A Virtude do Demônio

Volume 4 - Capítulo 299

A Virtude do Demônio

Eiro abriu a porta secreta, escondida com magia, além dela, conseguiu ver algumas coisas interessantes.

Ele estava meio preocupado com o que acontecia ali, com Gobo, Bavet e o louco John presos com um monte de aranhas, mas para sua surpresa… Estavam muito bem. John descansava em uma cela do outro lado da sala, Gobo limpava a barriga de uma das maiores aranhas que Eiro e Bavet já haviam selado a monstruosidade.

Parecia que eles haviam transformado todos os monstros aranhas que haviam perdido sua monstruosidade em seus bichinhos de estimação. No momento em que a grande porta circular foi aberta Gobo e Bavet perceberam o que estava ocorrendo, correndo na direção do Demônio, apesar de que ele ainda era uma madeira negra como breu. Eles não precisaram pensar nem por um instante para perceber quem estava ali e abriram a porta.

— Eiro!

— Mestre!

Bavet e Gobo correram até o Diabrete, que olhou para os dois com um sorriso. Ele deu um tapinha na cabeça de Gobo por um instante enquanto olhava para os dois.

— Sou eu, presumo. — O Demônio disse. Parecia que pelo menos Bavet percebeu o que estava acontecendo, afinal, ele estava com Eiro durante muitas coisas relacionadas a Bahlsen e Edward e, como era um ser bastante inteligente, o Slime conseguiu compreender o que acontecia. Pelo menos agora que tinham suas memórias de volta, entendeu. Antes disso, foi afetado tanto quanto os outros.

— Mas… O que você quer dizer com ‘presumo’? — Bavet questionou e Eiro sorriu.

— Você é bastante afiado, hein? Recebi uma Habilidade Lendária quando lutava contra o Demi-Lich, mas quando seu efeito foi ativado, as repercussões fizeram com que minha habilidade fosse revertida. Esta habilidade era relacionada com a minha memória perfeita. Portanto, sempre que penso sobre algo, esqueço tudo sobre isso. — Eiro explicou.

Gobo aparentava não ter compreendido o que isso significava, mas Bavet, por outro lado, entendeu.

— … Habilidade Lendária? Com licença, o quê? Como você…?! Só…?! Como?! — O Slime exclamou e Eiro deu de ombros em resposta.

— Não sei. Não me lembro. Oh, também… — Eiro começou enquanto acenava sua mão para o lado.

Logo ao seu lado, bolas de água começaram a se reunir e formaram Nelli. Então, ao lado dela, poeira se reuniu e formou Gondos. Por último, faíscas se reuniram e formaram Sarius.

— Formei um contrato com outro espírito: conheçam Sarius. — O Demônio disse e a Salamandra olhou para o Hobgoblin e o Slime com um sarcástico irônico.

— Ei, quem diabos são esses dois? Seus bichinhos de estimação ou algo do tipo?

— Hm… Algo parecido, eu diria. — Eiro disse, confuso, enquanto olhava para os dois. Ele não se lembrava de tudo sobre eles, então uma pergunta como essa era difícil de responder.

Bavet não ficou tão feliz em ser chamado de bichinho de estimação, entretanto.

— Quem você está chamando de bichinho de estimação, seu filho da puta?

— Filho da puta? Eu? Sou o futuro rei. Curve-se a mim, seu plebeu imundo. — Sarius zombou. Bavet não tinha certeza se compreendia tudo o que este espírito disse, então olhou para o Diabrete ao lado dele.

— Futuro Rei? O que isso…

— Certo, desculpa, esqueci. Recebi a bênção do Rei das Salamandras e ele me confiou Sarius. Ele irá assumir a posição de Rei das Salamandras em algum momento.

— Não esqueça que eu sou incrível e superforte.

— Uhum, ele também não consegue controlar suas próprias habilidades direito, motivo pelo qual o Rei das Salamandras pediu que um formasse um contrato com Sarius em particular.

Eiro olhou de volta para eles, mas enquanto fazia isso, estava ficando difícil para o Demônio manter seus olhos abertos. Eiro fez muitas coisas física e mentalmente cansativas durante os últimos dias que era incapaz de se manter acordado, apesar da habilidade de resistência à exaustão.

— Acho que devo ir para a torre agora… Preciso dormir…

— Hm? Por que você iria para a torre para isso? — Gobo questionou enquanto Eiro caminhava até a cela em que John tirava um cochilo, para que ele não pudesse escapar quando acordasse.

— A Habilidade Lendária teve efeito hoje de novo. Desta vez, minha habilidade de resistência à Energia Sagrada foi revertida. Qualquer quantidade de energia sagrada é suficiente para me matar. Então, me esconderei na torre enquanto infundo tudo com esta madeira. — O Diabrete disse, apontando para seu próprio corpo enquanto falava com os dois monstros.

Ele olhou para Bavet.

