A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 294

A Virtude do Demônio

James bloqueou o caminho de Eiro, que tentava sair do escritório.

— Você não irá para lugar nenhum até que me diga onde diabos está indo! — Ele exclamou. Ele o encarou com raiva brotando dentro dele. Ele tinha que chegar à mansão e ajudar as crianças, mas também não queria ferir James no processo.

— … Você quer saber aonde eu vou? Então, deixe-me te contar o que está acontecendo… — Eiro murmurou ao se aproximar de James, mas então, antes de dizer algo ele balançou sua cauda para frente e pressionou seu ferrão no pescoço de James. — … mais tarde.

— O que…? — Ele exclamou, mas a anestesia que Eiro havia inserido em seu corpo fez com que perdesse toda a sensibilidade e força em seu corpo. Alguns instantes depois, James caiu no chão e segurou sua cabeça, nervoso. Sem que ele perguntasse, Eiro explicou a situação.

— Não se preocupe, você só irá dormir. Quando acordar, espero já ter lidado com isso e explicarei tudo. Desculpa, mas não tenho tempo a perder. — Eiro comentou enquanto olhava para Solomon. — O cara que conjurou esse feitiço se transformou em um fantasma e está a caminho da mansão. Estou indo para lá. — Eiro anunciou para o Rei, que arregalou os olhos de surpresa.

— Tem certeza de que está em um estado apropriado para fazer isso agora?

— O que isso importa? É- — Eiro exclamou, mas subitamente sentiu uma série de choques em suas costas, ouvindo um baque forte atrás de si. Energia quente fluiu pelo corpo do Demônio e ele logo compreendeu o que aconteceu.

[Mana desconhecida entrou em seu corpo]

[Devido a meios externos, a mana desconhecida está sendo transformada em sua própria mana.]

[Você recuperou 14.519 de Mana]

[Sua geração de mana foi aumentada em 50% pelos próximos 59 minutos e 59 segundos]

Eiro se virou e olhou para o Cervo que havia colapsado no chão atrás dele após inserir uma grande quantidade de sua mana no corpo do Demônio de uma vez. Eiro não sabia como Lugo fez isso, como ele transferiu sua própria mana para Eiro, mas estava grato. Era uma pequena quantidade se comparado à sua mana total, mas, pelo menos, era suficiente para que movesse seu corpo de forma normal.

Talvez essa habilidade tivesse alguma relação com como Lugo conseguiu subir de nível, ou talvez fosse algo sem relação nenhuma com o que ele conseguia fazer. De qualquer forma, Eiro sabia que Lugo compreendia a importância do que estava ocorrendo. O Demônio se abaixou e passou sua mão pela testa do Cervo, certificando-se de que ele estava bem.

Lugo parecia um pouco exausto, mas, após um descanso adequado, deveria ficar bem.

— Obrigado, meu amigo. — Eiro sorriu enquanto se levantava e caminhava até a janela, com suas asas flamejantes esticadas. — Venho vê-lo de novo quando tudo isso terminar… Bem, se eu ainda conseguir, pelo menos. — O Diabrete anunciou.

Com uma respiração profunda, Eiro subiu no parapeito da janela e pulou.

Lugo e James desmaiaram devido a razões diferentes e Clark e Solomon foram deixados para trás, perguntando-se sobre o que aconteceu.

Eiro voou em direção à mansão o mais rápido possível enquanto as chamas de suas asas, de sua forma fundida, derretiam os flocos de neve que caíam ao redor dele. O Demônio olhou para frente durante o voo todo, tentando se concentrar no tênue rastro de magia que o Fantasma deixou.

Afinal, talvez ele não tivesse ido para a mansão e estivesse tentando parecer que sim. Eiro não queria ferrar com tudo. Ele queria encontrar o Fantasma e matá-lo o mais cedo possível. Com um pouco de Energia Sagrada, deveria ser capaz de exorcizá-lo apropriadamente, afinal, ele não parecia tão forte.

[Erm… Estava me perguntando, mas por que diabos você trouxe este botão de flor?] Sarius perguntou através de pensamento e o Diabrete respondeu:

[Porque eu preciso dele para anular o feitiço. Você verá mais tarde. Fique quieto por agora, estou me concentrando.]

Um pouco irritado, pelo que Eiro conseguia dizer, Sarius fez como pedido e parou de falar, ou ‘pensar’, com ele por agora. Assim, o Demônio conseguiu se concentrar no que estava à sua frente. A linha de magia que de fato levava direto à sua mansão, sem uma única curva ou desvio.

Eiro rangeu os dentes de raiva por não ter prestado muita atenção nele. Ele deveria ter percebido que o Fantasma não permitiria que isso acontecesse com tanta facilidade. Assim que percebeu que Lugo não era afetado pelo feitiço por algum motivo, ele começou a agir de modo diferente.

