A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 287

A Virtude do Demônio

— Elfo da Luz? Desculpa, não conheço. — O Demônio comentou, liderando a conversa sutil e inútil enquanto tentava encontrar a fonte de mana, ao mesmo tempo que analisava o fluxo de magia da tempestade lá fora. Eiro tinha uma sensação estranha no fundo da sua mente ao falar com esse homem, como se houvesse algo de importante sobre ele.

Mas, com um resmungo alto, James deitou a cabeça na mesa, embriagado.

— Não te culpo. Não existem muitos que conhecem. Saiba que consigo sentir magia como Elfos Superiores. — Ele comentou. — Embora, nestes últimos dias, alguma merda estranha esteja acontecendo. Você por acaso notou algo? — James questionou, o tom da sua voz insinuando a Eiro que talvez este homem estivesse questionando sobre o que estava fazendo.

Claro, Eiro não pensou muito sobre isso.

— Claro que não, mas se você diz que a tempestade está te dando uma sensação estranha, então por que passaria por ela para tomar uma bebida em um bar como esse? Todo mundo está tentando se abrigar.

— Claro, mas eu vim aqui para lidar com aquele demônio de merda de quem a guilda me informou. Ele matou algumas crianças perto de onde vivo. Não irei permitir que isso aconteça, existem crianças onde eu vivo. — James disse, levantando sua cabeça e percebendo melhor o que acabou de dizer. Eiro percebeu isso e a sensação estranha dentro de James se intensificou. — Certo, quem é você? Tenho me sentido um pouco estranho o tempo todo, mas por que eu sinto vontade de te contar coisas que não te dizem respeito? Você acabou de conjurar um feitiço, não foi?

Com um suspiro profundo, Eiro se levantou e escolheu se afastar. Ele tinha que lidar com outras coisas. Se este ‘Elfo da Luz’ ainda fosse problemático depois que Eiro conseguisse solucionar o problema da tempestade e se livrar dessa habilidade estranha e negativa que o fazia perder suas memórias, então ele o mataria, mas, por ora, só seria um incômodo se o fizesse.

— Ei, estou falando com você. Diga-me o que você esteve fazendo e, dependendo da sua resposta, pode sair.

— Hm… Você ficou sóbrio rápido, não ficou? — Eiro perguntou sem rodeios enquanto olhava para James, que balançou a cabeça.

— Cala a boca, eu não estava bêbado.

Com uma adaga apontada para Eiro, James encarou os olhos do demônio. Ou melhor, onde eles deveriam estar sob sua máscara, pelo menos. Com um suspiro profundo, Eiro se virou, mas assim que fez isso James escolheu atacá-lo e tentar incapacitá-lo. Ou pelo menos descobrir se Eiro era o Demônio ou não, como James imaginava.

A adaga deslizou pela lateral de Eiro, pois o Demônio moveu seu corpo para fora do caminho e o Diabrete empurrou seu cotovelo contra o estômago do Elfo da Luz. James foi empurrado e segurou a capa de Eiro ao fazer isso. Uma peça de roupa era muito difícil de controlar se comparado às partes do seu corpo, então Eiro não conseguiu afastar sua capa do caminho com velocidade suficiente.

Mas, por sorte, tudo o que aconteceu foi que parte do braço esquerdo de Eiro foi revelado. Como sua pele atual era bastante escura, quase preta, foi bastante fácil para James chegar a uma conclusão rápida: esta pessoa de pele escura na sua frente não poderia ser o mesmo Demônio de pele vermelha como escutou nos relatórios.

Mas, mesmo assim, James não permitiria que Eiro saísse assim. Ele conseguiu sentir muita magia da pessoa na sua frente, muita para dizer que ele possuía uma grande quantidade de mana dentro dele. Não, ele tinha algum feitiço de alto nível conjurado sobre ele, disso James tinha certeza.

— Certo, o que você é? Diga-me, que tipo de feitiço está utilizando? — Portanto, o bastante direto James não hesitou em questionar Eiro. O Demônio se virou e o encarou sob sua máscara.

— Não acredito que isso seja da sua conta, mas fui ordenado por sua Majestade, o Rei Skyhart, para investigar essa tempestade. Se não acredita em mim, aqui está a identificação válida que recebi dele. Sua Majestade me pediu para não espalhar isso, mas aqui estamos. — Eiro disse sem pestanejar. Felizmente Sarius conseguiu ajudar o Demônio a colocar seus pensamentos em ordem, pelo menos o suficiente para que chegasse a uma boa explicação enquanto retirava o broche que recebeu de Solomon há e no qual ele não pensava há algum tempo.

James olhou para isso e arregalou os olhos.

— Você foi ordenado por Solomon a… — Ele murmurou e deu um passo para trás. — Peço sinceras desculpas por atacar você. Essa situação está muito caótica, em toda esta cidade, quero dizer, eu estou meio nervoso.

— Certo. Então, se me der licença… — O Demônio comentou, virando para sair, mas James o impediu de novo.

