A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 214

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para a figura do jovem, que segurava sua garganta com sua mão restante enquanto ofegava. Ele cuspia sangue e tentava dizer algo para Eiro, mas tudo o que o Demônio fez foi segurar o homem pelo colarinho e puxá-lo para cima enquanto começava a voar. Mal percebendo, ele fez seu caminho de volta para a mansão. Apesar de que, de repente… algo aconteceu.

Com uma velocidade incrível, uma flecha foi disparada na direção de Eiro, com uma velocidade sobrenatural. Impossível até.

Eiro conseguiu desviar de algum modo, mas por pouco. Ela passou por seu corpo, então… desacelerou para uma velocidade normal.

— Esse fodido… — Eiro rosnou e soltou o homem que segurava, jogando-o no chão o mais rápido que pôde. Agora estava claro. Apesar de ser capaz de mudar o tempo, ele também tinha algum item especial que continha o mesmo efeito especial que o brinco de Enka. Ele era capaz de alterar como o tempo funcionava.

Assim que pensou nisso, o feito desapareceu e conseguiu ver o homem cair em câmera lenta enquanto havia pessoas abaixo tentando segurá-lo. Parecia que eram outras pessoas da organização, no mínimo todos vestiam as mesmas vestes. Eram alguns capangas aleatórios.

Um deles foi o que disparou em Eiro, o que só foi possível porque o Demônio estava carregando o homem em primeiro lugar, o que enfraqueceu um pouco o efeito do Ás de Copas e o tornou mais fácil de ser percebido. Com um suspiro profundo, Eiro desceu até o chão e começou a lutar contra essas pessoas. Já havia muita neve vermelha espalhada pelo chão, um pouco mais não mudaria nada, contanto que Eiro se livrasse dos corpos.

Esses caras eram capangas. Eiro conseguiu matá-los dentro de alguns segundos. Eles nem mesmo forneceram experiência suficiente para ele subir de nível, embora estivesse próximo. Assim que todos morreram, Eiro coçou sua bochecha e olhou para o homem, que ainda caía em câmera lenta. Demoraria cerca de um minuto para que ele caísse, então Eiro tinha tempo para pensar no que fazer.

Logo, recordou-se da mão que decepou do homem e a correu até ela. Puxou a luva, que faltava três dedos e a arrancou. Ela era mais ou menos do tamanho da mão de Eiro. Ele a vestiu em sua mão e inseriu sua mana nela enquanto pressionava sua palma nas três pessoas que acabou de matar. Alguns segundos depois, todos encolheram ao tamanho de um dedo.

— Huh… Isso é útil… Talvez eu deva tentar roubar essa carta dessa organização, talvez possa compreender como usar o efeito dessa forma também. — Eiro murmurou. De qualquer forma, seria bastante fácil se livrar desses cadáveres agora. Eiro os levaria até a mansão para ver se havia algo neles que pudesse ser útil.

Eiro olhou para o homem à sua direita, que agora estava relativa próximo do chão. Com um pequeno sorriso, o Demônio teve uma ideia, usando o Três de Espadas e o envolvendo ao redor dos membros do homem, usando-o para picar o homem em câmera lenta. Eiro não tinha ideia de como isso aconteceu com ele. O item com o efeito de câmera lenta foi quebrado durante a luta contra Eiro e começou a afetá-lo, pois esse não poderia ser o efeito real.

Ou… talvez fosse? Poderia ser algum sistema de segurança. Assim seria mais fácil para esses capangas chegarem até ele para primeiros socorros. Essa era uma ideia interessante, talvez o Diabrete devesse procurar por essa Carta de tempo também. Apesar de que… talvez tivesse que se fortalecer um pouco. Se possível, deveria tentar roubar os dados sobre como aprimorar os itens de carta da organização.

— Hmm… Isso também soa como uma boa ideia… — O Diabrete murmurou enquanto mantinha os olhos nos capangas encolhidos em sua mão.

Eiro parou na frente do castelo, mais uma vez vestindo sua máscara e capa, escondendo sua verdadeira identidade e estava para entrar quando foi parado pelos guardas.

— Pare, escória criminosa! — Eles exclamaram, apontando suas armas para Eiro, que os encarou de volta com um sorriso irônico.

— … o quê…? — Ele questionou e os guardas olharam um para o outro, assentindo e encarando Eiro.

— Foi determinado que você tentou assassinar sua Majestade, Rei Solomon Sigurd Skyhart! — Os dois guardas gritaram em união e Eiro suspirou, agachando-se no chão com um resmungo alto.

— … cercado por idiotas fodidos… — O Demônio murmurou.

Um dos guardas pareceu aproveitar a oportunidade para tentar prender Eiro e apontar sua lança na direção dele, mas tudo o que aconteceu foi que Eiro segurou a lança antes mesmo dela atingi-lo. Ele a puxou da mão do guarda e golpeou a cabeça dele com sua parte cega.

O guarda ficou ferido, mas não era nada sério. Ele só ficaria inconsciente por alguns segundos, suficiente para que Eiro derrubasse o outro guarda e começasse a arrastá-los pelo castelo.

