A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 189

A Virtude do Demônio

— Ei. — Eiro disse com a voz alta enquanto olhava para o recepcionista da guilda. — Venci essa luta, certo? — O Demônio perguntou e recebeu sua confirmação.

— S-Sim, é claro… Na verdade, é bastante incomum ver alguém derrotar um instrutor dessa forma. Apenas isso é suficiente para mostrar que sua força é mais do que o suficiente para estar no rank C, mas ainda precisamos confirmar suas declarações sobre ser capaz de suar cinco tipos diferentes de magias. Isso pode ser feito através de uma simples demonstração no nível da sua escolha, ao invés daquilo que sugeri antes. — O recepcionista disse, enquanto Eiro soltava o ladino, que continuava o encarando com fúria fervente.

Pelo menos era o que pensava a princípio, mas não, em vez de fúria… ladino sentia entusiasmo. Pelo menos, ele tinha esse tipo de sorriso no rosto oque Eiro não havia percebido antes. Era estranho e o deixou desconfortável. De qualquer modo, Eiro apenas se virou para o recepcionista.

— Certo… — O Demônio disse e estendeu a mão para Nelli. A Náiade moveu suas mãos ao redor e criou um pouco de água, que Eiro controlou. Ele fez a água flutuar ao seu redor, controlando seu movimento com as mãos e dedos. Depois disso, começou a aquecê-la até ferver, disparando-a na direção de um dos bonecos de treinamento colocados contra a parede, fazendo a água quente congelar ao redor dele.

No instante seguinte, Eiro colocou sua mão na sua bolsa e retirou o gerador de faíscas da sua Tesouraria, fingindo retirá-lo de sua bolsa. Estalou os dedos, criando uma grande chama que estalou todos, derretendo o gelo no boneco. A água desapareceu, se desfazendo em mana.

Depois disso, com um movimento rápido de sua mão, Eiro puxou as chamas na sua direção e as extinguiu antes delas atingirem ele. Utilizando o movimento do ar criado pelas chamas, o Diabrete fez o vento em si acelerar cada vez mais.

O vento se transformou me um pequeno tornado no centro da área. Puxando poeira e terra do chão, Eiro, com um movimento veloz, retirou um grande pedaço de pedra do chão enquanto dispersava o tornado. Dessa forma, Eiro terminou de mostrar suas habilidades mágicas com os cinco elementos de forma simples. Ele não mostrou técnicas verdadeiras, além de ferver a água para congelá-la mais rápido, mas isso não era um conceito contra o qual se podia fazer muita coisa.

De qualquer forma, Eiro olhou de volta para o recepcionista, que anotava tudo, mais do que impressionado com o que viu.

— Eu… entendo, devo admitir, não esperei algo desse nível. ‘Conjuração Física’ é algo que as pessoas usam para revestir seu corpo, como uma camada protetora extra de rochas na pele, ou revestir seus punhos em chamas para causar mais danos, mas isso… isso foi bastante extraordinário, mesmo assim, ainda podemos pedir que crie um círculo mágico simples? Depois disso, podemos voltar lá para frente e finalizar sua promoção de rank. — O recepcionista explicou. Em instantes, Eiro assentiu e esticou a mão para frente.

Moveu os dedos ao redor e criou um círculo mágico dentro de alguns segundos, disparando uma rajada de vento com sua ajuda.

— Oh? — O recepcionista murmurou, levantando a cabeça da folha de papel. — O que acabou e acontecer? — Ele questionou, olhando para os outros funcionários da guilda, que encaravam Eiro com uma mistura de confusão e admiração.

— Você não viu? — Eiro perguntou e o recepcionista voltou sua atenção para ele.

— Vi o quê?

— Eu acabei de fazer um círculo mágico.

— Não, você não…

— Sim, eu fiz.

— Sr., se você- — Com um resmungo profundo, Eiro interrompeu o recepcionista ao repetir o mesmo processo. Dentro de alguns segundos, um círculo mágico apareceu na frente da mão do Demônio, mais uma vez criando uma forte rajada de vento.

— Isso… entendo… me desculpe pela inconveniência. Você passou. Parabéns, Sr. — O recepcionista disse com um sorriso nervoso e Eiro suspirou, caminhando de volta até a porta com ao lado dele.

Antes de sair, o ladino com quem lutou tentou segurar seu ombro.

— Encoste em mim e eu corto fora os seus dedos sujos. — O Diabrete disse sem se virar ou parar e o ladino apenas começou a rir.

— Hehe… Claro que iria… — O ladino riu, deixando Eiro ainda mais desconfortável. Bastante incomodado, o Demônio se virou e olhou para o ladino.

— Então? O que você quer? — Eiro questionou. Com um grande sorriso no rosto, o ladino estendeu a mão, mostrando um pequeno cartão metálico. Não era um cartão da guilda, mas algo mais. Eiro o pegou para olhar com mais atenção, sem que do dedo do ladino cobrisse metade do cartão e então olhou de volta para o homem com uma carranca.

— O que é isso? — Eiro perguntou e o ladino continuou olhando para ele com um sorriso amplo.

— É um convite…! Para aqueles como nós que gostam de lutar. Deixo para você decidir onde e quando será nossa próxima reunião. — O ladino sorriu e saiu pelo corredor, na frente de Eiro e do recepcionista.

