A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 187

A Virtude do Demônio

Era cedo na manhã e Eiro estava sentado tentando fazer mais magia da natureza fluir através do seu corpo, para que pudesse usar a laje especial o máximo possível. Ele precisaria esperar um pouco então faria outro teste de afinidade para ver o quanto sua afinidade com o elemento natureza havia aumentado, provavelmente aumentou um pouco, mas Eiro não tinha certeza.

De qualquer forma, logo foi “acordado” por alguém encostando no seu ombro. Eiro abriu os olhos, com o som de algo se rasgando, enquanto a casca de árvore que cobria seus olhos era quebrada.

— Sim? — Eiro perguntou, olhando pelas fendas estreitas e colocando a pedra mágica de natureza no chão, permitindo que a magia da natureza desaparecesse dentro dele. Porque aquela que encostou no seu ombro era Jess, que estava ali para avisá-lo de que todos estavam prontos para partir.

O Demônio se levantou e se esticou, tentando se livrar da rigidez que sentia ao se infundir com a magia da natureza.

— Certo, então vamos. — Ele disse e se afastou da laje, vestindo sua máscara e capa. Eiro pegou Leon e Avalin e os colocou nas costas de Lugo.

— Mas como nós faremos isso? Não podemos voltar todo o caminho até a capital com todos esses materiais e monstros vivos. Isso seria impossível. — James comentou com os braços cruzados, mas Eiro só olhou para ele com um sorriso.

— É mesmo? — O Diabrete disse. — Que bom que temos um par de mãos extras conosco. — Eiro apontou enquanto olhava para um certo Hobgoblin e Korg, resmungando resmungou alto.

— Você não quer levá-los conosco de verdade, certo? — Krog perguntou. Eiro olhou para ele e falou sem hesitação.

— Sim, eu quero. As aranhas são um pouco arriscadas, desde que só estão sob o controle de Leon, mas não deve ser um problema com Gobo. Iremos até a cidade mais próxima então vocês três irão na frente comprar algumas carroças.

— Oh… Justo. — Jess respondeu. — O que nós precisamos?

— Acho que devemos comprar uma única grande carroça. Então precisamos de carroças individuais para todas as aranhas. Deixarei o julgamento de tamanho para vocês, isso não deve ser tão difícil, mas certifiquem-se de escolher uma carruagem com espaço suficiente para caber todos os outros materiais. Assim podemos voltar para a capital. — Eiro comentou. — Oh, também precisamos de alguns recipientes para sangue. Comprem o máximo que conseguirem, farei o resto com magia.

— Não iremos colocar Gobo na gaiola? — Jess questionou e Eiro balançou a cabeça.

— Não, não iremos. Quero ver como ele pode lidar com pessoas ao seu redor. Se precisarmos, vou amarrá-lo ao entrarmos na capital, caso contrário, ele irá caminhando.

Enquanto Eiro dizia isso, entregou para Gobo sua capa antiga e se certificou de que o capuz cobria a cabeça dele, para que seu rosto feio de Goblin não fosse visto, então olhou para os outros Hobgoblins.

— Vocês quatro, protejam essa cidade e continuem conversando o máximo que conseguirem na ‘linguagem comum’. — O Demônio disse e os quatro Hobgoblins assentiram enquanto o grupo começava a partir. Eles pegaram as aranhas no caminho, então saíram pelas cavernas.

Assim que saíram, o grupo se dividiu em dois. Como demoraria um tempo para assegurar que as aranhas estivessem seguindo de verdade, o que iria consequente desacelerá-los, James, Krog e Jess foram em frente em direção à cidade para comprar a carruagem que precisavam e levá-la até uma área escondida do lado de fora da cidade para que pudessem reagrupar.

Como seus atributos haviam aumentado um pouco por causa dos aumentos de níveis, eles chegariam na cidade bem rápido. Na verdade, foram tão rápidos que ambos os grupos chegaram ao ponto de encontro quase ao mesmo tempo. Eiro e os outros chegaram primeiro, claro, alguns minutos após os outros. Parecia que Krog estava puxando a carruagem agora, já que usariam Lugo em vez de um cavalo, e como Lugo ainda estava com Eiro, eles não tinham nada para puxar a carruagem até o ponto de encontro.

Krog fez um trabalho muito bom, não foi um problema no fim. Tudo o que tinham que fazer era carregar tudo na carruagem. As aranhas ficaram um pouco irritantes agora que foram colocadas nas gaiolas, já que Eiro disse para Leon parar de tentar manipulá-las e, em vez disso, o ajudou a desativar suas habilidades de novo.

Isso significava que não havia nada as acalmando, então começaram a surtar. Isso não foi um problema, pois cobriram a carruagem com um grande pano e tudo ficou bem.

Agora o que tinham que fazer era puxar a carruagem até a cidade. Eles puderam diminuir um pouco o tempo ao fazer as crianças e Jess montarem nas costas de Lugo e fazê-lo acelerar, enquanto Eiro, James, Krog e Gobo corriam.

