
Volume 3 - Capítulo 182
A Virtude do Demônio
— Agora, sente-se e me deixe reparar o seu braço. — Eiro disse com um olhar profundo direcionado a James, que cerrou os dentes e se sentou na rocha que Gondos acabou de fazer.
Eiro se agachou e começou a limpar a prótese de James.
— Entende o que eu quero dizer agora, James? Na sua cabeça você acha que esse braço é perfeito para você, mas isso porque você nunca conseguiu usar suas habilidades desde que perdeu o braço. Agora que suas habilidades funcionam um pouco, acha que tudo é incrível, mas no fim, esse braço não é nada além de um primeiro passo.
— E quais são os próximos passos? — James perguntou com um leve olhar, desde que estava mais do que só um pouco irritado com toda a situação. Eiro resmungou consigo mesmo e retirou a faca de esculpir da sua Tesouraria, cortando um pequeno pedaço da sua própria prótese, pressionando a peça de volta na mão de madeira. — Esse é um deles, pelo menos. Quando recebi essa mão, recebi uma porcentagem de quão bem conectada ela está comigo. Quanto mais essa conexão se torna, melhor consigo usá-la e se torna mais parecida com uma mão real. Em algum ponto, ela começou a se regenerar dessa maneira.
James olhou para a prótese de Eiro e depois para a sua. Com um suspiro, o Demônio começou a arrumar as articulações que James havia quebrado.
— James, sério, pare com isso. Você está me irritando aqui e se não calar a boca e me ouvir enquanto estou conversando com você, arrancarei esse cérebro inútil da sua cabeça. — Eiro sussurrou e depois de arrumar o braço de James se levantou. — Vamos nos mover agora. Vocês lutarão por mais duas ou três horas e então tiraremos outra pausa. Depois disso continuarão até a noite. — Eiro disse enquanto começava a retornar para Lugo, embora Jess tenha reclamado.
— O quê? Tanto tempo?! Mas nós já matamos dúzias dessas aranhas! Já subimos bastante de nível, não podemos parar por hoje?
— … O quê? — Eiro questionou com uma leve carranca. — Você já subiu ‘bastante’ de nível? Sabe, eu subi de nível mais de uma dúzia de vezes depois de derrotar um único inimigo. — Eiro explicou, algo que fez Krog, Jess e James ficarem mais do que confusos.
— Uma dúzia de vezes? Quando foi isso? Que tipo de inimigo era? Foi quando foi libertado? — Jess perguntou confusa. Eiro se virou, olhou para ela e balançou a cabeça.
— Foi há algumas semanas. O guerreiro chefe de Argberg tentou me incriminar por matar alguém que eu queria, mas não matei. Fomos perseguidos por várias forças e, no fim, consegui me livrar de Enka. A forma como consegui isso foi uma pequena trapaça, mas sabe, ele também estava trapaceando, então não me importo.
— Você… — Krog murmurou. — Você matou aquele homem? Enka Markos?
— Uhum, foi o que eu disse. — Eiro respondeu. — Tem algum problema com isso?
— Não, não é isso, mas… Você é muito forte, hein? — Ele perguntou com um grande sorriso. Parecia que de algum modo ele ficou animado e Eiro levantou as sobrancelhas.
— Quero dizer, eu não era ‘eu’ naquele momento. Meus status são muito maiores do que os dele, claro, mas naquele momento eles eram muito abaixo do dele. Eu me fortaleci nas últimas semanas.
— Incrível… Aquele cara, Enka… ele supostamente era um dos homens mais fortes do país, certo? — Jess perguntou enquanto olhava para Krog, que assentiu.
— Sim, ele era. Insano de forte. As pessoas achavam que ele conseguiria se tornar parte do grupo do herói. E Eiro o matou e se tornou ainda mais forte que ele…?
— Do que você está falando? Ele não era tão forte. — Eiro respondeu com uma carranca. — Ele era, no máximo, comparado a um aventureiro de rank B, eu diria.
— Do que você está falando…? Aventureiros de rank B são fortes, claro, mas não tão fortes… — James comentou com uma carranca e Eiro explicou.
— Certo, suponho que não seja um conhecimento comum. Eu sou, ou era, amigo do mestre da guilda na cidade em que vivia. Ele me disse algumas coisas que sabia. Do rank C em diante, a diferença de força se torna insana. O rank C médio é dez vezes mais fraco do que o rank B mais fraco e o rank B médio é cem vezes mais fraco do que o rank A mais fraco. E o rank A médio é mil vezes mais fraco do que o rank S mais fraco. — Eiro explicou e os outros o encararam, confusos.
— Nós somos dez vezes mais fracos que Enka…? — Jess perguntou e Eiro balançou a cabeça.
— Claro que não. Eu diria que vocês estão bem alto dentro do rank C em questão de habilidade. E para deixar claro, isso não é sobre atributos. Talento, valores e habilidades desempenham um grande papel nisso. Os atributos de vocês são metade do que os de Enka eram, mas isso não significa que ele era duas vezes mais forte que vocês. Assim que chegaram no nível de status que ele, serão mais fortes do que ele era quando morreu. Eu presumo.
Parecia que essas palavras o deixaram muito animados, afinal, parecia que Enka era bastante famoso. Ele não era tão forte como todos os rumores diziam, era mais pelo carisma e habilidade de encanto dele que fizeram as pessoas o verem com tanta favorabilidade. Talvez Eiro devesse aumentar um pouco mais do seu carisma… Afinal, poderia ser útil se se as pessoas o admirassem um pouco mais.
