A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 197

A Virtude do Demônio

— Você… quer matar o Rei dos Monstros…? — Jess perguntou ligeiramente confusa. — Então você está do lado dos humanos, afinal? — Ela perguntou, mostrando um sorriso, embora Eiro tenha negado imediata.

— Oh, absolutamente não. Se possível, eu gostaria de matar o Imperador do Império Sagrado também, mas neste exato momento o Rei dos Monstros é uma ameaça maior, eu diria. — O Demônio comentou e os outros olharam ainda mais confusos par ele.

— Mas por que ele seria uma ameaça para você? Você não tem relação com o Rei dos Monstros, certo? — James questionou com uma carranca e Eiro suspirou.

— Suponho que devo contar para vocês, né? — Ele murmurou descendo da mesa e se sentou em uma das cadeiras. — Antes que eu continue, preciso que vocês três jurem para mim que nunca, nunca revelarão o que contarei a seguir para vocês. Caso contrário, apesar de reconhecê-los como meus companheiros, não terei escolha a não ser matar todos vocês e todos a quem contarem sobre isso. — Eiro disse com um tom claro e os três na sua frente olharem entre si e, no fim, assentiram.

— Tudo bem. Nos conte. — Krog disse. — Imaginamos que está escondendo muito mais coisa do que possamos adivinhar. — o guerreiro comentou.

Eiro sorriu e acenou.

— Isso pode ser um eufemismo, na verdade. Eu não sou um Diabrete comum, sou um ser criado artificialmente pelo Rei dos Monstros algumas semanas antes de me encontrar com James, para ser parte da horda. Algo deu errado comigo e me tornei uma Variante com inteligência mais alta, mas menos força física. — Eiro disse com um sorriso e os três o encaravam confusos.

— Espera, o quê…? Você é um ser artificial? — James questionou com pura confusão e o Diabrete assentiu sem hesitação.

— Sim, eu sou. Sou o resultado de um feitiço, semelhante a um feitiço que pode ser invocado como resultado de um feitiço conjurado pelo próprio mundo.

Logo depois que disse isso, Jess o encarou como se compreendesse algo.

— Então, isso significa que… quando você infunde com magia de natureza, não está tentando despertar as habilidades, mas aumentar a sua afinidade com magia de natureza?

Com um aceno lento, Eiro respondeu.

— Sim, espíritos conseguem aumentar a afinidade com o elemento deles ao passar tempo no ambiente certo e cercado pela magia certa. Pessoal, despertei Magia de Fogo ao tomar banho em água fervente. — Ele explicou com uma leve risada, apesar de que eu os outros tiveram dificuldade em acreditar, então James perguntou.

— Então… você quer vingança pelo Rei dos Monstros ou algo do tipo? Por ter errado ao criar você? Ou por criar você em primeiro lugar?

— Oi? Por que eu faria isso? Algum de vocês matou os seus pais porque está vivo? Claro que não. Não, quero matar o Rei dos Monstros porque ele é uma ameaça à minha vida e a das minhas crianças. Em particular, Avalin. — Eiro explicou. — Vejam bem, naquela época, depois que usei o Ás de Copas pela primeira vez, minha consciência quase desapareceu junto do meu corpo. Eu fui controlado diretamente pelo comando que o Rei dos Monstros implantou em cada monstro que era parte da horda. Sequestrar <O Louco>.

— <O Louco>? Espera, não me diga que o Rei dos Monstros transformou a Sacerdotisa Sagrada em <O Louco>… — Jess murmurou, com medo nos olhos e Eiro balançou a cabeça.

— Claro que não. Bem, ele queria, mas um certo Diabrete Inferior interferiu com esse plano.

Lentamente a situação ficou estranha. Eles começaram a juntar as dicas que Eiro jogou e o encaram, incrédulos.

— Avalin é a Sacerdotisa Sagrada? — James questionou enquanto cerrava seus dentes, furioso e Eiro sorriu.

— Ela é. Eu a peguei e quando o efeito do Ás de Copas apagou, tinha a habilidade Resistência à Energia Sagrada. Não fiz isso no fim, mesmo que planejasse no começo. Não conseguia mais desistir dela, mas mesmo assim, ainda consigo sentir aquela voz no fundo da minha mente dizendo que preciso levar Avalin até o Rei dos Monstros. Então, se vocês me conhecem, sambem do que gosto de fazer com vozes como essa: destruir a fonte delas o mais violentamente possível e observar enquanto morre lenta. É isso. — Eiro disse com um sorriso no rosto, ficando animado demais, apesar de que no instante seguinte James se levantou na frente dele e estava perto de socar o rosto ele.

— Você sabe o que fez? A Sacerdotisa Sagrada é um dos maiores recursos na guerra contra ao Rei dos Monstros! Ela está no mesmo nível do Herói! Você não compreende o que caralhos você fez?! — Ele gritou, irritado com uma ira que Eiro não via desde o encontra na capital e o Demônio se levantou devagar e olhou para o Elfo da Luz, com um olhar profundo.

