A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 290

A Virtude do Demônio

Eiro levou o botão de flor para fora dessa pequena exibição de flor e, logo, olhou para James, que ficou surpreso ao ver o objetivo que o Demônio trouxe.

— … O que é isso? — Ele perguntou com um sorriso e Eiro o encarou de volta.

— É o condutor. Agora, irei levá-lo até Solomon. Você pode vir comigo ou sair, faça o que quiser. — Eiro explicou.

James pensou por um instante, mas logo depois suspirou.

— Irei junto. Se eu puder, falarei com o Rei sobre o Demônio que está enlouquecido aqui por perto… Além disso… Você estava falando com alguém ali? Consegui escutar sua voz algumas vezes. — O Elfo da Luz comentou.

Eiro olhou em direção ao homem e abriu sua boca, mas assim que pensou em falar sobre alguma desculpa aleatória, já havia esquecido o motivo real para isso.

— … Eu estava falando comigo mesmo, não se importe.

— Se você diz. — James disse, aceitando por ora, embora fosse manter isso no fundo da sua mente. Então, de repente, Sarius falou na mente de Eiro.

{Na verdade, com quem você falou lá dentro?}

Surpreso, Eiro concentrou sua em Sarius.

{Você também esqueceu?}

{Acho que sim… Sensação estranha para caralho, não vou mentir…}

A Salamandra comentou.

‘O que está acontecendo?’

A habilidade negativa de Eiro de alguma forma afetou Sarius porque estavam fundidos, ou foi por outra razão? Afinal, Eiro não conseguia se recordar do que aconteceu naquela sala, então talvez algo tenha feito tanto ele como Sarius esquecerem sobre isso mais? Este botão de flor expelia pólen que parecia capaz de manipular memórias em alguma extensão, então não seria tão improvável.

Eiro pensou sobre isso por um instante, mas no fim decidiu que não importava muito. Ele tinha que terminar com isso e tinha que fazer isso o mais rápido possível. Desse modo, o Demônio e o Elfo da Luz saíram da exibição de flores e voltaram para as nevascas pelas quais atravessaram rapidamente.

O Demônio utilizou sua magia para facilitar o máximo possível e, durante o tempo todo, sentiu olhares profundos de James na parte de trás da sua cabeça. Parecia que não confiava tanto nele como Eiro pensava a princípio, ou talvez tenha ficado com mais suspeitas depois que Eiro e Sarius saíram da área.

De qualquer forma, isso não importava. Eiro tinha certeza de que todas as suspeitas de James desapareceriam assim que conseguisse reconfirmar que o Demônio era de fato próximo de Solomon. Pelo menos era o que esperava, mas não tinha que se preocupar muito com isso.

Logo, Eiro esperava se livrar desta tempestade e do feitiço que estava conectado a ela e neste ponto, James deveria se recordar dele. Não seria um problema se tudo funcionasse, então James e os outros se recordariam sobre Eiro. Apesar de James também perceber que Eiro matou aqueles jovens de forma extremamente cruel, o que poderia fazer com que ele não reagisse da melhor forma possível.

— Não que eu possa fazer algo sobre isso… — Eiro sussurrou para si enquanto atravessavam a tempestade e, não muito depois, os dois chegaram aos portões do castelo. Foram liderados para dentro pelos guardas, que já foram informados sobre a aparência do Demônio e a dupla chegou ao lugar em que Solomon os esperava.

Assim que chegaram ao escritório do Rei, Eiro abaixou a maçaneta e abriu a porta enquanto James o encarava confuso.

— O q-O que você está fazendo, por que está invadindo assim? — Ele questionou e Eiro o encarou com uma carranca sob sua máscara.

— Não há mais ninguém aqui, além de Solomon e aquele… aquela… — Eiro comentou e, de dentro do cômodo, uma voz irritada pôde ser ouvida.

— Clark! É Clark!

— Certo, e Clark. — O Demônio disse e se virou, entrando no escritório, enquanto James ficava preocupado e abaixava a cabeça por estar na presença do Rei desta forma.

Eiro levantou o botão de flor para frente, o qual havia envolvido com uma bolha e gelo para ter certeza de que estava seguro, então explicou.

— Este é o condutor que eu procurava. Possui uma estrutura interna estranha, como se fosse algum tipo de criação artificial.

— … Tem certeza de que devemos falar sobre isso agora? — Solomon questionou, preocupado, enquanto olhava para James, que estava parado atrás de Eiro e o Demônio se virou.

— Bem, eu não me importo. Podemos permitir que ele termine seus assuntos primeiro e permitir que ele saia, se quiser.

— C-Certo, obrigado. — James respondeu nervoso. Ele aproximou-se de Solomon e se ajoelhou respeitosamente na frente dele, começando a explicar a situação. Quando terminou, Solomon só encarou Eiro com uma expressão cheia de raiva.

— Obrigada por me contar isso, James. Agradeço por isso. Não havia escutado os detalhes sobre essa situação. — Ele admitiu e Eiro olhou de volta para Solomon, que estava focado em James por ora.

