A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 196

A Virtude do Demônio

Eiro se sentou na biblioteca e, lendo sobre as Runas Arcanas, James reconheceu como as runas na bola de metal. O Demônio esperava que conseguisse encontrar algum tipo de dica sobre o que o orbe de metal fazia. Felizmente havia um livro sobre essas runas na biblioteca. O cômodo escondido adjacente a esse tinha muitos livros sobre feitiços e histórias ocultas, assim como várias anotações sobre diferentes monstros e organizações. O Diabrete os leria no devido tempo, mas esse tipo de coisa era mais importante no momento.

 — Hm… — Ele cantarolou, comparando as runas desenhadas neste livro com aquelas que recordava da laje de pedra, da placa de ativação de luz da vila Goblin, assim como da bola de metal. Ele conectar mentalmente tudo isso graças a sua habilidade ‘Processamento de Pensamentos Rápido’ por alcançar 300 de Inteligência também ajudou bastante.

E, justo quando Eiro pensou que estava juntando as peças, foi interrompido.

— Mestre. O que é esta palavra? — Gobo perguntou, segurando um livro de criança na direção de Eiro e apontando para a palavra ‘Pato’.

Com um leve suspiro, Eiro olhou de volta para o Hobgoblin enquanto pegava seu caderno e desenhava um esboço simples de como um pato deveria ser, pois Eiro não tinha certeza se Gobo havia visto um deles.

— Isso. É um tipo de pássaro.

— Pássaro… então, pato comida? — Gobo perguntou e, depois de pensar um pouco, o Demônio deu de ombros.

— Sim, mas não saia por aí comendo-os, certo? No geral, não coma nada que eu não permita. Consigo sentir a sua baba em um dos meus livros. — Eiro rosnou e Gobo olhou para ele com um sorriso brilhante.

— Livro cheira como comida! — Ele exclamou e Eiro o encarou de volta enquanto esfregava a ponta do seu nariz.

— Slime.

— Sim. — O Slime sem forma respondeu a seguir. Ele estava em uma forma humanoide, apesar de não ter nenhum tipo de detalhe, para facilitar a sua locomoção, e estava folheando o bestiário para tentar encontrar mais formas que poderia assumir. Eiro olhou para ele e apontou para o Hobgoblin em seguida.

— De agora em diante, responda todas as perguntas que ele tiver relacionadas à leitura. Conte para ele o significado das palavras escritas e, se ele não souber, mostre para ele. — Eiro disse, cruzando os braços enquanto colocava seu caderno de lado e voltava para o livro de Runas Arcanas.

— É? Por que diabos eu tenho que fazer isso? — O Slime questionou e Eiro o encarou.

— Porque senão eu te mato.

— Heh, você acha que essas ameaças ainda funcionarão em mim? De qualquer forma, vai me matar algum dia, então por que eu deveria me assustar com essas merdas? — O Slime perguntou com um tom presunçoso e Eiro olhou para ele com um suspiro misturado com um rosnado.

— O bastão não funciona, é isso? Então, vamos tentar a cenoura. Se você fizer isso para mim, te darei um nome, que tal?

— Quê? — O Slime perguntou, encarando o Demônio confuso. Um… Um nome…? — Ele murmurou, aparentemente bastante frustrado com a ideia, e Eiro riu.

— Vai logo. — Ele sugeriu e o Slime, tentando não mostrar que queria um nome, saiu de perto dele e foi para perto de Gobo.

— Ei, seu idiota, vamos acabar logo com isso. Estava quase chegando na parte sobre as evoluções únicas dos slimes.

Neste exato momento, Eiro arregalou seus olhos.

— Evoluções… únicas… — O Diabrete murmurou. Como se fosse a última peça de um quebra-cabeça e todo o resto se encaixasse. O livro que estava lendo continha algumas palavras rúnicas comuns escritas com suas traduções, mas não muitas. Ainda havia algumas para compreender a laje, a placa e o orbe de metal.

— É isso! Essa runa aqui significa ‘entrada’… então essa deve significar ‘mana’… Ooh, esta é ‘saída’ e então isso significa que essa runa ao lado deve significar o ‘Efeito’ da saída! Aquela na laje significava ‘Armazenamento’ e aquela na placa significa ‘Transferência’! — Eiro exclamou, folheando animado o livro.

Havia um esboço de outra laje rúnica dentro do livro, mas não possuía uma tradução perfeita conectada a ele. Uma sentença foi traduzida como: ‘A mudança acontecerá’, mas, em termos de contexto, como se referia a monstros, a runa que foi traduzida como ‘Mudança’ provavelmente significava ‘Evolução’.

Se fosse isso mesmo, então Eiro entenderia o propósito do orbe de metal. Não era que ele tivesse efeito de alguma carta específica infundida com ele, mas sim que tinha o efeito básico de cada carta infundida nela. Essa bola de metal era um Aprimorador de Evolução!

— É isso, isso faz sentido! É por isso que a aranha parecia tão estranha, ela era uma evolução especial! — Eiro exclamou com um sorriso brilhante. — Isso é perfeito! — Com um grande sorriso, Eiro se levantou e saiu do quarto. — Vocês dois, fiquem aqui!

