A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 295

A Virtude do Demônio

Como Eiro parecia ter convencido Krog por ora, o Demônio correu pela mansão o mais rápido que pôde. Ele olhou ao redor, tentando encontrar qualquer dica de onde o Fantasma poderia estar. Foi neste instante que escutou algo. Do outro lado do prédio, ouviu-se o arranhar anormal no chão. Era bastante forte, o que foi o motivo para ele percebê-lo em primeiro lugar. Isso e o fato de que coincidente se concentrou no que acontecia naquela direção.

Então Eiro parou de rastrear e se virou. Dentro de alguns instantes, o Demônio chegou ao outro lado do corredor e subiu as escadas na sua frente. Ele bateu no lado de baixo de uma moldura das pinturas e a abriu, revelando uma das muitas passagens secretas aqui.

Eiro pulou dentro dela e correu, parando na frente da saída dessa passagem e empurrando seu pé contra um dos tijolos. A passagem se abriu lenta e Eiro atravessou assim que pôde.

Então, tudo o que restava era correr pelo corredor em direção à porta no fim dele, onde escutou os arranhões virem. De imediato, Eiro usou seu momentum para pressionar seu pé contra a fechadura e quebrar a porta, empurrando o guarda-roupa que havia sido empurrado na frente dele. Essa parecia ter sido a causa dos arranhões. Dentro do quarto, Eiro viu suas crianças.

Arc, gravemente ferido, estava deitado na cama enquanto era tratado por Clementine em colaboração com Nelli. Sammy tentava ajudar Rudy a se livrar do que parecia ser um pedaço de metal preso ao redor de suas mãos, segurando-as como algemas.

Aparentemente bastante assustado, Leon estava sentado no colo de Felix em uma das cadeiras. Assim que entrou, Sammy reagiu e se levantou para olhar para o Demônio.

— Sai- — Ela começou a proferir, mas antes que pudesse terminar, Eiro puxou o ar ao redor dela para ele por um instante. Isso não a machucou em nada, mas a tornou incapaz de falar por um momento.

— Estou aqui para me livrar do Fantasma. Ajudarei vocês. — O Diabrete comentou. Com passos rápidos, caminhou até Rudy, que imediatamente tentou se levantar e se afastar desse cara aleatório que forçou seu caminho para dentro, mas Eiro o segurou pelo ombro e o deixou de volta de joelhos com facilidade.

O Demônio colocou as mãos no metal, prendendo as mãos dele e o aqueceu ao ponto em que começou a brilhar, para surpresa de todos, afinal, ninguém em sã consciência faria algo do tipo depois de estar aqui para ajudar. Exceto se conhecessem sobre as Habilidades Únicas de Rudy, é claro.

Mas, depois de aquecer o metal, Eiro o esfriou. Isso ainda não foi o suficiente para quebrá-lo, mas criou uma pequena rachadura, mais do que suficiente para o propósito de Eiro. Ele retirou um pequeno saco de sua bolsa e derrubou um pouco do seu conteúdo na rachadura no metal, pressionando sua mão nele.

De imediato, as sementes brotaram e cresceram no metal, usando força bruta para quebrar em torno das mãos de Rudy, libertando-o dentro de alguns segundos.

— Como você- — Rudy perguntou, mas Eiro o interrompeu.

— Explicarei depois. — Ele disse e caminhou em direção ao Espírito que flutuava ao lado de Clementine. Ela estava muito fraca agora, desde que não recebeu nenhuma mana de Eiro nos últimos dias. Portanto, o processo de curar Arc não funcionou tão bem.

E, agora que Nelli viu Eiro de novo, deve ter sentido a conexão do contrato entre eles. Algo que não se recordava de formar. Claramente isso a atordoou e criou a oportunidade para Eiro pressionar seu dedo na testa dela e inserir um pouco de mana nela. O suficiente para que ela curasse Arc.

— O que aconteceu com ele? Seus ossos quebrados estão desalinhados. — O demônio perguntou enquanto olhava para Clementine. Ela encarou a máscara vazia e olhou nervosa para Arc com lágrimas nos olhos.

— E-Ele… Aquele fantasma o possuiu… forçou Arc a lutar contra Rudy… não funcionou, mas Arc foi controlado para aquecer o metal que o Fantasma de alguma forma prendeu ao redor das mãos dele… — Ela explicou e Eiro assentiu.

— Entendo. — Ele murmurou. O Diabrete olhou para o jovem inconsciente na cama, puxou o braço dele e pressionou a perna dele em alguns lugares diferentes. Com um estalo forte, Eiro alinhou apropriada os ossos dele para que Nelli e Clementine pudessem curá-lo agora.

— Onde estão Gondos, Jess e Avalin? — Eiro perguntou com um tom calmo, enquanto caminhava na direção de Leon e se abaixava na frente dele. Com um aceno de sua mão, retirou um pequeno pedaço de doce que, por algum motivo, tinha em sua tesouraria, entregando-o para o garoto, que o aceitou.

