
Volume 3 - Capítulo 274
A Virtude do Demônio
Eiro olhou para o homem parado na sua frente, tentando decidir o que ele estava prestes a fazer. Então ele começou a gargalhar.
— Hahaha, você acha que pode me matar? Não seja ridículo!
Com isso, começou a avançar na direção de Eiro. Devagar, ele torceu seu corpo e deslizou pelo chão enquanto se preparava para acertar Eiro com sua mão aberta. Seu corpo agora balançava e tremia, então tentava direcionar a força que todo seu corpo criava em direção a um único ponto para que pudesse infligir a maior quantidade de dano.
Entretanto, Eiro desviou para o lado com muita facilidade, tentando cortar o braço do homem, mas, mais uma vez, antes que a lâmina de Eiro conseguisse encostar na pele do homem, ela ficou metálica.
Mas, de alguma forma, embora esse fosse o caso, essas áreas metálicas ainda estavam balançando e o homem apontou sua palma na direção de Eiro com uma velocidade que o Demônio não esperava que essa pessoa tivesse. Ele pressionou sua palma na lateral do Diabrete e Eiro foi danificado e empurrado.
— Oh? Que presunçosos… Chamar sua criança de ‘Eiro’ enquanto você é um aldeão sem nem mesmo um sobrenome. Nojento. — O homem disse com uma expressão que combinava com o que dizia, uma expressão distorcida de desgosto. — Irei aproveitar ainda mais para te matar.
Enquanto falava, Eiro segurou o lado do seu corpo e o esfregou por um instante. Claro, isso machucou e até o danificou um pouco…
— Esse ataque foi super fraco, não foi? — Eiro comentou. O inimigo o encarou com um olhar profundo enquanto ria.
— Haha, continue fingindo! Sei que causei muitos danos a você! Ter mais de 5000 de vida removido de você não é ‘fraco’! Isso deve ter sido uma boa parte de sua vida total!
— Hein? — Eiro respondeu enquanto refletia sobre o que este homem estava dizendo. — É normal ter tão pouca vida…? Eu tenho mais de vinte vezes isso.
Eiro começou a contemplar sobre isso, então percebeu algo importante.
— Ah, certo, certo, monstros têm muito mais vida do que pessoas.
Depois que Eiro disse isso dentro da sala cheia de pessoas, a maioria das quais queria matá-lo, todos congelaram um pouco.
— O que monstros têm a ver com isso? — O inimigo questionou com um olhar. — Não me diga que de alguma forma você tem acesso ao aumento de vida artificial que a organização está experimentando! Isso é injusto, eu-
— Eles estão fazendo algo do tipo? Interessante… Devo me recordar disso. De qualquer forma, você é um pouco mais forte do que eu imaginava, mas isso não importava mais. Clark, venha aqui por um instante. — O Demônio exclamou enquanto acenava para sua escolta, enquanto retirava sua bolsa do seu corpo e a entregava para o homem, junto do livro que segurou esse tempo todo.
— Segure isso para mim. Ah e mantenha o livro aberto a todo momento na última página para que eu possa me relembrar de certas coisas se precisar. Obrigado. — Eiro disse enquanto reativava seu capuz, revelando a massa sombria logo acima da sua cabeça que desapareceu e se transformou em chifres coloridos que se entrelaçavam como se fossem uma coroa. O Diabrete retirou sua capa, revelando duas grandes asas em suas costas.
— Isso é sempre tão desconfortável. — Eiro comentou enquanto guardava sua capa em sua tesouraria, ao mesmo tempo que retirava sua máscara. Clark foi quem mais ficou chocado com isso, afinal, por que o Rei deste país pediria para ele escolher um Demônio em uma missão para conseguir algo que o tornaria mais forte do que já era?
Mas isso não significava que inimigo, a Letra S, ficou menos surpreso. Ele deu um passo para trás enquanto encarava Eiro, mas o Demônio não se importou. Ele retirou os sapatos dos seus pés para que conseguisse se mover ao lutar e arregaçou suas mangas, enquanto sua cauda se desenrolava do seu quadril, balançando para frente e para trás.
— Isso é muito melhor. — Eiro disse. Por causa do Cavaleiro de Ouros, em alguma extensão era como se sua percepção tivesse se ampliado muito, mesmo que não fosse verdade. Ele recebeu uma nova profundidade em seus sentidos que fazia tudo parecer muito avassalador em alguma extensão e isso incluía até mesmo as roupas em seu corpo ou a magia de sombra que infundia em seu corpo para ocultar sua verdadeira forma.
Eiro respirou fundo enquanto deslizava seu pé pelo solo, olhando rapidamente para a página do livro que Clark segurava para ele. Era uma página cheia de feitiços que Eiro achava que seriam os mais importantes para esta luta em particular.
O Demônio bateu seu pé no chão de forma vertical, usando magia de terra para quebrá-lo e lançar grandes rochas para cima, as quais disparou de imediato em seu oponente ao chutá-las na direção dele.
