A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 213

A Virtude do Demônio

— Ei, pirralho… Seus pais não te ensinaram a não jogar pedras por aí? — Eiro rosnou irritado enquanto caminhava até a frente do cara que estava arremessando pedras.

Ele olhou para Eiro e arregalou os olhos.

— Ooh! Então é verdade, você realmente é um demônio! Haha, isso é real incrível! — O rapaz exclamou com uma risada alta. — Ele parecia bastante infantil em seu comportamento e fala. — Ei, pode chamar aquela dama de volta? Quero a recompensa pela morte dela!

Eiro arregalou os olhos e cerrou os dentes enquanto encarava o homem.

— O que você quer dizer, ‘recompensa pela morte’? — O Diabrete perguntou e o homem olhou de volta para Eiro, bastante surpreso.

— Oh…? Você não sabe? Você consegue habilidades de recompensa por matar seres supremos como esse! Como Reis e Rainhas dos Espíritos mágicos elementais! Acho que é o mesmo com Dragões Antigos e, é claro, qualquer ser com natureza divina! Não se tem chance de matar as Damas com tanta frequência, mas ela parecia bastante fraca, então queria tentar! — O homem exclamou com um sorriso amplo, agindo como se fosse a coisa mais natural do mundo, na verdade, como fosse estranho não querer fazer algo do tipo.

— Mas devo dizer, estou impressionado que você foi o primeiro a me alcançar! E aquela criança ali também parecia bastante interessante! Ei, se importa se eu brincar com ele um pouquinho? — O homem questionou com uma risada alta que irritou Eiro.

O Demônio o encarou de volta, com os dentes cerrados.

— Não ouse pensar em tocá-lo. — Com um rosnado profundo, o Diabrete esmagou seus pés no chão, quebrando não apenas a camada de neve ali, como as rochas que compunham as ruas.

Sem hesitação, o Demônio empurrou tudo o que podia na direção do homem, mas com uma expressão casual, ele apenas ‘pegou’ quase tudo. Parecia que ele tinha uma destreza muito alta para conseguir realizar isso.

Mesmo se conseguisse segurá-los, isso não foi a única coisa que o impediu de sofrer danos. Assim que as rochas e pedaços de gelo tocaram nas luvas dele, elas encolheram ao tamanho de pedregulhos e perderam a maior parte de seus poderes.

Eiro olhou para o homem com uma carranca profunda e tentou observar os arredores. Neste instante, ninguém os observava. Ele mantinha uma pequena camada da poção de Ás de Copas ao seu redor para se certificar de que, mesmo que haja espectadores, eles tenham dificuldade em perceber Eiro, a não ser que tenham uma inteligência, sabedoria ou percepção alta.

O único motivo para o homem conseguir vê-lo foi porque Eiro apenas ativou isso depois que já foi visto, então ele já sabia de Eiro desde o começo, mas até ele parecia estar lutando par manter sua atenção no Demônio. Fosse por causa da poção ou porque ele era um idiota, não era algo que Eiro conseguia julgar.

— Engraçado, você é parte ‘daquela’ organização, não é? — Eiro questionou, olhando para as luvas do homem. Elas eram um item de Carta Falsa imbuído com o poder de outra Carta de Copas, ou pelo menos foi o que Eiro presumiu ao ver esse efeito.

O três de Copas, a poção com habilidade de mudar o tamanho de alguém sempre que desejar, embora, houvesse limitações com base em quão bem o seu corpo conseguiu lidar com tamanhos extrema grandes.

Eiro ainda não sabia muito sobre essas luvas especiais. Sabia que eram capazes de encolher objetos com que entravam em contato, mas Eiro não tinha certeza de que outros efeitos poderiam ter. Por exemplo, esse homem também era capaz de se encolher, ou apenas outros objetos? A habilidade do item de Carta Falsa era limitada a encolher, ou também era capaz de crescer objetos?

Ambas eram informações importantes de se saber, mas ele não tinha resposta para nenhuma dessas perguntas neste momento, o que era um tanto problemático, considerando que Eiro estava para lutar com essa pessoa. Eiro pensou que o homem, no mínimo, não estava usando a habilidade de crescer as coisas, mas sim anulando o efeito de encolher algo depois de usá-lo para encolher as rochas e voltá-las ao seu tamanho normal depois do uso. Seu raciocínio mental para isso foi que ele não estava em contato com a rocha quando ela retornou seu tamanho. Ela ainda esteva pequena em suas mãos, mas cresceu de tamanho depois de entrar em contato com as mãos de Eiro.

Com um pequeno sorriso, o homem pegou outra das rochas em que estava senado e se preparou para outro arremesso. Com uma respiração profunda, o homem encarou Eiro. De repente, ele exibiu uma expressão séria.

O homem arremessou a rocha, com força para estalar o ar mais uma vez, mas o ar não foi a única coisa que rachou, a própria pedra também. Ela se estilhaçou em pedaços, a maior parte da qual passou por Eiro e acertou as barracas ou construções ao redor dele, causando danos imensos a elas dentro de um único instante.

