A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 297

A Virtude do Demônio

Eiro permaneceu ali, seu corpo começando a absorver Energia Sagrada em vez de ser danificado por ela. As penalidades que definitiva viriam para prejudicá-lo seriam muito horríveis, mas, pelo menos, isso era perfeito para se livrar do Fantasma.

Afinal enquanto Eiro se tornava completa imune à Energia Sagrada e estava o fortalecendo, o mesmo não poderia ser dito do Fantasma. Ele ainda estava sendo danificado e sendo afastado da forma de Eiro.

— O que, como?! — Ele exclamou, confuso. — É… aquela habilidade de novo, certo? Aquela habilidade, aquela Habilidade Lendária?!

— Uhum. — Eiro respondeu sem se importar enquanto se agachava na frente de Avalin, sentindo o Fantasma saindo do seu corpo. Ele estava sendo ferido, mostrando sinais claros de que isso estava acontecendo, pois seu corpo caía em pedaços, ao mesmo tempo que o corpo de Eiro era recuperado.

Eiro observou com uma sensação agradável brotando dentro dele enquanto o Fantasma desaparecia em nada e morria pela segunda vez.

A vida de Eiro se recuperou muito rápido devido à grande quantidade de energia sagrada que Avalin estava emitindo, além disso, Eiro absorveu cada gota de Energia Sagrada que havia ao redor, a ponto de a flor de carne não conseguir mais absorver.

E como todo seu propósito era absorver esta Energia Sagrada, no instante em que parou de recebê-la porque Eiro estava bloqueando o caminho dessa magia, ela própria começou a se danificar lentamente. Logo morreria, por sorte.

Eiro colocou suas asas ao redor da garotinha de forma protetora, certificando-se de que ela não fosse atingida pela neve ou que continuasse tendo que olhar para a flor de carne.

O Demônio abraçou a garota e esfregou suas costas, tentando acalmá-la o máximo que podia. De alguma forma, o próprio Demônio foi retirado do estado de ira depois de perceber o que aconteceria em breve. Por um minuto ou dois, isso foi tudo o que Eiro fez. Sua vida se encheu e, quando isso aconteceu, sua mana foi recuperada.

Quando ficou cheia de novo, Eiro soltou a garota, fazendo Sarius flutuar acima para que ele impedisse que a neve caísse nela.

O Diabrete levantou sua mão para frente e reuniu uma quantidade massiva de magia de fogo na frente dele enquanto Sarius o ajudava a refiná-las o máximo que conseguia. A Salamandra não era muito boa refinando elementos, ao que parecia, então essas chamas não eram tão puras, mas pelo menos conseguiu refinar muitas chamas de uma vez. ‘Quantidade sobre Qualidade’, neste caso.

Estava tudo bem, contanto que as chamas fossem um pouco melhores. Eiro conseguiu um pouco de tempo e a probabilidade de sucesso aumentaria muito.

Ele reuniu as chamas e as comprimiu em uma esfera, circulando-a ao redor dele. Então começou a formar o círculo mágico apropriado logo ao redor deste orbe de chamas, como se o círculo mágico envolvesse o orbe em várias camadas. A formação se tornou mais complexa à medida que Eiro criava o círculo mágico que deveria representar o próprio Eiro, combinado com o círculo mágico para fazer algo com aquela magia artificial, bem como aquele que deveria acabar com a tempestade.

Eiro tinha mais alguns minutos, então, esperançosamente terminaria isso em breve. Desse modo, o Diabrete agarrou a flor de carne e fez seu melhor para integrá-la no feitiço, colocando o orbe de magia comprimido no centro dela e tentando dobrar as diferentes partes da flor de volta, como se a fechasse de novo.

Com uma respiração profunda, o Demônio olhou para Avalin logo atrás dele e sorriu enquanto começava a bater suas asas. Ele tinha que se aproximar o máximo possível do centro da tempestade, que neste caso, estava logo acima do castelo real.

O mais rápido possível, voou até lá e olhou para o céu. Ele voou cada vez mais alto e, quando tinha um minuto sobrando no qual a Energia Sagrada não poderia afetá-lo, ele arremessou a flor no céu.

— Três. — Ela começou a desacelerar.

— Dois. — Ela atingiu o pico e permaneceu no céu por um instante.

— Um. — A flor especial se abriu de novo.

— Agora. — E o feitiço teve efeito.

Em uma grande explosão que percorreu toda a tempestade de neve, despedaçando-a, chamas foram expelidas. A força da explosão fez com que Eiro fosse empurrado com força. Antecipando isso, ele tentou usá-la a seu favor. Havia algumas poucas áreas onde não havia Energia Sagrada no ar neste instante, quase nenhuma. Ele tinha que chegar nesses locais o mais rápido possível e encontrar uma forma de voltar para a mansão. Havia alguns lugares que poderiam proteger Eiro, pelo que conseguia ver à distância. Era sua aposta mais segura, no mínimo.

