A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 190

A Virtude do Demônio

— … Oi…? — O recepcionista perguntou com um sorriso irônico. — Estou falando do monstro que gerou todas aquelas aranhas na floresta.

— Sim, eu também. — Eiro respondeu irritado. — Você não precisa parecer tão surpreso, cara. Não é um mal-entendido. Eu matei aquele monstro, há pedaços dele na sua frente. Se quiser, pode enviar alguém para confirmar, desenharei um mapa para mostrar onde foi. De qualquer forma, aquela aranha agora está morta.

— Um único grupo de rank B… composto por quatro rank C… na verdade lutou contra ondas de aranhas e um Monstro Nobre? — O recepcionista questionou, um tanto desconfiado, e Eiro rosnou alto. Ele retirou um pedaço de papel e uma caneta da sua bola e os colocou em cima do balcão plano. Começou a desenhar um mapa do local em que a Rainha Aranha estava antes. O cadáver ainda estava lá, afinal. Eiro não se importava muito com ele.

Assim que terminou o simples mapa, entregou ele para o recepcionista.

— Aqui está. Envie algumas pessoas para checar se quiser. — O Demônio apontou e, depois de olhar para o pedaço de papel, o recepcionista assentiu.

—… Nós iremos, sim. De qualquer maneira, devido à grande quantidade e variedade de materiais, não acho que conseguiremos concluir tudo hoje. Volte amanhã ou depois de amanhã, quando já tivermos verificado suas alegações. — O recepcionista exclamou. Eiro assentiu e olhou para James.

— Você o escutou. Vamos lá. — Eiro disse, virando e caminhando até a porta. James o seguiu enquanto os funcionários da guilda separavam os materiais que Eiro entregou de forma preventiva.

Quando Eiro e James saíram, eles se encontraram com Krog e Jess, contando o que aconteceu para eles e entregando seus cartões da guilda.

— O que? Precisamos esperar que os materiais sejam separados? — Jess perguntou incomodada, e Eiro deu de ombros.

— Não tenho certeza. Acho que conseguiriam terminar em cerca de uma hora, mas só querem assegurar que os materiais são de fato da Rainha Aranha.

— Ah… — Jess murmurou, e foram com Eiro para a estrada.

— Bom, de qualquer forma, seguiremos em direção ao castelo por agora. Acho que vocês três terão que esperar do lado de fora com a carruagem, já que duvido que eles me deixem entrar com ela. Devo ter um lugar pronto para onde podemos levá-la, mas preciso confirmar primeiro.

— Você não vai comprar um depósito? —James perguntou e Eiro balançou a cabeça.

— Por que eu deveria? O lugar para onde estamos nós mudando é grande o suficiente para guardarmos tudo.

Ao escutar o que Eiro falou, Avalin virou a cabeça, animada, na direção deles.

— Uhum! Nós fomos visitar antes, e é enooorme! Era maior e melhor do que qualquer coisa que eu já vi!

— Mas o castelo não é maior? — Leon comentou em resposta e Avalin olhou para ela com um olhar penetrante.

— Eu já disse. Era maior. E melhor. — Ela disse, estreitando os olhos. Eiro suspirou e olhou para Avalin sentada nas costas de Lugo.

— Claro que é. É um lugar muito legal. Vocês três vão entender o que quero dizer. — Eiro comentou.

Não demorou muito par o que o grupo chegasse no portão do castelo, quando Eiro pegou Avalin e Leon das costas de Lugo, assim como a bagagem deles.

— Voltarei em breve. Lugo, Gobo, comportem-se. — Enquanto escutava um berro irritado de trás, Eiro se aproximou do portão. Ele mostrou o broche aos guardas e recebeu permissão para entrar junto com as duas crianças, indo em direção ao castelo em si.

Nesse ponto, Eiro começou a sentir suas crianças ao redor do castelo. Arc estava do lado de fora, praticando com sua espada, Rudy cozinhava na cozinha, Sammy estava na biblioteca com Felix, e parecia que Clementine estava sozinha com o jovem príncipe Charles.

Eiro não tinha certeza do que eles estavam falando, mas ainda ficou um pouco curioso. E nervoso.

Ele não gostava que um garoto que não conhecesse estivesse se dando tão bem com sua filha. Felix já era um caso diferente, já que Eiro teve a chance de observá-lo 24 horas por dia durante o tempo que viajaram, então tinha certeza de que ele era um garoto muito bom, mas ainda não tinha certeza sobre Charles. Dizia-se que ele era uma pessoa muito desagradável, afinal.

O Diabrete subiu as escadas na frente do castelo e entrou pelas portas que foram abertas por um servo. Eiro olhou para Leon e Avalin com um sorriso e os ajudou a subirem as escadas para o segundo andar.

Eiro caminhou até o quarto em que as crianças estavam ficando e abriu a porta, deparando-se com Charles e Clementine conversando um com o outro.

— Não se preocupe, eu não escutei o que estavam conversando. — Eiro exclamou assim que entrou, e Clementine pulou antes mesmo que ele conseguisse terminar sua sentença.

— Você voltou! — Ele gritou, correndo até Eiro e o abraçando com força.

