A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 157

A Virtude do Demônio

Eiro olhou para Nelli com uma expressão puramente de surpresa. Isso foi algo que ele realmente nunca esperou que ela perguntasse.

— Você quer tentar se fundir comigo? — Eiro perguntou para ela, para ter certeza de que ouviu corretamente, e Nelli apenas deu de ombros.

— Bem, se você não quiser, então não sugira em primeiro lugar. — Ela respondeu e Eiro imediatamente balançou a cabeça.

— Oh, não é isso! Só esperava que você fosse ser contra isso. — O Demônio comentou e Nelli levantou as sobrancelhas.

— Bem, entre todos e quaisquer seres vivendo atualmente neste planeta, você é aquele em quem mais confio. Sei que você não iria querer me ferir de verdade, então como você parece animado, duvido que me faça muito mal.

O Diabrete sorriu de volta para a Náiade e acenou a cabeça.

— Bem, obrigado. Eu também confio em você nesse nível… Então, você deseja tentar? — Eiro perguntou e Nelli flutuou até o peito dele.

— Claro. Acho que esse é o melhor lugar para isso, hein? — Ela sugeriu, enquanto levantava a camisa de Eiro para que conseguisse tocar na pele dele, pressionando suas costas contra o peito dele.

Antes que qualquer um deles percebesse, o corpo de Nelli praticamente afundou no de Eiro, e o Demônio sentiu uma onda de água fria percorrer o seu corpo, enquanto uma notificação aparecia.

[Seu corpo se fundiu com o da Náiade, Nellissa Arigata.]

Os braços, pernas e parte das costas de Eiro ficaram cobertos por uma fina camada de água. Sob a água, as partes azuis da sua pele se espalharam completamente, de modo que mesmo as partes que não estavam cobertas por água tinham manchas azuis se espalhando. Apesar disso, a maior parte permaneceu vermelho-carmesim, como sempre.

Apesar da água cobrindo seus membros, não parecia necessariamente tão anormal. Não era como o que Eiro fazia com seu corpo com Magia de Água, pois assumiu a forma do corpo de Eiro. Suas mãos podiam ser usadas normalmente, e suas palmas ainda tinham a pele revelada, embora fosse apenas a madeira da mão direita, e o mesmo ocorria com as solas dos pés.

Além disso, embora as roupas estivessem sendo pressionadas com a água, o tecido não ficou molhado. Como se a água estivesse ‘seca’. Bem, era assim que a magia de Nelli funcionava normalmente, ela não poderia ser usada para atividades como regar plantas, então isso fazia sentido.

E ao redor do corpo de Eiro, o Demônio conseguia ver algumas gotas d’água flutuando, assim como faziam com o corpo de Nelli.

Havia mais uma coisa que Eiro conseguia ver.

Era algo completamente novo, algo que se misturava a todos os seus sentidos de uma vez, mas sendo diferente de todos eles. Ele conseguia ver, cheirar, sentir, escutar e de alguma forma saborear a mana ao seu redor.

Isso era uma sensação incrível, embora a mana atual fosse bastante enjoativa. Ela ainda tinha o miasma do <O Mundo> original misturado com ela. Como Eiro estava se sentindo mal, mesmo sem essa nova sensação, era óbvio que ele se sentiria enjoado com algo desse tipo.

‘Isso é incrível…’ Um pensamento apareceu na sua mente, embora não fosse um produzido por ele mesmo. Era um pensamento produzido pela consciência de Nelli, que existia atualmente dentro do corpo do Eiro ao lado do próprio Demônio.

— Isso é incrível… — Eiro respondeu com um sorriso.

‘Podemos tentar algo? Consegue tentar criar água por conta própria, sem a minha ajuda?’

Nelli perguntou com outro pensamento, e Eiro assentiu a cabeça. Ele levantou a mão e foi como se o conhecimento simplesmente inundasse a mente de Eiro.

Era similar ao que Eiro experienciava sempre que uma de suas habilidades atingia o grau intermediário. Como recebeu um entendimento mais profundo da Magia de Água, como usar adequadamente a sua adaga e como interagir de forma mais profunda com a madeira que estava entalhando. Veio o conhecimento súbito de diferentes palavras que nunca escutou antes.

[Habilidade magia Espiritual (Aprendiz) subiu de nível!]

[Habilidade magia Espiritual (Aprendiz) subiu de nível!]

Eiro olhou para as notificações em surpresa. Claro, com dois Espíritos, parecia que era bastante fácil subir o nível dessa habilidade, mas… ainda levava alguns dias de prática intensa para Eiro aprimorar essa habilidade nesse estágio inicial do grau aprendiz.

Quando Eiro pensou sobre isso… Ele ficou muito cansado e foi dominado por uma dor de cabeça forte e pulsante. Assim que percebeu o que estava acontecendo, a consciência de ambos tomou a decisão de se dividir de novo, então Nelli apareceu na frente do corpo do Demônio, flutuando de forma igualmente exausta.

— Parece que isso exige muita mana por enquanto, não é…? — Eiro apontou, e a Náiade olhou para ele com um aceno silencioso, pensando por um tempo.

