A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 234

A Virtude do Demônio

Eiro se sentou em um pequeno bloco de terra que criou usando magia de terra para que conseguisse ter um local apropriado para trabalhar, tudo isso enquanto olhava para o coto e a outra perna do morador de rua. Ele queria entender como a prótese tinha que se parecer e de que tipo de madeira deveria ser feita para que a prótese não o rejeitasse por algum motivo.

No fim, o Demônio tinha uma ideia muito boa do que fazer. Olhou para o rosto do homem.

— Onde você vive, ou dorme, o que quer que seja? — Eiro perguntou. O morador de rua olhou para ele, ainda confuso sobre o que esse homem mascarado aleatório estava fazendo.

— Onde caralhos eu quiser, sim… eu não tenho um lugar para ficar… — Ele comentou, então Eiro levantou a sobrancelha com um leve sorriso.

— Hm, entendo. — Eiro respondeu. — Então, tentarei encontrá-lo de novo. Daqui a um dia ou dois, no mínimo. Não saia da cidade até lá. — Eiro sugeriu, mas o homem zombou. Ele esfregou seu braço sob seu nariz, segurando a espada antiga, quebrada e enferrujada com mais força.

— Heh, para onde diabos você espera que eu vá além daqui?

— Continue fazendo comentários como esse, não me importo, contanto que não desperdice meu tempo e continue aqui para que possa te encontrar de novo. — Com isso, Eiro se levantou e colocou seu pé no assento de pedra que havia criado, o empurrando de volta no chão. — De qualquer maneira, onde você disse que muitas pessoas com ferimentos físicos estavam reunidas? Algum prédio grande, velho e decadente? É diferente das outras construções velhas e decadentes daqui? Pode pelo menos me fornecer uma direção?

O morador de rua estalou a língua e balançou o braço para o lado.

— Vá até as muralhas… você os encontrará lá, não vai perdê-los… tem muita gente correndo do lado de fora… — O homem murmurou e Eiro assentiu enquanto ia na direção que ele mencionou.

E ele estava certo, era difícil não os ver. Havia muitas pessoas reunidas lá. Se tivesse começado a procurar ao redor da área teria encontrado esse lugar cedo ou tarde. Assim, o Diabrete decidiu que deveria perguntar se alguém sabia sobre a garota assassinada, enquanto via se mais alguém poderia precisar de ajuda. Em particular, Eiro estava interessado em encontrar o homem cujos braços, incluindo os ombros, foram removidos enquanto dormia.

O braço de James foi arrancado com seu ombro e, pelo que Eiro conseguia dizer interagindo com ele e checando sua prótese de vez em quando, era horrível ser tão restringido. Ter ambos os braços removidos devia ser ainda pior.

Apesar das outras pessoas aqui também não eram muito abastadas. A maioria delas usava drogas, ou vendia bens roubados ou até a si mesmas por uma noite para reunir dinheiro para comprar drogas. Algumas vezes até ambos.

Não era uma boa visão… Eiro deveria falar com Solomon sobre isso em algum momento. Mesmo que o Demônio tivesse massacrado metade de uma vila em sua sede de sangue, ele estava se sentindo mal vendo tudo isso. Embora Eiro tivesse interesse em quem criava essas drogas… Poderia haver algum conhecimento em tais coisas que poderia permitir que criasse coisas como venenos.

Ele já sabia um pouco sobre isso, considerando que já tinha algum conhecimento médico relacionado a criar anestésicos ensinado por Jura, mas não custava nada aprender mais. Talvez o ajudasse a descobrir o que algumas das poções, pós e pílulas estranhas que encontrou em uma das salas escondidas na mansão, sem ter que tomar ou usá-los em alguém ou alguma coisa. Sem mencionar que Eiro ainda não conseguiu produzir veneno com sua cauda, então qualquer conhecimento sobre isso poderia ajudá-lo a descobrir o que tinha que fazer para conseguir.

De qualquer forma, ele tinha certeza do que precisava fazer depois de ver todas essas coisas.

Primeiro, ajudar algumas dessas pessoas a receber uma segunda chance na vida.

Segundo, manter Clementine e Arc longe daqui. Ela porque ficaria sobrecarregada com toda a dor que encontraria, e Arc, porque… bem, muitas vezes, as pessoas usavam drogas para ‘sentir’ emoções que não sentiam normalmente. Alguém que era amaldiçoado a se sentir feliz o tempo todo poderia ser bastante vulnerável a isso. Sem mencionar que as regras das habilidades de Arc eram bastante… questionáveis, então quem sabia? Poderia ter algum efeito se ele acabasse usando drogas, e se tivesse… ele muito não sentiria a parte negativa. Ele não as sentiria destruindo seu corpo e experienciaria o prazer gerado ao usar drogas. Não era algo que Arc deveria vivenciar, de nenhuma maneira possível.

Eiro cerrou os dentes e caminhou pela área até parar na frente de um grupo de cinco pessoas, duas mulheres e três homens.

