A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 230

A Virtude do Demônio

Eiro abriu as portas da construção na sua frente e entrou sem pensar. Ele conseguia dizer tudo o que ocorria nos arredores, então não havia necessidade de hesitar e olhar ao redor. Parecia que seu comportamento confiante era muito útil em uma organização como essa em que todos tentavam ser os mais fortes e impressionantes.

A construção em que Eiro entrou era, aparentemente, um ponto de encontro central. Pelo menos, havia algumas pessoas sentadas ao redor da mesa, conversando um com o outro, fazendo conexões, acordos e realizando a manutenção de suas armas ou ferramentas.

Ela tinha múltiplos andares, todos abertos, permitindo que as pessoas de cima olhassem para o centro do salão por onde Eiro caminhava. Ele percebeu que muitos o encaravam, na verdade, enquanto o Demônio caminhava por ali.

— Fale com esse cara. Ele irá te ajudar, e se comporte, escutou? — O homem que estava parado atrás da parede disse para Eiro, encarando-o enquanto voltava. Assim, Eiro passou por ‘esse cara’, o qual estava sentado atrás de uma mesa bagunçada, com uma garrafa de licor na mão, folheando o velho livro na sua mão.

Por um instante, o homem olhou para cima do seu livro voltar para ele.

— O que quer? — Ele perguntou com um tom irritado. — Estou ocupado, sabia?

— Parece que eu me importo? Vim aqui para… bem, me alistar ou como for chamado. — Eiro respondeu e dessa vez o homem fechou seu livro.

— Escuta aqui, cara, não sei como você chegou aqui, mas você não pode se ‘alistar’. Você foi recomendado ou derrotou um dos nossos caras?

Eiro esfregou a ponte do nariz enquanto balançava a cabeça.

— Não é bem isso. Eu não ‘derrotei um dos seus caras’. Eu o transformei no meu… bem, bichinho de estimação, eu diria. — Eiro disse enquanto dava um passo para o lado e arrastava John pelo colarinho para sua frente, segurando seu rosto na direção do homem sentado atrás da mesa.

Ele estreitou os olhos e o encarou, depois arregalou-os. Ele pulou e olhou entre John e Eiro.

— Esse… Esse é John Hawley, certo? Número 9? O que você fez com ele?

— Oh… bem, nada muito especial. Só dei um pouco de comida para ele, e de repente, ele começou a agir como um louco, entende? — Eiro explicou com um leve sorriso no rosto, o homem atrás do balcão encarando o Demônio e explicando.

— Desculpa, mas não importa o que você fez, como ele ainda está vivo, ele mantém sua posição na organização… Mesmo que ele esteja… isso, não conta. Então saia daqui, escutou?

— O quê? Então, eu preciso matá-lo? Quero dizer, é uma pena, queria vê-lo progredir ainda mais… — Eiro suspirou incomodado e olhou lenta para John, mas antes dele fazerr algo, um golpe de sorte aconteceu.

— Ei, carinha, ele acabou de dizer para você se mandar. então sugiro que faça isso, antes que eu te transforme em um pouco de experiência. — Um homem se aproximou de Eiro, grande e corpulento. Músculos expostos, uma grande espada na sua lateral e um olhar profundo encarando Eiro. Ele colocou a mão no ombro do demônio disfarçado e tentou apertá-lo com o máximo de força possível. E esse ‘mais forte que possível’ era vergonhosamente fraco.

— Oh? — Eiro sorriu ao olhar para o colar ao redor do pescoço grosso, parecido com um tronco do homem, e então viu o número 591 escrito nele. Havia alguns milhares de membros na organização e, considerando isso, esse número parecia um pouco bom, mas… isso não era nada impressionante, pois esse cara parecia mais do que só fraco. Os membros do grupo de Eiro seriam capazes de derrotar esse cara em um duelo, se eles se esforçassem. Parecia que o mais importante quando se tratava do recrutamento era algo como o ‘impulso’ ou a ‘visão’, em vez de força real.

— Então, eu só preciso matar um dos membros dessa organização, e posso me tornar um membro? — Eiro questionou e o homem atrás da mesa assentiu.

— Sim, e assim que nos provar esse fato, se tornará um novo membro. Agora, vaza.

Antes de terminar a sentença, Eiro segurou o pulso do homem alto e robusto atrás dele e o apertou com força. Tão apertado que estalou ruidosa e quebrou no momento seguinte. Ele ficou azul, roxo, e o homem olhou para Eiro com um olhar profundo, mas Eiro retirou a espada do homem da bainha e o esfaqueou no rosto.