De qualquer forma, por ora, os outros continuaram lutando contra as aranhas, muito mais motivados do que estavam antes. Eles mataram as aranhas e Eiro coletou o sangue delas enquanto as desmembrava para obter suas outras partes. Seriam bons materiais para entregar à Guilda e subir de rank.
Durante a maior parte, Eiro tentou seu melhor para coletar partes que eram de fato úteis, como os olhos, veneno e partes do exoesqueleto, mas havia outras coisas que Eiro estava considerado.
Era um tipo raro de pedido, porque não havia muitas pessoas que precisavam de especímes para seu trabalho, mas, algumas vezes, acontecia de haver pedidos para capturar monstros vivos. Eiro decidiu que dependendo de como a situação se desenrolasse, seria uma boa ideia capturar algumas das aranhas. Não para aumentar o seu rank na guilda, mas também para a vila Goblin.
Na verdade, Eiro estava discutindo a possibilidade com o slime e parecia tanto promissor como problemático.
— Hm… sim, será bastante problemático lidar com elas. Desde que são idiotas, é mais fácil selar seus traços mentais e coisas do tipo, mas, ao mesmo tempo, é isso que torna seus instintos e monstruosidade mais selvagens. Podemos fazer isso, mas precisamos brincar com esses insetos um pouco.
Eiro não se importava, o problema era que isso não parecia algo que poderia ser concluído rápido e ele não poderia passar todo o seu tempo na vila Goblin, pelo menos não agora, não até que encontrasse pessoas em quem pudesse confiar para cuidar de Avalin e Leon enquanto ele saía e fazia suas próprias coisas durante uma semana. Ele também não podia levá-los consigo o tempo todo, afinal, isso seria muito estressante para eles.
No fim, Eiro só tinha uma escolha. Ele escolheria algumas dessas aranhas à mão, as levaria de volta para a cidade e as treinaria dentro da mansão. Deveria haver espaço mais que o suficiente para fazer algo assim E ter alguns monstros selvagens lá por um tempo pode ser útil para o treinamento de Leon.
Assim, o Diabrete se decidiu.
— Quando eu disser para vocês, parem de lutar e me deixar assumir o combate. Quero tentar algumas coisas. — Eiro anunciou para as três pessoas à sua frente. Elas pareciam bastante confusas, mas aceitaram a decisão do Demônio.
Por um bom tempo, Eiro não encontrou nada no que tivesse interesse. Os soldados de infantaria eram fracos e nada especiais. Tinham uma boa base para brincar quando se tratava de evoluí-los, mesmo assim Eiro não conseguia pensar em uma boa razão para obtê-los.
Estava mais interessado nos Perseguidores Diurnos, Perseguidores Noturnos e aqueles grandes que James atacou com as mãos nuas. Eiro conseguiu sentir um pouco de todos ao redor, mas parecia estavam evitando o grupo. Talvez quisessem avaliar sua força usando soldados fracos? Se esse fosse o caso, então aquele os controlando deveria ser bastante inteligente. Talvez um plebeu de alto escalão ou um nobre de rank cavaleio. De qualquer forma, era provável que fosse difícil para James, Jess e Krog lidarem com isso, então Eiro poderia usar isso como uma forma para subir de nível mais uma vez. Seria preferível que conseguisse pôr suas mãos na rainha aranha ou que quer que isso fosse, na verdade.
Ela estava reproduzindo essas outras aranhas, então isso daria a Eiro uma fonte quase infinita de recursos de aranhas para vender ou usar como mulas para a vila Goblins.
De qualquer forma, em algum ponto Eiro encontrou algumas aranhas que gostou um pouco, sub-raças que queria. No total conseguiu capturar duas das grandes e parou em uma dúzia de cada perseguidor. Na verdade, os perseguidores noturnos foram muito irritantes.
As grandes aranhas eram lentas e não muito ágeis, então depois de deixá-las de costas com Magia de Terra, Eiro impossibilitou que escapassem ao usar um pouco de gelo em seus membros.
Para os Perseguidores Diurnos a situação era similar, afinal, não eram do tipo combatente, então não eram capazes de resistir e foram capturados com facilidade.
Os Perseguidores Noturnos, no enanto, tinham membros problemáticos. Eles eram mais fortes e mais e ágeis do que as outras aranhas, então conseguiam se livrar do gelo com frequência. Claro, Eiro as impediu sempre que tentaram se libertar, mas ainda era irritante.
Com um pouco de truque com a habilidade ‘Amado Pelos Monstros’ de Leon, conseguiu fazer com que as aranhas grandes os seguissem, então Eiro não tinha que se preocupar muito, contanto que prestasse atenção e poderia fazer com que carregassem todas as aranhas vivas e materiais coletados.
Eiro tinha algumas outras coisas na vila Goblin que tornariam mais fácil lidar com elas, mas havia posto seus olhos sobre uma aranha diferente no momento. Definitivamente notou alguns fios aqui, então sabia que poderia encontrá-la por meio do cheiro desses fios, mas parecia que ela era bastante evasiva. Estranhamente ainda mais do que os perseguidores diurnos e noturnos, projetados especificada para serem evasivas.
De qualquer maneira, assim que o grupo se aproximou do ninho e os encontros se tornaram mais frequentes e problemáticos, Eiro avistou uma. Uma aranha pequena, do tamanho de um punho, que refletia a luz do sol.
Um tipo raro de aranha que não era encontrada com tanta frequência na natureza e, se encontrada, deveria ser uma aranha que evoluiu depois de se alimentar dos equipamentos de aventureiros mortos ou mercadorias que mercadores derrubavam enquanto fugiam de outros monstros.
Era a Devoradora de Ferrugem… Uma aranha capaz de criar fios metálicos.