
Volume 3 - Capítulo 153
A Virtude do Demônio
Eiro encarou <O Diabo> enquanto ele saía do portão que apareceu atrás de <O Mundo>. O demônio supremo sorriu e se aproximou do seu companheiro nobre.
— Ora, ora, quem permitiu você brincar com o meu brinquedo? Isso não é muito legal, sabia? — O Diabo riu e esticou devagar a mão em direção ao braço do Mundo, mas a parte em que iria encostar se transformou em névoa negra.
— Oh? Então você quer fazer isso do jeito difícil, hein? — Com um olhar profundo, o Diabo deu um passo para trás apontar o indicador para o Mundo. De repente, o corpo do Mundo foi arremessado de volta para os portões do templo, e o peito de Eiro começou a se fechar depois que a chave foi removida.
— Hmm, que carta interessante. — O Diabo disse com um sorriso, enquanto se inclinava para frente. — Eu a quero… Agora, meu querido Brinquedo, você pode pegá-la para mim? Eu te recompensarei se conseguir fazer isso com sucesso.
Irritado, Eiro encarou o Diabo. Era como se sua marca enlouquecesse por ele estar por perto, o que provavelmente era o caso.
Parecia que, depois de os selos serem removidos, o Diabo conseguiu compreender a situação na hora… E Eiro não tinha mais certeza se isso era sorte ou azar.
— E se eu não quiser? Você vai em matar?
— Matar você? Por que eu deveria? Estou preparando um amigo para você brincar, caro Brinquedo. Não quero que você desperdice o meu trabalho. — O Diabo riu. — Não, não. Se você não quiser, então que seja. Bem, uma leve punição é apropriada, é claro… Vamos ver… — O Diabo murmurou e se inclinou para frente de novo, encarando o quarto dentro do peito de Eiro ainda aberto. Ele inseriu sua mão e retirou alguns aspectos de Eiro que seriam os piores a se perder nesta situação.
[Seu medo foi roubado de você]
[Sua empatia foi roubada de você.]
[Seus instintos paternais foram roubados de você.]
E então, do nada… Eiro olhou de volta para o Diabo. Ele sabia que definitiva queria esses aspectos de volta, mas não estava se sentindo apaixonado por isso.
— Agora, se você lutar com o Mundo para mim, o que você deveria ser capaz de fazer já que ele está muito enfraquecido, eu te darei duas coisas. Primeiro, se você pegar a chave, eu devolverei essas partes para você. Se você fugir, ou não for capaz de derrotar o Mundo, eu cortarei essas três partes e as destruirei para sempre. — O Diabo apontou e Eiro o encarou de volta. Só por isso, ele tinha mais motivação para lutar com aquela coisa. Mas havia mais uma coisa que Eiro estava considerando…
— O que é a segunda coisa? — O Demônio questionou, e o Diabo sorriu. — Nós Nobres somos símbolos de força, entende? Mas isso não significa que sejamos os mais fortes de todos os tempos. Se você matar um nobre, você pode assumir seu lugar ao pegar a Carta do Arcano Maior que ele possui. Eu não tenho uso para isso, não posso nem mesmo tocar em outra Carta do Arcano Maior, mas você, caro Diabrete, pode ser o candidato perfeito para ser o novo Mundo.
— Então você me deixará assumir essa Carta do Arcano Maior depois que eu o matar? isso? Por quê? — Eiro questionou o Diabo, que continuou sorrindo amplamente.
— Estou curioso para ver o que acontece, o que mais poderia ser? — O Diabo respondeu. Eiro retribuiu com uma risada, enquanto o buraco em seu peito se fechava e ele era capaz de se mover de novo.
— Justo. — Eiro disse e moveu sua mão para frente, retirando uma carta de sua tesouraria, o Ás de Copas.
— Não, você não usará isso. Eu quero ser capaz de ver o que está acontecendo, sabia? E lembre-se, eu tenho reféns! — O Diabo ressaltou e, com um estalo da sua língua, Eiro olhou para ele.
— Ótimo. Não irei bebê-lo, mas posso usá-lo de outro modo, contanto que eu não ative seu efeito principal?
— Hmm… claro, por que não? Mas lembre-se, se eu não gostar do que estiver vendo, você morre. — Ele explicou e Eiro deu de ombros.
— Está bem. — O Demônio murmurou e, em adição ao seu Ás de Copas, retirou seu Três de Espadas. Ele inseriu a ponta das cinco lâminas que poderia invocar no líquido preto e o pegou usando Magia de Água, enquanto o espalhava e o ativava usando sua mana. Desse modo, as lâminas e fios ficaram invisíveis, enquanto Eiro segurava suas duas adagas em suas mãos. Ele moveu dois anéis do Três de Espadas em direção à sua mão esquerda, deixando dois em sua direita, e moveu um para a sua cauda, enquanto se preparava para o combate.
O mundo estava se movendo bem devagar, afinal, então estava bem fazer isso. Então, de repente, como se percebesse o que Eiro havia feito, o Mundo se desfez em névoa preta e apareceu na frente de Eiro.
Sabendo que isso aconteceria, o Diabrete balançou seus braços para frente, tentando acertar a névoa preta não com o Três de Espadas, mas também com suas duas adagas, e tentou cortar a névoa.