Ele caiu no chão com um baque alto, e Eiro olhou para o homem sentado atrás da mesa com uma expressão assustada, já que aparentemente era bastante difícil de acreditar no que acabou de acontecer. Se tivesse piscado, ele poderia ter perdido.

— É prova suficiente ter dezenas de pares de olhos de testemunha? — Eiro questionou com um sorriso suave no rosto. O homem atrás do balcão engoliu a saliva que havia se acumulado na sua boca enquanto não prestava atenção e encarou o cadáver com a cabeça empalada e assentiu.

— Ótimo. Você é bom o suficiente, eu acho. — O homem estacou sua língua e caminhou até o corpo.

Agachou e segurou o colar no pescoço dele, arrancando-o e entregou para Eiro.

— Aqui, isso é seu agora. Venha comigo, lidaremos com tudo isso sem muitas pessoas olhando.

Com um sorriso, Eiro seguiu o homem, puxando John com ele. Eles desceram algumas escadas no fundo do salão e logo chegaram a uma sala menor e separada que estava quase vazia.

— Eu sou um membro especial, uma ‘Marca de Exclamação’. Estou fora dos ranks normais e sou aquele que testa novos membros para atribuir-lhes uma posição. — Com isso, ele levantou suas mangas. — Claro, não conheço cada membro, considerando que aqueles nos quatro dígitos têm a tendência de mudar a cada poucas semanas, mas conheço tudo sobre os dígitos nas duas casas. John era um candidato principal para se tornar uma Letra, mas suponho que isso seja passado agora. Duvido que ele seja capaz de manter seu rank por muito mais tempo.

Eiro escutou o homem com curiosidade e observou enquanto ele parecia se preparar para uma luta, alongando-se um pouco e retirando sua jaqueta. Depois de terminar com isso, olhou para o demônio disfarçado e colocou suas mãos atrás das costas.

— Para te dar uma breve introdução… força é tudo nessa organização. Se você não for forte, então é lixo, essa é a filosofia neste lugar. Fora desta rua especial, ou aqui dentro, em duelos organizados e sancionados, você pode matar outros membros da organização para aumentar seu rank. Assim que matar um membro, uma letra será designada para recrutar um novo membro. Assim que chegar ao rank 1, será permitido desafiar a Letra Z. Estando na faixa dos dígitos singulares, ou sendo uma letra, você recebe privilégios especiais. Todo o resto será explicado quando necessário.

— Certo, soa bom para mim. Devemos começar então?

— Claro, claro. — O homem, a ‘Marca de Exclamação’, respondeu. — Você pode lutar contra mim da forma que desejar, mas não serão permitidas reclamações se estiver infeliz com o rank que receberá depois disso. Lutarei usando minhas mãos nuas.

Eiro olhou para o membro especial e deu de ombros.

— Então farei o mesmo. — E, com isso, assumiu sua postura, embora o membro especial só tenha zombado.

— Não espere que todos sejam tão fracos como o homem que acabou de matar. Cada membro especial necessita ter, no mínimo, a força de um dígito singular.

— Um dígito singular como John, que eu transformei ‘nisso’? — O Diabrete questionou com uma leve risada, mas o membro especial o encarou de volta.

— Não sei que métodos você usou, mas não será capaz de repeti-los aqui. Essa será uma luta justa na qual você será incapaz de usar qualquer truque sujo. Agora, comecemos. Em três… dois… um… agora!

O homem parecia ansioso para lutar contra Eiro, e apesar de insinuar que o Demônio estava o subestimando, o homem parecia ser aquele que estava subestimando seu oponente, pois Eiro infundiu seu corpo com magia de vento para conseguir uma velocidade incrível e conseguiu chegar atrás do homem em um instante. Com essa velocidade, tentou agarrá-lo, mas o homem conseguiu se afastar para evitar isso.

Quando fez isso, Eiro liberou toda a magia de vento em seu corpo e a focou no homem. A rajada de vento o forçou a ficar parado para resistir. Nesse tempo, o Diabrete chutou a canela do homem e, de imediato, um alto estalo soou. Claro, Eiro manipulou sua própria Força Viral para conseguir uma vantagem, mas esse tipo de diferença estava além de suas expectativas.

E enquanto o ‘membro especial’ encarava Eiro de volta, tentando ignorar a dor em sua perna, o Demônio suspirou irritado.

— Sabe, podemos parar com isso e puder me dar a maior avaliação possível, e não quebrarei mais nenhum osso seu hoje.

— Desculpa, mas isso não funcionará. — O homem respondeu com um olhar penetrante, então Eiro só deu de ombros.

— Como quiser… Só não venha chorando mais tarde depois de tomar a decisão errada.

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