
Volume 3 - Capítulo 296
A Virtude do Demônio
Eiro olhou para as quatro figuras paradas ali enquanto o Fantasma ainda pairava acima de Avalin. O demônio estava absoluta enfurecido e isso era aparente para eles.
Embora Avalin não parecesse capaz de prestar atenção em alguém nesse instante, os outros três podiam.
— Quem é?
— Fique quieta, Jess. — Eiro rosnou, sua voz derretendo a neve que caía do céu. Vapor subiu ao redor dele enquanto o Diabrete se aproximava. Jess ficou incapaz de falar devido à pressão que Eiro emitia depois que ele a ordenou. O Demônio olhou para Gondos por um momento. Os dois trocaram olhares e Eiro tinha certeza de que o Espírito também percebeu a conexão entre eles e o encarou de volta, confuso.
Mas isso não importava, pois Eiro levantou sua mão na direção do Fantasma. Parecia que ele estava enlouquecendo com tudo o que estava ocorrendo.
— M-Mas como, isso não… Isso não faz o menor sentido! — O Fantasma bradou. — Como pode haver um ser que é capaz de resistir ao feitiço e por que é um maldito cervo? Como estou sendo empurrado para trás, como você me feriu, como?!
— Oh… Certo. Você não possui mais suas habilidades investigativas, possui? — Eiro murmurou. — Então, você não sabe. Você não consegue dizer. Bem, se fosse capaz, já teria desistido em desespero, já que não tem como sair daqui. Não depois do que fez às crianças. — Eiro disse ao Fantasma, olhando para Jess e Gondos. — É uma boa hora para vocês dois saírem. Não sei se consigo proteger mais do que uma pessoa agora e a única que protegerei é minha filha. — O Diabrete disse com um olhar profundo e Jess caiu para trás com medo do Demônio, mas, logo, ela compreendeu o que estava acontecendo, saindo do telhado o mais rápido que conseguia junto de Gondos.
— Sarius, você deveria ir também.
— Heh e deixar você sozinho? E se você esquecer de novo, seu idiota? Sou sua memória temporária por ora. — Sarius sorriu e o Demônio assentiu enquanto retirava sua capa e máscara, esticando suas asas.
O Diabo reuniu uma grande quantidade de chamas na sua frente. Chamas que primeiro invocou do Plano Elemental de Fogo e depois fez Sarius refiná-las. Tudo isso consumiu uma quantidade considerável de mana, ou neste caso em especial, Força Vital. Era nisso em que Eiro apostava, na verdade. Para ser capaz de criar um único ataque que poderia derrotar o Fantasma ou pelo menos danificá-lo o suficiente para que tirasse Avalin de perto dele.
O Fantasma, bastante assustado, balançou seu braço para cima em pânico. Eiro conseguiu escutar algo cavando através da madeira abaixo dos seus pés, mas conseguiu desviar com muita facilidade. Eram pregos de metal que o Fantasma manipulou para tentar conseguir um ataque furtivo em Eiro, embora não fosse mais do que um truque sem sentido nesta altura.
Os pregos flutuavam ao redor do Fantasma, sendo infundidos com energias necromânticas enquanto se preparava para lutar com Eiro.
— Interessante… Magia de Metal… Quem teria pensado que você teria uma magia tão rara? — O Demônio murmurou, não tão interessado quanto fingia estar. No fim, não se importava muito. Era um tipo de magia que Eiro nunca teve a oportunidade de ver antes, mas que uso isso teria em uma hora quando esquecia tudo sobre o que pensava alguns segundos depois? Exato. Nenhum. Eiro sabia disso, motivo pelo qual se concentrou no Fantasma e em Avalin em vez dessas coisas inúteis que conseguia evitar com facilidade.
Agora, era como um tipo de impasse. Eiro com uma bola de chamas concentradas e refinadas, que feririam o Fantasma quando acertasse e o Fantasma com pregos de metal afiados e infundidos com Necromancia flutuando acima da cabeça de Avalin e perto do rosto dela. Eiro não tinha certeza se conseguiria se mover rápido o suficiente para parar todos de uma vez.
— A-assustado, hein? Sim, é claro que você está assustado! Não há como você não estar! — O Fantasma exclamou. — Sabe por que está com medo de mim? Porque você é fraco! Você é previsível! Você não é na-
Antes que o Fantasma pudesse terminar esse discurso pequeno e inútil, Eiro disparou o orbe de chamas comprimidas direto no centro do peito dele, onde seu corpo era mais denso. Eiro pensou que era algo como um núcleo, talvez um tipo de fonte de energia.
O orbe de chamas o atravessou e limpou uma área circular desse ‘núcleo’. Enquanto as bordas do buraco começavam a pegar fogo, o buraco ficou cada vez maior quanto mais queimava, mas como Eiro esperava, isso não era suficiente para matá-lo.
Em vez disso, assim que percebeu o que estava acontecendo, ele balançou seus braços para baixo e tentou disparar todos os pregos em Eiro ou em Avalin, já que ele sabia o que ela significava para o Demônio.
Eiro era capaz de desviar dos pregos com muita facilidade, mas era diferente para Avalin. A situação era um pouco mais preocupante.
