A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 273

A Virtude do Demônio

— Oh, que surpresa. Três de vocês não são completos idiotas. — Eiro disse com interesse genuíno no seu tom. — Mas bem, isso pouco importa. Ainda deve penetrar na pele de vocês muito em breve. Já devem sentir coceira por todo o corpo.

As três pessoas na frente de Eiro foram todas escravizadas pelo chefe deste lugar. Parecia que o chefe deles era o único capaz de dar comandos para os três de uma vez, ou que esses três eram importantes para o chefe de alguma forma.

De qualquer forma, isso não tinha relevância para Eiro, que avançou. Ele retirou a adaga que guardava na bainha em seu quadril, pois guardava uma em sua tesouraria e mantinha a outra na bainha, aquela com o núcleo oco que podia ser preenchido com água ou veneno se quisesse, então avançou na direção das três pessoas.

Eiro deslizou pelo solo e cortou com sua adaga na lateral do corpo do primeiro cara, depois esfaqueou o abdômen do segundo. O terceiro tentava seu melhor para golpear Eiro, mas teve que lidar com o cabo da adaga de Eiro sendo esmagado contra seu plexo solar. Seu corpo se contraiu enquanto tentava respirar, mas, por causa do calor, não conseguiu. Bem, era melhor assim, senão já teria ingerido o veneno paralisante, mas não importava, desde que sua boca ainda estava aberta, então Eiro coletou o veneno misturado no ar e o inseriu nos cortes das primeiras duas pessoas ao mesmo tempo que o inseria na boca aberta do último cara.

Os três caíram no chão. Eiro logo removeu todo o veneno do ar, devolvendo-o para a garrafa de vidro de onde o retirou em primeiro lugar, assim, Eiro guardou a garrafa de volta em sua bolsa, virando-se para olhar para sua escolta.

— Você vem? — Eiro questionou com um sorriso no rosto, embora estivesse escondido sob sua máscara, se virando de novo e passando pelos cadáveres na sala.

Um pouco nervoso, Clark seguiu atrás dele, incerto do que aconteceu.

— Eles estão… mortos?

— Nada. É um veneno paralisante, não um veneno normal. Bem… alguns deles morreram de overdose, mas a maioria sobreviveu. — Eiro comentou enquanto continuava indo em direção ao outro lado do cômodo, tentando chegar à porta onde todos os fios brilhantes da antessala estavam conectados.

— Ah, não reside tão fundo. Não consegui retirar todo o veneno. — O Diabrete explicou para Clark enquanto colocava a mão na maçaneta da porta à sua frente.

— … Como você possui uma magia como essa, ao mesmo tempo que se move… assim? — Confuso, depois de observar o que ocorreu, com os olhos arregalados, Clark tentou compreender quem ele escoltava. Eiro olhou para ele com um sorriso.

— Não vamos conversar sobre isso. Você perceberá muito em breve, de qualquer forma.

Sem hesitação, Eiro tentou abrir a porta, apesar de ela parecer trancada. Com um suspiro profundo, Eiro pressionou seu pé na fechadura da porta e, com uma pressão forte, fez a fechadura se dobrar e se quebrar depois que a porta foi arrombada.

Além dessa porta, Eiro conseguia ver algo bastante interessante. Interessante e, ao mesmo tempo, muito irritante. Havia algo que Eiro nunca viu antes, nessa capacidade.

Claro, ele já esteve próximo de alguns ‘ninhos’ de Náiades antes, mas nunca os viu com seus próprios olhos. O centro do local que os Espíritos habitavam deveria ser lugares incríveis, espaços conectados ao plano elementar caótico onipresente, um pouco deslocados.

Esses locais deveriam ser como entradas em direção a esses planos que se abriam com a mistura pelo reino espiritual. Claro, nem em todos os lugares em que os Espíritos viviam era possível encontrar algo assim, mas sempre que encontrasse acabaria encontrando Espíritos.

E logo ali havia um campo flamejante circular, com 100 metros de raio e um calor que distorcia o ar acima dele. Chamas subiam do solo de magma derretido. Lá dentro, Eiro podia ver dezenas de Salamandras, Espíritos de Fogo maduros, bem como Vulcani, sua versão imatura, flutuando por ali.

Toda essa área estava envolta com algum tipo de cápsula com inúmeras runas arcanas brilhantes esculpidas nela. Isso gritava uma coisa: A organização.

Eiro olhou para o local em que todos os fios brilhantes se reuniam. Ao lado dessa grande esfera de vidro que envolvia esse ‘portal espiritual’, um grupo de pessoas cercava um único homem. Aquele que Eiro procurava.

