
Volume 3 - Capítulo 156
A Virtude do Demônio
Levou cerca de meia hora para chegarem ao pé da montanha, onde Eiro colocou Sammy em um local seguro e depois pegou Leon de Gondos, olhando para o portão que levava para fora da cidade.
Aparente os outros já estavam vindo. Pelo menos Eiro escutou os Arias se movendo enquanto puxavam a carruagem, então, a menos que as bestas mágicas fizessem isso por conta própria, deveria ser o caso.
Apenas alguns minutos depois, a carruagem passou pelo portão, e embora os Arias estivessem um pouco incomodados por virem aqui, devido aos resquícios do miasma, parecia que só estavam um pouco agitados. Eles deveriam se acostumar.
Logo, a carruagem parou na frente deles e as crianças saíram dela, enquanto Arc pulava do banco na frente.
— Está tudo bem com eles? — Ele perguntou. Eiro acenou a cabeça.
— Está tudo bem, parece um efeito colateral de retirar o selo. Não é mesmo? — O Demônio perguntou, enquanto retirava o núcleo do slime na garrafa e olhava para ele. Alguns momentos depois, ele ouviu uma resposta.
— Sim, é is-isso… É muito cansativo para o corpo… eles devem estar apenas ex-exaustos… — O núcleo do slime respondeu e Eiro assentiu, feliz de ter uma confirmação. Essa era a principal razão para Eiro ter escolhido levar o núcleo de slime com ele, para que tivessem um ‘especialista’ em selar e retirar selos.
Ele poderia acabar matando-o mais tarde, ou encontrar outro uso para ele, mas de qualquer forma, Eiro ficou feliz que as habilidades de Leon o tornaram mais submisso.
Avalin veio correndo até Eiro e deu um abração apertado na perna dele, então o Diabrete se agachou e a segurou. Apesar disso, percebeu que os outros estavam o encarando, confusos.
— Oh, certo, desculpa. Vocês não podem escutá-lo. Aqui dentro está o ‘monge’ que encontramos antes. Na realidade, ele era um slime que cresceu naquele templo. Ele deve saber um pouco sobre selos, então tê-lo por perto pode não ser uma má ideia. — O Demônio explicou para eles. — E ele acabou de me informar que essa é uma reação normal de ter o selo removido. A respiração e o ritmo cardíaco deles também estão normais, então eles devem ficar bem.
— Ele era um slime? Mas… — Rudy murmurou. — Ele parecia uma pessoa, não parecia?
— Uhum, ele é uma evolução especial do slime que pode mudar de forma em alguma extensão, mas não se preocupem, ele não pode sair da garrafa. — Eiro explicou de forma tranquilizadora, olhando para os dois que ainda dormiam.
— Passaremos um tempo aqui até que possamos nos certificar de que Leon consegue controlar suas habilidades únicas. Senão, causaremos uma quantidade considerável de danos aonde quer que formos. — O Demônio disse, olhando para Felix, afinal ele não conseguiu escutar o que Eiro acabou de dizer, então ele tinha que explicar a situação para ele por meio da escrita.
O Diabrete retirou um caderno da sua Tesouraria e o abriu, enquanto o segurava na direção de Avalin.
— Pode me fazer um favor e segurar isso um pouco? — Eiro perguntou com um sorriso. A jovem fez como pedido, então Eiro retirou uma caneta da sua Tesouraria e escreveu no caderno.
— Pode mostrar para Felix? — O Demônio olhou para Avalin e a garotinha acenou a cabeça com um sorriso estranhamente presunçoso. Depois que a escrita ficou na sua frente, Felix leu o mais rápido que pôde e depois levantou a cabeça para olhar para Eiro.
— Então, eles estão… bem? — Felix perguntou. Sem hesitar, Eiro assentiu, deixando Felix aliviado. Eiro continuou escrevendo no caderno para pedir que o garoto fizesse algo por ele.
— Você… o quê? — Ele murmurou surpreso. — Você quer que eu… ajude Samantha… a praticar? — Felix questionou, de novo com dificuldade em pronunciar essas palavras. Mais uma vez, Eiro apenas assentiu e escreveu algo no caderno.
{Não se preocupe, você ficará bem. Você não será afetado pela voz dela e tem experiência com habilidades como essa.} Eiro escreveu, e quando Felix levantou a cabeça, Eiro já estava fazendo o sinal de mão para {Por favor}, fazendo o menino fazer uma careta assentir silenciosa.
Com um sorriso no rosto, Eiro voltou sua atenção para Rudy e Arc.
— Vocês dois podem ir comprar alguma coisa para comermos? Não precisam cozinhar hoje à noite, então não se preocupem. E levem Gondos com vocês, ele pode ajudar vocês a carregarem tudo. — Eiro sugeriu.
— Tem certeza de que não quer que eu cozinhe? — Rudy perguntou enquanto olhava para Sammy e Leon, mas Eiro balançou a cabeça.
— Tenho certeza de que você também está exausto, está tudo bem se vocês apenas comprarem algo para nós. — O Diabrete disse e o jovem assentiu.
— Certo… Obrigado. — Ele disse com um sorriso, e então olhou para Arc, que tentava amarrar os dois Arias a uma árvore apesar de quão agitadas eles estavam. Parecia que Lugo estava agindo de forma bastante similar aos dois, como se estivesse nervoso dentro da barreira. Eiro tentou deitá-lo para que ele se acostumasse com isso.
