A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 231

A Virtude do Demônio

— Ei, alguém poderia me ajudar aqui? — Eiro perguntou com um sorriso amplo no rosto, enquanto subia as escadas depois de retornar da sala subterrânea. Para a surpresa do Demônio, já havia uma nova pessoa sentada na mesa não muito distante, uma jovem mulher. Em vez de número na etiqueta ao redor do seu pescoço, ela só tinha uma pequena marca de exclamação.

— Ah, perfeito! Então há múltiplos de vocês, o que é útil. Acho que quebrei o meu. — O Demônio comentou com um sorriso, enquanto subia as escadas, revelando o homem que arrastava. Ambas as pernas e braços dele estavam quebrados e torcidos de formas não naturais. Provavelmente seria curado depois que ele fosse usado um pouco de magia de cura, então não era um grande problema.

A mulher o encarou surpresa, olhando para a ‘Marca de Exclamação’ que estava sendo arrastada.

— Você acabou de participar da avaliação de iniciação, certo? — Ela questionou e Eiro assentiu.

— Isso mesmo. — Ele respondeu e a mulher se aproximou, agachando-se cutucando o outro membro especial.

— Entendo, então, por favor, insira mana na etiqueta que recebeu mais cedo e aponte para frente. — Ela disse, retirando seu próprio colar com sua própria etiqueta, enquanto Eiro fazia como pedido.

A mulher encostou a etiqueta de Eiro à sua e olhou nos olhos do Diabrete.

— Eu lhe dou as boas-vindas à organização. Te designo como o número ‘100′ devido aos seus… resultados impressionantes na avaliação.

— Hum… 100? Pensei que vocês, ‘membros especiais’, deveriam ser tão fortes quanto os dígitos singulares… Sem mencionar o que eu fiz com esse cara. — Eiro reclamou enquanto apontava para John, mas a mulher na sua frente balançou a cabeça.

— O maior rank que qualquer membro novo pode alcançar é 100. Claro, você é forte o suficiente para alcançar os dígitos singulares muito rápido. Como está no rank 100, também tem permissão para participar de missões especiais para subir de rank, ou pode participar de duelos contra outros membros. Tenha ciência de que, mesmo se derrotar o atual Número 1, você não será capaz de se tornar o novo Número 1. Em vez disso, sua proeza será avaliada através do artefato conectado à sua etiqueta, e seu novo rank será designado. Daqui em diante, não tem mais nada a ver com nossa opinião enviesada. — A mulher explicou ao Demônio, que ouviu e assentiu. Isso parecia justo. Eiro olhou para a etiqueta e viu o número ‘100’ gravado nela, colocando-a no seu bolso, fazendo-a desaparecer dentro da sua tesouraria.

— Entendi. Obrigado. — Eiro respondeu, passando pela mulher, deixando a outra ‘Marca de Exclamação’ no chão. Assim, Eiro caminhou até o centro do salão e tossiu alto para chamar a atenção de todos.

— Com licença! Se alguém, de verdade mesmo, qualquer um, dentro dos dois dígitos estiver aqui, eu adoraria participar de um duelo. Tenho certeza de que isso também trará benefícios para você. — O Demônio sugeriu e, por um momento, o silêncio dominou o salão enquanto as pessoas tentavam avaliar se valeria a pena ou não.

Eiro escutou alguém se levantar no último andar. Essa pessoa caminhou até o corrimão e… pulou. Parecia que ele estava usando magia de vento para desacelerar sua queda e continuou planando em direção ao chão até estar ao lado de Eiro. Ele retirou sua etiqueta e a segurou na frente do Diabrete, permitindo que visse o número.

— 54, hein? Bem, bom o suficiente. Então, onde podemos lutar? — Eiro perguntou e o homem na sua frente olhou para ele com um sorriso grande.

— Oh, não está assustado?

De imediato, o Demônio ficou bastante irritado. Isso seria um encontro problemático, mas isso era esperado de uma organização para aqueles que só queriam se tornar mais fortes. Muitas pessoas convencidas se reuniriam aqui.

— Estou cagando nas calças, na verdade. Então, vamos terminar com isso para que eu possa me trocar, certo? — Eiro respondeu sem pestanejar, enquanto olhava para a mulher da Marca de Exclamação.

— Então? Onde podemos lutar?

— Ei, escute quando falo com você! O fato de que você transformou o número 9 nessa… coisa desprezível não significa nada para mim. Eu sempre fui mais forte do que ele, e sou mais forte que você. Então, pare.

— E que tal você seguir seu próprio conselho e calar a boca, deixando os mentalmente sãos conversarem por um segundo? — O Demônio retrucou o número 54 e a mulher da Marca de Exclamação começou a falar.

— Se você sair, conseguirá ver uma grande porta dupla vermelha. Entre através delas e encontrará o lugar para o seu duelo. Não deve haver nada acontecendo agora, então pode começar. — A mulher explicou e Eiro se virou, caminhando na direção da porta.

Assim, tomou a decisão que o permitiria terminar com isso o mais rápido possível: Ele insultou todos no salão.