— Huh? Quer o quê? — Uma das mulheres perguntou e o mais gordo dos três homens começou a rir enquanto olhava para o Diabrete.— Que tipo de máscara você está usando? Consegue ver, seu idiota?

— Bem o suficiente para que eu consiga ver que seu rosto parece ter sido esmagado por alguém com um bastão, mas não é por isso que estou aqui. Quero perguntar sobre um assassinato que aconteceu no-

— Ei, o que caralhos você está dizendo?! — O gordo perguntou, balançando seu punho na direção de Eiro. Suas pupilas estavam dilatadas, então era óbvio que estava sob o efeito de alguma droga que todas aquelas pessoas estavam usando. Como esse era o caso, Eiro pensou que não deveria matar esse cara, mas nocauteá-lo. Não era culpa dele que estivesse agindo assim e ele se sentia mal por todas essas pessoas, então pensou que deveria pelo menos dar a elas o benefício da dúvida.

Portanto, Eiro segurou o punho do homem e gritou o braço dele e o colocou atrás das costas, o pressionando no chão enquanto os outros aparentavam nem perceber quando Eiro começou a falar. Podiam não ser tão úteis, mas Eiro imaginou que não faria mal perguntar para qualquer um que pudesse ter alguma informação.

Enquanto pressionava as costas do homem com o pé, o Demônio olhou para as outras quatro pessoas.

— Como estava dizendo… Noite passada, uma jovem foi assassinada e estripada aqui nas favelas. Sabem algo sobre isso?

Os quatro se entreolharam por um momento, uma delas balançando a cabeça.

— Nah, mas eu conheço alguém, se você quiser eviscerar um peixe…

Eiro encarou a mulher de volta, retirando seu pé do homem e olhar ao redor.

— Obrigado, manterei isso em .

Ao ver que ninguém parecia ter reagido à sua pergunta como esperava que reagissem, elas não sabiam nada sobre isso. Foi o mesmo caso com o próximo grupo que se aproximou. Mesmo que houvesse algumas pessoas sóbrias e razoáveis, ninguém parecia reagir. Seus batimentos não mudaram de forma incomum. Claro, a todos que mencionou isso tiveram um pequeno aumento na frequência cardíaca, mas isso era natural ao se considerar que ele estava dizendo a eles que uma jovem foi assassinada e estripada.

Mas ninguém reagiu além disso. Algumas pareciam tristes, outras tentaram esconder sua tristeza ao agir como se estivessem desinteressadas e algumas estavam desinteressadas além daquele aumento inicial, mas, no fim, todos reagiram de alguma forma.

Pelo menos, foi assim até que Eiro entrou na construção que o morador de rua falou mais cedo. Ele perguntou a algumas pessoas, mas tudo continuou igual, com exceção de um único homem. Ele era o único que parecia um pouco arrumado, o único que aparentava ter tomado um banho dentro das últimas 24 horas. Ele vestia roupas que não estavam sujas e, na verdade, parecia deslocado.

Eiro olhou para ele, mencionou o assassinato e ele pulou imediata. Ele teve uma reação imensa ao escutar isso, mais do que qualquer um com quem Eiro falou. E isso incluía uma mulher que começou a soluçar depois de escutar Eiro.

— O que você acabou de dizer?! — O homem questionou. — Ela foi estripada? Os órgãos foram removidos e jogados fora, ou foram levados?

Eiro o encarou com um leve olhar, dar de ombros.

— Não sei mais do que o que acabei de te contar. Descobri sobre esse assassinato, mas minha fonte não está disponível, então estou tentando descobrir onde o assassinato aconteceu para encontrar o assassino. — Eiro explicou e o homem o encarou de volta, cerrando os dentes.

— Deixe-me ajudá-lo! Se as palavras que sua fonte usou foram ‘estripada’, especificamente, deve significar que os órgãos foram levados… Então, talvez eu possa saber quem o assassino é! — O homem disse e Eiro levantou as sobrancelhas.

— Oh, isso seria muito útil! Preciso me livrar desse assassino, só isso. Qual é o nome dele? — Eiro questionou. Esse homem aparentemente não estava mentindo e parecia um pouco confiável. Ele aprecia estar aqui por um motivo semelhante ao de Eiro, encontrar esse assassino em particular.

Mas ainda podia ser mais difícil do que o esperado.

O homem virou a cabeça lenta.

— Não conheço o nome dele, mas conheço sobre ele! Um homem vil e repugnante que cria monstruosidades desfiguradas por diversão, usando partes que tirou de outros! Alguns ele deixa vivos, outros não… É horrível, e estive o procurando há um longo tempo… Veja, ele usou minha esposa e filha como parte dos seus brinquedos doentios… desde então o estou caçando.

— Me desculpa, não me importo com sua história triste. Só me diga tudo que pode me ajudar a encontrá-lo. Onde ele está, como faz as coisas e com que frequência tira as partes das pessoas?

— Sim, eu te conto… — O homem disse, embora Eiro tenha ficado um pouco incomodado com o apelido que o assassino recebeu. — Eu te conto tudo o que sei sobre este ser vil! O ‘Colecionador’!

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