Primeiro, depois da luta que Eiro e este Fantasma tiveram enquanto o Fantasma ainda estava ‘vivo’, vivo como um Demi-Lich pelo menos, os ‘grilhões’ que Avalin usava para suprimir sua própria Energia Sagrada racharam, o que significava que não podiam mais suprimir a Energia Sagrada tão bem. Eiro tinha que repará-los quando tivesse tempo, mas não tinha tempo agora, por motivos muito óbvios.
Portanto, Eiro não era capaz de tocar em Avalin e tirá-la do caminho. Além disso, o Fantasma parecia ter contido Avalin por meio de alguma magia. Assim Eiro só tinha uma escolha possível que poderia fazer para que lutasse contra o Fantasma.
Ele sabia que haveria algum tipo de consequência, mas não poderia se concentrar bem o suficiente para descobrir qual seria no momento. Ainda assim, ele não poderia deixar que Avalin fosse atingida por esses pregos enferrujados, perigosos e fortalecidos por meio de magia.
O Demônio esticou seu braço o mais rápido que conseguia e conseguiu ‘segurar’ os pregos. Em seu próprio braço. Alguns deles ficaram presos na prótese de Eiro, mas um deles conseguiu arranhar a carne real do Diabrete.
Assim que o prego caiu no chão, depois disso, o Fantasma começou a rir de forma maníaca.
— Você é um idiota! — Ele exclamou enquanto Eiro sentia o pequeno arranhão queimar com um vigor incrível. Ele sabia o que estava para acontecer, mas isso poderia ser uma consequência bastante positiva, afinal, como o Fantasma estava tentando possuí-lo, era impossível para ele fugir.
Através do pequeno corte que o prego fez no braço de Eiro, o Fantasma tentou entrar no corpo dele como se tentasse se fundir, mas como Eiro já havia se fundido com outra criatura, ele era capaz de impedir que isso acontecesse, pelo menos em parte.
Ao cobrir seu corpo com as chamas criadas com sua Força Vital, conseguiu ferir o Fantasma, mas ele fez algo que Eiro não pensou. Um erro da parte dele, afinal, Eiro não havia dormido muito nos últimos dias e estava tentando manter sua mente caótica sob controle, então estava muito fatigado. Foi um azar horrível que esse tenha sido o ponto em que a sua mente falhou.
O Fantasma, por um instante, controlou o braço de Eiro e retirou o botão de flor da bolsa, arremessando-o no chão na frente de Avalin.
— Sabe como flores funcionam, c-certo? — O Fantasma questionou. — O botão não é o estágio final… Elas têm que florescer em algum momento!
Assim que ele disse isso, o botão de flor começou a se abrir, revelando a visão dentro dele. Aqueles pedaços de carne, sangue e órgãos, até mesmo olhos e um cérebro, se misturavam como se fossem algum tipo de obra de arte doentia. Os olhos desta flor, retirados de um humano, encararam Avalin, que encarou com medo, sobrecarregada por tudo o que ocorria.
Avalin desabou em choro, suas emoções ficando descontroladas com sua Energia Sagrada. Os ‘grilhões’ se racharam ainda mais, liberando uma quantidade enorme de Energia Sarada. Tudo isso foi absorvido pela flor cadáver.
Neste ponto, Eiro percebeu o que estava acontecendo e, alguns segundos depois, também sentiu. Ele sentiu a queimação em sua pele enquanto um dos flocos de neve o acertava. Energia Sagrada começava a preencher o ar e com Avalin na sua frente, Eiro estava sendo muito afetado.
— Não… fode comigo…! — Eiro gritou enquanto puxava seu braço para o lado e o libertava da possessão do Fantasma. Ou assim pensou. Em vez disso, era como se a Energia Sagrada forçasse o Fantasma a se aprofundar no corpo de Eiro, como se fosse forçado a procurar um lugar para se esconder.
O Fantasma assumiu o corpo de Eiro, ainda que muito pouco. Ele o moveu para mais perto de Avalin, forçando-o a sofrer cada vez mais danos. Eiro conseguiu sentir a camada externa da sua pele chiando. Sua figura demoníaca se aproximar de Avalin também não ajudava o medo dela, na verdade o fortalecia.
— Você não pode… não permitirei que você… Faça ela… me matar… — Eiro rosnou, mas o Fantasma, sacrificando sua própria vida para levar Eiro consigo para sua verdadeira morte e causar-lhe todo esse desespero, não tentou ouvir.
Eiro lutava com todas as suas forças, até quebrou seu braço e algumas de suas costelas enquanto tentava se libertar da possessão. O Diabrete conseguia sentir. Ele estava prestes a morrer. A cidade estava sendo preenchida com energia sagrada e Eiro não podia fazer nada sobre isso.
Talvez por isso que a pior coisa que poderia acontecer naquele momento aconteceu.
[A Habilidade <Demônio Supremo> interagiu e fortaleceu momentaneamente sua Habilidade <Resistência à Energia Sagrada>]
[Seu corpo agora absorverá Energia Sagrada e até mesmo será curado por ela, em vez de ser destruído.]
[Você tem 9 minutos e 59 segundos até que as penalidades sejam aplicadas. Até lá, seu corpo será fortalecido pela Energia Sagrada.