
Volume 3 - Capítulo 198
A Virtude do Demônio
Eiro se sentou na cadeira e continuou olhando para os membros do seu grupo. Eles pareciam ter se acalmado um pouco depois de todas essas revelações. Ainda estavam nervosos, mas sabiam que não conseguiriam se afastar daqui tão fácil, mesmo se quisessem tentar lutar contra Eiro.
Então Jess olhou para Eiro e abriu a boca, nervosa.
— Tenho que admitir… acho que talvez, se alguém será o Rei dos Monstros, então não seria o melhor resultado possível se fosse Eiro? — Ela comentou e o Demônio em questão sorriu. Enquanto isso, James encarava Jess, pensando no que ela disse.
— Acho… — Ele murmurou. — Acho que você pode estar certa? Quero dizer, aparentemente você não tem sua monstruosidade, ou o que quer que você tenha dito que faz os outros monstros serem monstros. — James disse. — Claro, você faz muitas coisas na maior parte do tempo, mas há muitas pessoas que agem de forma semelhante, se não pior. — O Elfo da Luz adicionou e Eiro assentiu lentamente.
— Estou feliz que pense dessa forma. — Eiro disse com um sorriso. — Então, que tal? Vão nos ajudar? — O Diabrete perguntou e os três olharam para ele nervosos. Então James perguntou.
— Ainda estamos mirando em Zaragon, certo?
— Oh sim, claro que estamos. Ele será nosso primeiro alvo. Ele parece um pouco mais fraco que um Nobre, então deve ser um bom ponto de partida. — Eiro comentou e Krog o encarou de volta.
— Aquele Zaragon é mais fraco que um Nobre?
— Uhum, ele é. Acho que mencionei antes, mas encontrei alguém que era da mesma raça que esse cara. O ser em questão, pelo menos, se referiu a Zaragon como um dos seus ‘parentes’. Alguns momentos depois, esse cara foi morto por <O Mundo>, severamente enfraquecido. Eles possuem habilidades especiais que são difíceis de superar, mas assim que você chega neste ponto, não acho que são tão fortes. — Eiro comentou, olhando para James. — Então não se preocupe. Ficaremos fortes o suficiente para que possamos fazê-lo sofrer com facilidade. Esmagaremos Zaragon como um inseto.
James o encarou de volta, sentindo-se um tanto nervoso com a aura emitida pelo Demônio. Definitiva era sede de sangue. Mesmo que não fosse suficiente para assumir o controle de Eiro, ainda estava no nível de quando ele foi dominado pela primeira vez. Sua força de vontade aumentou muito, então conseguiu controlar suas emoções com mais facilidade.
— Ótimo. Contanto que peguemos esse cara, farei o que você quiser. — James disse com um suspiro. — E não é como se descobrir isso mudasse alguma coisa. Você se importa de verdade com suas crianças e só porque aparentemente é um nobre agora não muda nada. Já era quando nos encontramos, então… — O Elfo da Luz comentou.
— Ah, obrigado, mas você não está correto, ainda não sou <O Mundo>. Caso contrário, aquela carta já teria desaparecido dentro de mim. Não, sou um candidato. Agora tenho… Oh, aumentou! Tenho 2% de chance de me tornar <O Mundo> se tentar ativar essa carta. — Eiro explicou. — Então, ainda tenho um longo caminho. Acho que preciso estar no nível de um aventureiro rank A, se não S, se quiser me tornar um nobre com segurança.
— … Isso é uma piada, certo…? — James perguntou, mas Eiro balançou a cabeça.
— Não é. Eu matei <O Mundo> com uma facilidade surpreendente porque ele estava muito enfraquecido. Ele foi selado durante os últimos 100 anos e parecia ser um tipo de monstro único, do tipo fantasma, já que não possuía uma forma física própria. Ele assumia partes do mundo ao seu redor para se tornar mais forte ao usar aquela chave que mencionei antes. Ele pegava as habilidades dos outros e se fundiria com eles para se tornar mais forte. Consegui matá-lo antes que ele tivesse a chance de se fundir com muitas coisas.
Jess olhou com curiosidade para a Carta do Arcano Maior que Eiro segurava, então assentiu.
— Isso é tão interessante! Então, parte da habilidade de <O Mundo> é tomar coisas para si? — Jess questionou e Eiro acenou com a cabeça.
— Isso. — Ele disse e retirou uma pequena pedra mágica das sombras, infundindo sua mão com a magia das sombras dela. — Olhe aqui, isso deixa a pele um pouco coberta, certo? Mas, quando eu me fundo com isso agora, acontece isso. — Eiro explicou e pressionou seus dedos de sombra na mesa, fazendo uma boa parte deles desaparecer, como se não houvesse nenhum tipo de resistência.
Jess pulou e se aproximou para olhar mais de perto.
— Então é por isso que você parecia tão estranho quando se fundiu com a Magia da Natureza! — Ela exclamou e Eiro deu de ombros.
— Provavelmente. De qualquer forma, também consigo fazer isso agora, como já mostrei antes. — O Demônio explicou e fez Nelli se fundir com ele, depois desfez. — Oh, sim. Mais alguma pergunta? — Eiro perguntou com um sorriso e Krog assentiu a cabeça.
— Uhum. O Rei dos Monstros… você se recorda de alguma coisa sobre ele? — Ele questionou e Eiro inclinou suas costas contra a cadeira em contemplação.
