A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 217

A Virtude do Demônio

— Forças da natureza…? — Jess repetiu enquanto olhava para Eiro, que continuou sentado ali na rocha, esperando que os três o respondessem.

Ela virou e olhou para James, esperando que ele exibisse algum tipo de expressão brava ou assustada. Ele nunca tinha sido tão emocional antes, mas desde que Eiro chegou, ela o viu fazer todos os tipos de expressões.

James encarava o Demônio sem qualquer tipo de expressão na sua face. Isso continuou por mais alguns segundos, ele levantasse seu pé do chão.

— Não ouse me fazer arrepender disso. — Ele disse, caminhando em direção à escada, enquanto Jess tinha seus olhos fixados no rosto de Eiro. Quando ela se virou na direção de Eiro, ele permaneceu ali com um leve sorriso no rosto.

— Sim. — Ele respondeu de imediato, como se esperasse essa resposta de James, olhando para Krog e Jess.

— Então e vocês dois? Só por James ser meu subordinado não significa que vocês dois têm que-

— Você acabou de me chamar de subordinado, seu Diabrete? — James perguntou com um rugido alto, sua expressão fria totalmente dissipada. Eiro coçou sua bochecha com uma expressão confusa e tentou de novo.

— Desculpa, que tal… Servo? Inferior Subalterno? Escr-

— Eu juro, se você não calar a boca agora, sairei. — O Elfo da Luz comentou com um olhar penetrante, encarando Jess e Krog enquanto se inclinava contra a parede ao lado da escada. — Mas, não importa o quanto esse cara me irrite, ele está certo. Só porque vou ficar por aqui, não significa que vocês dois precisem. Claro que eu gostaria que ficassem, mas têm seus próprios problemas para lidar e objetivos para conquistar. Esse lugar pode não ser o melhor ponto de partida para isso.

Krog e Jess se olharam por um momento, tentando entender o que o outro estava pensando, mas Krog gritou alto.

— Ah, foda-se! Conte comigo! — O guerreiro pesado exclamou e agora todos encaravam Jess, que balançava seus dedos, tentando compreender o que deveria fazer, até que ela acenou coma cabeça.

— Eu… eu vou ficar… — Ela começou a murmurar, embora não estivesse tão confiante de que essas palavras eram a escolha certa e Eiro a interrompeu depois de todos esses pensamentos.

— Você não precisa escolher agora, se não sabe o que fazer. Você ainda é um membro do grupo, como sempre, não se preocupe. Leve o seu tempo, não quero forçá-la. — O Demônio disse, surpreendendo os outros, desde que não esperavam que ele fosse tão compreensivo.

Enquanto Jess assentia e começava a seguir os outros, alguém se pronunciou para fazer sua escolha.

— Se você estiver de acordo, posso sair? — O Slime perguntou de repente e Eiro virou sua cabeça para olhar para a massa quase translúcida se pendurando em seus ombros.

— Claro que não, Bavet. Você é meu bichinho de estimação.

— Ah, eu não sou um bichinho de estimação, seu…! Espera… Espera, o que você acabou de dizer? — O Slime começou a gritar, embora suas palavras tenham se arrastado perto do fim e Eiro olhou para ele com uma expressão surpresa.

— Você é meu bichinho de estimação?

— Vai se foder, sabe o que quero dizer! O que ‘Bavet’ significava?! É algum tipo de insulto?

— Hehehe claro que não. Pensei que você se recordava da minha promessa. — Eiro comentou e, de repente, o corpo do slime endureceu e ganhou bastante peso.

— V-V-Você quer dizer que…

— ‘Bavet’ é a palavra na Linguagem Antiga para ‘tudo’. Muito adequado, né? Você é um ‘Slime Sem Forma’, mas é mais como se pudesse se tornar qualquer coisa, além disso, ‘Bavet’ é um nome legal, não é?

— Então, esse… esse é meu nome? Não parece muito… legal…? Como se eu fosse onipotente ou algo do tipo? — O slime, Bavet, murmurou e Eiro olhou para ele com as sobrancelhas levantadas.

— Ainda podemos mudar para outra coisa.

— Não! Não, eu gosto desse! — Bavet exclamou e Eiro deu de ombros.

— Certo, então vamos com esse. Seu nome é ‘Bavet’ agora, certo?

— C-Certo… — O Slime respondeu e grupo continuou atravessando a mansão para chegar aos jardins, onde todos já estavam sentados olhando para o céu e as luzes se movendo sutilmente, como ondas.

Eiro olhou para Rudy para ver se ele precisava de ajuda, mas parecia que o jovem tinha tudo sob controle. Ele parecia ter praticado bastante sua habilidade de classe e agora tinha pequenos humanoides o ajudando com coisas como temperar, pelo menos.

O Diabrete se sentou na cadeira vazia, pegando Avalin e Leon de Sammy, para que ela pudesse relaxar um pouco.

— Ei, garota… é, Sammy, certo? — Krog disse enquanto Eiro ajudava as duas crianças cansadas a subirem no seu colo e Sammy virou a cabeça para olhar para o guerreiro pesado.

— S-Sim?