— Sim, estou de volta. — Ele respondeu e Avalin abraçou a perna de Clementine.

— Não abrace só o papai, eu também estou aqui!

— Claro que sim! Desculpa, venham aqui, vocês dois! — Clementine disse com um sorriso brilhante, enquanto soltava Eiro, se ajoelhava no chão e abraçava as duas crianças.

Ao mesmo tempo, Eiro olhou para Charles.

— É bom te ver também. — Ele disse e o príncipe se levantou-se. Ele ainda tinha alguns problemas com sua nova perna, mas estava bem. Estava lidando bem o suficiente, assim como Eiro esperava. Seu corpo estava destruído, afinal, em termos de energia. Seja qual fosse a maldição lançada sobre Charles, ela parecia dificultar a adaptação dele e, no momento, o resto da maldição ainda estava se manifestando.

— Também é bom te ver de novo. — Charles disse com um leve sorriso. Eiro não havia o visto sorrir tão genuinamente desse modo antes, ele apenas levantava um pouco dos cantos da sua boca, mas nunca era um sorriso caloroso como aquele. Isso era um bom progresso, na opinião do Demônio.

De qualquer modo, Eiro se virou de novo para Clementine.

— De qualquer forma, desculpa, mas posso pedir que cuide desses dois um pouco? Quero ver Solomon e perguntar sobre a mansão.

— Certo, claro que sim! Na verdade, ele veio até nós e disse que ela deveria ficar pronta enquanto você estivesse fora! — Ela exclamou animada e Eiro sorriu.

— Sério? Bom saber disso. Obrigado por me informar. — O Diabrete respondeu animado. Ele estava feliz pelo fato de que teriam um lugar para chamar de lar de novo.

— Bem, então estou indo para lá agora. — Eiro disse e se virou, com um sorriso escondido por sua máscara, mas Charles o impediu.

— Espere! Há alguém com o meu pai agora, mas não sei quem é. Apesar de parecer bastante importante, eu acho? — Charles explicou e Eiro olhou para ele com curiosidade.

— A amante dele?

— O quê? Não! Não é a amante dele! Meu pai não tem uma amante! — O jovem exclamou, então Eiro deu de ombros.

— Então não deve haver problemas se eu entrar sem avisar. Obrigado. — E com isso, Eiro saiu, fechando a porta atrás dele. Caminhou pelos corredores do castelo, logo chegando ao escritório de Solomon, mas Eiro achou muito suspeita a mulher ali dentro.

Porque ela era muito mais difícil de perceber do que Solomon. Por um tempo, na verdade ele não a sentiu, apesar do fato de parecer que ela não fazia nada para causar isso. Ela estava parada, mesmo que estivesse caminhando aqui e ali. Ela se movia e falava mais do que Solomon, mas Eiro tinha dificuldade em notar a presença dela.

Portanto, o Demônio bateu na porta.

— Solomon. Sou eu. — Eiro disse e, sem ter que esperar, a porta foi aberta pela mulher em questão, enquanto Solomon se levantava da sua escrivaninha.

— Eiro! É bom ver que voltou! No momento perfeito, na verdade. Há alguém aqui que eu gostaria que conhecesse! — O Rei explicou e apontou para a mulher que matinha a porta aberta para o Demônio.

— Esta é Evelyn James. Semelhante a você, ela participará do torneio no próximo verão e é uma das candidatas favoritas ao topo. — Solomon explicou. Eiro encarou a mulher madura na sua frente. Ele não sabia por que pensou que ela era madura, dede que ela parecia ter cerca de 25 anos, mas foi isso que pensou instintivamente. Ela era um pouco mais baixa do que Eiro e tinha um corpo com proporções que ele não via com frequência. O termo ‘sedutora’ veio à sua mente e Eiro continuou se perguntando se ela não era a amante de Solomon.

— Entendo… — A mulher falou. Sua voz também tinha um tom madura, embora agradável e melódico. — Outro Portador de Carta. Interessante.

Eiro olhou para a mulher, examinando todo o seu corpo e soube que ela tinha uma Carta, também sabia que ela estava com a Carta em sua forma ativada. Havia pequenas diferenças na sensação emitida pela Carta quando estava ativa ou não, e definitivamente estava ativa.

Então, avistou o pequeno amuleto que Evelyn vestia.

— A Rainha de Paus, a Pedra de Sangue. Não achei que deveria ser um amuleto. — Ele comentou e Evelyn balançou a cabeça com uma risada impressionante.

— Não é, mas tenho contatos que conseguiram providenciar isso. Isso a torna muito mais eficiente e fácil de usar, sabia? Preciso assegurar que esteja na minha forma de pico, afinal, sou uma Feiticeira da Pedra de Sangue.

— Feiticeira da Pedra de Sangue, é mesmo? — Eiro repetiu. Ele não se importava muito com a forma como ela se chamava, entretanto, sabia que tinha que ficar atento com essa mulher, já que o amuleto em que ela depositou a pedra de sangue vermelha era coberto pelas mesmas Runas Arcanas que o pequeno orbe de metal que Eiro encontrou dentro do corpo da Rainha Aranha.

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