A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 218

A Virtude do Demônio

— Você tem certeza? Um Golias? Mas espera, não, eu sou alto, mas não TÃO alto! E não acho que crescerei muito mais, certo? Pelo menos, não mais sessenta centímetros! — Rudy exclamou, incerto de como pensar sobre isso. Claro, ficou um pouco animado de saber que aparente era um humano e de um clã tão incrível também. Eiro tinha lido um pouco sobre clãs humanos! Apesar de que, no fim, só tenha conseguido excluir certos clãs para restringir um pouco a lista, não conseguiu limitar a um. Havia muitos clãs e eles eram bastante similares um com o outro.

— Na verdade, Golias vivem cerca de 20 a 30 anos mais do que humanos normais e isso também parece afetar a velocidade com que crescem. Um Golias só para de crescer na primeira metade depois dos 20 anos. Então, você ainda tem bastante espaço para crescer!

Com um sorriso no rosto, Rudy assentiu. Ser um Golias soava muito incrível!

— Acho… — Krog começou — que isso pode explicar como essa criança acabou aqui. Você disse que não conhece seus pais e cresceu em um orfanato, certo?

— Sim, isso mesmo… Por quê? — o jovem questionou, confuso sobre o porquê de Krog querer falar sobre isso. Então, o guerreiro se levantou e retirou sua jaqueta grossa, revelando seus braços musculosos.

— Essas são tatuagens que Golias dão aos seus recém-nascidos. Minha mão não permitia isso na época, então meu pai só as me deu quando me tornei um adulto. Embora isso seja normal com crianças Meio-Golias. Porém, Golias puros têm essas tatuagens por todo seu corpo. É como… o batismo deles. Os deixa mais próximos dos deuses da guerra, mas distantes dos deuses da magia. Golias, em sua maioria, desprezam magia. Na verdade são um bando de brutos idiotas. Garoto, você já é mais inteligente do que a maioria que conheço. — Krog explicou e então vestiu sua jaqueta de novo, pois seus braços estavam esfriando enquanto os outros explicavam o que ele tentava dizer.

— De qualquer forma, para aqueles que dão muito valor para essas coisas, meus pais não se importam muito. Uma criança sem essas tatuagens é pratica amaldiçoada e um mal presságio para a tribo. Eiro disse que dois de vocês tinham habilidades, mas eles não conseguiram fazer isso com você, certo? Por que não conseguiam tatuar sua pele? Se esse for o caso, então… — E com isso, todos compreenderam o que Krog queria dizer.

Rudy o encarou de volta com uma expressão vazia.

— Isso significa que meus pais… me abandonaram? Por que estavam assustados…?

— Talvez. Garoto, escute. Você deveria estar feliz que isso aconteceu. Você tem irmãos incríveis e um pai que destruiria um país todo pelo seu bem, se precisasse. Você é brilhante, gentil, habilidoso… Essas coisas não combinam com Golias. — Krog explicou. — Mesmo que não tivessem… bem, te abandonado, você não saberia quem seus pais são. Famílias não importam numa tribo de Golias. Eles são brutos, agindo como homens das cavernas. Querer se estabelecer com uma pessoa já é um problema. Eles matam seus irmãos se estão irritados, pegam qualquer mulher que querem contra a vontade delas e, vivem para caçar. Meu pai foi rejeitado porque se apaixonou pela minha mãe. Foi difícil para ele no começo, mas depois que meu pai deixou a tribo, se tornou um guarda da cidade. Começou a querer proteger as pessoas. Isso não é algo que Golias normais sequer pensariam. Ouvi falar que algumas vezes jogam suas crianças nos monstros, como iscas.

De repente, sentindo-se tudo menos orgulhoso de ser um Golias, Rudy olhou para Eiro com um sorriso irônico e o Demônio pensou no que deveria dizer para acalmá-lo.

— Rudy, eu sou um Diabrete, uma das espécies de demônios mais burros e fracos que existem. Agora, sou pai do ser destinado a me destruir com um único toque e, em alguns meses, lutarei no torneio para me tornar o companheiro do Herói. Sua raça não importa, o que importa é quem você é. E mesmo que algum dia tenha impulsos para matar e cometer massacres… você não consegue machucar nem uma mosca, então acho que você ficará bem. — Eiro disse de forma tranquilizadora, olhando para Rudy com um sorriso no rosto, que cruzou os braços com um resmungo. — Apesar de que há algo bastante incômodo sobre o fato de você ser um Golias.

Surpreso, Rudy olhou para seu pai, nervoso. O Demônio o encarou, endireitando-se para que ficasse um pouco mais alto que o garoto, que tinha quase a mesma altura que Eiro neste momento

— Que você ficará mais alto que eu daqui a pouco. — Com um leve resmungo, Eiro olhou um pouco ‘desanimado’ para Rudy, que começou a rir.

— Hah, certo… Bem, esperarei paciente pelo tempo que olharei para você por cima.

Com um pequeno sorriso, Eiro começou a rir um pouco também.

— Embora não deva reclamar tanto sobre isso, afinal tenho outra vantagem que nenhum de vocês têm, a qual me permitirá alcançar alturas inúmeras vezes maiores do que qualquer um de vocês pode sequer pensar. — O Diabrete disse presunçoso e Arc olhou animado para ele.

