
Volume 3 - Capítulo 233
A Virtude do Demônio
Eiro escalou a janela da casa do mercador e olhou ao redor. Não foi muito difícil descobrir que ‘evidência’ era, assim como não foi difícil entender qual lugar havia sido arrombado, afinal, o cara que invadiu era um amador. Ele deixou mais do que uma única evidência.
Um pedaço das roupas dele ficou preso na janela, gritando com algumas gotas de sangue, alguns cabelos estavam espalhados ao redor e tinha uma marca de mão na parede de uma das prateleiras. Então, Eiro usou magia de vento para reunir todos os cabelos, se livrar de toda a podridão e pegou o fragmento de vidro sujo de sangue, enquanto reunia o pedaço de roupa que estava pendurado nele.
Eiro saiu usando magia de fogo para queimar a roupa e os cabelos, e enterrou o vidro a três metros de profundidade usando magia de terra. Assim que terminou isso, outra notificação apareceu na sua frente.
[Você completou uma das Missões do <Tomo das Missões>]
[Missão <Elimine a Evidência> concluída]
[Você recebeu 5 moedas de prata grande.]
Em algum momento, Eiro sentiu algo mudar na etiqueta que manteve em seu bolso, então a segurou. Primeiro de tudo, Eiro notou que havia mudado para o Rank 22, então subiu em um.
— Não foi difícil, então é justo… — O Demônio suspirou e, ao mesmo tempo, do nada, um saco com 5 moedas de prata grandes apareceu na mão de Eiro. Ele viu todo o processo em que essas moedas foram ‘criadas’, o que fortaleceu a ideia de que a organização tinha mais Cartas do que pensava a princípio. Apesar de que isso não era algo que os outros soubessem, desde que não tinham todas as informações que ele tinha, também não conseguiram perceber essas pequenas diferenças e coisas que estavam todas erradas. Quanto mais Eiro via disso, mais incomodado ficava com tudo.
— De qualquer forma, a próxima… — Eiro murmurou, tentando completá-las o mais rápido possível. Não custava nada tentar aumentar seu rank e terminar com isso o mais cedo possível, além disso, significava que poderia aceitar novas missões muito em breve.
— … Posso me separar agora? — Bavet perguntou e Eiro olhou para seu peito, assentindo.
— Vá em frente.
Eiro já havia vestido sua máscara de novo e seria capaz de reagir com sua magia para assegurar que suas roupas não fossem rasgadas pela ‘reaparição’ da sua cauda, asas e chifres. Logo, estavam todos pressionados contra seu corpo com a ajuda de magia de sombras, enquanto um pequeno núcleo de cristal do tamanho de uma pérola apareceu nas roupas de Eiro. Assim que caiu no chão, o núcleo absorveu um pouco de terra e se transformou em um pequeno macaco, do tamanho de um antebraço, e escalou a perna de Eiro.
— Então, o que faremos a seguir? — Bavet questionou, o que era bastante confuso, já que estava literal na forma de um macaco feito de terra. Bavet não conseguia mudar a textura ou o material tão bem, então parecia um boneco feito de terra e pedras, nada mais.
— Como eu disse, vamos para a próxima. — Eiro respondeu, arrumando sua máscara em sua face, enquanto o macaco revirava os olhos.
— Sabe, por que você não levou John com você? Ou melhor, por que você não me deixou ficar em casa quando fomos levá-lo antes? — Bavet perguntou, incomodado, mas Eiro segurou o macaco de terra pela cabeça e usou magia de terra para fazer todo o corpo virar pó, pegando o núcleo com a mão.
— Porque eu preciso de você. E John é muito mais irritante que você, então prefiro ter você para me fazer companhia do que ele. — O Diabrete explicou e o núcleo do slime se transformou e mudou de volta para sua forma ‘normal’ gelatinosa, mas, claro, devido à pequena massa, o ‘Slime Transformador’ não podia fazer muito mais. Uma as coisas que Bavet poderia fazer era se agarrar à mão de Eiro e se transformar em uma pequena boca para que pudesse falar.
— Não diga isso e me mate, seu pedaço de lixo.
— Cale a boca ou te trato com lixo de verdade. — Eiro respondeu, e Bavet logo ficou em silêncio.— Vamos com a do assassino primeiro. Ainda precisamos descobrir onde esse cara está se escondendo… — O Demônio suspirou.
— Bem, mortes ocorrem nas favelas o tempo todo, mesmo ao considerar que essa cidade é pacífica, então tem certeza de que descobrirá qual cena de morte é a correta quando olhar para ela? — Bavet perguntou, e essa era uma questão que o próprio Eiro não tinha certeza também, mas não devia ser tão difícil.
