A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 162

A Virtude do Demônio

— O Herói é tão jovem? Então, por que já está sendo realizado um torneio para escolher seus companheiros? — Eiro perguntou confuso e Solomon explicou.

— É para que o herói possa ser treinado. Ele foi encontrado há pouco tempo, em um pequeno reino insular ao oeste. Lá sempre foi um lugar neutro e seguro, não há tantas pessoas fortes ali, então pediram ajuda aos outros países para que possam não apenas treinar o Herói para controlar seus poderes, mas acompanhar o herói durante sua jornada.

— Isso significa que se eu vencer o torneio, terei que ir até esse lugar? Seria muito arriscado enviar uma criança assim para outro país, sem guarda-costas apropriados, afinal. — Eiro comentou e Solomon assentiu.

— Sim, esse é de fato o caso, mas o treinamento do Herói não pode começar até que ele tenha 10 anos, devido às múltiplas circunstâncias, então demorará alguns anos de qualquer forma.

Após pensar um pouco, Eiro se virou e olhou para as crianças atrás dele, suspirando. Ele estava um pouco em conflito. Havia benefícios assim como desvantagens, embora as últimas superassem a primeira. Eiro teria recusado na hora, mas não havia uma forma de ter certeza de conseguir o que queria, sem problemas, afinal ele não poderia pedir para Solomon deixar as crianças frequentarem a Academia Skyhart logo depois de recusar esse pedido.

Em vez disso, na chance de Eiro ser de fato o mais forte do país, o que parecia muito improvável, Eiro poderia se fingir de fraco e perder durante as semifinais, fingindo ter feito o seu melhor. Solomon não poderia culpá-lo, poderia?

— Certo, tudo bem. Participarei do torneio, mas eu gostaria de um favor em retorno. — Eiro comentou e Solomon concordou sem nem hesitar.

— É claro! O que você quiser!

— Quero que você dê as crianças um lugar na Academia no curso de escolha delas, e gostaria de um lugar para ficarmos dentro da cidade. Posso até mesmo pagar por ele, mas preciso da sua ajuda para encontrar um lugar seguro.

— Huh…? — Solomon questionou, surpreso. — Só isso? Pensei que você pediria uma grande quantidade de dinheiro, ou equipamentos feitos pelo melhor artesão do mundo…

— Nós nos conhecemos enquanto eu tentava pegar alguns equipamentos do melhor artesão e coincidente sou bastante rico. Então, não preciso de nenhum dos dois. — O Demônio ressaltou, fazendo Solomon rir baixinho e acenar com a cabeça.

— Suponho que seja verdade, mas claro que elas podem se tornar estudantes da academia. Devido ao incidente daquela época, o último semestre teve que ser adiado, então as aulas para os novos estudantes começaram logo depois da virada de ano. — O Rei explicou. — E se você desejar posso te dar uma propriedade sem a necessidade de comprá-la. Há uma mansão que está vaga faz alguns anos. Embora a construção não seja tão ampla, ela tem uma grande propriedade ao redor que pode ser usada para treinamentos diversos.

Eiro cruzou os braços e olhou para o Rei.

— Há um motivo para ela ter ficado vaga por tanto tempo?

— Ela costumava pertencer a um homem… bastante desagradável. Ele era um pesquisador, um mago para ser exato e fez alguns inimigos. Depois da sua morte, os filhos dele tentaram vendê-la e, no fim, a cidade teve que comprá-la porque mais ninguém a queira. Suponho que você não se importa com essas coisas. — Solomon explicou.

Eiro sorriu leve e assentiu.

— Não me importo. Fico feliz em aceitar essa propriedade, obrigado. — O Diabrete disse, até se curvando um pouco para frente enquanto fazia isso.

— Também prepararei a esquipe em breve. Os introduzirei mais ter-

— Tudo bem, não preciso de coisas como empregadas, mordomos ou chefes. Ou melhor… gostaria de procurar pessoas confiáveis por conta própria. — Eiro explicou e o rei acenou de leve.

— Compreendo. Então, te levo lá em breve. Primeiro, vamos comer. — Solomon sugeriu, algo que Eiro ficou grato em aceitar. Apesar de que, quando estava para se sentar no sofá, escutou algo no corredor que soou bastante familiar.

— Só um segundo. — Eiro murmurou e caminhou na direção da porta. Com um puxão, a abriu e revelou o príncipe, com uma muleta embaixo do braço. — Bem, olá. — O Demônio disse. O príncipe o encarou de volta com uma expressão surpresa e abaixou a mão, já que parecia que iria bater na porta.

— O-Olá! — Ele exclamou nervoso e Eiro se afastou da porta. — Momento perfeito. Queria te ver hoje mesmo. — Ele explicou e olhou para Solomon. — Duvido que você se importe de ele vir conosco?

— Claro que não! Na verdade, queria tê-lo chamado, para que ele pudesse agradecer apropriadamente.

