
Volume 3 - Capítulo 163
A Virtude do Demônio
— Na verdade, Habilidades únicas podem ser o termo errado. É mais como uma habilidade de linhagem, não é? — Eiro perguntou, olhando para Solomon e o Rei encarou o Demônio por alguns segundos rir baixinho.
— Eu não devo me surpreender mais, devo? Sim, a família real de Skyhart sempre esteve na posse de uma habilidade única passada entre as gerações. Entretanto, ela não nós dá nenhum poder especial, nós precisamos de um tipo especial de familiar para sermos capaz de usá-la. Não posso divulgar mais do que isso.
Com um aceno, Eiro respondeu.
— Está bem. Não esperava o contrário, mas como esse é o caso, não acho que você tentaria explorar essas crianças por suas habilidades únicas. Ainda acho que seja necessário que você saiba para que possa fazer os preparativos corretos dentro da academia, para ter certeza de que as habilidades não sejam reveladas.
— É óbvio, tentarei o meu melhor, mas quais são as habilidades únicas delas, então? — Solomon perguntou com um sorriso. Eiro não notou nada de anormal nos batimentos, respiração, pupilas ou algo que pudesse indicar falsidade. Olhou para as crianças com um aceno, para pedir que elas explicassem suas habilidades.
Assim que todas, exceto Leon, explicaram suas habilidades e o que faziam, Solomon encarou Eiro com clara preocupação.
— Um garoto que não consegue causar nem sofrer danos, outro que não sente nenhum tipo de dor ou sofrimento. Uma garota que inflige ferimentos em si ao assumi-los de outras pessoas para que não morra de fome. Alguém cujas palavras podem se tornar a verdade de outro. Essas são habilidades muito… extraordinárias. — Solomon apontou e Eiro assentiu.
— Você não precisa se preocupar com as habilidades de Rudy e Clementine. Ela sabe que não deve usar sua habilidade em público e consegue controlar sua fome, mas se algo acontecer em um dia em que a fome dela se tronar muito forte, ela precisa ser enviada para casa para que possa cuidar da fome e ser curada. Se eu não estiver em casa, então a envie para um curandeiro de confiança e chame Arc, para que ele possa assumir o meu papel. — Eiro começou e depois olhou para Rudy.
— E Rudy não entraria em uma divisão de combate, não é mesmo? — O Demônio perguntou. Com um aceno, Rudy explicou.
— Sim… Além de ser um escudo para todos, sou inútil em combate. Então, quero treinar outras disciplinas. O que significa que quero entrar na divisão de artesanato.
— Exato. No entanto, quem mais vai te preocupar é Arc. Ele entrará na divisão de combate, mas não vai saber se foi machucado em treinos de combate ou treinos comuns. Então preciso que haja alguém para ficar de olho nele, pois mesmo que receba notificações vermelhas, confundirá pequenos arranhões no seu braço com cortes profundos que não consegue ver. — Eiro explicou com um olhar leve e irritado direcionado para Arc, que apenas piscou e encheu a boca com um doce.
— Por último, temos Sammy… Desculpa, Samantha. Confio que ela conseguirá se controlar bem o suficiente para não causar problemas com sua voz e ela é esperta suficiente para saber como se livrar de problemas com facilidade, mas a habilidade dela só foi desbloqueada há pouco tempo. Pode haver partes sobre ela que ainda não saibamos, então acho que seja necessário se preparar para essa possibilidade. — O Diabrete comentou.
— Entendo… manterei tudo isso em mente, é claro, mas se me permite, esses dois jovens também possuem alguma habilidade especial, por acaso? — Solomon perguntou e Eiro acenou a cabeça.
— Eles têm, mas não é algo que eu possa revelar agora, desculpa.
— Então… — Charles falou devagar. — Consegue nós dizer qual é a sua habilidade única? Você com certeza tem uma também, certo? — Ele perguntou, fazendo Eiro rir baixinho e balançar a cabeça.
— Na verdade não. Eu nasci com atributos mentais comuns, mas atributos físicos abaixo do padrão. Além disso, tive que me esforçar para conseguir todas essas habilidades. Tive sorte e algumas delas praticamente me foram dadas de presente, mas se eu tivesse que dizer, além da minha percepção extraordinária, tenho duas habilidades especiais. Uma que me ajuda a lembrar das coisas e uma que… — Eiro disse e retirou uma pedra mágica de sua Tesouraria, — … me ajuda a guardar as coisas. Além disso, não sou tão especial. — O Diabrete explicou.
Claro que havia mais do que isso, mas a maioria era difícil de explicar sem revelar sua identidade como um monstro artificial criado pelo Rei dos Monstros, além disso ele já havia revelado muito hoje. Ele confiava nessas pessoas para manter isso em segredo, mas ainda era um risco sem sentido. Ele não queria aumentar o risco ao explicar suas habilidades em detalhes. Eiro era a última linha de defesa das crianças, afinal.