Também era uma boa prática para Gobo, desde que ele nunca teve que correr assim. Em vez disso, ficava sentado em algum lugar na vila Goblin. O máximo que ele fazia era caçar de vez em quando.

De qualquer forma, eles conseguiram alcançar a capital dentro dos próximos dias. Eiro ficou feliz que conseguiram voltar tão rápido, desde que Avalin estava ficando mais irritada quanto mais tempo ficavam longe. Ela queria voltar para os outros, mas quando Eiro começou a dizer para ela que estavam chegando, ela se acalmou um pouco, o que tornou o resto da viagem mais tolerável.

Assim voltaram para a capital. No portão da cidade, foram parados para que pudessem averiguar a carruagem.

— Então, por que vocês estão aqui? — Um dos guardas perguntou com suspeita, desde que ele podia escutar alguns sons vindo da carruagem. Eram as aranhas sendo ainda mais irritantes do que o normal, devido aos repelentes de monstros incorporados nas paredes da cidade. Até mesmo Gobo, apesar de ter sua monstruosidade selada, foi um pouco afetado por isso. Embora isso só tenha feito Eiro ficar mais impressionado com o slime, que não parecia ser afetado. Ele só estava sendo irritante por causa do frio de novo.

— Somos aventureiros que moramos nessa cidade. Acabamos de voltar de uma cidade e trouxemos algumas coisas que queremos entregar na Guilda. — James disse enquanto Eiro tentava acalmar Gobo, para que ele não causasse nenhum problema.

— Ah… e isso inclui monstros? — O guarda perguntou com uma carranca enquanto levantava a cobertura da carruagem e James assentiu ao mesmo tempo que retirava a cobertura, aparente surpreendendo bastante o guarda.

— Na verdade, sim. Preparamos uma lista completa dos materiais de antemão. Você pode checar se quiser, mas duvido que encontre erros. — James adicionou e o guarda pegou a folha de papel em suas mãos com uma carranca, olhando depois para a carruagem.

— Bem, há um erro aqui, diz que vocês têm um ‘Hobgoblin da Montanha’, mas este não é o caso. — O guarda disse com uma carranca. — Ou é esse companheiro mascarado aí? — Ele riu e seu colega começou a rir junto dele.

— Parece justo, olhe para ele! Alguém escondendo seu rosto deve ser tão feio quanto um goblin filho da puta! — Ele exclamou e Eiro suspirou irritado enquanto se aproximava dos guardas.

— Oh? O que você quer, carinha? — O guarda, que era uma cabeça mais alto que Eiro, perguntou com um pequeno sorriso. — Escute, não podemos permitir que entrem. Para entrar com monstros na cidade, você precisa de uma permissão especial e isso não é o tipo de coisa que aventureiros de rank baixo como vocês podem ter. Então caiam fora daqui. — O guarda disse e, sem hesitar, Eiro levantou sua mão e socou o homem no estômago, fazendo-o cair enquanto ofegava.

Assim que o outro guarda percebeu o que aconteceu, ele levantou sua lança para Eiro, mas quando fez isso, conseguiu ver o broche do Rei sendo segurado em sua direção.

— Essa permissão é boa o suficiente para você?

— D-Desculpa, meu senhor! Por favor, prossiga! — O guarda exclamou e Eiro o encarou com um olhar profundo. Os outros prosseguiram, enquanto Eiro permanecia um pouco mais. Os dois guardas ficaram um pouco confusos, apesar de que um deles mal conseguia ficar de pé depois de levar um soco tão doloroso, sem nem sofrer tantos danos.

— Ei, idiota. — Eiro disse com um olhar penetrante sob sua máscara e os dois olharam para ele.

— Sim? — Ambos responderam enquanto se levantaram eretos e Eiro sorriu.

— Como vocês dois sabem que são idiotas, tenho certeza de que apreciarão se eu os educar um pouco, certo? — Eiro questionou. — Primeiro, álcool é inflamável, então tenham cuidado para não queimarem o fígado de vocês enquanto deveriam proteger a cidade em que minhas crianças vivem. Segundo, se pensam que causar problemas aleatórios como esse refletirá mal na reputação do meu amigo e benfeitor, seu Rei, então se certifiquem de que façam isso com pessoas que não possuem o poder de matar vocês e todas suas famílias sem que ninguém saiba ou se importe. E por último… — Eiro disse, estendendo as mãos para segurar os dois guardas pelo colarinho da armadura, batendo suas cabeças.

— Parem de xingar na frente de crianças. O que há de errado com as pessoas esses dias? Não sabem que a habilidade de entendimento de linguagem, especialmente de uma criança, se desenvolve mal quando ouve idiotas como vocês falando as poucas palavras que conhecem? É melhor que não digam algo assim na frente das crianças daqui para frente. Fui claro? — O Diabrete perguntou com um olhar profundo e os dois guardas assentiram devagar.

Com uma expressão satisfeita sob sua máscara, Eiro soltou os dois guardas e começou a seguir em direção ao portão… Parecia que sua <Marca da Ira> ficou um pouco mais forte de novo.

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