— Espera. Deixe-me ajudá-lo. Também sou alguém que se aproximou do Rei através de circunstâncias diferentes e gostaria de ajudá-lo a descobrir isso. Minha prioridade é encontrar o demônio que mencionei, mas isso é muito difícil com essa tempestade. Se pudermos nos livrar da fonte dessa sensação repugnante que estou sentindo, seria bom para caralho! — James exclamou, muito mais entusiasmado do que Eiro estava acostumado.

‘Talvez fosse dessa forma que ele interagia comigo se não fossem certos aspectos no passado de nós dois, que tornavam isso quase impossível, afinal, nós confiamos um no outro e James se tornou alguém bastante importante mim.’

— Hm…? — Eiro murmurou depois que esses pensamentos aleatórios cruzaram sua cabeça de forma inesperada. Por algum motivo, pelo que James disse, o Demônio fez uma conexão mental automática. Ele preencheu as lacunas. O Diabrete conseguiu, subconsciente, entender a sensação estranha que sentia de James.

Ele redescobriu que James foi parte do seu passado e que tipo de passado era. Claro, ainda havia muitas lacunas, mas, pelo menos, Eiro tinha uma pessoa para conectar a essas sensações e conceitos vazios que pairavam há algum tempo. Bem, pelo menos alguns deles.

O coração do Demônio começou a acelerar e sua fusão com Sarius se tornou um pouco instável enquanto Eiro parecia entrar em pânico com a percepção de que quase esqueceu alguém tão importante em sua vida.

Claro, era difícil chamar James de ‘amigo’ de verdade, considerando a relação complexa deles, mas, ao mesmo tempo, a conexão deles era mais forte do que amizade e estavam no mesmo patamar. James era importante para Eiro, importante o suficiente para que ele arriscasse sua vida por ele em algumas situações. O mesmo acontecia com os outros, embora Eiro tentasse o seu melhor para não pensar sobre tudo isso.

Então, para que não esquecesse nenhuma informação importante de novo, Eiro escreveu o máximo que podia em seu caderno.

— Hm? O que foi? — James perguntou um pouco confuso e com suspeita e Eiro levantou sua cabeça de novo.

— Anotando algumas coisas. Sou um pouco esquecido, então preciso anotar todas as coisas importantes e reportar para sua Majestade. Ter alguém se juntando a mim em minha tarefa é relevante o suficiente.

Com um leve sorriso na face, James assentiu.

— Entendi. Agora, por onde começaremos? — O Elfo da Luz perguntou. Ainda era um pouco estranho o quanto James cooperava com ele, como se ele ainda estivesse ciente de parte da conexão que Eiro e James tinham, mas não das memórias específicas, partes que ainda poderia acessar apesar de não ter nenhuma memória de Eiro no momento. Era provável que fosse isso a que James estava se referindo mais cedo, essa estranha ‘vontade’ de contar a Eiro mais detalhes do que pretendia.

Afinal, James e Eiro não guardavam nenhum segredo um do outro. Na verdade, o único era o status estranho de Eiro e como ele era capaz de distribuir seus pontos de atributos. Além disso, Eiro diria que os dois sabiam tudo sobre o outro. Apesar de que isso era algo do passado.

[Ei, o que diabos está fazendo? Deixando que um cara aleatório venha conosco.] Sarius reclamou mentalmente, e Eiro o respondeu.

[Cale a boca. Eu o conheço e confio nele.]

E, depois dessa breve explicação, Eiro olhou para James e respondeu à pergunta do Elfo da Luz.

— Iremos começar analisando mais a fundo essa tempestade e energia estranha e ‘nojenta’ que está entrelaçada com ela. Essa energia é um tipo de magia, mas não tenho permissão para explicar isso para você agora. A magia necessita de uma fonte de energia. Neste caso, não é um conjurador, então procuramos por algo discreto com uma alta concentração de magia dentro dele.

Depois desta explicação, James assentiu.

— Entendi… — O Elfo da Luz murmurou em reflexão, tentando descobrir onde poderiam procurar por algo desse tipo enquanto esfregava sua barriga.

— Me perdoe se o machuquei de alguma forma. — O Demônio disse e James olhou para ele e balançou a cabeça.

— Eu te ataquei em primeiro lugar, então quem se importa? Vamos lá, temos que procurar por essa fonte de magia. Imagino que ela deva estar por perto se você está procurando neste lugar, então posso ter uma boa ideia de onde ela pode estar. — James comentou. Eiro levantou as sobrancelhas com curiosidade sobre o que James poderia contar para ele.

O Elfo da Luz explicou para Eiro. A princípio, ele não compreendeu por que esse lugar poderia ser um lugar possível para se colocar o condutor, já que parecia deslocado ali, mas logo o Demônio entendeu o raciocínio de James.

— Hm… pode valer a tentativa. — O Diabrete disse e James sorriu enquanto assentia.

— Claro que sim. Melhor do que você tem até agora, não é?

Com um aceno lento, Eiro escolheu não responder… Eles não tinham mais tempo a perder.

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