— Eu salvei uma criança inocente de ser usada como arma antes mesmo de conseguir andar, foi isso que eu fiz. Se você acha que a maneira como vocês, malditos, lida com a guerra contra o Rei dos Monstros é certa, então quem é o verdadeiro monstro aqui? Vocês estão enviando crianças inocentes para uma guerra que elas não têm anda a ver. Elas estão sendo criadas como armas que estão destinadas a morrer como peças de xadrez, mesmo se cumprirem seus papéis, e irei obliterar completamente esse sentimento, James. — Eiro explicou e o Elfo da Luz o encarou com uma carranca profunda, embora tivesse se acalmado um pouco. Ele conseguia ver que Eiro estava sério e pela forma como o Demônio se expressava, nem mesmo James poderia defender as ações das pessoas.

— E como você pensa em fazer isso?

— É muito simples, na verdade. — O Diabrete respondeu e retirou uma Carta dourada de sua Tesouraria, uma que era maior do que as Cartas comuns que tinha. Ele a segurou na direção de James, Jess e Krog. James deu um passo para trás com medo, como um ser com talento para sentir coisas mágicas, compreendeu de imediato o que isso era.

— Usarei isso par me tornar forte o suficiente para matar um segundo Nobre e tomar dele o Sete de Paus dele, a chave que desbloqueia tudo. Então, usarei essa chave e meu status futuro como <O Mundo> para me tornar o Herói. E depois disso… — O Demônio disse com um sorriso. — Matarei o Rei dos Monstros por conta própria e encerrarei essa guerra idiota me tornando o próximo Rei dos Monstros. Nesse ponto, devo ser forte o suficiente para que nenhum Nobre possa se opor a mim e como serei o Herói, contanto que não morra, um novo Herói não nascerá.

Eiro se levantou, guardando a Carta do Arcano Maior enquanto os outros não sabiam como deveriam reagir. James pareceu quase vomitar depois de sentir a Carta, Jess ficou assustada ao pensar no que Eiro acabou de sugerir e Krog sentiu vontade de matar Eiro nesse instante.

— E… depois…? — o guerreiro pesado questionou. — O que você fará então, hein? Governará o mundo e matará qualquer um que não goste? — ele perguntou e Eiro o encarou alguns momentos balançar a cabeça.

— Isso parece uma boa ideia, mas não. Não é isso que planejo fazer. Não serei capaz de viver uma vida comum depois disso, esse plano requer que eu deixe minhas crianças para trás, para que possam viver a vida que acham que merecem viver, o que será difícil de fazer comigo por perto. Rudy quer se tornar um chef, Sammy sempre sonhou em ser uma cantora. Arc tem uma vida livre e é difícil que se prenda a uma coisa só, então é provável que se torne um aventureiro. E Clementine certamente é a garota mais gentil que eu já vi. Ela me disse que deseja se tornar uma curandeira para ajudar as pessoas. E não sei o que Leon e Avalin querem fazer, mas farei o meu melhor para apoiá-los da melhor forma possível, mas como isso pode acontecer se elas foram as crianças do homem que se opôs ao Rei dos Monstros? Sei que serei um alvo por conta da minha traição e tenho certeza de que as crianças também serão. — Eiro explicou com um sorriso enquanto se sentava na cadeira.

— Talvez eu pense em uma forma melhor de lidar com tudo isso no futuro, mas esse plano parece certo para mim. Como se eu tivesse que matar o Rei dos Monstros de qualquer jeito. — O Diabrete riu estranhamente e olhou para as pessoas na sua frente. — E depois de me tornar o Rei dos Monstros… quero abolir esse sistema ridículo. Herói, Rei dos Monstros… Isso não existirá mais. Claro, as lutas entre as pessoas e os Monstros ainda continuarão, mas diminuirão. O puro ódio pode desaparecer e ambos os lados verão menos perdas, porém minhas crianças viverão em paz. — Eiro explicou e o trio na sua frente se acalmou. Eles entendiam que ele falava sério. Ele não estava brincando nem queria prejudicar nenhum lado em particular nesta guerra e era por isso que queria acabar com ela.

— Não sei o que acontecerá. Posso acabar descobrindo um plano muuuito melhor, um que não inclua me tornar o inimigo direto da humanidade, mas ainda farei tudo ao meu alcance para assegurar que eu possa viver uma vida boa com as minhas crianças. Quero vê-las felizes, não importa como. — Eiro explicou.

 Jess, James e Krog olhavam para o Demônio, mais uma vez confusos sobre o que deveriam pensar, afinal, não era o tipo de coisa que se esperava ouvir todo dia e mesmo se alguém te contasse sobre isso, você acharia que ele havia enlouquecido, mas esse plano não parecia algo que o Demônio não conseguia completar.

Eiro olhou para baixo um pouco, rindo baixinho.

— Honestamente, isso tudo pode ser um efeito colateral da <Marca do Diabo> e da <Marca da Ira>, mas, não importa, parece que é o que devo fazer.

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