Então, havia a última rocha. Em vez de dispará-la no homem, Eiro pulou no ar e girou o seu corpo e quando chutou seu pé na rocha, ela se fundiu com seu corpo.
Seu pé ganhou bastante peso e Eiro usou isso para quebrar o chão ainda mais ao se empurrar para dentro. Com as grandes rochas que flutuavam no ar, Eiro infundiu o resto do seu corpo. Assim que seu corpo ficou todo infundido, ele deu um passo adiante. Com uma respiração profunda, Eiro se livrou da textura de rocha na sua pele e carne, mas passou para uma segunda etapa da infusão que o permitia se mover com muito mais mobilidade, ainda aumentando suas defesas, ainda mais quando combinada com sua habilidade ‘Pele de Pedra’, além disso, ela aumentava o peso dos seus ataques, o que era eficaz quando se tratava desse tipo de oponente.
Eiro deu um passo na direção do seu oponente, que parecia um pouco mais hesitante agora que viu o que Eiro era na verdade, mas, no fim, conseguiu superar isso com rapidez e continuou a lutar contra o Demônio. Parecia que ele estava ainda mais animado do que antes.
O homem parecia tentar fazer o mesmo de antes, tentando criar um ponto focal no centro da sua palma para acumular mais poder, enquanto as ondulações em seu corpo fluíam em direção a este ponto. Era uma técnica que o próprio Eiro utilizava quando se infundia com água, mas ele não tinha acesso a muita água agora.
Enquanto o oponente golpeava sua mão para frente, Eiro empurrou sua adaga e chutou o chão para concentrar todo seu peso no ataque. Quando toda a força se concentrou na palma do homem, Eiro pressionou sua adaga neste exato ponto.
O Demônio conseguiu sentir a adaga quase voar de suas mãos devido à força, mas ele estreitou seu aperto e conseguiu impedir isso. Devido às duas forças opostas se acertando, o resultado foi que o impacto da força foi direcionado para aquele cujo ataque era mais fraco. Neste caso, este era o oponente de Eiro.
Então, com a vantagem que Eiro tinha, o Demônio empurrou sua adaga na palma do homem e tentou balançar seu corpo para que conseguisse prender o braço dele com suas pernas. Agora, com toda a força aprimorada em seu corpo devido à infusão, assim como a interrupção do ataque do homem, Eiro perfurou a palma do homem. Como estava enrolado no braço dele, continuou empurrando-a, mesmo que o homem tentasse puxar seu braço.
Ao ver essa oportunidade, Eiro esfriou a adaga em sua mão para abrir os furos dentro dela, então controlou o líquido que encheu a adaga e o derramou no ferimento. Era uma mistura de diferentes venenos que conseguiu ao longo do tempo e, no instante em que se misturou com o sangue deste homem, Eiro notou que estava surtindo efeito.
O braço do homem amoleceu e começou a cair, pingando como se o corpo do homem estivesse derretendo lentamente.
Com uma expressão satisfeita, Eiro se afastou do homem e girou a adaga em sua mão, controlando a mistura de veneno para conjurar um feitiço. Eiro havia confirmado que a pele do homem havia enfraquecido muito ao redor das áreas afetadas pelo veneno, mas o homem ainda tentava controlar seu corpo o máximo possível para que o mantivesse em seu braço.
Assim, Eiro decidiu que precisava se certificar de que isso não fosse possível. O Diabrete terminou o círculo mágico no ar e pegou o veneno para usá-lo, transformou-o em um único fio fino que disparou no homem e penetrou em sua pele. Uma vez dentro, ele começou a deslizar pelo corpo dele como se fosse uma cobra e logo chegou ao coração do homem.
— O quê, mas como?! — Ele exclamou e Eiro suspirou enquanto cancelava a infusão com as rochas, que logo caíram no chão ao redor dele. O demônio olhou para o homem cujo corpo caía aos pedaços, como se derretesse. Claro, isso não era um efeito do veneno, era algo que acontecia devido ao físico bastante único deste homem.
Ao ver que seu chefe não era mais capaz de lutar todos os outros tentaram lutar contra Eiro, mas não tinham a menor chance. Eram fracotes, então Eiro conseguiu descobrir o melhor padrão para eliminá-los.
Ele deslizou pelo chão e esfaqueou suas gargantas, corações ou testas e dentro de meio minuto, só restavam três seres vivos dentro deste cômodo, excluindo os Espíritos.
Eiro, Clark e o inimigo, que ainda se agarrava à sua vida.
Para surpresa de Eiro, o homem se arrastava em direção ao domo de vidro que mantinha todos os Espíritos e o Demônio pensou que ele queria abri-lo por alguma razão. Portanto, decidiu que deveria deixá-lo fazer como queria em vez de ter que descobrir o caminho sozinho.