— Oops. Acho que esse arremesso o foi um pouco forte demais hehehe — o homem comentou com um sorriso. — Devo tentar de novo?

Com isso, o homem pegou outra rocha, mas Eiro não queria dar a ele a satisfação de mais um ataque. O Diabrete infundiu seu corpo com magia de vento por um instante e avançou o mais rápido possível. Parecia que até esse homem, com sua alta velocidade, não conseguiu reagir a tempo e Eiro empurrou ambas as mãos na rocha e fez seu melhor para usar magia de terra nela.

Desse modo, conseguiu confirmar sua suspeita. Ao tentar usar magia, ela se distorceu, como se a área também estivesse sendo reduzida, como se a pedra tivesse o mesmo tamanho da rocha de antes. Ele não conseguiu afetá-la de uma vez, como conseguiria com uma pedra deste tamanho.

Eiro empurrou sua cauda com seu novo ferrão na frente do seu corpo e tentou perfurar o peito do homem, mas antes que conseguisse fazer isso a pedra que o homem segurava se dividiu em dois pedaços, enquanto ele sorria muito.

Ele abriu ambos os braços o máximo que conseguia e tentou esmagar as duas metades juntas de novo onde Eiro estava, ao mesmo tempo que aumentava o tamanho delas.

O Demônio usou magia e suas asas para sair da área onde as duas metades da rocha se encontrariam, pois se não conseguisse, isso causaria uma quantidade massiva de danos a Eiro e talvez sofresse mais do que apenas alguns ossos quebrados.

O homem já havia pegado mais uma das rochas e a arremessou, tentando aumentar o tamanho dela com um ritmo mais rápido se comparado a antes e o Diabrete logo foi atingido por uma delas. Desta vez, foi um pouco diferente, Eiro esperava que fosse acertado e começou a usar magia para desacelerá-la. Empurrou as lâminas do Três de Espadas em direção à rocha e tentou fundi-las com ela, para que conseguisse ter um controle mágico melhor sobre e a dividiu em pedaços.

Eiro infundiu magia para tornar os fragmentos de rochas em armas adequadas, o que envolvia afiá-las com magia de terra e envolvê-las com magia de vento para velocidade, afiação e capacidade de corte extra, além disso teriam o peso das rochas em que se baseavam, então isso as tornou armas ainda melhores, mesmo se ignorassem o ‘efeito de suporte da Carta’ do Três de Espadas, que era afiada a qualquer momento. Isso também ajudou a aprimorar o corte delas.

Eiro mudou a posição dessas lâminas de pedra especiais, para que se tornassem cinco garras gigantes, cada uma do tamanho do braço de Eiro, flutuando ao redor da sua mão esquerda, enquanto conjurava um feitiço mágico apropriado com a direita.

— Ei, ei, não é meio trapaça roubar as armas de seus oponentes durante o combate? — o homem perguntou com um sorriso animado, mas Eiro estava flutuando ali, batendo as novas asas enquanto o encarava.

— Do que isso me importa? Contanto que você morra, trapacearei de todas as maneiras que eu precisar.

— Uau! Tão mal! — Com uma risada alta, o homem tentou continuar jogando pedras em Eiro. Era um padrão de ataque muito, muito simples, então ele nem era experiente com lutas. Eiro só não conseguia pensar nele como sendo uma pessoa importante da organização para que recebesse o tipo de item que usava agora.

Mais importante… ele não conseguia acreditar que esse ataque tivesse sido tão ‘por acaso’ como o homem disse. Não fazia sentido.

Respirando fundo, Eiro ativou o feitiço que deveria cobrir a área com uma nuvem de poderia para interromper a visão desse homem. Ele foi até ele e balançou as cinco garras em sua direção mas, assim que fez isso, seu braço parou, como se sua velocidade tivesse desaparecido. A poeira desapareceu sem uma única rajada de vento e Eiro viu o que ocorreu.

O homem simples pegou o ataque de Eiro como se tivesse encolhido as lâminas de rocha e, com isso, as desacelerado muito. A distância que ele tinha de atravessar era, por algum motivo, muito, muito maior agora.

— Heh… Você acha que isso é suficiente para-

Isso não importava para Eiro. Mesmo se tivesse mais algum truque na sua manga, além de apenas encolher objetos, já que havia mais nisso do que aparentava, Eiro também tinha vários truques. Enquanto o homem tentava falar, Eiro empurrou seu ferrão direta no olho direito dele, enquanto retirava seu Três de Espadas das rochas.

O efeito de mudar de tamanho foi desfeito, já que uma Carta comum era mais forte do que uma Carta Falsa e as lâminas viajaram para frente. Os pedaços de rocha foram encolhidos, mas as lâminas não podiam ser impedidas. Desse modo, Eiro cortou através dos dedos do homem e destruiu a luva.

O efeito mágico, que matinha as garras encolhidas, foi dispersado e com isso elas avançaram na direção do homem de uma só vez.

Sua mão foi decepada, uma das lâminas perfurou seu ombro direito, outra cortou o lado da sua garganta. As outras duas erraram, mas, de qualquer forma… Este homem acabou de perder esta luta.

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