A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 288

A Virtude do Demônio

Eiro seguiu James em direção ao lugar que ele mencionou e tentou descobrir se o condutor poderia estar em algum lugar por ali. Claro, havia uma quantidade alta de magia bruta nesta área específica da cidade, mas Eiro não tinha certeza se isso era suficiente para dizer que o condutor poderia estar aqui.

Mas, de novo, ele não tinha nenhuma pista do que ele poderia parecer, em primeiro lugar, então deveria explorar qualquer possibilidade que tivesse.

— Ei, estamos aqui. Estive sentindo um monte daquela merda estranha daqui. — James afirmou enquanto parava em um beco estreito onde ele e Eiro estavam abrigados da forte tempestade de neve ao redor deles. Ele apontou para o outro lado da rua em direção a uma pequena livraria e Eiro concentrou seu olhar neste lugar. Ele olhou ao redor e tentou ver se a tempestade se movia de alguma forma particular ao redor daqui e, apesar de haver algumas flutuações, Eiro não achava que isso era porque havia muito poder mágico sendo inserido na tempestade dali.

Na verdade, era como se houvesse algo nesta livraria que fosse tão poderoso que acabou interrompendo parte da magia da tempestade.

Eiro encarou a loja e de fato viu magia concentrada ali. Era a melhor pista que tinha, no fim. Com um suspiro profundo, aproximou-se da porta e a abriu. Ou pelo menos, tentou. A loja estava fechada por causa do clima, mas logo alguém veio até a porta e a abriu .

— Ah, com licença. Não tenho tido muitos clientes, então tranquei um pouco mais cedo que o normal… entrem, entrem… — Um homem idoso, fraco e frágil comentou enquanto abria a porta para Eiro e James. O Demônio assentiu e entrou, derretendo a neve devido ao calor que era emitido pelo seu próprio corpo devido à fusão com Sarius. Ele tentava seu melhor para suprimi-lo para que as pessoas não notassem que algo estava errado, mas era bem útil em situações como estas, pelo menos.

Depois de derreter a neve no corpo de James, os dois entraram na livraria. Instantaneamente Eiro começou a analisar os livros dentro desta primeira e desorganizada sala, tentando encontrar a fonte da grande quantidade de magia aqui. Logo a encontrou.

Eiro se aproximou da fonte e a pegou, mas não era nada além de um livro com capa de couro pequeno e sujo. Não parecia haver nada de especial sobre ele por fora, mas ele continha muita magia. A natureza dessa magia parecia um tanto parecida com a desta tempestade, então era provável que esse fosse o motivo para fazer a magia da tempestade flutuar.

— Alguma sorte? Era isso que procurava? — O Elfo da Luz ao lado de Eiro perguntou e o Demônio folheou o livro para confirmar, mas, quando descobriu que as páginas eram completas, balançou lenta sua cabeça.

— Não é. Isso parece uma coincidência. — Eiro respondeu e James coçou a parte de trás do seu pescoço.

— Sério? Eu pensei que parecia um pouco parecido.

— Oh, é parecido. Um aspecto deste livro é similar ao da tempestade e tenho uma breve noção do porquê esse pode ser o caso. — O Diabrete comentou. Ele não mentiu, tinha mesmo um palpite muito bom. A magia que emanava daquele pequeno livro era de um tipo bastante invasivo. Um que penetraria no seu ser e tomaria algo de você. Parecia estranho demais para isso estar nas mãos do dono de uma pequena livraria.

— Velho, por que você tem algo como isto? — Eiro perguntou de imediato e o homem olhou na direção do Demônio.

— É um livro, não é? Eu vendo livros.

— Então, não se importa de vendê-lo para mim?

Imediatamente o velho balançou a cabeça e, com um sorriso gentil, disse:

— Por que eu me importaria?

Eiro suspirou e concluiu que esse velho não tinha ideia do porquê de este livro estar aqui. Ou ele comprou sem saber o que era ou foi plantado aqui para que alguém o pegasse e causasse estragos. Parecia que seria melhor se Eiro o mantivesse para si, então pegou um saco de dinheiro e o comprou, guardando o pequeno livro em sua tesouraria.

Se esse livro fosse o condutor da magia fundida com a tempestade ali fora, então algo teria mudado. Bem, mudou, mas de forma sutil, afinal, esse livro estava afetando a trajetória da magia, então, depois que isso foi arrumado, nada mais mudou.

Apesar de que logo Eiro tenha resmungado irritado para si quando percebeu que estava na parte completamente errada da cidade e que esse pequeno livro havia afetado sua análise a tal ponto.

