A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 257

A Virtude do Demônio

Eiro estava sentado no chão olhando para a flor que não crescia muito, independente de quanta magia concentrava nela direta. Ele teria que pensar sobre isso mais tarde. O que era mais importante era que havia conseguido praticar um pouco com o elemento natureza para que conseguisse tentar restringir o Colecionador ou até mesmo desequilibrá-lo ao criar um terreno irregular.

Ele conseguia fazer outras plantas crescerem com muita facilidade, como ervas daninhas ou a grama. Ele conseguia controlá-las ao fazê-las se debater ou crescer em espiral. Parecia que já conseguiria utilizar essa magia, mesmo que ainda não fosse tão forte.

— Deve ser forte o suficiente… — Eiro murmurou enquanto se levantava e estalava seus dedos, repassando mentalmente todas as informações que tinha sobre o Colecionador enquanto tentava descobrir uma boa forma de achar sua localização atual para que conseguisse ter vantagem sobre ele.

Talvez Bahlsen também tivesse descoberto algo e já soubesse onde o Colecionador estava, então Eiro deveria checar com ele primeiro.

Eiro esticou suas asas e as bateu, voando em direção a uma das janelas abertas na parte de trás da mansão, entrando direto no quarto que havia ali. Sentado no chão estava Bavet, que olhou para Eiro e resmungou.

— Já iremos fazer isso?

— Sim, iremos. Pare de reclamar. — Eiro disse sem rodeios e estendeu sua mão na direção da figura humanoide. Bavet levantou-se do chão onde estava lendo e segurou a mão do Demônio, mudando e comprimindo seu corpo em uma forma que parecia normal.

Bavet se envolveu ao redor da bolsa e acrescentou algo à sua forma externa, criando uma grande mochila pendurada nas costas de Eiro. Desse modo, poderiam manter o slime de Bavet por perto, já que poderia ser muito útil.

Além disso Bavet poderia agir como mais uma camada de proteção para o sangue de Avalin e o pó de osso de Eiro para se certificar de que os pequenos sacos não quebrassem na bolsa.

Dessa forma, Eiro pulou de novo pela janela e começou a voar em direção à cidade. À frente, conseguia ver algumas nuvens escuras, então parecia que haveria uma tempestade mais tarde. Eiro escutou que havia tempestades de neve bastante fortes nessa época do ano por aqui e considerando quão forte esteve nevando durante os últimos dias, esse poderia acabar sendo o caso.

Na verdade, isso poderia ser bastante útil para Eiro, embora fosse precisar aquecer Bavet com magia de fogo, mas durante uma nevasca grossa Eiro poderia ser capaz de enviar pulsos com magia de gelo para perceber tudo no perímetro ao seu redor. Ele conseguiu fazer algo similar com a chuva antes, então poderia funcionar se ele se concentrasse.

De qualquer forma, Eiro olhou para a cidade à frente e continuou voando até ela com rapidez. Não muito depois, conseguiu passar pelos portões da cidade.

Por sorte, parecia que a janela no quarto de Bahlsen estava aberta, então Eiro acelerou um pouco mais e envolveu as asas ao redor do seu corpo, enquanto descia, tentando se esconder ao usar magia de sombra.

Imediatamente depois de entrar pela janela aberta do quarto de Bahlsen, esticou suas asas. Isso criou outra rajada de vento forte que fez todas as notas que Bahlsen havia feito voarem, mas ainda foi um pouco perfeito da parte de Eiro.

— Ah… — Bahlsen disse com um sorriso irônico. — Escute, estou feliz por você estar aqui e tudo mais, mas não pode entrar pela porta…? Agora tenho que organizar tudo isso de novo… — O investigador reclamou e Eiro deu uma olhada em todos os papéis.

— Está tudo bem, dei uma boa olhada em tudo. — Eiro comentou e Bahlsen olhou para ele com uma carranca.

— Mesmo que fosse possível nesse meio segundo, isso não me ajuda em nada… mas venha me ajudar.

Com um leve suspiro ao perceber que Bahlsen o entendeu errado, Eiro bateu suas asas para criar outra rajada, mas dessa vez estava a controlando com magia de vento. Enquanto as folhas de papel voavam, parecia que Bahlsen entendeu o que o Demônio queria dizer.

Ele colocou todos os papéis mais ou menos na mesma posição em que estavam antes e depois olhou para o investigador.

— Então, o que é tudo isso? Especulações sobre o que o Colecionador é e de onde ele veio. Isso nos ajudará a encontrá-lo?

— Sim, acho que sim, pelo menos! Preenchi muitas lacunas na minha mente e acho que posso ter uma breve ideia do perfil da próxima vítima pela primeira vez! No mínimo, tenho especulações sobre o que ele procura nas vítimas, o que as torna interessantes para ele!

— Bem, acho que isso ajuda a restringir um pouco as opções?