De qualquer modo, daqui em diante a conversa se tornou mais pacífica e conversaram sobre variedades relacionadas à capital. Como onde ficava a mansão que Eiro e as crianças viveriam, onde havia boas livrarias, onde Eiro poderia comprar comida ou materiais, como madeira, para seu trabalho pessoal.
E isso continuou até que Eiro escutou algo irritante vindo dos estábulos. Ele se levantou do sofá e retirou as migalhas de doce que Leon e Avalin derrubaram em seu colo, desde que estavam sentados em seu corpo e começou a ir em direção à porta.
— Acho que está na hora de sairmos. A mansão já está pronta para ser ocupada? — Eiro perguntou e Solomon olhou surpreso para ele.
— Na verdade, não. Presumi que você ficaria no castelo por um dia ou dois, até que ela fique pronta.
— Hm. Então você deu alguma ordem para que nossa bagagem seja descarregada? — O Demônio questionou, mas a reposta foi o que Eiro esperava.
— Não. Você disse que não queria que ela fosse tocada por outros, afinal.
Com um resmungo profundo, Eiro abriu a porta.
— Todos, vamos. Vamos pegar algumas roupas na carruagem, antes que elas fiquem cobertas de sangue. — Eiro disse. — Solomon, você pode querer vir conosco. Senão, acontecerão coisas irritantes.
— Uhum… o que está acontecendo no momento? — Solomon perguntou nervoso, desde que Eiro mencionou ‘sangue’ e o Diabrete coçou a sua nuca.
— Explico quando chegarmos lá. — Ele disse e passou pela porta, seguido pelos outros.
Não demorou muito para que descobrissem que algo estava ocorrendo lá fora, desde que havia uma dúzia de guardas se movendo na direção dos estábulos.
— Acho que devemos nos apressar. — Eiro apontou e acelerou o ritmo. Ele correu na frente dos outros para checar a situação, ultrapassando a maioria dos guardas que corriam naquela direção.
Eiro viu que havia guardas cercando o fantoche de madeira, que sempre protegia a carruagem quando não havia ninguém por perto. Era óbvio que eles não conseguiriam causar danos a ele, já que as fichas estavam em seu peito, ambas baseadas em combate, mas ainda era um pouco arriscado para ele lidar com tantas pessoas de uma vez.
De qualquer forma, o Demônio não tinha muito com o que se preocupar. No fim, pulou quando estava próximo de um guarda que estava apontando uma lança para o manequim e chutou as costas dele. Claro, ele fez isso enquanto manipulava sua Força Vital para que conseguisse chutar o mais forte possível e o empurrou para o chão enquanto parava na frente do fantoche.
— Olá! Posso ajudar de alguma forma? — Eiro questionou com um tom gentil, apesar de estar irritado. Ele virou a cabeça na direção do cavalariço que segurava o peito com dor, muito provável que tenha sido atingido pelo fantoche, embora Eiro tenha sido cumprimentado com um pedaço de metal na frente da sua face.
— Essa coisa é sua?! — Um dos guardas gritou e o Diabrete o encarou de volta, segurando a lança que ele segurava.
— Sim, é minha. — Eiro disse. — E essa coisa é usa? Parece meio perigosa, não acha? Pode acabar machucando alguém. — O Demônio comentou, torcendo a lança de forma que o guarda não conseguisse segurá-la mais. Então, empurrou a lança contra o peito do guarda o mais forte que pôde.
— Viu? Muito perigoso, certo? — Eiro ressaltou enquanto observava o guarda tentando manter seu equilíbrio, ao mesmo tempo que os outros guardas apontavam as lanças para Eiro também. — Pela Dama do Inve- Você deve estar brincando comigo. — O Demônio rosnou. — Sei que não confiam em mim, mas esse fantoche protege as minhas propriedades. O cavalariço abriu a carruagem sem permissão. O fantoche não consegue causar danos além de dígitos únicos. Qual o problema aqui?
— Que você atacou um trabalhador nas proximidades do Rei! — Um guarda exclamou e Eiro fechou os olhos e se agachou irritado.
— Hmm… isso é difícil, não é? Quem está certo e quem está errado? Solomon, pode me ajudar com um veredito? — Eiro perguntou e o rei empurrou os guardas para o lado.
— Mais do que feliz em fazer isso. — Ele respondeu e os guardas soltaram suas armas e se curvaram para Solomon, que se aproximou de Eiro, seguido pelo príncipe e as crianças de Eiro, assim como Felix.
— Todos vocês, saiam imediatamente. Esse homem é meu convidado, e qualquer ofensa direcionada a ele será uma ofensa para mim. — Solomon exclamou e os guardas fizeram como pedido. O cavalariço queria fazer o mesmo, mas tanto Nelli quanto Gondos o impediram de sair.