A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 195

A Virtude do Demônio

— O que diabos é isso? — Krog perguntou sem hesitar, enquanto James e Jess ainda escavavam a pele de pedra de Eiro. Com um leve sorriso, o Demônio começou a explicar.

— Outra habilidade minha. Consigo me fundir com meus espíritos, muito legal, né?

— Muito legal? Muito… legal? — Jess repetiu. — É insano, absoluta e completamente insano! Eiro, como você consegue fazer todas essas coisas malucas e impossíveis? — A jovem questionou, tentando não enlouquecer com a visão à sua frente e Eiro sorriu enquanto cruzava os braços e encerrava a fusão.

— Não sei se posso contar o que consigo fazer, mas contarei assim que eu sentir que posso. É uma habilidade importante que usarei muito no futuro, então não sei como evitar que vocês descubram sobre. — Eiro comentou entrando no grande barril de madeira, o que foi ignorado pelos outros até agora.

Aparentemente ainda confusos, os outros seguiram Eiro para o amplo espaço além do barril, cujo tamanho surpreendeu até mesmo Eiro. Isso era muito além do que o Demônio esperava. Havia gaiolas em todo o lugar e ele não tinha certeza se estava em uma prisão ou um zoológico. Pelo menos, parecia haver gaiolas tanto para monstros como para animais.

Felizmente, havia espaço mais que suficiente para manter monstros de qualquer tamanho, então todas as aranhas teriam um bom lugar aqui. Era escuro e frio, mas pelo que Eiro conseguia dizer, isso não seria um grande problema. Não era como se quisesse dar às aranhas um serviço 5 estrelas. Por que iria? Elas nem se importavam se sentavam em agulhas finas ou lã.

Os outros que seguiam Eiro sem pensar encaravam o Diabrete e os dois Espíritos ao seu lado, muito ocupados para processar o que este espaço era.

— Bom, acho que poderemos usar este espaço. Limparei um pouco, vocês vão pegar as gaiolas. — Eiro disse com uma expressão satisfeita e, enquanto Gobo de imediato saía pelo barril para pegar as gaiolas lá de cima, os outros não pareciam ter escutado o que ele falou.

— Pessoal? — Eiro perguntou com uma carranca. — Acordem! — Ele disse, soprando um pouco de vento mágico em seus rostos para despertá-los.

— Hm? — Jess perguntou e Eiro apontou para o barril.

— Vamos lá, peguem as gaiolas. Eu limparei aqui. — O demônio disse e a maga olhou para ele, começando a processar o espaço ao redor deles.

Gaiolas com osso e partes de criaturas antes vivas, agora tão apodrecidas que mal podiam ser reconhecidas como algo que teve vida em algum momento. Isso não era nada deste lugar, pois essa sala era tão grande quanto o salão de baile da mansão. Se Eiro quisesse, poderia colocar todos os habitantes da vila Goblin sem preocupações.

Desse modo, James e Krog também começaram a analisar o que este lugar poderia ser e Eiro explicou sua teoria sobre o que a mansão era em seu nível mais profundo: um círculo mágico que deveria apoiar todos os feitiços espaciais, que eram as coisas mais importantes aqui.

No fim, James fechou os olhos em contemplação e cruzou os braços.

— Então você está tentando dizer que esta sala não é um cômodo subterrâneo criado de forma hábil para mantê-lo escondido das pessoas, mas um espaço criado por um Choromante? — James questionou e Eiro assentiu.

— Sim, esse espaço é impossivelmente grande e o mesmo deve ser o caso para todos os outros cômodos escondidos. — O Diabrete explicou. — Mas, de novo, vão em frente e peguem as gaiolas, por favor. Irei limpar o local e não acho que será muito agradável se vocês ficarem aqui enquanto faço isso. — Eiro adicionou. Ele balançou sua mão e usou magia de vento para aumentar a força das rajadas, fazendo com que uma nuvem grossa de poeira subisse e cobrisse a visão de todos.

— Puta merda… — Krog exclamou, segurando os braços na frente do rosto e Eiro suspirou.

— Ele puxou o ar para o lado e fez a poeira se levantar atrás dele.

— Me desculpe por isso — Eiro disse e voltou com um pequeno sorriso na face, mas Krog o encarou.

— Oh, você não está nem um pouco arrependido por isso, está? — Ele comentou com uma carranca e Eiro deu de ombros.

Eles escolheram seguir a sugestão de Eiro, saindo pelo grande barril de madeira para pegar as gaiolas com as aranhas. Assim que todos saíram, Eiro começou a expirar ar infundido com Magia de Vento para criar rajadas fortes que conseguia controlar.