— Se qualquer um de vocês, fracotes patéticos, acha que pode me derrotar, então venham até a construção com as grandes portas vermelhas duplas. — Eiro anunciou e virou a cabeça para John e fez com que o seguisse de novo. Enquanto saía da construção, escutou que as coisas estavam ficando barulhentas, desde que muitas pessoas foram afetadas pelas palavras de Eiro. Isso foi mais fácil do que ele pensou, se todos esses caras ficassem bravos com tanta facilidade. Com sorte, julgando pelos dois que Eiro conhecia, isso chamaria atenção até mesmo das ‘Letras’, então, contanto que ficasse forte o suficiente, deveria ser capaz de praticamente deslizar até esse rank.

E, com sorte, poderia matar dois pássaros com uma pedra só. Ao matar os outros membros, não apenas seu rank subiria dentro da organização, mas também reuniria experiência para que conseguisse subir de nível e ficar mais forte enquanto lutava.

Feliz que esse era o caso, Eiro empurrou as portas duplas vermelhas que foram descritas pela mulher de antes. E na frente dele, tudo o que conseguia ver era uma escadaria, levando para outro espaço. Era grande e amplo, aparente perfeito para coisas como duelos, desde que o chão, paredes e teto eram manipulados com magia de terra, o que significava que o terreno podia ser alterado como quisesse. Bem, isso seria útil durante o combate.

Desse modo, Eiro e o mago de vento foram até o centro da área de duelo enquanto o Demônio comandava para John ficar na lateral.

O mago de vento pegou sua etiqueta e a levantou na direção de Eiro.

— Vamos lá, por favor? Vamos acabar com isso rápido, tenho um jantar reservado hoje à noite.

— Hmm. Que azar, acho que não conseguirá aproveitar uma excelente última refeição. — O Diabrete respondeu, mas o mago na sua frente franziu o cenho, enquanto Eiro pegava sua etiqueta e copiava as ações do homem.

O homem inseriu sua mana na etiqueta e, em seguida, a encostou na etiqueta de Eiro, que inseria sua própria mana. Desse modo, o número nas duas etiquetas desapareceu.

— Temos dez segundos. Prepare-se. — Com um leve escárnio, o mago se virou e criou um pouco de distância entre ele e Eiro. Ele pegou uma pequena varinha do seu bolso e encarou o demônio.

Mas, estranhamente… depois de seis segundos, o mago já havia atacado com um sorriso no rosto.

— Te enganei! — Ele exclamou enquanto apontava sua varinha e, quase na hora, um feitiço específico foi conjurado. Eiro ficou surpreso ao ver isso, na verdade. Claro, esse homem parecia bastante habilidoso com magia, também não parecia ser burro, mas ainda não esperava que ele fosse capaz de conjurar um feitiço quase instantâneo. Para isso, um simples ‘te enganei’ foi muito simples.

De qualquer forma, parecia que esse feitiço em particular comprimia uma grande quantidade de ar em um pequeno espaço e então o disparava para frente, como uma flecha, com uma velocidade incrível. Não requeria muita mana e era difícil de evitar, então o único ponto fraco era que o círculo mágico era bastante complexo, tornando isso ainda mais surpreendente.

Pelo menos foi o que Eiro pensou a princípio, mas percebeu os entalhes na varinha do homem. Elas eram do mesmo tipo estranho de runas antigas que Eiro viu em todos os artefatos especiais. Provavelmente era um tipo de varinha especial que o permitia conjurar esse feitiço instantâneos em troca de mais mana. Eiro leu que esse tipo de coisa era possível, pelo menos em teoria.

De qualquer forma, esse feitiço era problemático em mais de uma maneira. Além de ser rápido, logo depois do impacto, ele subitamente expandiu todo o ar de volta ao que era antes, destruindo tudo ao redor. Então, se perfurasse o corpo de alguém, causaria uma quantidade massiva de danos.

Mas, por sorte, Eiro conseguiu perceber tudo isso de imediato e conseguiu reagir de forma adequada, inclinando seu corpo para o lado antes que a massa de ar comprimido o atingisse. Claro, era rápido e difícil de evitar, se você tivesse um tempo de reação ruim, mas considerando que a Inteligência de Eiro estava em 300 e sua habilidade baseada no atributo de Inteligência aumentava a velocidade com que conseguia processar informações, Eiro conseguiu evitar o ataque, que atingiu a parede atrás dele.

— Ah, é mesmo? Bom saber. — Eiro respondeu enquanto levantava a mão para frente e começava a criar um feitiço. Um que era baseado no feitiço que aquele mago acabou de conjurar, embora um pouco mais avançado.

Durante este tempo todo, Eiro analisou quando os tiros desse feitiço chegariam e manteve sua distância para ter um pouco de tempo para reagir aos disparos.

Mas também não demorou muito para Eiro terminar seu feitiço, e isso aconteceu quando alguns outros membros da organização entraram no prédio, seguindo a sugestão anterior do Diabrete.

Eles vieram no tempo certo para notar a ausência de ar, pois poeira, folhas soltas, papel e até mesmo as roupas de alguns membros foram puxadas na direção do círculo mágico na frente de Eiro, reunindo todo o ar de dentro do cômodo, e até mesmo um pouco do lado de fora, o que fez com que a porta fosse aberta com uma batida forte.

Ninguém, exceto Eiro, conseguiu ver quando o feitiço foi disparado e perfurou a lateral do corpo do mago.

A metade do cadáver que ainda estava intacta caiu no chão e o Demônio se virou para os outros membros, enquanto o número 67 aparecia na sua etiqueta.

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