E enquanto Rudy, Arc e Gondos passavam pelo portão de novo, depois de receberem algum dinheiro de Eiro, o Demônio olhou para Clementine.
— Pode segurar Avalin por um momento? Quero tentar algumas coisas. — Eiro explicou, entregando a garotinha para Clementine.
— Nãaaaoo! Eu quero ficar com o papai! — Avalin exclamou, tentando alcançar Eiro de novo, embora Clementine logo tenha olhado para ela com uma expressão triste.
— Ah… então, você não gosta de mim…? — Ela perguntou baixinho. Avalin imediatamente se virou e a encarou.
— Não! Eu também te amo! — Ela gritou, abraçando o pescoço e o rosto de Clementine.
Como Avalin estava distraída, Eiro poderia testar o que queria. Ele retirou sua capa e soltou sua bolsa, para que conseguisse dar uma boa olhada nos seus braços e retirou sua camisa para dar uma olhada no seu peito também. Ele pensou em ativar sua nova habilidade.
Sua pele ficou um pouco mais acinzentada, e a textura dela mudou consideravelmente. A sensação e tocar em alguma coisa era muito diferente, e suas roupas pareciam estar grudadas, agora que sua pele era tão áspera, mas de alguma forma mesmo que esse fosse o caso os movimentos de Eiro não foram prejudicados em nada. A única coisa que talvez tenha mudado foi o seu peso, embora não tenha sido um grande acréscimo.
Em grande parte, parecia algo que o permitia dar golpes mais pesados ao mesmo tempo que aumentava suas defesas básicas… Cortá-lo, em especial, deveria ser bem mais difícil agora.
—… O que você acabou de fazer…? — Nelli perguntou confusa e Eiro olhou para ela com um sorriso.
— Ah, meu atributo de Resistência chegou a 100, e a habilidade que recebi é chamada de ‘Pele de Pedra’. Tenho certeza de que você consegue adivinhar o que ela faz, certo? — O Demônio explicou e Nelli flutuou um pouco mais perto e passou sua mão pelo braço de Eiro, acenando com a cabeça.
— Sim… parece uma habilidade muito rara. Talvez ela… — A Náiade começou, mas quando o fez, algo estranho aconteceu. Como se sua mão tivesse ficado presa no braço de Eiro de repente. Ela conseguiu afastar sua mão, mas ainda foi estranho. O motivo para isso veio à de Eiro.
Eiro olhou para Clementine e Felix e disse para eles:
— Esperem aqui. — Enquanto sinalizava essa sentença com as mãos para Felix. Eiro e Nelli caminharam para trás de uma das árvores próximas, enquanto o Diabrete desativava sua habilidade de ‘Pele de Pedra’.
— O que foi isso? O que você fez lá em cima? — Nelli questionou e Eiro explicou o que ocorreu. Como <O Diabo> apareceu e o ‘ajudou’ e como <O Mundo> deixou para trás uma Carta do Arcano Maior.
Claro, como Eiro se tornou um candidato para o próximo <O Mundo>.
— Você… está se sentindo bem? Nada mudou em você? Não sente a vontade de destruir toda a vida no planeta?
— Claro que não, não seja ridícula. Eu não sei, só me sinto um pouco mais… conectado a tudo? Como se o mundo ao meu redor fosse apenas outra parte de mim mesmo. Gondos disse isso antes, mas eu fui um pouco imprudente descendo a montanha com Sammy em minhas costas. — O Diabrete explicou e esticou a mão para pegar um pequeno mármore de sua Tesouraria. Era apenas uma simples pedra mágica de sombras, já que era a principal que Eiro usou para fundir com o seu corpo.
Ele inseriu sua mana dentro dela e então fez a Magia de Sombras fluir pela sua mão. Eiro conseguia dizer a diferença.
Geralmente, com sua pedra mágica de sombra, ela iria cobrir sua pele com uma fina névoa negra, mas agora… Eiro fechou sua mão em um punho e atingiu a árvore ao lado. O que aconteceu foi que o punho se transformou em fumaça preta depois que atingiu a casca da árvore. Seu punho não desapareceu, era como se ele tivesse sido ‘apertado’ junto. Eiro também sentiu a casca atingir seu punho.
Quando o Demônio retirou sua mão instintivamente e o formato de sua mão voltou ao normal.
— Essa é uma nova habilidade… — Eiro começou. — É chamada de ‘Fusão Elemental Menor’, e é o que pareceu, eu posso-
— Fundir-se com outros elementos mágicos, mas se esse for o caso, então aquela coisa agora foi você e eu tentando nos fundir? — Nelli perguntou e Eiro olhou de volta para o Espírito.
— Talvez, isso soa bastante intrigante. Quero dizer, apenas imagine se for de fato possível. Isso tornaria as lutas muito mais simples.
— Sim, mas não é permanente, certo? — Nelli perguntou, e Eiro balançou a cabeça.
— Duvido. Não sinto nenhum tipo de ‘resíduo’ na minha pele.
Após pensar por um tempo, Nelli olhou nos olhos de Eiro.
— Se é isso mesmo, então talvez você queira tentar? Fundir, por assim dizer?