Ele girou e torceu magia de vento pela sala, fazendo com que reunisse toda a sujeira que estava ali, estivesse dentro ou fora das gaiolas, ou melhor, das celas. Depois de reunir tudo, puxou tudo na sua direção, tentando comprimir a poeira em uma pequena bolsa que, por enquanto, empurrou para o canto da sala.

Depois de se livrar de toda a poeira, Eiro caminhou até a primeira gaiola para se livrar do restante do que quer que estivesse aqui antes. O odor era desagradável e as larvas cavando os resquícios de carne não eram nada agradáveis de se ver ou escutar. Por ora, Eiro recolheu tudo usando Magia de Água e levou com ele, repetindo o processo com os outros resquícios de humanos ou monstros. Havia partes em que Eiro se interessou um pouco, como alguns pedaços de monstros que não apodrecem com o tempo, como garras e chifres, apesar de que os ossos não eram tão interessantes.

Eiro levou tudo, exceto as partes interessantes, usando Magia de Água e colocou as partes que lhe interessavam em uma mesa depois de limpá-la, saindo da sala escondida. Nesse meio tempo, os outros chegaram com as primeiras gaiolas, quase se engasgando ao ver toda a carne podre e ossos flutuando na frente deles. Eiro suspirou e seguiu por uma das passagens ocultas para chegar ao térreo.

Levou toda a carne para os jardins e as colocou no solo com uma camada extra de rochas para que não estragassem a grama. Ele tentou remover toda a água que havia despejado naquela massa podre. Eiro olhou para a carne agora seca e retirou seu gerador de faíscas, criando chamas grandes e as jogando na carne.

Eiro continuou queimando até que não sobrasse mais nada, tentando aumentar o calor por meio de magia o máximo possível, enquanto mantinha seu foco em cada pedaço de carne. Demorou cerca de vinte a trinta minutos até que tudo se tornasse cinzas e Eiro enterrou as coisas que não queimaram tão bem.

O Diabrete se virou e voltou para dentro e durante o seu caminho de volta até o porão pegou a última gaiola que ainda restava. Entrou na sala oculta e viu todos esperando por ele.

— Certo, perfeito. Vamos colocar esses caras dentro das maiores gaiolas aqui. Não parecem hostis uns aos outros, então é provável que possamos mantê-los na mesma gaiola. — Eiro comentou. — Oh, com exceção desse carinha aqui. — Disse, pegando a pequena gaiola de passarinho que continha a Devoradora de Ferrugem. Esta era a única que Eiro queria manter consigo por mais um tempo para que pudesse se acostumar com ele e para que o Slime conseguisse pensar em uma forma de selar sua monstruosidade com mais facilidade. Assim que conseguissem descobrir como selar qualquer uma dessas aranhas, não seria tão difícil selar as outras, mas Eiro queria usar o fio metálico produzido pela Devoradora de Ferrugem depois que ela é alimentada com metal, por isso queria mantê-la com ele.

Começaram a carregar as gaiolas até as celas e começaram a soltá-las.

Satisfeito, Eiro olhou para todas as aranhas, feliz que agora tinha um lugar adequado para mantê-las.

— Isso está funcionando muito bem. — O Demônio disse e James zombou com a forma casual com que Eiro falou.

— Uhum, você pode dizer isso. Isso é muito insano, não é? Quero dizer, quão sortudo você é para receber uma mansão tão grande como essa e, além disso, é provável que ela tenha o dobro do tamanho que deveria porque o cara que costumava viver aqui era a porra de um Choromante.

— Exato, quão fodidamente sortudo você é? — Krog adicionou e Jess estreitou os olhos enquanto olhava para o demônio.

— Se houvesse um atributo de Sorte, você o teria maximizado… — Jess suspirou e Eiro só riu em resposta.

— Entendo o que querem dizer. — ele respondeu e olhou para todas as pessoas na sua frente, cruzando os braços. — E, de qualquer forma, não culpem tudo como sorte. Eu trabalhei para conseguir isso, sabia? — Eiro ressaltou, saindo pelo barril, sendo seguido pelos outros. — Bem, de qualquer modo, por agora vamos dar uma olhada nas outras salas ocultas. Gostaria de ver que outras facilidades úteis tenho aqui. — Ele comentou e seguiu em frente, caminhando em direção às escadas do outro lado desse cômodo, desde que dessa vez eram a forma mais rápida de chegar à sala escondida mais próxima.

Eiro começou a procurar por toda a casa mais uma vez, procurando por esses espaços adicionais mágicos.

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