— Ou… foi mesmo? Eu… não prestei atenção… — O Demônio murmurou. Isso era óbvio. Se tivesse prestado atenção ao Fantasma, então teria se esquecido tudo isso de qualquer forma. O único motivo para ter se recordado do que fazia era porque Sarius o lembrava constantemente do que estavam fazendo e como ele conseguiu conectar os pedaços.

À distância, Eiro conseguia ver a mansão. Algumas luzes estavam acesas, pelo que conseguia discernir através da tempestade, mas a maior parte do local estava escura. Eiro mergulhou em direção à entrada da mansão e não hesitou nem por um instante em chutá-la. Era o mesmo caminho que o Fantasma percorreu, afinal.

Eiro olhou ao redor e tentou encantar o lugar para onde o Fantasma foi a partir daqui, mas ele parecia ter espalhado sua magia por todo o prédio assim que chegou. Isso significa que Eiro não podia confiar mais nisso. Portanto, para salvar a pouca mana que tinha, em comparação ao seu normal pelo menos, ele e Sarius se dividiram e Eiro usou magia de sombras para esconder seus chifres e asas ao mesmo tempo que vestia sua máscara e capa.

— Sarius, fique atento. Também há uma Náiade e um Golem aqui. Não sei como eles estão, já que não estivemos juntos durante os últimos dias. — Eiro comentou e a Salamandra resmungou alto.

— Sério? Você é um colecionador de espíritos ou o quê?

— Cale a boca. — Eiro respondeu de imediato enquanto procurava ao redor. Estava silencioso, assustadoramente silencioso. Assim, o Demônio tentou espalhar sua consciência através de magia para tentar descobrir onde todos na mansão estavam, mesmo com o risco de esquecer tudo desta mansão, afinal, poderia reaprender tudo isso, então não era um problema de fato.

Enquanto isso, a amalgamação de tudo que foi criado dentro do botão de flor que Eiro segurava tentava de alguma maneira distraí-lo, como se tentasse intervir nisso.

— Isso é uma criação daquele Fantasma, então faz sentido que ele tenha criado algumas maneiras de se proteger… — O Diabrete murmurou.

Mas não importava. Não havia como ele criar algo que confundisse completamente os sentidos de Eiro. Ele estava certo, no fim, Eiro conseguiu sentir algo. Havia passos pesados de alguém tentando correr até a entrada e o Demônio descobriu quem era: Krog, ou assim presumiu.

Assim que a grande figura apareceu, Eiro viu que de fato era Korg, segurando seus machados duplos à sua frente. Ele olhou ao redor e encarou Eiro.

— Quem é você?

— Sou um conhecido de James. A pessoa que invadiu essa casa há alguns dias voltou como um fantasma e feriu James. Ele ficará bem, mas não pôde vir até aqui, onde o Fantasma parece ter vindo. Eu vim em seu lugar para derrotá-lo. — Eiro disse e Krog levantou as sobrancelhas.

— S-Sério? Bem, então me mostre uma prova! — Ele exclamou e Eiro retirou a adaga de James de sua bolsa e a jogou para Krog. O guerreiro pesado pegou a arma e o encarou de volta.

— Err… Sim, isso é dele, mas como eu sei que-

— Oh, pela Dama do Inverno, me deixe procurar pelo Fantasma! Há crianças aqui, certo? Você quer que elas sejam feridas, ou até mortas? Não? Acho que não. Então, fique ao lado e me permita fazer o que preciso. — Eiro disse com um tom claro para que Krog pudesse entender.

— … Você pode sair. Nós lidaremos com o Fantasma por conta própria. — Krog disse, tentando ter certeza de que uma pessoa não envolvida não descobrisse sobre as crianças ao mandar Eiro embora, apesar de saber quão perigoso isso poderia ser. Eiro não tinha certeza se deveria ficar feliz com isso ou não. Pelo menos Krog estava meio que pensando nas crianças e muito achava que conseguiriam lidar com o Fantasma com relativa facilidade com todos os itens que tinham aqui nesta casa.

Mas, ao mesmo tempo, nesta situação específica, acabaria com todos nesta casa morrendo se Eiro saísse, então foi uma escolha de merda.

Eiro respirou fundo e infundiu seu corpo com Magia de Vento, usando uma velocidade surreal para ir até Krog quase imediatamente. O Demônio sacou sua adaga e colocou a ponta contra o queixo de Krog.

Infelizmente Eiro não tinha veneno suficiente preparado para nocautear alguém do tamanho de Krog, caso contrário teria usado seu ferrão, mas, neste instante, tinha que utilizar suas palavras.

— Você me escutou? Eu disse que ele conseguiu derrotar James. Como acha que conseguirá derrotar com tanta facilidade enquanto protege as crianças? — Eiro questionou, retirando o broche real. — Aqui, pode confiar em mim. James até me contou sobre as habilidades especiais que as crianças têm. Então, pare com essa merda e me permita lidar com isso, ou terei que forçar meu caminho.

Eiro olhou nos olhos de Krog e o guerreiro pesado o encarou de volta, assentindo devagar… e o Demônio avançou e correu pela mansão para procurar pelo Fantasma.

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