— Ora, ora, ora. Olha o que temos aqui. Dois caras que acham que são tão import-

— Chefe dessa merda, me diga como diabos consegue fazer com que essas pessoas mantenham sua sanidade apesar de terem a habilidade Tabu. Assim que fizer isso, arrancarei sua cabeça para que você não tenha que sofrer muito, assumirei este lugar e protegerei os Espíritos que estão aqui. — Eiro disse e o homem no centro da multidão, um homem acima de peso, vestindo um traje fino com cabelo preto repugnantemente oleoso.

— Hah, você acha que consegue fazer isso comigo?! Bem, quem você acha que é?! — O homem gritou e Eiro deslizou sua mão para o lado, e uma etiqueta metálica apareceu entre seus dedos.

— Um membro da mesma organização que você, Senhor S. — O Demônio disse sem rodeios e o homem arregalou os olhos.

— Oh! Oh, interessante! Mas parece que você nem é uma letra… acha que pode me derrotar? Que ridículo!

Com um suspiro profundo, Eiro guardou a etiqueta de novo enquanto o gordo continuou falando. Parecia que ele ficou bastante confiante e se afastou do grupo que o cercava.

— Não se preocupem. Para um fraco como esse, nem preciso da ajuda de escudos de carne como vocês. — Com um sorriso grande e amplo que revelava seus dentes amarelos, o gordo avançava, arrastando seus pés pelo chão.

Claro, Eiro era capaz de dizer que ele era bem forte, mas… não era tanto assim.

— Acho que ‘força nos números’ também é importante, hein? — Eiro murmurou para si mesmo, enquanto continuava analisando o cômodo ao redor. — Lugar bem legal que você tem aqui. Todo esse dinheiro de droga está te tratando bem, hein?

— ‘Bem’ é um eufemismo, caro intruso. Está me tratando como um rei. O tipo de rei que Merello será depois que derrubar esse país e assumir o trono de Skyhart daquele bastardo inútil.

Em reação ao que esse homem falou de Solomon, Clark ficou bastante irritado. Seus batimentos aceleraram e começou a cerrar seus dentes, enquanto cerrava seus punhos, mas isso não importava, porque Eiro se sentia de forma similar e isso significava que já era tarde demais para esse homem.

Eiro pressionou seu pé contra o chão e usou a força que o sustentava para avançar com velocidade incrível. O Demônio segurou o homem pelo pulso e o torceu para trás, virando-o até que estivesse quase quebrado.

— Irei perguntar mais uma vez: como você mantém sua sanidade apesar de ter a habilidade Tabu? Afinal, é só por conveniência, não me importo de verdade. Posso descobrir de outras formas se eu quiser. Merda, não sei por que eu quero saber em primeiro lugar. Então, irei te dar uma chance de- — Enquanto Eiro falava, notou algo estranho acontecendo com o braço que segurava. Seus ossos estavam moles e seus músculos se esticavam de forma não natural.

O homem que Eiro segurava, a letra S da organização, transformava o seu corpo em algo diferente, apesar de que Eiro não sabia o motivo. O braço inteiro do homem se esticou enquanto ele torcia seu corpo ao redor e tentava acertar Eiro com seu punho.

Claro que ele não foi capaz, considerando que Eiro era capaz de prever com perfeição o que ele faria, mas isso não era o foco do Demônio agora, na verdade. Em vez disso, era o fato de que este homem conseguiu mudar a forma fundamental como seu próprio corpo funcionava. Isso era interessante e a curiosidade de Eiro estava quase assumindo. Foi neste momento que o homem começou a gargalhar.

— Hahaha, ficou surpreso, não é?! Com o meu corpo perfeito! Possuo controle total sobre ele, diferente de qualquer outra pessoa nesse mundo!

— Sério, agora? — Eiro questionou com um tom curioso e o homem assentiu enquanto balançava seu braço na direção do Diabrete.

— É claro! — Com um grito alto, balançou seu braço para frente, mas Eiro pulou com sua adaga em mãos, pronto para cortar a carne macia do braço deste homem.

Mas, assim que fez isso, percebeu que o corpo dele mudou mais uma vez. Em vez de sentir a adaga cortando a pele desse homem, sentiu uma resistência incrível enquanto um barulho alto soava. Eiro percebeu o que aconteceu.

O homem alterou mais uma vez a forma como seu corpo funcionava. Em vez de ser macio e elástico, agora o corpo dele era duro e metálico. A mudança aconteceu em um instante, parecia algo bastante difícil de se lidar.

Eiro recuou um pouco e olhou para o homem na sua frente.

— Você é bastante interessante… Como você faz isso? Que tipo de magia é essa? Não é infusão, certo?

— Como eu disse, possuo total controle sobre meu corpo. Simples assim.

— Aha… — Eiro respondeu baixinho enquanto olhava ao redor da sala para descobrir se havia mais alguma pista sobre isso. Alguns instantes depois, Eiro chegou a uma conclusão.

— Na verdade, não importa, desde que estará morto dentro de alguns minutos de qualquer modo.

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