Enquanto o Demônio ia até lá, retirou um pequeno pedaço de madeira negra da sua Tesouraria e a pressionou contra seu peito. Todo seu corpo se transformou naquela madeira enquanto chegava na área correta.

[Seu corpo foi infundido com um material profano. Seu corpo repelirá direta toda a Energia Sagrada.]

Eiro olhou para a notificação com uma carranca profunda, nervoso com o que estava para acontecer. O Diabrete passou seus dedos pela notificação de forma ansiosa. Ele flutuava bem neste local, esperando que o contador chegasse a zero.

E lá estava, logo quando o céu acima de Eiro clareou e o som brilhou sobre ele.

[O efeito de fortalecimento de <Resistência à Energia Sagrada> acabou. Penalidades serão aplicadas.]

[Por 6 Dias, 23 Horas e 59 Segundos, sua Habilidade <Resistência à Energia Sagrada> será substituída por <Vulnerabilidade à Energia Sagrada>]

O demônio podia sentir a mudança ao seu redor. Na sua pele e pulmões. O pouco de energia sagrada que ainda estava em seu corpo foi removido depois que se fundiu com a madeira negra profana em sua mão. Ele não se recordava do seu nome, mas ela era muito útil. Sem ela. Ele definitivamente estaria morto.

Mas havia um problema com isso.

Eiro não poderia permanecer assim para sempre. Por um tempo, claro. Outro dia, talvez, mas além disso? Impossível, afinal, ele não poderia manter tais transformações enquanto dormia e parecia que desmaiaria se permanecesse acordado por mais um ou dois dias.

O problema com isso era que toda a cidade estava completamente, ou pelo menos em sua maioria, preenchida com Energia Sagrada devido ao último momento em que a tempestade foi infundida pela flor.

Eiro pensou sobre o que deveria fazer… No estado em que eu estava agora, ele ficaria bem mesmo se Avalin estivesse perto por um tempo, afinal, esta madeira deveria anular a Energia Sagrada dela, então o Diabrete esperava que ela pudesse ajudá-lo um pouco para que pudesse pelo menos se certificar de que tudo funcionou como planejado. Ele queria ter certeza de que todos se recordavam dele.

E, para isso, o Demônio foi até a pessoa que ele pensou ser a mais provável a se recordar dele, de todos os outros. como estava logo acima do castelo real, isso era perfeito. Ele se permitiu cair e se envolveu com magia de sombras para tentar se esconder enquanto escalava a janela até o escritório de Solomon.

Ali dentro havia três pessoas, assim como Lugo. O Cervo pulou imediatamente e caminhou até Eiro, esfregando sua cabeça no peito do Demônio.

— Ei, cara… Tudo funcionou? — Ele perguntou enquanto retirava um pequeno caderno e uma caneta de sua tesouraria e escrevia tudo o que aconteceu, para ter certeza de que já tinha resolvido.

Neste momento, James ainda estava deitado inconsciente no sofá enquanto até Solomon parecia estar um pouco tonto, mas por motivos diferentes. James, porque Eiro o nocauteou de propósito e Solomon por causa do feitiço. Assim esperava.

— É você, Eiro? — Clark perguntou com uma carranca profunda, olhando para a figura de madeira negra como breu que entrou pela janela.

— Sou eu. — Ele respondeu e Solomon levantou a cabeça para olhar para ele, arregalando os olhos.

— Eiro! — O Rei exclamou. — Funcionou! Eu me recordo de você de novo!

Assim que escutou Solomon dizer isso, um peso foi aliviado dos ombros de Eiro. Um peso enorme, na verdade.

Agora, tudo o que tinha que fazer era procurar por um lugar que fosse ausente de Energia Sagrada, esperar por uma semana e então descobrir como recuperar suas memórias de volta.

Solomon se aproximou e, de uma maneira que Eiro nunca tinha visto este homem normalmente tão composto fazer, ele decidiu abraçar Eiro com um sorriso, mais do que feliz ao ver que tudo deu certo.

— Mas, o que está acontecendo, por que você está com esta aparência? — O Rei perguntou ao recordar que Eiro não era negro como breu, nem feito de madeira. Dessa forma, o Diabrete explicou. Ele disse a Solomon o que aconteceu e enquanto recitava, anotou tudo dentro do livro que segurava.

Eiro olhou para o rei, que o encarou de volta, perplexo.

— Então, você fez o quê? Você disparou um feitiço naquela tempestade e foi isso que conseguiu destruí-la?

— Claro que não era um feitiço qualquer. Foi criado para isso. Até me forneceu a habilidade de Contrafeitiço. — Eiro explicou enquanto se virava lenta para a janela. — Mas, com licença, voltarei quando eu tiver certeza de que também está tudo bem com todos na mansão.

Assim, Eiro pulou pela janela e voou para encontrar suas crianças.

Comentários