— Ooh, você almeja por uma evolução onde pode se tornar um Gigante?! — Arc questionou, mas Eiro só balançou a cabeça.

— Claro que não. — E com isso, retirou a capa que cobria seu corpo e esticou suas asas, livrando-se da magia de sombras que estava infundindo nelas.

Ele as moveu em alta velocidade e fez uma rajada de vento se espalhar pelo solo, enquanto Eiro era empurrado para cima. Com uma expressão presunçosa, ele tentou seu melhor para flutuar no mesmo local enquanto olhava por cima dos outros.

— É isso que quero dizer.

Imediata, Arc pulou e olhou para Eiro com um sorriso surpreso.

— Caralho! Isso é incrível!

— Eu sei, eu sei, não é? — Com um grande sorriso, Eiro caiu de volta no chão e juntou suas asas, colocando-a volta contra suas costas.

Com um olhar direcionado para Rudy, que sorria de volta para ele com uma expressão grata, desde que ele parecia precisar de um pouco de tempo para pensar sobre isso, em vez do fato de ele ser um Golias ser o centro da atenção dessa noite. Ele parecia feliz que Eiro atraiu a atenção.

— Na verdade, não é um pouco desconfortável fazer isso com suas asas? Tipo, pressioná-las na sua capa para se acomodarem no seu formato? — Jess perguntou com uma carranca um pouco preocupada, mas Eiro balançou a cabeça.

— Não muito. Parece como se eu estivesse vestindo algo justo, se isso faz sentido. Não é tão desconfortável, embora me sinta bem esticando minhas asas um pouco. — O Demônio explicou, pressionando a pedra mágica de sombras contra o centro das suas costas com a ajuda da sua cauda e ferrão de novo. Mais uma vez, os infundiu com magia de sombra e as esticou.

A névoa negra e sombria ondulava pelo ar. Parecia bastante legal, na verdade, especial com o contraste da névoa branca atrás de Eiro. Então… algo inesperado ocorreu.

[Aptidão com o Elemento Sombra aumentou]

[Habilidade Magia de Sombras (Iniciante) Aprendida]

[Habilidade Racial do Diabrete Elemental desbloqueada – Afinidade Elemental Superior]

— … Hm? — Eiro murmurou confuso. — Como… A última vez que chequei, minha afinidade das sombras não estava nem perto de…

O Demônio fez a pedra mágica desaparecer na sua Tesouraria, cortando a notificação com o dedo ao mesmo tempo que empurrava sua mão em direção à sombra sobre seus pés, a qual foi criada devido à luz das chamas que Rudy usava para cozinhar.

— Eiro, o que foi? — Jess perguntou, mas, sem respondê-la, Eiro utilizou sua nova habilidade. Como se a sombra de Eiro crescesse, espalhando-se até áreas onde, nenhuma sombra deveria existir nesse momento, até que o chão ficou completamente escuro.

— Acabei de aprender Magia de Sombras sem nem trabalhar para despertá-la. — Eiro explicou e Jess arregalou os olhos, perplexa.

— Então isso significa que… que ela foi despertada porque sua afinidade era alta o suficiente?

— Exatamente isso que significa. — Ele respondeu e Jess o encarou de volta.

— Então, quantas são gora? Seis magias elementais com que você tem uma afinidade tão alta?

— Mhm.

— Já disse antes e direi de novo: eu te odeio.

— Eu sei. — Eiro respondeu. — Só que dessa vez, foi um resultado natural do que sou. Parece que é por causa da minha habilidade racial… chamada de ‘Afinidade Elemental Superior’, então aprimora quão rápido minhas afinidades crescem, de alguma forma.

— O fato de que suas afinidades podem aumentar é completamente ridículo em primeiro lugar! Eiro, não consegue… compartilhar essa sorte extrema comigo? — Jess questionou com um resmungo desapontado e James a encarou com uma leve carranca.

— Diz a garota com afinidades com os quatro principais elementos e capacidade de despertar uma quantidade ridícula de elementos avançados e especiais, logo ao lado do cara que é capaz de literal sentir magia, mas é amaldiçoado com o fato de não conseguir conjurá-la.

— Oh… é… desculpa…? — Jess disse com um sorriso sarcástico de desculpas e James se inclinou para trás com um sorriso.

— Tudo bem, não se preocupe. Bem, ela está certa. Isso é ridículo. O bom é que não precisamos nos preocupar com você usando pedras mágicas de sombras mais. Pode infundir suas asas e chifres com essa coisa sem elas.

Eiro levantou a cabeça e parou de usar magia de sombras ao seu redor. Foi divertido brincar com isso, mas primeiro tinha que descobrir o que tudo aquilo significava, o que essa habilidade fazia e como conseguia utilizá-la. Seria ótimo se fosse algum tipo de aprimoramento passivo, como parecia ser, mas também poderia haver algum aspecto ativo que Eiro ainda não descobriu.

De qualquer forma, os outros estavam certos. Essa era uma habilidade muito forte que o ajudaria muito no futuro, não havia a menor dúvida, mas isso só o fez refletir ainda mais… Qual era a segunda habilidade racial que recebeu após evoluir dessa vez?

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