— Mais ou menos? Com minha habilidade <Memória de um Estudioso>, posso ‘viajar de volta’ ao ponto em que fui criado. — Eiro explicou. — O ponto é que, quando vejo o Rei dos Monstros, tudo o que vejo é algum tipo de figura sombria. Não sei se é porque eu não consigo me recordar dele, por causa do medo implantado em mim por ele, ou se é por conta de como ele se apresenta. Sei que ele é filho de um Goblin Lorde e uma Criatura Sombria. Ambos eram nobres e os portadores das cartas do Arcano Maior <O Imperador> e <A Imperatriz>. Ele se tornou um tipo de criatura única, então não tenho ideia de como se parece. Bem, tenho certeza de que ele não é completo, desde que teve que perder algum membro para que Jura fizesse próteses para ele.
— Hm… seria bom se pudéssemos pelo menos compreender que tipo de criatura o Rei dos Monstros era para começar… — James suspirou incomodado e o Demônio olhou lenta para Nelli.
— Pare de me olhar assim, já te disse que nunca conheci ele. — A Náiade suspirou e Eiro se inclinou de volta na cadeira.
— Certo, certo.
Assim, enquanto todos começavam a relaxar e ficar em silêncio, o estômago de Eiro cortou esse silêncio com um barulho alto.
— Urgh… Isso é o que eu mais odeio nas Evoluções… — O Diabrete suspirou enquanto se levantava da cadeira. — Vou ver Rudy, ele deve estar na cozinha. Vocês continuem procurando bons pedidos. — Eiro sugeriu enquanto coçava seu pescoço. Evoluções consumiam muita energia e, portanto, Eiro ficava com fome enquanto passava por uma. Sem mencionar que teria que aguentar toda aquela dor irritante que percorria todo o seu corpo enquanto ele se transformava de cima a baixo.
Felizmente com o tempo que tinha para essa evolução, terminaria antes do Solstício de Inverno. Ele não gostaria de ficar tenso e agitado por causa disso quando encontrasse a Filha do Inverno.
— Você acha que isso é uma boa ideia? — Nelli questionou com uma carranca nervosa enquanto flutuava ao lado do Demônio e Gondos não pôde deixar de concordar.
— De fato, foi um pouco arriscado, não foi? — Ele adicionou, mas Eiro deu de ombros.
— Claro que foi, mas no fim eles não são uma ameaça para mim, de qualquer modo. Eles não possuem nenhuma prova sobre nada e sou aquele com contatos melhores nesta situação. Sem mencionar que posso matá-los com facilidade, se quisesse, mesmo que prefira não fazer isso. Se eu puder confiar neles, enquanto elas sabem tudo que há sobre mim, será muito mais fácil conviver e lutar junto deles. — O Diabrete comentou enquanto empurrava seu pé contra a parede na sua frente. Ela virou e permitiu que Eiro entrasse na passagem secreta atrás dela, a qual usou para chegar na cozinha por um caminho direto.
— Mas agora, silêncio. Não vamos conversar sobre isso perto de Rudy. — O Demônio sugeriu, entrando na cozinha com um sorriso e olhou para Rudy, que estava experimentando alguns ingredientes que Eiro comprou para ele. Agora estava assando no forno grande. Nunca tiveram algo de tal tamanho ou qualidade antes, então era óbvio que Rudy queria tentar.
— Ei! — O garoto exclamou com um sorriso brilhante e animado. — Oh, olhe para isso! Esse fogão é incrível! E aquela lareira e forno, sem mencionar todo esse equipamento! — Rudy exclamou, fazendo Eiro sorrir.
— Estou feliz que goste de tudo isso. Me diga se precisar de alguma coisa, consigo o que você quiser. — Eiro apontou, sentindo-se feliz por Rudy estar feliz, então o Diabrete se inclinou contra um dos balcões na cozinha grande, enquanto o rapaz olhava para ele.
— Obrigado, pai! — Ele exclamou. Eiro levantou as sobrancelhas e cruzou os braços, com um leve sorriso.
— ‘Pai’, hein? — Eiro perguntou e Rudy zombou.
— O que tem? O mentor que o Rei Skyhart nos introduziu está ensinando seu filho ao mesmo tempo, então continuamos escutando ele falar: ‘Pai, me ajude com isso’ e ‘Pai, como eu faço isso’ o tempo todo… e depois que Leon e Avalin voltaram, eles continuam falando sobre as coisas legais que você fez e você sabe que eles te chamam de ‘Pai’ e ‘Papai’, então… algo de errado com isso?
— Haha, claro que não. Na verdade, estou bastante feliz por escutar você me chamar assim. Eu sei que vocês pensam em mim como o pai de vocês, mas nenhum de vocês, os quatro mais velhos, me chama de ‘Pai’ com frequência. — Eiro comentou. — Mas, agora, filho, não é por isso que estou aqui. — Eiro disse, genuinamente animado em ser chamado de ‘pai’ por Rudy. — Gostaria de um pouco de comida. Não precisa ser algo específico, mas que seja altamente calórico, se possível. Açúcar, gordura, qualquer coisa. — Eiro comentou e Rudy o encarou confuso, percebendo o motivo dele precisar disso tudo.
— Ah, você está evoluindo agora? — Ele perguntou. — Por que não nos contou de antemão? Bem, você escolheu aquela Opção Única de novo, certo?
— Sim. Então, também não sei o que acontecerá. — Eiro respondeu.
Rudy deu de ombros e abriu seu livro de receitas, pronto para cozinhar para o demônio ao seu lado.