— Certo, você poderia sair e deixar nós três sozinhos por um minuto ou dois? Se preferir, pode sair agora, ou podemos chamá-lo de volta em alguns minutos. — Solomon sugeriu para James. Ele olhou para Eiro, que retribuiu o olhar com sua máscara vazia. O Elfo da Luz pensou por um instante e respondeu.

— Acho que deveria checar os outros em casa. Não quero deixar Krog e Jess sozinhos com aquelas crianças por muito tempo. — James disse e o corpo de Eiro ficou tenso devido à forma como James falava sobre as crianças.

— … Que crianças são essas de que você falou? — Eiro questionou e James olhou surpreso para ele.

— Oh, estamos cuidando de alguns órfãos na mansão. — O Elfo da Luz comentou, mas, assim que fez isso, seu coração começou a bater mais forte e rápido, como se percebesse que algo estava estranho. Embora essa sensação tenha sumido logo depois e James se acalmou. — Só por enquanto. — Assim, James saiu do cômodo e no instante em que se certificou de que ele saiu, Eiro retirou sua máscara e capa e respirou fundo enquanto Sarius saía do peito do Demônio.

— Urgh… Porra, isso é… Estranho. — O Espírito de Fogo comentou com um sorriso enquanto Eiro batia suas asas para esticá-las um pouco, depois de toda a pressão colocada sobre elas no disfarce de Eiro.

— Mais importante. — Solomon começou. — Eiro, o que James acabou de me contar? Você fez o que EXATAMENTE com aqueles jovens aventureiros?

Eiro olhou para o rei e balançou a cabeça.

— Desculpa, nem me lembro de encontrá-los, mas, como essa não é a resposta que você quer ouvir… Muito provavelmente eu fiz o que James acabou de dizer. Eu matei e me alimentei de alguns aventureiros em frenesi.

Solomon arregalou os olhos enquanto encarava Eiro.

— Você sequer sabe o que fez? Você se importa com a agonia que os fez sofrer?

— Se eu tiver que ser honesto, não, não me importo, afinal, por que eu deveria me importar com isso agora? O que acontece se eu me sentir mal por isso durante dez segundos, para esquecer o motivo da minha tristeza? Lembre-me e me puna quando minhas memórias forem recuperadas, ou pelo menos, quando eu parar de perder minhas memórias.

Solomon encarou Eiro, rangendo os dentes. Eiro não tinha certeza se o Rei estava bravo com o próprio Eiro ou se estava frustrado com a situação. Depois de respirar fundo, Solomon se recompôs.

— Tudo bem, mas não me importo com o que nosso relacionamento é ou era, não vou permitir que algo assim passe tão fácil. — Solomon ressaltou e Eiro assentiu.

— Não esperava que fizesse… Do que estávamos falando?

— Urgh, tão irritante! Que você massacrou aqueles garotos, seu idiota.

— Oh… bem, nesse caso, meu argumento se mantém. — Eiro apontou em resposta a Sarius, que flutuava ao redor de Eiro bastante irritado, e, neste momento, Clark apontou o mais importante. Enquanto isso, Eiro caminhou até Lugo e passou sua mão sobre a cabeça adormecida do Cervo.

— Então… o que é esse condutor? E como impediremos a tempestade? — O homem perguntou e Eiro virou a cabeça para ele, refletindo por um instante.

O Demônio olhou para seu caderno e o folheou algumas vezes, olhando para o botão de flor.

— Irei analisar a magia colocada no condutor e criar um contrafeitiço. Então, tentarei conjurar o contrafeitiço para impedi-lo de fornecer magia bruta, mas isso só será ativado no instante em que o ‘contrafeitiço’ para a tempestade de neve tiver efeito.

— … Você faz isso parecer fácil. — Clark suspirou, mas Eiro balançou a cabeça.

— Oh, não é fácil. Contrafeitiços são muito difíceis de serem criados. Como se você criasse o oposto do feitiço usado para fazer algo se desfazer, mas ainda precisa manter certas regras que dependem de muitos aspectos do lugar e do objeto em que o feitiço foi lançado em primeiro lugar. Além disso, este botão de flor cria muito pólen venenoso que o fará perder a memória.

— Sarius comentou, como se isso não fosse nada além de um comentário irrelevante e Eiro assentiu.

— Certo, quase me esqueci sobre isso. Obrigado por me recordar disso.

— … Sem problemas. — A Salamandra disse com um sorriso sarcástico enquanto o Demônio se preparava para trabalhar no contrafeitiço ao se fundir com Sarius de novo para que conseguisse sentir a magia com todos os seus sentidos. Não demorou muito para que Eiro se sentasse em uma cápsula de gelo restritiva, de onde o pólen não conseguiu sair e se certificou de tentar impedir que o pólen parasse de ser criado.

Assim, o Diabrete começou a desenvolver o contrafeitiço para este botão de flor especial.

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