A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 199

A Virtude do Demônio

Eiro observou Rudy trabalhar. Ele era muito habilidoso com a faca neste ponto e parecia ter um alto valor de Destreza, senão movimentos como este nunca seriam possíveis. De qualquer forma, o Demônio olhou ao redor da cozinha até que viu as facas que estavam alinhadas no balcão ao lado de Rudy.

Ainda não conseguiram descobrir muito sobre a habilidade de classe ‘Castelo’ de Rudy. Descobriram que Rudy era capaz de formar um aprimoramento na recuperação de vida, mana e até estamina das pessoas e era capaz de aumentar a eficácia de qualquer habilidade de produção. Era bastante fraco e Rudy tinha que se concentrar intensamente em tudo o que acontecia, ao mesmo tempo que consumia grandes quantidades de mana, mas isso não era tudo. Depois que Eiro começou a explorar todas os subespaços especiais colocados por toda a mansão, ele se tornou ainda maios convencido de que um aspecto da habilidade de Rudy tinha relação com armazenamento espacial.

O Diabrete pegou uma das facas colocadas ao lado do seu filho e a girou um pouco. Era de alta qualidade, mas isso era esperado. Ela foi feita por Armodeus, afinal.

Enquanto Rudy preparava e colocava tudo no fogão ou forno, Eiro pensou que era um bom momento. Ele agarrou o braço de Rudy, virou a braço dele e tentou esfaquear a faca na sua palma, mas claro, a ponta da faca mal pressionou a pele, ela nem arranhou Rudy.

— Então… o que você está fazendo? — o jovem questionou e Eiro levantou a cabeça para olhar para ele.

— Me escute. Agora, imagine. Você já conseguiu descobrir isso antes. Você é um castelo, você protege e nutre as pessoas ao seu redor. Elas são os cidadãos da cidade, os cavaleiros, os fazendeiros, mas nenhum deles alcançou o castelo ainda. Imagine um grande espaço dentro do seu corpo. — Eiro disse, fazendo Rudy suspirar e acenar a cabeça. Ele deixou e lado a colher que estava em sua outra mão e respirou fundo para concentrar sua mana.

— Bom. Na sua palma, crie um portão. Grande e glorioso, a primeira coisa que qualquer pessoa que entra no castelo vê. O cavaleiro está precisando de algo. Deixe-o entrar no seu corpo. — Eiro disse baixinho. Rudy seguiu as palavras de Eiro, mas não importa quanto se concentrasse, nada acontecia e Eiro também não compreendia. Rudy estaca fazendo tudo certo, O Demônio tinha certeza. A mana dele estava fluindo na mesma direção de quando Eiro tentava armazenar as coisas dentro do seu corpo. Eiro não conseguia achar que o princípio fosse muito diferente para a habilidade de Rudy, considerando tudo o que aprendeu sobre magia espacial durante os últimos dias.

Então algo girou na de Eiro.

— Espere… e se sua habilidade não é de armazenamento…? — Ele murmurou e Rudy abriu lentamente os olhos com um suspiro profundo.

— Viu? Eu disse isso o tempo todo. Talvez você tenha cometido um erro? — O jovem sugeriu, mas Eiro balançou a cabeça.

— Oh, não, você definitivamente tem algo similar, mas eu estava olhando da maneira errada. Claro, um castelo guarda muitas coisas. Tesourarias, estoque de alimentos, bibliotecas e assim por diante.., mas isso tudo não é principal motivo para um castelo existir. Na verdade, eles são o resultado da razão principal. Um castelo deveria abrigar outros. — O Demônio murmurou e Rudy olhou para ele com um sorriso sarcástico.

— O quê, você quer que eu tente armazenar outras pessoas agora? — Rudy perguntou, mas Eiro riu e balançou a cabeça.

— Não, claro que não. Quero tentar tirar a pessoa que já está dentro de você.

— Certo, eu sei que ganhei um pouco de peso recentemente, mas isso não é justo! — O jovem protestou. Eiro olhou para ele com as sobrancelhas levantas e balançou a cabeça.

— Não é isso que quero dizer e você sabe. Não, li sobre uma habilidade na biblioteca secreta que te contei. É como uma habilidade de invocação e acho que pode ser similar ao que sua habilidade é. Vamos voltar e imaginar seu corpo como um castelo. Crie qualquer coisa que você precise. Uma sala do trono, corredores, cozinha, quartos, qualquer coisa que consiga pesar. Só deixe sua intuição te guiar. — O Diabrete disse e Rudy fechou os olhos, enquanto Gondos se fundia com Eiro, permitindo que o inspecionasse o fluxo de mana de Rudy.

Parecia que ele estava se condensando em diferentes lugares de acordo com a forma como o castelo era construída, com seu coração sendo a sala do trono.

— Bom. Agora, imagine pessoas dentro do castelo. Empregadas, mordomos, chefs, guardas, cavaleiro, jardineiros, qualquer um que seja necessário. — Rudy mais uma vez seguiu as palavras de Eiro. De repente, o Demônio notou acúmulos de mana se movendo pelos corredores que criou dentro do seu corpo. Havia muitos deles, demais para assumir que Rudy estava os controlando ativamente. Isso só mostrava que eles estavam no caminho certo.

