
Volume 3 - Capítulo 192
A Virtude do Demônio
Eiro parou na frente da sua nova mansão junto das suas crianças, assim como seu grupo. Eles haviam acabado de chegar ali depois que Solomon confirmou que ela estava pronta e o Rei enviou alguém com eles para se certificar de que eles chegassem e soubessem sobre cada parte desse lugar.
O homem que foi enviado com eles estava abrindo a porta da frente, enquanto as crianças começavam a carregar suas bagagens pelas escadas na frente da porta, ao mesmo tempo que o grupo de Eiro permaneceu ali perplexo.
— Is-Isso… — Jess murmurou. — Essa é a sua casa agora? — Ela perguntou e Eiro olhou para ela com um leve sorriso, assentindo.
— Parece que sim. De qualquer forma, vamos dar uma volta pelos fundos, por enquanto, até o jardim. Há um bom local ali onde podemos deixar a carruagem e então descarregar tudo depois. — O Demônio explicou e olhou para Rudy, que estava mais próximo dele. — Vocês conseguem lidar com as coisas sozinhos? Voltarei em breve, só vamos levar isso para os fundos.
O jovem olhou para os membros do grupo de Eiro e assentiu enquanto olhava para seu pai.
— Sim, tudo bem. Leve seu tempo. — Rudy disse, carregando alguns dos utensílios de cozinha que trouxe escada acima, enquanto Eiro liderava os outros até os fundos.
Eles pararam a carruagem em uma parte da mansão que parecia os ‘estábulos temporários’, onde poderiam deixar seus cavalos ou carruagem dentro da mansão por um curto período, para que não precisassem levá-los até os estábulos.
Após se certificarem de que as gaiolas estavam em boas condições e que as aranhas não estavam com muito frio, Eiro caminhou pelas escadas da entrada dos fundos e entrou. Ainda havia alguém limpando o cômodo aqui e tinham aberto a porta para deixar ar fresco entrar.
A mulher limpando se assustou e olhou confusa para o grupo.
— Com licença, mas posso ajudá-lo? — Ela perguntou e Eiro balançou a cabeça.
— Não, está tudo bem, mas é um prazer conhecê-la, sou Eiro, o novo Mestre dessa casa. — O Diabrete explicou, esticando a mão para ela e, ainda bastante assustada, a empregada olhou para o homem à sua frente.
Parecia que ela não acreditava no que Eiro disse, afinal, ele não era um nobre, e um plebeu comum não conseguiria viver dentro deste tipo de lugar.
Alguns momentos depois, o homem que Solomon enviou com Eiro e os outros entrou por outra porta do corredor e confirmou as palavras dele.
— É verdade, esse homem é o novo Mestre desta mansão. Trate-o, seus companheiros e suas crianças com honra, se desejar. Ele é um amigo pessoal de sua Majestade Real.
Após escutar esse homem influente, o qual a mulher conhecia, ela se curvou na frente do Eiro.
— Me perdoe pela minha grosseria! Terminarei o meu trabalho e sairei! — A mulher exclamou, se virando sem apertar a mão que Eiro ainda estava oferecendo, então o Demônio deu de ombros, suspirou e prosseguiu.
— Mestre Eiro, tem certeza de que não deseja manter alguns do pessoal que sua Majestade ofereceu? — O homem perguntou, mas Eiro respondeu sem nem hesitar.
— Tenho certeza. Não quero ninguém em quem não possa confiar aqui, me desculpe. Procurarei pelo pessoal que quero que trabalhe aqui por conta própria. — O Diabrete disse sem pestanejar e o homem assentiu.
— Entendo. Então, respeitarei seu desejo.
Agora que isso foi cuidado, o grupo continuou pela mansão. Parecia que as crianças já estavam escolhendo seus quartos e explorando o resto da casa, agora que tudo estava preparado e limpo, o que não era o caso da última vez que vieram aqui.
Eiro também estava olhando o lugar e estava feliz de ver que as partes mais escondidas dessa mansão não foram descobertas. O motivo para Eiro poder se mudar para essa mansão era simples: ninguém mais queria morar aqui e havia múltiplos motivos para isso.
Primeiro, esta era uma das poucas mansões nobres que não estava dentro da parte intermediária da cidade, onde a verdadeira área urbana se localizava, mas dentro da parte mais externa. Isso significava que, no caso de acontecer um ataque de monstros, essa mansão seria a primeira a cair e isso era um pouco arriscado demais para a maioria dos nobres, mas Eiro não se importava com isso.
A área mais externa era enorme, tão grande que havia até florestas dentro dela. Claro, elas não eram tão grandes se comparadas às que poderiam ser encontradas fora da cidade, mas a floresta cercando Eiro e os outros ainda era suficiente para fornecer a eles a privacidade que Eiro queria. E esse também era parte do motivo que levava à segunda razão para outros não quererem morar aqui.