Afinal, a vítima foi estripada noite passada, o que significava que não foi uma overdose por drogas ou um homicídio pequeno, mas, em vez disso, algo com uma intenção viciosa. E como isso aconteceu nas favelas, quem encontrou a vítima foi um dos moradores, então já devia ter virado um rumor. Pelo menos, ele deveria ser capaz de encontrar uma única pessoa falando sobre isso.
Durante seu caminho para a organização, enquanto passava pela favela, já havia escutado alguém falar vagamente sobre uma mulher sendo estripada, mas não insistiu, pois não achava que seria algo importante. De qualquer forma, ele sabia que havia pessoas falando sobre isso, então estava tudo bem.
De qualquer modo, agora que Eiro havia retornado às favelas, escolheu dar uma olhada ao redor e tentou espalhar sua percepção em qualquer pessoa que conseguisse encontrar.
Mas, para a surpresa do Demônio… quando fez isso, não encontrou mais nenhuma pessoa falando sobre, ou até mesmo murmurando sobre isso durante seu sono ou em delírios de drogas. Era estranho, isso não deveria ser algo que acontecia com tanta frequência, afinal.
Portanto, Eiro pensou que se não conseguia ouvir nada, talvez tivesse tido azar e ninguém na área estava pensando sobre a situação, por qualquer que fosse o motivo. Com isso em , Eiro foi até uma pessoa aleatória que parecia viver aqui nas favelas, mas ainda mantinha uma sanidade. Certamente havia algumas pessoas ao redor que não estavam sãs.
— Com licença, poderia responder uma pergunta para mim? — O Diabrete perguntou para um homem que estava sentado ao lado da rua, encarando o chão enquanto segurava uma espada velha e enferrujada com metade da lâmina quebrada. Até a bainha estava sem uma parte. Esse homem não tinha uma perna, então provavelmente era um aventureiro que se tornou incapaz de continuar seu trabalho. Era uma visão triste, mas não importava muito para Eiro.
— Tem uma moeda sobrando? Se tiver, posso ser capaz de responder… — O homem exausto e fraco murmurou e Eiro assentiu enquanto jogava uma das moedas de prata grande, que recebeu da missão que completou, no colo do homem.
— Tenho um troco, sim. Agora, por favor, responda. Escutou algo sobre alguém sendo morto na noite passada?
— Noite passada? Quer dizer, há duas noites? Houve uma criança, sabe, e outro pirralho que veio aqui cavalgando um cavalo, brandindo martelos pesados. Abriu a cabeça da criança e outros dois ficaram inconscientes. Um deles é a mãe da criança. Que pena, era uma criança brilhante. Talvez devesse ter saído daqui mais cedo ou mais tarde.
— Desculpa, não é isso que quero dizer. Noite passada, uma jovem foi morta aqui nas favelas e estripada. Não ouviu nada sobre isso? — Eiro perguntou e o homem pensou por um segundo.
— Acho que não… Ouvi falar de um cara que acordou sem os braços um dia, cortados enquanto dormia. Até mesmo seus ombros. Foi uma visão horrível, e ele era um bom artesão… — O homem encarou o chão, olhando para seu próprio coto. — Não consigo imaginar como seria perder de uma hora para outra. Pelo menos eu poderia ter continuado se me esforçasse bastante…
O Demônio começou a olhar com uma carranca profunda depois de escutar a resposta desse homem. O que estava ocorrendo com esse lugar? Isso era inacreditável. Claro, ele veio aqui para encontrar algo sobre a mulher estripada, mas só precisava encontrar o assassino dentro do limite de tempo, então talvez pudesse tentar ir com calma e compreender o que estava acontecendo nessa parte da cidade.
— Solomon talvez queira saber sobre isso… — Eiro murmurou, embora Nelli tivesse um comentário apropriado para essa situação.
— Uau… em um momento você tortura um cara e o faz cometer canibalismo pelo resto da vida, e em outro, você se sente mal por pessoas aleatórias. Não consegue se decidir se é uma pessoa boa ou má?
— Isso é diferente. — Eiro suspirou enquanto jogava outra moeda de prata grande no colo do homem. — John é irritante. Esses caras não fizeram nada comigo, e Jura me ensinou a ser neutro e ajudar quem eu achar que pode precisar do meu ofício. Então, se eu escutar algo que me permita fazer isso, tentarei saber mais sobre o que está acontecendo.
— Ainda é meio estranho. — Nelli ressaltou, sem se importar muito com a resposta de Eiro. O Diabrete resmungou e olhou de volta para o homem.
— Conte-me sobre alguém que foi tratado dessa forma. Conte-me sobre quem está fazendo isso com você. Conte-me sobre quem precisa de uma mão ou duas durante esse momento. — Eiro disse e o homem olhou para cima.
— Por quê? Para que você possa tirar sarro de nós?
— Não, para que eu possa ajudar… — Eiro disse. — E você será o primeiro.