O príncipe entrou na sala com a ajuda da muleta, o que parecia um avanço incrível para ele. Pelo que Eiro conseguia dizer, os ferimentos dele se curaram muito bem.

— Arc, Rudy, cheguem mais perto. — O Demônio disse e depois apontou para o príncipe, movendo o dedo para o local que os dois garotos acabaram de abrir. — Charles, certo? Sente-se ali e levante a perna da sua calça o máximo que conseguir.

— Sim! Obrigado! — Ele exclamou e se sentou. Eiro pegou a muleta e a apoiou no sofá enquanto o príncipe levantava a calça como ele pediu.

O Diabrete se agachou na frente dele e passou os dedos na área em que a perna protética de Charles se fundiu à carne dele, depois passou seus dedos na madeira da prótese.

— Diga ‘Agora’ quando sentir meu dedo na sua pele. — Eiro disse para ele e começou a deslizar o dedo muito devagar pela perna até que chegou alguns centímetros acima da linha de fusão.

— Agora. — Charles disse e Eiro assentiu satisfeito.

— Certo, bom. Mostre para mim o seu braço também, mesma coisa, diga ‘Agora’ quando sentir o meu dedo. — Eiro falou e Charles acenou a cabeça. Não parecia haver muitos problemas aqui também, então Eiro se levantou satisfeito.

— Então, como se sente? As vezes doí no local em que as próteses se conectam aos membros, ou você sofre danos de dígitos únicos? — Eiro perguntou enquanto continuava olhando de cima à baixo para Charles. A cor do seu rosto definitiva melhorou. Ainda era pálido, mas não mortalmente pálido. E ele parecia ter ganhado um pouco de peso, mesmo que ainda não estivesse nem perto do peso normal. Charles ainda tinha muito trabalho a fazer, mas estava na direção certa, pelo menos.

Nervoso por causa dos questionamentos, Charles olhou para seu pai, que perguntou.

— Ambos aconteceram, na verdade. Tem alguma coisa errada? O corpo dele não foi feito para elas…? — Solomon perguntou ansioso e Eiro olhou para ele depois refletir um pouco e deu de ombros.

— Sim e não, na verdade. O corpo de ninguém foi feito para se conectar tão intimamente com membros artificiais. Haverá alguns problemas menores, mas nenhuma dessas coisas são grandes problemas. Contanto que não seja uma dor incômoda, você está bem. É apenas que seu corpo está em constante transformação para se conectar melhor à prótese tão cedo. Então quando você coloca muito peso na perna, por exemplo, vai doer um pouco.

— Ah, então o dano é parte do processo de cura? Como quando você teve que cortar partes da pele dele para prender as próteses? — Solomon questionou e Eiro balançou a cabeça.

— A dor é, o dano não. Esse é um problema um pouco diferente. Os membros são feitos para serem partes do corpo dele. Você não sentirá nada com sua perna direita agora, mas ainda pode sofrer danos. Demora um tempo para costumar a isso, mas logo você vai parar de tratar a prótese com tanta brutalidade e ficará bem. — Eiro explicou e Arc comentou, desde que tinha muito a dizer.

— Oh sim, em algum ponto, você aprenderá a tratar o seu corpo com cuidado, mesmo que não consiga sentir nada. — Ele comentou e Clementine o encarou com um sorriso irônico.

— Disse o cara que mordeu parte da língua mais de uma vez…

— Ei, isso não é culpa minha. Era sua vez de cozinhar naquela noite, então…

— Seu… — Clementine interrompeu Arc com um olhar mortal, embora Eiro não conseguisse evitar de resmungar para si quando Solomon perguntou.

— Eiro, essa criança também tem uma prótese?

Com um leve balanço da cabeça, Eiro começou a explicar.

— Acho que posso contar para vocês, para que não haja surpresas quando eles começarem a frequentar a escola. Saiba, todas essas crianças têm algo.

— O que você está fazendo? Eu pensei que deveríamos manter isso em segredo! — Rudy exclamou e Eiro deu de ombros.

— Sim, mas ambos, Solomon e Charles, também possuem habilidades únicas, então está bem. Eu acho.

Assustado e confuso, ambos os mencionados encaram Eiro em confusão.

— O que, como você…? — Charles questionou e Solomon adicionou. — Você disse ‘também’?

— Sim, eu disse ‘também’. Todas as minhas crianças têm habilidades únicas e eu as salvei de serem exploradas há alguns anos. Como você pode ter adivinhado, elas não são meus filhos de sangue. E Charles, para responder à sua pergunta… No cheiro de todos, existem pequenos detalhes que revelam coisas como: qual é a sua raça, que tipo de elemento mágico você pode ter, que tipo de habilidades você usa e quão forte você é. Especialmente quando fiz aquilo antes, Solomon, fui capaz de certificar que esse era o caso. — Eiro explicou. — E quando penso sobre isso, meio que faz sentido. O nome da sua família é o mesmo do país, então são descendentes daqueles que fundaram esse país. Faz sentido que uma pessoa assim tenha habilidades especiais.

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