depois que sua habilidade voltasse ao normal.

Foi isso que o Rei das Salamandras disse a ele, que nada nunca era realmente perdido. Se esse fosse o caso, então ele deveria ser capaz de se recordar, contanto que interagisse adequada com elas.

Solomon havia sido capaz de resistir ao feitiço de manipulação de memória devido à sua conexão com o Dragão da Verdade. Como Eiro tinha o Cavaleiro de Ouros, a Carta que lhe dava acesso ao ‘Domínio Absoluto da Verdade’, Eiro deveria ser capaz de se recordar com facilidade, certo?

— Oh, como esteve o clima desde que fiquei lá dentro? Não há nenhuma janela lá e só conseguia sentir as coisas ao redor da escotilha. — O Demônio comentou. Aquela sala foi feita com meios especiais para se infundir com magia, então meio que fazia sentido que ele não conseguisse sentir nada do lado de fora, mas ainda era meio irritante e tornou tudo mais entediante a longo termo.

— Você voltou e pergunta sobre o clima? — Clementine questionou com uma risada. Eiro olhou para ela com um aceno.

— É claro. Quero saber se vocês conseguiram frequentar à escola apropriadamente. Ela começa logo, certo?

— Ah, certo, sobre isso… — Solomon começou. — Ela foi adiada por alguns dias, mas, na próxima segunda, eles poderão começar suas aulas. Alguns professores foram incapazes de voltar à cidade quando a coloquei em isolamento por conta daquele feitiço, mas os últimos chegam amanhã. Oh, falando em ‘vir amanhã’, receberemos outro visitante. Você se recorda daquela bagun-

— Certo, já chega. Eiro! Olhe para mim. — Uma voz disse.

Eiro levantou a cabeça e olhou para a origem do chamado. Era um homem com uma pele clara e seu braço foi substituído por uma prótese que Eiro sabia ter sido feita por ele. Ele esteve em silêncio o tempo todo, encarando o Demôni  que conversava com as crianças e Solomon sem parar. Então, concluiu que esse homem era ‘James’.

— É bom vê-lo de novo, James. — O Demônio disse, mas James tentou socar Eiro no estômago, seu rosto contorcido de raiva.

— É bom me ver de novo? Não fode! — James respondeu depois que Eiro desviou do soco com um simples passo para trás.

— Há… algo de errado? — Eiro perguntou com um sorriso e James o encarou de volta.

— Tudo está errado. Só para que saiba: estou saindo, Líder do Grupo.

O Diabete o encarou de volta confuso e em pânico, incapaz de entender o que estava acontecendo. Eiro sabia que se esse era James, então ele deveria ser alguém que apreciava muito. Um confidente próximo e confiável.

— James! O que foi? — Uma mulher questionou. Pelo seu comportamento e idade… Eiro imaginou que era Jess.

— É o que acabei de dizer. Acha que eu iria querer passar um segundo a mais com ele depois do que ele fez? — Todos na sala ficaram confusos sobre o que James queria dizer com isso, exceto Solomon. Ele sabia o que James queria dizer, mas nem mesmo Eiro tinha certeza.

Então, olhou para o homem na sua frente com uma carranca e saiu da sala, seguido pelo Elfo da Luz.

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