— Sim, mas… realmente, essa é uma habilidade incrível! E… avise se eu estiver errada, mas o seu entendimento de Magia de Água deve estar um pouco maior agora, não é mesmo? — Nelli perguntou, aparentando estar muito animada, e Eiro confirmou.

— Ainda me recordo de como criei água. Duvido que possa reproduzir da mesma forma, mas definitivamente me sinto mais próximo dela.

— Além disso é só a ‘Fusão Elemental Menor’, certo? O que aconteceria se você tivesse a versão completa, ou até mesmo a ‘Maior’?

— Não sei, mas… Suponho que continuarei ganhando mais habilidades quanto mais forte eu me tornar. Agora, minha chance de sobrevivência ao ativar a Carta é de 1%, então suponho que ela funcione de forma similar ao Três de Espadas, ou talvez até mesmo à minha prótese. Quanto mais a porcentagem aumentar, mais eu serei capaz de usá-la.

Depois dessa explicação, Eiro começou a ir em direção às crianças com Nelli flutuando ao seu lado. E enquanto Eiro esfregava a ponta do seu nariz, irritado com a dor de cabeça que sentia, escutou o núcleo do slime dizer algo de dentro da garrafa na sua bolsa.

— Então você realmente é <O Mundo>… agora? — Ele perguntou e Eiro o encarou com uma leve carranca.

— Como eu disse antes, sou um candidato. Não sou o <O Mundo> de verdade.

— Qual é a diferença?! Você é o mais próximo de… ser o <O Mundo> que existe!

— Hm… Isso pode ser verdade. — Eiro murmurou enquanto olhava na direção da carruagem e de Felix. Chamar a atenção dele não era muito difícil, desde que Eiro poderia golpear um pouco de ar na direção dele e puxá-lo com Magia de Ar. Isso normalmente o assustava um pouco, mas isso não era tão ruim quanto quando Eiro se aproximava pelas costas dele.

Quando Felix olhou para ele, Eiro apontou para Sammy e Leon, então para a carruagem, depois deu os sinais de {fazer espaço} para Felix abrir espaço para que os dois tivessem como se deitar.

Enquanto Felix concordava e caminhava até a carruagem para começar, o Demônio colocou suas mãos sob o corpo de Leon e o levantou, antes de levá-lo até a carruagem. Ah, ele o colocou em um dos assentos acolchoados, onde ele conseguia se deitar apropriadamente. Felizmente, Leon não se movia muito quando dormia, então Euro não tinha que se preocupar com ele caindo.

Depois ajudou Felix a abrir espaço suficiente para que conseguisse deitar Sammy no chão, indo até ela.

Eiro a colocou em um lençol que Felix havia colocado sobre o chão e a cobriu com outro lençol. Ao sair, Eiro pegou um pequeno pedaço de madeira que mantinha ali para entalhar sempre que possível, e então foi até a frente da carruagem, onde Clementine e Avalin estavam sentadas no banco da frente, local em que Arc normalmente ficava para dirigir.

— Vocês duas estão bem? — Eiro perguntou, querendo se certificar de que as duas estavam lidando bem com o miasma, e Clementine acenou com a cabeça.

— Sim, estou bem! Mas… e você? Você parece estar com um pouco de dor…?

— Hm? — Eiro respondeu, enquanto olhava para a jovem com surpresa, e então percebeu lentamente sobre o que ela estava falando. Ficar com a mana baixa normalmente o afetava, ele ficava muito cansado e levava um tempo para que conseguisse organizar os seus pensamentos adequadamente. Isso e a dor de cabeça que Clementine parecia sentir vindo de Eiro.

— Certo, sim… Só estou com mana baixa, exagerei ao testar uma nova habilidade. Nada que um pouco de descanso não possa resolver. — Eiro a tranquilizou e observou enquanto Felix saía da carruagem, fechando a porta atrás dele.

O Diabrete disse para ele ir em frente e se sentou ao lado de Clementine e Avalin, ao que o jovem concordou enquanto Eiro retirava uma faca de esculpir da sua Tesouraria e começava a entalhar no bloco de madeira que havia pegado. Ele queria se acostumar com sua destreza recém aumentada, apenas para ter certeza de que não cometeria alguns erros ao tentar consertar sua mão.

Ocorreu tudo bem pela maior parte, mas ainda havia alguns cortes e entalhes que eram um tanto irritantes, porque tudo ficava preso nele. O que não era necessariamente útil quando tentava matar um monstro perigoso.

Claro, Eiro tinha peças substitutivas para sua mão, mas também tinha alguns pedaços de madeira. Era um desperdício substituir essas partes por causa de apenas alguns cortes, afinal. Eiro queria cortar pequenos pedaços e lascas de madeira que ele tirou da sua própria árvore para preencher tudo.

Esperançosamente, ficaria bom como novo. Depois que Eiro teve certeza de que suas mãos estavam funcionando corretamente, Eiro retirou um pequeno pedaço de sua madeira azul-claro e raspou um pedacinho, pressionando-a no corte que havia feito para ver se encaixava corretamente.

Eiro colocou sua outra mão em sua bolsa para pegar a cola que tinha e tentou retirar a lasca, ao notar que… a lasca havia se fundido com a madeira da sua prótese, sem a necessidade de nenhum tipo de cola ou adesivo.

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