— Sim! — Bahlsen exclamou. — Então, pelas minhas teorias, o Colecionador é um Demi-Lich. Como se estivesse preso entre a Vida e a condição de um Lich. Ainda é um Morto-Vivo poderoso e perigoso. Os poderes e habilidades serão uma versão distorcida do que eram durante a vida antes de se tornar um Lich, mas esse não é o caso com um Demi-Lich, que possuem as mesmas vulnerabilidades que os Liches normais, mas suas habilidades não são infundidas com energias necróticas, facilitando com que se misturem na população comum. Porém, ao mesmo tempo, isso significava que seus poderes não são muito mais fortes do que quando ainda eram vivos. Provavelmente possuem uma gama maior de habilidades, entretanto.

Eiro pensou nessas palavras por um tempo, tentando pensar em algum tipo de tática.

— Que bom que ele é um Demi-Lich e não um comum, então. Um Demi-Lich não tem um filactério, certo?

— De fato! Esta é a principal diferença na natureza de um demi-Lich e um Lich completo! — O investigador exclamou com um estranho senso de entusiasmo e Eiro cruzou os braços.

— Certo, agora que sei com o que lutarei, o que é o ‘perfil da vítima’ que você mencionou?

— Ah! — Com um pequeno sorriso o investigador começou a falar. — Veja, é muito simples. Como um monstro, você deve saber como é ter uma Perdição, certo? Ouvi falar que os monstros são capazes de sentir sua perdição em alguma extensão. No caso de um Morto-Vivo, isso seria o ‘Elemento Vida’. Bem, já estava brincando com essa ideia antes, mas e se todos os seres vivos possuem algum tipo de instância do Elemento Vida neles? Possivelmente, em uma forma doentia de mostrar sua superioridade, o Colecionador está tentando retirar as partes da pessoa com grandes quantidades do Elemento Vida para criar seus ‘Bonecos’. Como se estivesse tentando dizer: ‘Nem mesmo minha própria perdição pode me machucar, já que tenho total controle sobre ela.’

De imediato, Eiro começou a refletir. Isso poderia ser de algum modo possível. Claro, Força Vital e o Elemento Vida não eram a mesma coisa, mas eram bastante semelhantes um ao outro. Ele leu que Mortos-Vivos, em particular, possuíam a capacidade de sentir a Vida de forma similar a como os Espíritos são capazes de sentir Magia. Poderia ser um exagero, mas se for esse mesmo o caso, então talvez Eiro fosse capaz de causar ainda mais danos ao Colecionador ao infundir seus ataques com Força Vital. Talvez não atuasse como Magia de Vida, mas ainda deveria ajudá-lo.

Agora, pelo menos, Eiro tinha pelo menos uma boa maneira de danificar o Colecionador… se conseguisse atingi-lo. Para isso, precisaria descobrir um bom modo de encontrar pessoas com grandes quantidades de Força Vital em seus corpos.

Eiro respirou fundo enquanto pensava. O que fazia a Força Vital se reunir no corpo específico de alguém? Se a pessoa era saudável ou se a Força Vital estava sendo manipulada de alguma forma.

— Aquela mulher que foi estripada pelo Colecionador, você sabe algo sobre ela? Por que seus órgãos foram retirados?

— É o que estou tentando descobrir! Não sei o motivo exato ainda, mas-

— Eu sei. — Eiro disse sem pestanejar, tendo uma ideia do que poderia ser. — Acho que ela estava envenenada de alguma forma. Existe um tipo específico de erva que funciona assim. Sei um pouco sobre artes curativas e herbologia e existe uma planta que na dose certa pode aumentar a velocidade de recuperação natural de certos ferimentos, ou ajudar a lutar contra doenças. O resto do corpo sofre com isso, no entanto. Nas quantidades certas, não é o menor problema. Não reconheci isso naquela hora, mas acho que senti o cheiro daquela erva. É bastante comum, então ela pode ter invadido um Apotecário, pensando que era comida e comeu essa erva. Ela possui um cheiro e sabor muito bons, na verdade… Ela se envenenou com isso, fazendo com que a Força Vital se reunisse nos seus órgãos e o Colecionador percebeu isso. — Eiro contemplou e o investigador olhou para o Demônio bastante surpreso.

— Oh, como você descobriu isso?

— Acabei de te contar meu raciocínio. Porque você possui uma carta que aprimora sua habilidade, não significa que seja o único que pode fazer conexões desse tipo. Agora, se esse for o caso, então acho que tenho uma boa ideia de como armarmos uma armadilha para o Colecionador… — O Demônio explicou com um sorriso, escondido sob sua máscara e o investigador cruzou os braços.

— Entendo… Você quer aumentar a ‘Força Vital’ de uma pessoa e atrair o Colecionador para essa pessoa?

— Exato. Quais partes do corpo ele ainda não ‘coletou’?

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