A pessoa que morava aqui antes tinha bastante interesse em realizar diferentes experimentos mágicos. Parecia que ele era uma pessoa que músicos classificariam como excêntrica, ou como Eiro escutou ele sendo descrito, ‘extremamente louco’. Depois que ele morreu por meio de um de seus experimentos, ninguém quis viver aqui por conta do que poderia se esconder dentro das passagens e áreas ocultas que todas as mansões tinham.
Elas foram criadas, em sua maioria, como passagens de emergência, mas quando as pessoas eram conhecidas por fazerem coisas obscuras, essas passagens ocultas eram associadas a ‘covis do mal’ ou ‘laboratórios de magos enlouquecidos’ ou algo do tipo.
Bem, nesse caso elas não estavam erradas, embora não pudessem confirmar isso. Foi confirmado múltiplas vezes que não havia salas escondidas sob essa mansão, então esses ainda eram rumores.
O fato de que esses rumores eram verdadeiros era desconhecido até mesmo para Solomon, desde que todas as salas e passagens estavam ocultadas com o uso de uma magia especial. Em particular, a parte escondida da biblioteca era algo com que Eiro tinha bastante curiosidade. Ele não teve a chance de explorar todos esses lugares ainda, algo que faria o mais rápido possível.
De qualquer forma, os motivos que dissuadiam as pessoas a não quererem se mudar para esse lugar eram, na verdade, os motivos pelos quais Eiro achou esta mansão perfeita. Eles estavam longe da cidade e não poderiam ser incomodados, então ele poderia caminhar sem máscara ou fazer com que suas crianças praticassem suas habilidades únicas no jardim, sem ter que se preocupar com alguém notando isso. Por causa disso, se houvesse alguém que soubesse algo que não deveria, Eiro seria capaz de encontrá-los. Caso contrário, poderia haver vizinhos ou moradores da cidade que poderiam perceber algo que Eiro não estivesse prestando atenção.
O motivo para Eiro achar essas passagens ocultas intrigantes era óbvio, havia muitas coisas que queria manter escondidas, então isso era perfeito. O único problema era que Eiro teria que limpar todas essas salas sozinho, porque as coisas ali poderiam ser perigosas demais para as crianças se elas o ajudassem.
Bem, Rudy e Sammy, talvez, ele poderia confiar que esses dois não atrapalhariam, mas quanto aos outros… era arriscado demais. Mesmo com Felix havia muito risco, apesar de que Eiro o conhecia bem o suficiente para saber que ele não era do tipo que fazia piadas ou bagunçava como Clementine e Arc poderiam fazer, mas por conta do seu estado atual, poderia haver alguns problemas de comunicação que poderiam fazer um grande estrago se não tivessem cuidado.
E, no fim, mesmo que fosse cauteloso, poderia haver coisas que Eiro ainda não queria expor às crianças. Então, preferia fazer isso por conta própria.
Assim que Eiro estava pensando no uso que essas salas poderiam ter, Krog deu voz ao que estava impressionado.
— Isso é tão maluco, caralho… Por que você consegue viver nessa mansão e nós temos que ficar em algum apartamento de merda alugado na cidade? — Ele perguntou e Eiro o olhou com uma carranca.
— Apartamento alugado de merda? Já fui lá uma vez com vocês e era duas vezes maior do que a caixa em que eu e as crianças, além de um velho rabugento, vivemos por sete anos. Pare de reclamar, mas se quiser, pode ficar aqui também. — O Diabrete disse com um leve suspiro e o trio o encarou perplexo.
— … O quê? Você quer que nós vivamos nessa mansão com você? — Jess questionou e Eiro deu de ombros.
— Claro, por que não? Há espaço mais que suficiente.
— Isso é de fato verdade. Há muito espaço para morar aqui. — O homem que foi enviado por Solomon confirmou, como se ainda tivesse que vender essa casa para eles, e James continuou encarando o Demônio com o cenho franzido.
— Tem certeza de que essa é uma boa ideia? Quero dizer, não vou reclamar sobre viver em uma mansão, mas e as suas crianças? Nós só as encontramos uma vez e não parece que elas possuem memórias positivas daquela época. — O Elfo da Luz comentou e Eiro assentiu devagar.
— Sim… conversarei com elas sobre isso, mas duvido que isso seja um problema. Num futuro próximo, vocês ficarão bastante aqui, de qualquer forma, não importa se moram aqui ou não.
— Ah, isso é verdade… — Jess respondeu. Eiro acenou com a cabeça e continuou caminhando pela mansão, apresentada pelo humano na frente deles.
Por ora, Eiro estava tentando espalhar sua mana o máximo possível, para que conseguisse usar o mesmo método de detecção mágica que costumava para reunir mais informações sobre as passagens secretas dentro da casa. Ele sabia que elas estavam ali, só não sabia como se pareciam. Na verdade, qualquer tipo de informação ajudava.
Desse modo, Eiro estava tentando fazer isso com a ajuda de magia de vento, mas ficaria grato se o homem fosse embora, para que pudesse explorar ativa por conta própria.