Não demorou muito para que Eiro encontrasse o local em que Solomon e as crianças já estavam o esperando. Claro, Jordan, o conselheiro real de Solomon, também estava lá e encarou o Demônio em choque. Sem hesitação, ele pulou na frente do Rei para protegê-lo.

— Sua majestade, cuidado! Este homem deve ter sido quem tentou te assassinar!

Os outros guardas no salão encaram Eiro e levantam suas armas na direção dele. O Demônio resmungou e arremessou os guardas que estava carregando.

— Quão narcisista você deve ser para pensar que seu Rei foi o alvo e não uma literal Deusa da Natureza? — Eiro perguntou com um olhar profundo. — Não estou dizendo que a vida de Solomon não é importante, mas ele não era o alvo. Se você é muito burro para ver isso, então aconselho que abdique da sua posição como conselheiro. Não tentei, não estou planejando e nunca tentarei matar Solomon. Ele é um amigo em quem confio. Você compreende? — Eiro questionou com um olhar penetrante em Jordan, fazendo-o estremecer um pouco.

Com um resmungo profundo, Eiro retirou outra máscara de sua Tesouraria. Uma das máscaras utilizadas pelos capangas de antes. Elas eram muito similares à de Eiro, já que cobriam todo o rosto, inclusive os olhos. Parecia que os buracos para os olhos eram cobertos por um material especial que só permitia ver de um lado, mas era diferente da máscara com que Eiro estava acostumado. Ela tinha um formato cru de um simples rosto masculino, sem nenhuma característica em particular. Era o mais comum possível, tão normal como se esperaria de qualquer homem desse mundo.

Eiro a jogou na mesa na frente dele e caminhou até suas crianças.

— Aquele que atacou a Dama do Inverno era parte de uma organização que almeja uma força superior. Não como uma organização como um todo, mas parece mais como se a organização fosse feita de pesquisadores e capangas. Aquelas com força real na organização não fazem parte dela de forma direta, mas são abastecidas por ela e, em troca, fornecem apoio de alguma forma. Elas estão na posse de várias Cartas do Arcano Menores, pegando seus efeitos e os colocando em artefatos artificiais que podem ser usados por qualquer um com um pingo de mana. — Eiro explicou e Jordan afastou seu olhar da máscara de volta para Eiro.

— Sério? Onde está a — Jordan começou, mas Eiro pressionou mão na mesa e a encolheu.

— Se quer uma prova, aqui está. É instável porque está quebrado, então seja cuidadoso, mas aqui, tente. — Eiro disse enquanto retirava a luva e a entregava para Solomon, ao mesmo tempo que a mesa voltava ao normal. — Isso que foi utilizado no ataque à Dama. Rochas foram encolhidas e alguém com habilidades de arremesso incríveis arremessou rochas do tamanho de punhos com velocidade, as retornando ao seu tamanho normal no meio do ar e, com isso, conseguiu níveis imensos de dano. — Eiro explicou. — Mas, se me der licença, irei cuidar da minha filha por um momento.

Com isso, Eiro olhou para suas crianças, assim como Felix e Charles, que estavam reunidos em volta de Clementine, que ainda estava com os olhos marejados de lágrimas depois de sentir a dor dos ossos quebrados de Eiro. Ele se agachou na frente dela e esfregou sua mão em seus ombros. 

— Você está bem? Me desculpe por ter que fazer isso… — O Demônio sussurrou e a garota balançou lenta a cabeça.

— N-Não… não é sua culpa, eu não con-consegui controlar minha fome… — Clementine respondeu de forma que era quase inaudível, com exceção de Eiro, com sua ótima audição e Sammy, que estava logo ao lado de Clementine. Ao ouvir essas palavras, Sammy tentou enxugar as lágrimas dos seus olhos. Sammy era uma pessoa empática, então, mesmo quando criança, chorava com frequência quando outras pessoas choravam. Ela tentou ao máximo ser mais forte, sendo a segunda mais velha. Arc era o mais velho, mas ele não era o mais confiável entre eles.

— Clementine, se uma criança está passando fome, não é culpa da criança, é culpa dos pais dela. Não deixarei que isso aconteça de novo, certo? — Eiro perguntou com um pequeno sorriso no rosto e Clementine assentiu enquanto abraçava Eiro.

Eiro tentou seu melhor para ajudar sua filha a se acalmar enquanto escutava a voz dos guardas, alguns nobres e, claro, Jordan falando sobre as crianças.

— Essa garoa conseguiu curar os ferimentos dele em minutos?

— E aquele garoto? Ele conseguiu receber aquelas rochas e sair sem um arranhão.

— E como a outra garota fez todos saírem tão rápido?

— Pessoal, estou mais impressionado com aquele garoto loiro. Mesmo quando todos estavam em pânico, ele estava calmo e composto. Ele pode ser um bom trunfo nas forças armadas.

Eiro soltou Clementine e se levantou. Ele se virou e encarou todas as pessoas dentro desse salão, uma aura espessa envolveu todas as pessoas paradas ali.

— Me abstive de fazer isso até agora, pois Solomon me pediu para não causar confusão, mas irei dizer uma vez e apenas uma vez… se algum de vocês, bastardos, ousar se aproximar das minhas crianças, da forma que for, farei com que se arrependam de terem nascido.

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