— Estarei de volta daqui a uma semana. Se houver uma emergência, você pode vir falar comigo. Caso contrário, ninguém deve me incomodar enquanto eu estiver lá.

— …. Certo… — Bavet disse um tanto nervoso, mas Eiro olhou para ele e sorriu.

— Não se preocupe. Se necessário, estarei aqui. Só vamos tentar evitar situações em que você pode ter que depender de mim por uma semana, certo?

O Slime balançou seu corpo em entendimento, em vez de balançar a cabeça, já que sua forma atual não possuía. Assim, com um bocejo alto, Eiro saiu das masmorras e subiu as escadas para ver os outros mais uma vez, já que não poderia por uma semana.

Ele se sentou com eles na mesa por um tempo e conversou. Eiro os assegurou de que tudo ficaria bem.

No fim, Eiro não sabia se tudo correria bem de fato. Tudo o que sabia era que esqueceria mais algumas coisas, incluindo algumas menores e menos importantes sobre as crianças. Claro, para ele, tudo sobre as crianças era importante, mas se tivesse que escolher preferiria esquecer coisas mais externas. Coisas que poderia ser capaz de recordar, ou pelo menos redescobrir, muito rápido. Então, Eiro tentou seu melhor para se concentrar na aparência das crianças, se precisasse se concentrar nelas.

Caso contrário, escutaria as suas palavras da forma mais natural possível e responderia ao falar com o cômodo em vez delas individualmente, para que pudesse ter certeza de que esqueceria o mínimo possível sobre as crianças, o mínimo que era difícil para ele evitar.

O bom era que em mais alguns dias, essa habilidade revertida e alterada acabaria, então, Eiro conseguiria falar com os outros através da porta da sala na torre.

— Tem certeza de que irá ficar bem, sozinho lá em cima? — Jess questionou com um tom preocupado e Eiro assentiu.

— Tenho certeza. Não se preocupe, não morrerei de solidão. — O Diabrete respondeu.

Sammy também olhou para seu pai, falando com uma mistura de preocupação por Eiro e uma preocupação egoísta por si mesmo.

— Você… Acha que se recordará de nós quando sair?

— … tentarei o meu melhor, sim. Duvido que perderei muitas memórias lá. Se perder, serão todas memórias de mim mesmo, sendo preguiçoso, sem nenhuma consequência e isso não é nada com o que se preocupar, mas… não conseguiria me lembrar fácil de coisas que já esqueci. Farei meu melhor para conseguir isso o mais rápido que puder, mas não posso prometer quão rápido recuperarei minhas memórias depois disso.

Sammy olhou para Eiro com uma expressão amarga, ainda irritada com o fato de que ela se deixou esquecer dele daquela forma. Eiro já havia tentado explicar que não havia nada que ela pudesse fazer para se lembrar dele naquelas circunstâncias, mas ela ainda estava bastante negativa sobre esse aspecto.

Tudo que tinha que ser dito foi dito e tudo que tinha para ser perguntado foi perguntado. Eiro se levantou e, nervoso, atravessou a casa, seguido pelos outros.

O demônio subiu as escadas da torre até chegar ao topo. Ele abriu a porta secreta, ou melhor, ‘escotilha’ neste caso particular e subiu na sala. Dali, ele se certificou de falar um pouco mais com os outros, depois fechou a escotilha, que ficaria assim por toda a semana seguinte, se possível.

A primeira coisa que o Diabrete fez ao sentir calor foi parar sua infusão, recolhendo tudo de volta para o pequeno pedaço de madeira negro na sua mão. Ele ficou surpreso que este pequeno pedaço era suficiente para infundir todo seu corpo, mas ao considerar quão poderoso ele era, talvez isso fosse natural para esse tipo de material.

Mas, assim que fez isso… Eiro sentiu queimaduras por todo seu corpo, enquanto começava a chiar. Seu corpo se tornou difícil de se mover e parecia que logo seria incendiado se não fizesse nada.

Então Eiro infundiu esta sala com este material em particular, com toda esta ‘Magia Profana’ que estava presa dentro deste pequeno pedaço de madeira. Lentamente as queimaduras e o chiado desapareciam à medida que a Energia Sagrada era substituída pela Energia Profana.

Respirando fundo, o Demônio entrou para inalar o máximo desta energia possível para se livrar de qualquer resquício de Energia Sagrada dentro de seu corpo enquanto começava a se curar das queimaduras que acabou de sofrer.

— … Isso foi a Energia Sagrada do ambiente, ou veio de Avalin, que ficou parada na frente desta sala por um instante…? — Eiro murmurou, incerto de qual dessas duas possibilidades era a correta. — Bem, na verdade, isso não importa. Só preciso esperar… por uma semana. — Eiro murmurou, se deitar na sala. Ele havia preparado o espaço para que ele ficasse neste ‘Estado Profano’… assim que teve a chance, Eiro fechou os olhos e adormeceu devido à exaustão.

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