Eiro agarrou o braço de Rudy e passou seu dedo pela pele dele, do cotovelo à mão.

— Imagine uma das pessoas seguindo esse toque. Ele está procurando a saída, porque quer pegar algo fora da cidade. Então, bem no fim do corredor há uma porta que leva para fora. — Eiro disse, circulando o centro da palma de Rudy.

De repente Eiro sentiu um pouco de resistência, Ele afastou sua própria mão e olhou para o que ocorria na mão de Rudy: padrões apareciam nela, que parecia formar o padrão de uma porta de madeira. Não era nada sofisticada, mas cumpria sua função.

A pequena porta de madeira, do tamanho do polegar de Rudy, foi aberta devagar. E além dela revelou-se uma pequena figura humanoide. Ela era toda branca e tinha uma forma andrógena, nem vestia roupas. Não possuía coisas como boca, nariz ou olhos. Era como a base de uma pessoa que ainda tinha que ser criada.

Com um sorriso no rosto, Eiro esticou o dedo na direção em direção à porta e fez um lugar para a figura humanoide se posicionar. Ele tinha cerca de 5 centímetros de altura e pisou cuidadosamente no dedo de Eiro.

— Abra seus olhos. — Eiro disse animado e Rudy fez lenta como pedido.

— … Oxe? — Ele murmurou quando viu a pequena figura segurada por Eiro. — Isso… Isso saiu de mim?

— Sim, saiu. Olhe para a sua mão. — Eiro adicionou e o menino olhou para sua palma e mal conseguiu ver a porta de madeira se fechar desaparecer, deixando a pele de Rudy.

— Que porra é essa?! — Ele gritou. — O que acabou de acontecer? Eu pensei que era figurativo, mas sou LITERALMENTE um castelo?! — Rudy exclamou, incerto de como devia se sentir com essa revelação.

Com um pequeno sorriso no rosto, Eiro entregou a figura humanoide para Rudy.

— Sim, você é, mas não há nada de errado com isso, não é?

— Claro que não, mas… Por quê? Que tipo de uso esses caras têm? Se é que possuem algum uso?

— Acho que você terá que descobrir. Explore mais sobre essa habilidade e tente usá-la o máximo que conseguir. Quanto mais intuitivo seu uso se tornar, mais você descobrirá sobre ela. Há muitas habilidades que lhe dão conhecimento que não tinha antes, como habilidades de entendimento de linguagem. Essa sua habilidade também pode lhe dar conhecimento e como usá-la. — Eiro comentou.

O jovem olhou para a pequena figura humanoide branca e pura que estava parado no seu dedo. Com um sorriso no rosto, ele assentiu.

— Sim… e mesmo que não consiga entender agora, contanto que consiga criar mais deles, isso pode se tornar útil. Uma única formiga não consegue levantar um morango, mas se toda uma colônia ajudar, então é possível.

— Essa é a mentalidade certa. — O Diabrete comentou com um sorriso. O clima se tornou muito leve e alegre, mesmo que tenha sido interrompido, de novo, pelo som do estômago de Eiro.

— Ficará pronto em mais cinco minutos, espere. — Rudy riu e Eiro deu de ombros.

— Ei, não é minha culpa. Reclame com quem fez as evoluções me deixarem com fome. — O Demônio comentou.

Ele observou enquanto Rudy tentava fazer a pequena figura humanoide desaparecer dentro dele. Depois de alguns momentos, conseguiu criar outra porta e permitir que a figura entrasse. Satisfeito, Rudy olhou para o fogão e continuou cozinhando para Eiro enquanto o Demônio e Gondos desfaziam a fusão.

— Essa é uma habilidade única bastante interessante, não é…? — Nelli comentou e Eiro assentiu de imediato.

— Definitivamente. A habilidade de classe de Rudy pode não ter o maior poder por si só, mas isso porque ela funciona por um longo período. Não é como as habilidades dos outros, que são úteis em situações específicas. Rudy é um não-combatente multifuncional e isso parece brilhar através de sua habilidade única.

— … Justo. Bem, contanto que isso o ajude a realizar o que quer para que consiga subir de níveis, está tudo bem, certo? — Nelli disse, dando de ombros e Eiro assentiu a cabeça em concordância.

— Exato. — O Demônio disse.

Alguns minutos depois, Rudy serviu o prato de comida, assim como um pão recém assado na mesa na frente de Eiro e o Diabrete foi em frente e o devorou. Ele precisava comer muito agora. Talvez devesse sair e caçar alguns animais, assá-los com fogo e comê-los inteiros. Por causa de sua habilidade de Comilança, a comida em ‘excesso’ que ele comia era ‘armazenada’ até que seu corpo precisasse dela. Essa comida ‘armazenada’ não era tão eficiente ao fornecer energia quanto uma recém ingerida, mas era melhor que nada. As próximas duas semanas poderiam ser um pouco problemáticas, porque Eiro já conseguia sentir que precisaria de muito mais energia do que durante suas duas evoluções anteriores, mas, no fim, tudo daria certo.

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