— O que diabos você fez? — James perguntou com uma carranca leve e surpresa. Eiro olhou para ele, observando seu caderno para que tivesse certeza de que se recordava de tudo sobre esta situação. Como James era capaz de sentir magia em alguma extensão, ele teria notado se uma fonte de magia tão forte, como esse livro sem dúvidas era, desaparecesse de repente.

Eiro olhou de volta para James e escolheu a explicação mais simples que poderia fornecer neste momento. Não queria passar muito tempo tendo que explicar algo que esperava que James se recordasse logo.

— É uma habilidade minha. — O demônio disse enquanto ia até a porta, ignorando a expressão confusa de James.

Os dois saíram e Eiro começou a decifrar os padrões da tempestade de novo. De alguma forma, parecia que este livro tinha uma influência muito maior nesta tempestade do que o Demônio assumiu a princípio. Como se o pequeno efeito imediato que ocorreu ali tivesse se intensificado devido a diferentes reações em cadeia e acabado mudando o funcionamento das coisas.

Esse era um aspecto que Eiro de fato não havia levado em consideração, como os diferentes objetos mágicos desta cidade poderiam afetar a tempestade. Portanto, pensou sobre tudo que poderia afetar a tempestade de alguma forma. Algumas lojas que vendiam itens mágicos, todos os artefatos artificiais criados pela organização nas favelas e toda a pesquisa conduzida na Academia.

Eiro pensou sobre tudo, tentou descobrir e, logo, conseguiu reduzir o local de forma surpreendentemente precisa.

— Temos que ir para o outro lado da cidade, na exibição de flores no parque. — Eiro comentou e James olhou para ele com uma carranca.

— A exibição de flores? É inverno e estamos no meio da provável nevasca mais forte do século, o que diabos você quer dizer com ‘exibição de flores’? Não há nenhuma! — Ele exclamou. Eiro parou de andar e se virou para ele.

— Existe algo chamado Estufa lá, sabia? Usando magia, é possível simular o clima exato que diferentes plantas precisam. O acesso é restrito a Nobres devido ao quão caras essas diferentes plantas são, para que ninguém possa roubá-las.

James olhou para ele, surpreso e até mesmo o espírito com quem Eiro estava fundido se sentiu igual surpreso.

[Você não consegue se lembrar de que este cara é seu amigo, mas lembra desta besteira aleatória?]

[Cala a boca.]

Eiro respondeu a Sarius, prosseguindo pela cidade enquanto James o seguia em direção àquele lugar. Como Eiro sabia o caminho mais rápido que poderiam usar, não demorou muito para que os dois chegassem à Exibição de Flores e foram permitidos entrar quando Eiro mostrou aos guardas, que ainda estavam posicionados aqui neste clima, o broche que ganhou de Solomon.

E, agora que estavam aqui, Eiro e James podiam relaxar um pouco, já que era bastante quente e úmido. A neve começou a escorrer de seus corpos após derreter e aromas agradáveis viajaram pelo ar.

— … Este lugar está mesmo cheio de malditas flores? — James questionou com um sorriso irônico e Eiro respondeu.

— Não apenas flores. Todos os tipos de plantas, na verdade. Árvores, musgos, ervas e flores também, sim, mas não exclusivamente.

Depois dessa breve explicação, ele olhou ao redor. Este lugar dava a Eiro muitos problemas em sua percepção. Primeiro, seu olfato estava sobrecarregado pela quantidade extrema de diferentes cheiros que preenchiam o ar, apesar de que logo tenha se acostumado.

O que mais dificultou para Eiro eram as plantas mágicas aqui, assim como a magia utilizada para manter este lugar funcionando. Poder-se-ia argumentar que esta exibição de flores tinha a magia mais concentrada e comprimida de toda a cidade, por isso Eiro tentou ignorar isso em sua busca. Ele não queria ser distraído.

Mas, agora que analisava tudo de novo, notou que este lugar afetava fortemente a tempestade lá fora, em sua maioria pela magia de manipulação do clima que era usada para criar ecossistemas artificiais aqui. De qualquer modo, essa não era a razão para isso. Parecia haver energia fluindo dali, apesar de que esse fato se tornou obscuro pelo próprio fato de que essa magia estava interferindo com a magia lá fora.

Como se algo fosse colocado deliberadamente aqui na esperança de que toda essa magia ocultasse o que quer que fosse. Funcionou, até mesmo para alguém com as habilidades de Eiro. Outros teriam muita dificuldade para descobrir tudo isso. Aqui era o local perfeito para esconder o condutor. Embora esse fato por si só deveria ter feito Eiro suspeitar deste lugar.

De qualquer maneira, o Demônio avançou pela exibição e tentou descobrir onde o condutor estava escondido.

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