— Como você-

— Perguntei onde eles estão, por favor, me responda. Não temos muito tempo. — Eiro disse respondendo à Sammy e a garota olhou para ele.

— … O Fantasma… sequestrou Avalin… Jess e Gondos o seguiram… disseram para esperarmos aqui… Eles ainda estão na mansão, eu acho… — Ela comentou e Eiro rangeu os dentes de raiva.

— Ahh…. Aquele maldito pedaço de merda… — O Demônio murmurou para si mesmo, olhando para a notificação na sua frente.

[Você está sob o efeito da ira]

[Outros ao seu redor sentirão suas emoções na forma mais pura.]

[Suas capacidades básicas foram temporariamente aprimoradas em 10%]

[Em vez de Mana, você consumirá Vida para utilizar suas habilidades.]

Ele conseguia sentir algo dentro dele mudar ligeiramente, como se sua Força Vital estivesse se transformando em mana, ou pelo menos como se isso estivesse pronto para acontecer a qualquer instante. Já que sua Força Vital assumiu um novo estado que não era nem mana nem Força Vital, mas Eiro não se importou. Ele tinha muita vida agora, no mínimo, mais do que possuía de mana no momento.

E Eiro estava furioso. Não havia como ele se importar com algo do tipo depois de ver suas crianças em tal estado. Especialmente Arc era algo que Eiro não queria ver.

O Demônio respirou fundo e espalhou sua mana – ou melhor, Força Vital.

Ela percorreu a mansão, retornando para alertar Eiro sobre a localização de tudo. Agora, o botão de flor não parecia estar influenciando a percepção do Demônio, talvez porque sua percepção não funcionasse mais com mana.

Eiro conseguiu sentir algo em particular alertá-lo. Como se tivesse ferido alguém com o pulso desta sua Força Vital especial. Só havia um único ser em que Eiro poderia pensar dentro desta mansão que seria ferido por isso: era o Fantasma. Bahlsen, ou Edward, seja lá como ele se chama agora.

Sem hesitação, Eiro chutou o chão e correu pelo corredor, pulando na frente da janela. Ele chutou a borda superior da janela entreaberta, fazendo-a se abrir e se impulsionou.

Com um chute rápido na janela, o Diabrete chegou ao andar de cima, então saltou do parapeito dela para alcançar o telhado, onde sentiu a resposta.

Havia um pequeno terraço que parecia ser um bom lugar para se estar no verão, embora não pudesse ser muito usado no inverno. Bem ali, Eiro viu quatro figuras.

Jess e Gondos um ao lado do outro e Avalin chorando, com o Fantasma se erguendo sobre ela. Parecia que Jess tentava conjurar um feitiço, mas o Fantasma estava a impedindo disso.

Eiro respirou fundo e encheu seus pulmões de ar, o pouco que conseguiu naquele clima em que você mal conseguia respirar. Ele condensou o ar em parte dos seus pulmões e os levou de volta à traqueia, depois o deixou sair pela boca, onde ficou protegido da nevasca por ora.

Na frente da sua boca, enquanto se aproximava, Eiro desenhou um pequeno pentagrama. Era a forma mais simples de um Círculo Mágico, cujo objetivo era simples criar um foco num certo tipo de elemento que seria inserido pelo conjurador.

E, neste caso, eram chamas. Chamas que Eiro invocou de dentro do Portal das Chamas dentro dele. O Demônio criou uma compressão de chamas que inseriu em sua boca. Combinado com o ar, as chamas quase explodiram em um instante, preenchendo a boca do Diabrete, mas, devido à Bênção do Rei das Salamandras, a resistência natural às chamas de Eiro havia aumentado consideravelmente, então isso não o machucou.

Eiro aproximou o pequeno pentagrama da sua boca enquanto a abria lenta, pressionou o Círculo Mágico nas fortes chamas que assolavam sua própria boca. Através do pentagrama, Eiro conseguiu ajudar a concentrar e fortalecer suas chamas em um ponto menor enquanto ele encolhia o pentagrama. Como se o engolisse, esta bola de chamas comprimidas desceu pela garganta de Eiro, logo abaixo de suas cordas vocais.

E bem ali, o Demônio se aproveitou do fato de que, em seu estado de ‘Ira’, sua voz tinha muito mais poder que o normal e a infundiu com essas chamas concentradas e fortalecidas.

Tudo isso aconteceu em uma fração de segundos, antes que qualquer um pudesse reagir à presença de Eiro. Com determinação clara, ele encarou o Fantasma.

— Pare.

As chamas, infundidas com a voz do Diabrete, fizeram com que a tempestade de neve simples parasse ao redor dele e dos outros por um instante e como este era um feitiço conjurado com Força Vital em vez de Mana devido ao seu estado de Ira, o Fantasma soltou Avalin e começou a emitir fumaça, enquanto era ferido de forma que nunca poderia ter antecipado.

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