Com isso, o Demônio atravessou a mansão, atravessando todas as passagens secretas de fácil acesso para ganhar tempo e descendo por uma que era vertical. Alguns momentos depois, Eiro chegou ao fundo do buraco e pousou na mesa de jantar do cômodo abaixo, onde Jess, James e Krog estavam sentados discutindo sobre pedidos possíveis que poderiam aceitar no futuro, agora que tinham Eiro.

— Que porra! — Krog exclamou por reflexo. — Cara, o que caralhos você está fazendo? — o guerreiro perguntou e Eiro sorriu.

— Só preciso perguntar algumas coisas para James. Tem certeza de que mal se recorda sobre Runas Arcanas, certo?

Com um leve suspiro, James assentiu e se inclinou contra a cadeira.

— Sim. Por que precisa da minha ajuda?

— Sim, preciso que confirme algo para mim. — Eiro disse com um sorriso e pegou uma das folhas em branco jogada em cima da mesa, escrevendo nela. Anotou todas as runas importantes que esperava compreendido a tradução e mostrou para o Elfo da Luz surpreso. — Pode me dizer se isso está correto?

— Hmm… saída, entrada… espera, isso deveria significar outra coisa, não Evolução? É ‘mudança’, certo? — James perguntou e Eiro assentiu.

— Sim, é. Evolução é um tipo de mudança também, certo? Pode ser um termo que se ajuste dependendo da situação. — Ele disse e James olhou para a bola de metal na mão de Eiro, exibindo um sorriso sarcástico.

— Espere… você não está tentando sugerir que essa coisa é algo que te ajuda a evoluir, certo…?

Com um sorriso amplo, Eiro olhou para James.

— Você também acha isso, hein? Isso é bom o suficiente para mim. — O Demônio acenou sua mão para o lado, tentando abrir a tela com as evoluções possíveis, encarando a sentença perguntando se ele queria uma Evolução única.

— Sim. — Ele disse e, no instante seguinte, algumas notificações apareceram.

[Começando a Evolução. Evolução terminará em 13 dias, 23 horas, 59 minutos e 59 segundos.

[Você é incapaz de abrir seu status durante a evolução.]

Após fazê-las desaparecer com os dedos, Eiro olhou para a bola de metal em suas mãos e inseriu sua mana dentro dela. Ela deveria absorver sua mana para surtir efeito, então estava claro que não era algum tipo de sistema de ‘morte de emergência’ como Eiro havia pensado, afinal estava sendo nutrido constantemente pela mana dentro do coração da Rainha Aranha e teria sido fatal se esse não fosse o caso.

Essa foi a única razão pela qual ele inseriu sua mana dentro dela para testar primeiro.

[Evolução de Monstro detectada. 1 Carga será usada para aprimorar a evolução. 2 cargas restantes. A Evolução só pode ser aprimorada uma vez.]

Com um sorriso grande no rosto, Eiro se levantou de novo.

— Vocês estão pesquisando quais pedidos para assumir, né? Escolham alguns pedidos de exterminação. — O Diabrete disse enquanto os três membros do grupo olhavam para ele, ainda em cima da mesa.

— O quê? Pelo menos nos conte o que aconteceu primeiro! Você acabou de inserir sua mana aí, certo? — Jess perguntou e Eiro olhou para ela com um sorriso.

— Oh, claro. Comecei minha evolução única e consegui aprimorá-la com este orbe, mas ainda há mais dois neste lugar que precisam evoluir um pouco.

— Então, isso era um aprimorador de evolução… sério? — James questionou, sentindo-se orgulhoso por ter conseguido entender o que Eiro queria dizer quando mostrou a folha de papel para ele e o Demônio assentiu, apesar de que Krog ainda tivesse algo mais a dizer.

— Espera aí, esqueça essa merda. Mais importante, você está dizendo que quer usar essa bola para fazer o slime e o goblin evoluírem para coisas melhores?

— Exatamente. Quero dizer, no que mais usaremos isso? A evolução de um monstro significa mudar tudo nele. Na maioria das vezes, o valor do atributo básico aumenta e este é o caso para evoluções raras ou únicas. Então, podemos tornar Gobo muito, muito mais esperto, esperançosamente, e a habilidade do slime de se transformar aumentará. Será muito útil.

Assim que Eiro disse, os três se olharam em cima da mesa e, logo depois, James falou algo que todos pareciam querer saber.

— Aliás… Você continua dizendo quão ‘útil’ os Goblins serão para você no futuro, mas nunca mencionou para o que exatamente quer usá-los. — O Elfo da Luz comentou e Eiro olhou para eles.

Ele olhou ligeira para Nelli e Gondos, que o encaravam com expressões que também indicavam que queriam saber a resposta. O Diabrete pensou que não custava nada dizer isso em voz alta naquele momento. Isso talvez fortalecesse sua determinação.

— Hm… na verdade, é bastante simples se você pensar sobre isso. Embora, talvez, não seja tanto se não sabe tanto sobre mim… Vou direto ao ponto… Eu quero matar o Rei dos Monstros.

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