— Da próxima vez que quiser chamar a atenção dos outros, use todo o seu corpo. Sua voz é bastante alta e forte o suficiente para isso, mas se usar o seu corpo junto a sua voz e com uma técnica adequada para gritar, você conseguirá lidar com situações como a de hoje ainda melhor. — Krog explicou e Sammy olhou para ele um pouco surpresa. Krog podia parecer bastante intimidador a princípio, mas na verdade era bastante atencioso e gostava de cuidar dos outros ao seu redor.

Bem, ele se irritava com muita facilidade quando se tratava de pessoas que não conhecia, como Eiro vivenciou em primeira mão quando o conheceu, mas no geral ele era bem legal. Ligeiramente confusa, Sammy olhou para Eiro, que explicou.

— Ah, desses três, na verdade, Krog é quem possui o maior carisma, acredite ou não. Entre outras coisas, o papel dele é ‘provocar’ os monstros para focarem sua atenção nele. É por isso que pode confiar no conselho dele, ele sabe do que está falando. — Eiro explicou. Krog o encarou e voltou com um sorriso presunçoso, enquanto Sammy olhava para ele.

— Certo… mas como eu faço isso? Como conseguir atrair a atenção dos outros? — Sammy questionou. Hoje, enquanto tentava fazer os outros saírem das ruas por causa de quão perigoso era, ela percebeu que muitos não a notaram, e se não a notassem, então sua habilidade não funcionaria.

Depois de pensar um pouco, Krog explicou.

— Hm, como você não é uma aventureira, sugiro… vestir roupas brilhantes. Então, só precisa se mover rápido para as pessoas olharem em sua direção. Sua voz deve ficar naturalmente mais alta quanto mais praticar, mas sugiro que não exagere, senão ficará sem voz por um dia ou dois. Quando eu estava praticando, costumava beber um chá quente e relaxante com um pouco de mel.

Com um sorriso irônico, Sammy olhou para o homem grande sentado à sua frente. Mesmo agora, ele parecia enorme, apesar do fato de estar sentado.

— Você não parece gostar de chá…

— Haha, entendo o que quer dizer. Bem, é um hábito que peguei da minha mãe. — Krog explicou. — Ela era uma herbalista, então bebíamos mais chá do que água enquanto eu crescia! Mas meu velho nunca gostou muito, me chamou de vadiazinha algumas vezes, mas é isso!

— Krog, seu dialeto está aparecendo de novo. — James avisou Krog com um sorriso, o encarando.

— Tsk… Você sempre tem que reclamar, não é? — Krog questionou depois de arrumar seu tom, embora Arc parecesse bastante curioso.

— Mas por que você tem que escondê-lo? Não me parece nada ruim. — O jovem perguntou e Krog deu de ombros.

— Não é, mas você nunca sabe quem pode encontrar, certo? É um dialeto anão profundo. Nem muitos anões o falam mais, mas minha avó fazia, então peguei um pouco disso.

— Espera, isso significa que você… — Arc perguntou com um sorriso irônico. Krog assentiu.

— Hm? Ah, sim, sou um quarto-anão. Minha avó era humana, então minha mãe era meio-humana. Meu pai é um Golias, então sou maior que a maioria das pessoas.

— Espera, o que…? — Eiro murmurou enquanto olhava para o guerreiro pesado, com uma leve carranca.

— Meio-Golias…? Como os Golias se parecem?

— Ah, bem, eles são maiores e mais fortes que humanos, eu acho? Chegam a ter uns 2,10 ou 2,40 metros de altura. Minha mãe mal tinha 1,50 metros… então você deve conseguir imaginar –

Eiro se levantou e fez Avalin e Leon se sentarem na cadeira por um tempo, enquanto o Demônio retirava sua adaga e pressionava sua ponta no braço de Krog para tirar um pouco de sangue.

— Car- O que diabos você está fazendo? — Ele exclamou. Parecia que Eiro escolheu deliberadamente um ponto que causaria o mínimo de dano possível e ele não tinha intenção de atacá-lo, mas ainda era estranho, então encarou Eiro, confuso.

— Só preciso testar uma coisa… — Eiro apontou antes de limpar a ponta da adaga com sua língua. — Não fui capaz de dizer pelo cheiro, então pensei que o gosto poderia ajudar… — Ele comentou e caminhou até Rudy, enquanto tentava manter um pouco do sangue de Krog na sua língua. Ele tentou comparar o cheiro e gosto de Krog com o cheiro de Rudy, o qual Eiro já conhecia bem e, logo, chegou a uma simples conclusão.

— Entendo… — Eiro murmurou e Rudy olhou para ele com um olhar profundo, colocando seus utensílios de cozinha ao lado e se afastando do fogo e da grelha em que cozinhava.

— Você entendeu o quê? — Ele questionou, um tanto esperançoso de que fosse o que ele pensava que fosse.

— O que você é? Me desculpe por ser tão intenso antes, mas agora tenho certeza… Rudy, você definitivamente é humano, não há dúvidas nisso. E você também é um humano completo, só que você é de um clã humano. — Eiro explicou e Rudy olhou para Eiro e para Krog, sentado na mesa atrás de si.

— Espera, você quer dizer que-

— Sim… Rudy, você é um Golias.

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