
Volume 3 - Capítulo 183
A Virtude do Demônio
— Vocês três, cuidem das coisas aqui. Certifiquem-se de que ninguém ouse tocar nas crianças. — Eiro disse enquanto avançava. Ele não queria que a Devoradora de Ferrugem fugisse, desde que era um espécime bastante precioso. Com o fio metálico que poderia produzir, seria capaz de prender todas as aranhas.
Fio metálico era um material incrível para roupas protetoras, o que Eiro deveria encomendar em algum momento. Os itens que Armodeus fez para ele e as crianças só incluíam objetos específicos para o combate, mas não para momentos fora disso e como sempre era necessário ser cuidadoso, Eiro pensou que seria uma boa ideia ter roupas feitas de fios metálicos.
Além disso, fio metálico era bastante precioso e um material que era requisitado em diferentes guildas. Ele não podia desperdiçar essa chance.
Eiro escalou a árvore onde sentiu que a aranha estava. Até mesmo a viu e esticou a mão na sua direção, mas a aranha já havia pulado para longe e escaldo outra árvore.
Era um pouco irritante, mas ele pensou que não um grande problema. Ele ó tinha que seguir a aranha. Após isso, a tentativa de capturar a aranha declinou para uma simples perseguição de gato e rato.
A Devoradora de Ferrugem era muito rápida e devido ao seu tamanho pequeno conseguia escalar lugares que Eiro não conseguia acessar tão fácil. Ele ficou bastante incomodado com o comportamento dela, mas isso mostrava mais um motivo para valer a pena colocar suas mãos nesta aranha e domá-la.
A inteligência de uma Devoradora de Ferrugem era superior à de suas irmãs e se acontecesse de evoluírem em certas direções, era possível que usassem magias.
Eiro ficou bastante animado com essa possibilidade. De qualquer modo, por ora, tinha que capturá-la. O Demônio correu, pulou, agachou e coisas do tipo, mas sempre era incomodado por outras aranhas ou pelo fato de que a Devoradora de Ferrugem ia para lugares que Eiro não conseguia.
No fim, ele conseguiu descobrir o padrão dela e até mesmo controlou o caminho que ela percorria ao persegui-la de formas específicas. Pelo menos era o que Eiro pensava, mas em um momento, a aranha fez algo que ele não esperava: ela começou a cavar um buraco no chão.
Claro, Eiro tentou alcançá-la e tirá-la de lá, mas a aranha conseguiu chegar nas cavernas subterrâneas e com isso Eiro se decidiu. Ele não deixaria que esse pedaço de merda continuasse fugindo.
— Nelli, Gondos, digam para Jess, James e Krog que entrarei no ninho e cuidarei da aranha rainha e algumas aranhas comuns. Ainda haverá o suficiente para eles subirem alguns níveis, mas, primeiro, faça-os esperarem por mim. E depois de os informarem, venham aqui, vocês dois. — Eiro disse com um sorriso irritado, tentando seu melhor para manter sua atenção na Devoradora de Ferrugem e se certificar de que ela não se escondesse.
Alguns momentos depois, os dois Espíritos apareceram ao se lado. O Diabrete estendeu a mão para Gondos, que escolheu afundar no braço de Eiro e apenas no seu braço. Isso era algo que eles conseguiram depois de praticar um pouco. Claro, não era tão eficiente quanto um ‘mergulho total’, mas ainda aprimorava bastante a força da magia de Eiro.
Assim, o Demônio empurrou sua mão no pequeno buraco à sua frente, abrindo-o o suficiente para que conseguisse entrar nas cavernas e Gondos se separou do seu braço. Ainda era um gasto insano de mana, então não poderiam fazer o tempo todo.
— Por que você não usa magia de fogo? — Nelli perguntou enquanto Eiro pulava no buraco e o Diabrete olhou para ela com uma carranca.
— Não quero matar a Devoradora de Ferrugem. — Eiro ressaltou e continuou pelo sistema de túneis. Por ora, tinha que continuar atravessando túneis e matando arranhas e mais aranhas, usando a água de Nelli para congelá-las até a morte enquanto trabalhava em conjunto com Gondos para facilitar sua travessia pelos túneis.
Logo Eiro conseguiu alcançar a pequena Devoradora de Ferrugem. Ela era um pouco irritante e tinha pelos afiados no corpo, mas Eiro a segurou usando alguns panos que não tinham mais importância.
Por agora, só precisava sair pela horda de arranhas congeladas e mortas, da qual mal recebeu experiência, até que se recordou de algo.
‘Compartilhar experiência…’ quando alguém causava mesmo que só um pouco de dano, receberiam um pouco de experiência por ajudar a matar o inimigo.
— Entendo outra razão do porquê a Força Vital é mantida em segredo. — O Demônio disse com um sorriso largo, embora tenha se sentido um idiota por não ter pensado nessa ideia antes. Na verdade, era uma ideia muito boa.
Eiro correu pelo sistema de cavernas e se reuniu com Jess, James e Krog, assim como Lugo e as crianças. Certificou-se de que Leon incluiu a aranha de metal na sua ‘aura’ do amor, para impedia-la de ser agressiva e então a amarrou um pouco mais.