Parecia que nenhum dos outros escuravam o que o ladino disse, apesar de que alguns viram Eiro recebendo um cartão, o ‘convite’. Isso parecia bastante interessante, então talvez devesse investigar outra hora.

Por hora, isso não importava. Eiro seguiu o recepcionista até a frente de novo, apenas alguns minutos depois de partir.

Com uma risada e uma expressão lamentável, outra recepcionista olhou para Eiro.

— Voltou tão rápido, entendo?! Não se preocupe com isso, acontece com muitos. Mais sorte na próxima vez! — Ela disse e Eiro passou por ela com um olhar penetrante.

— Cala a boca, idiota. Eu passei. — O Demônio respondeu, sem querer que essa recepcionista falasse com ele dessa forma. Preferiria ter passado sua adaga contra a garganta dela por isso, mas, no fim não importava, então apenas passou por ela com esse comentário.

— H-Huh? Com quem você pensa que está falando, isso é inaceitável! — A recepcionista exclamou e Eiro se virou com um suspiro profundo.

— Escuta aqui, o seu trabalho não inclui ser uma vadia irritante. Essa é apenas a minha forma de recusar esse serviço extra. Então, cale a boca e me deixe em paz. Há outras pessoas que precisam da sua ajuda. — Eiro suspirou irritado.

— Clama, calma, por favor, não lute com um dos nossos funcionários, Sr. — O recepcionista que atendia Eiro disse com uma expressão estranha e virou algumas vezes para olhar para sua colega, enquanto movia os lábios para insultá-la.

— Oh, já voltou? — James questionou, virando a cerveja que havia pedido enquanto Eiro estava longe e o Demônio apenas assentou.

— Uhum. Foi bastante fácil, como esperado. — O Diabrete comentou enquanto recebia uma bolsa cheia de pacotes com moedas que James recebeu pelos materiais. Eiro distribuiria igualmente mais tarde, afinal, não estava precisando de dinheiro agora.

Alguns momentos depois, o recepcionista veio até Eiro e entrou de volta o cartão da guilda dele, o qual havia sido atualizado para identificá-lo como um aventureiro de Rank C.

— Aqui está, Sr.. Precisa da minha ajuda para algo mais? — Ele questionou e James respondeu.

— Sim, ele se unirá ao meu grupo e assumirá a liderança. — O Elfo da Luz explicou e o recepcionista levantou as sobrancelhas surpreso, tentando seu melhor para não perder o sorriso que tinha ao atender os clientes.

— Entendo… Então, preciso do cartão da guilda de vocês dois. Levará apenas um minuto. Por favor, sentem-se. — O recepcionista disse e Eiro se virou e foi em direção à entrada.

— Pegarei mais alguns materiais. — Ele disse. O recepcionista pareceu um pouco incomodado com isso, mas Eiro e James não se importaram.

O Demônio saiu da guilda dos aventureiros enquanto era observado pelos outros aventureiros com curiosidade, seguir para o lugar em que pararam a carruagem.

Com a ajuda de Krog e Jess, Eiro pegou a maioria do resto dos materiais, deixando apenas o sangue, veneno e cerca de um quarto dos ovos de aranha que reuniu. O resto não era muito útil par o grupo no momento.

Assim, depois de pegar os cartões da guilda de Korg e Jess, para permitir que fossem atualizados apropriadamente com todas as informações de missões concluídas, Eiro voltou para dentro da Guilda carregando ainda mais materiais do que antes.

Foi um pouco irritante porque havia várias pessoas ali e foi difícil atravessar o salão com tudo isso, mas as pessoas logo abriram um caminho quando viram Eiro e o que ele estava carregando.

Eiro colocou tudo no balcão na frente do recepcionista que havia acabado de retornar com o os cartões da guilda, que, mais uma vez, teve dificuldade em esconder o seu claro descontentamento.

— Mais materiais… né? — O recepcionista perguntou e Eiro assentiu.

— Sim. Dessa vez os materiais foram coletados pelo grupo todo.

— … Entendido. — Com um resmuno baixo, o recepcionista começou a separar os materiais, até que se deparasse com o primeiro ovo. Depois o segundo e então o terceiro. Ele olhou para a centena de ovos de aranha na mochila à sua frente e então levantou a cabeça par olhar para Eiro de novo.

— Esses são materiais de qualidade extremamente alta, onde vocês os conseguiram? — O recepcionista perguntou e Eiro o encarou como se fosse óbvio.

— Em uma floresta infestada de aranhas, na cadeia de montanhas alguns dias ao sul.

— Você está me dizendo que foi até aquele lugar e saiu com todos esses materiais nos poucos dias que esteve fora? — O funcionário da guilda questionou e Eiro assentiu.

— Uhum. O que tem?

— Nada, nada, só estava pensando que isso era perfeito! Você talvez possa nos dar informações vitais para encontrar e matar o Monstro Nobre que está dando à luz a todas essas aranhas! Sabia, você teve muita sorte, as pessoas dizem que pode ser do rank Barão ou até mesmo Visconde!

— Visconde? — Eiro questionou com um sorriso irônico sob sua máscara. — Aquela coisa era, no máximo, um Cavaleiro. Talvez até um plebeu. Não era tão forte, só dava à luz a muitas aranhas. Com um pouco de magia de fogo, foram eliminados com facilidade.

— … Oi…? 

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