Ela estava tecendo constantemente fios metálicos devido ao medo, os quais Eiro usou para prender o próprio corpo da Devoradora de Ferrugem. Ele precisava de mais um pouco para fazer o mesmo com as outras aranhas, mas isso não era o mais importante agora.
— Vocês três, querem chegar ao ponto em que consigam mudar de classe quando voltarmos para a cidade? — Eiro questionou e o trio olhou entre si, depois voltaram a atenção para Eiro.
— Sim, claro que queremos. Por que não iríamos? — James perguntou com uma carranca e o Diabrete olhou para os potes de gelo que havia feito para manter o sangue das aranhas.
— Então, eu precisaria de algo de vocês. Uma caneca cheia do sangue de vocês, infundido com o máximo da força vital possível. — Eiro anunciou e os três olharam para ele como se ele fosse louco.
— O que di- Por que faríamos isso?! — Krog questionou bastante irritado e Eiro suspirou leve. — Então, vamos começar com uma pequena gota. Krog, morda o seu dedo e me entregue uma gota do seu sangue infundido com o máximo de Força Viral que conseguir. — O Demônio disse e, com uma carranca, o guerreiro pesado fez como pedido.
Assim que Eiro teve certeza de que ele real inseriu sua Força Vital nela, usou Magia de Água para pegar o sangue junto com a Força Vital, é claro.
Depois, o transformou em uma fina agulha que usou para perfurar seu próprio braço.
[-1 de Vida]
Instantaneamente uma notificação azul apareceu na frente de Krog, dizendo que havia causado um de dano em Eiro e o guerreiro ficou muito perplexo.
— Mas, como caral- — Krog disse, mas parou de xingar depois de ver a expressado de Eiro.
— É simples. ‘Vida’ é ‘Força Vital’. Pelo que posso dizer, o maior motivo para podermos causar dano à Vida de outras pessoas é porque também temos Força Vital. Força Vital é o que te faz um ser vivo. Então, qualquer coisa que contenha sua força vital é uma extensão sua. Portanto-
— É visto como um araque funcional, contanto que haja Força Vital envolvida…? — Jess perguntou baixinho e, com um grande sorriso, Eiro assentiu.
— Exato. dessa forma, podemos trapacear um pouco. Irei ajudá-los a extraírem mais um pouco da Força Vital de vocês para que possamos maximizar o dano que vocês causam. Assim, como não estão longe do nível 100, isso pode levá-los pelo menos dois ou três níveis acima desse ponto.
— É… É mesmo…? — Jess murmurou e então suspirou em reposta. — Parece meio que uma trapaça…
— E é, mas quem se importa? Você não está fazendo nada errado. — Eiro comentou e ofereceu sua adaga para Krog primeiro, enquanto fazia uma caneca de gelo para que ele pudesse armazenar seu sangue.
— Vamos lá, grandão. Vamos tentar isso. — Eiro sugeriu e Krog acenou com a cabeça. Ele cortou seu pulso para fazer o máximo de sangue fluir e Eiro o ajudou a manipular sua Força Vital para injetá-la no sangue que jorrava na caneca.
Assim que tinham sangue suficiente, ele e Nelli curaram o pulso de Krog. Então, fizeram o mesmo com James e Jess, até que Eiro tinha três canecas cheias de sangue infundido com Força Vital em mãos.
— Certo, vamos lá. Há uma entrada para o ninho não muito longe daqui. — Eiro apontou e seguiu na direção enquanto começava a misturar cuidadosa o sangue com um pouco da Água que havia pedido para Nelli refinar para isso.
Teve cuidado para não danificar a Força Viral, o que foi um pouco difícil, mas Eiro conseguiu no fim.
Assim que chegaram na frente da entrada da caverna, que era bem no centro daquela área, visto que já estavam na parte principal do ninho, Eiro fez Gondos abrir um pouco mais a entrada e levou a mistura de sangue e água em direção à entrada do sistema de cavernas, mas claro que não era só isso. Em vez disso, Eiro utilizou um feitiço do qual Jess o lembrara recentemente.
Ele transformou a mistura de sangue e água em uma névoa fina que se espalhou pelo todo sistema de cavernas. Eiro tentou espalhá-la o máximo possível, mas ela não alcançava todos os lugares. No mínimo, o cheiro de sangue fez as arranhas se reunirem dentro da névoa.
De qualquer forma, como esse era o caso, tudo o que Eiro precisava fazer era usar a névoa para congelar as centenas de aranhas dentro dos túneis.
Com sorte isso aconteceu rápido demais. Após congelar as primeiras até a morte, Eiro elevou a temperatura para danificá-las com o calor, em seguida congelando-as de novo. Então, repetiu o processo de novo e de novo, enquanto Jess, James e Krog atrás dele observavam a glória das inúmeras notificações de dando aparecendo mais rápido do que conseguiam lê-las.
O mesmo aconteceu com as notificações de aumento de nível. Logo, Eiro parou com o que estava fazendo dentro do sistema de cavernas, quando parou de danificar qualquer coisa e em vez disso olhou para a única notificação que importava neste momento.
[Você subiu de nível!]