[<O Mundo> – 29 de Dano]
O mundo não apareceu ali, mas, pelo menos, Eiro sabia que o danificou. Ele ainda não tinha uma forma completa, então seu corpo, e com isso sua saúde, dependia do que usava como seu corpo.
O Demônio pulou para trás e estalou seus dedos, com o gerador de faíscas em seu polegar e dedo médio, e fez chamas explodirem na direção de <O Mundo>.
Ele fez as chamas cercarem seu inimigo para que pudesse fazer o sangue negro, que fazia parte do seu corpo, ferver e talvez endurecer. Se ele conseguisse de alguma forma se tornar pegajoso e fazer partes das rochas se grudarem e prejudicarem os movimentos de o Mundo, isso seria ainda melhor.
Com essa esperança, Eiro continuou correndo ao redor do caminho enquanto tentava evitar quaisquer ataques que o mundo pudesse tentar usar, mas ele se desfez em névoa mais uma vez e se aproximou do Demônio.
Eiro já havia conseguido causar uma quantidade considerável de dano através disso, o equivalente a alguns pontos de vida, então tinha certeza de que conseguiria diminuir constante a vida daquela coisa e derrotá-lo. Era um tanto decepcionante para um Monstro Nobre, para ser honesto.
Durante alguns minutos, foi exatamente isso que aconteceu e Eiro conseguiu reduzir a vida do Mundo em alguns milhares de pontos, mas em algum momento, parecia que Mundo havia tido o suficiente. Ainda havia alguns monstros no subsolo, então o Mundo afundou na terra com suas mãos de rocha e fez um desses monstros emergir. A primeira coisa que fez foi abrir o monstro, da mesma forma que Eiro e Hyjun foram antes.
O mundo começou a assimilar tudo o que o monstro tinha. Suas habilidades, seus sentidos, tudo. Parecia que este monstro em particular era cego, como a maioria dos monstros que viajavam pelo subsolo, então seus outros sentidos eram mais fortes.
Depois que as habilidades desse monstro foram devoradas e o corpo do Mundo começou a mudar um pouco, ele prosseguiu e assumiu seu corpo também. As garras que ele usava para cavar, o nariz que usava para se navegar e o maior erro do Mundo… seus olhos.
Agora, Eiro conseguia ver as notificações do mundo. Isso não o ajudaria tanto, mas era um bom começo.
O corpo do mundo cresceu um pouco depois de consumir a carne do monstro, embora isso parecesse ter substituído partes do seu corpo de rocha. Por dentro agora ele parecia ser feito de músculos, desde que isso parecia uma ideia melhor quando comparada às rochas.
Mas para Eiro isso facilitou para que causasse danos, contanto que conseguisse aquecer a área. Como o Diabrete ainda tinha um pouco de água, ele poderia começar a fervê-la enquanto continuava correndo ao redor do caminho, balançando sua cauda em padrões aparente aleatórios.
Ao combinar Magia de Vento e Água, Eiro conseguiu com muita facilidade converter toda a água em vapor, enquanto se certificava de que ele não escaparia. Ao mesmo tempo que condensava o vapor em um lugar ao redor do mundo, Eiro também adicionou ainda mais chamas à mistura, tentando fazer tudo queimar o máximo possível. O vapor viajou pelas finas aberturas entre as rochas cada vez mais fundo no corpo do Mundo, vaporizando de dentro para fora, enquanto o Diabrete aquecia as rochas do exterior para transformá-lo no que só poderia ser descrito como um forno.
Eiro mataria essa coisa, não importava o que aconteça. Algumas vezes, o Mundo tentou se transportar para longe usando a névoa negra, mas sempre que fazia isso o vapor e chamas de Eiro viajavam com ele. Parecia que ele estava mais lento por ter magia desconhecida, dentro do seu corpo, mas ele fez algo que incomodou Eiro um pouco. Ele cavou a terra e viajou por lá. Apesar disso, isso provavelmente foi uma ideia muito ruim…
Ele poderia navegar pela terra e emergir de qualquer lugar, mas como Eiro sabia onde ele estava, ele era capaz de prever onde esse ‘qualquer lugar’ era, e quando o Mundo reapareceu… dessa forma… Eiro poderia guiá-lo para onde quisesse e para fazer o que desejasse.
Eiro não tinha muitas pedras mágicas no momento, mas ele ainda estava disposto a sacrificá-las para matar Mundo.
Ele reemergiu algumas vezes durante os minutos seguintes, cada vez no lugar em que Eiro desejava. E, enquanto corria ao redor do caminho, em direção às quatro saídas que Eiro o fez criar, ele inseriu o máximo de mana que conseguia nas pedras mágicas e fez explosões viajarem pelos buracos.
Para evitar isso, o Mundo tinha que fazer uma coisa: vir até o centro do quadrado formado pelos quatro buracos.
Ele cavou para sair enquanto sofria mais danos das chamas, e Eiro sorriu um pouco enquanto se esticava.
— Acabou. Vamos terminar com isso, acho que as crianças podem estar me esperando. — Eiro riu e, de repente, algo que surpreendeu até mesmo o Diabo apareceu.
Usando rochas e pedregulhos, água, vapor e até mesmo chamas, Eiro estava criando um enorme círculo mágico esse tempo todo. Era nisso que estava trabalhando com a lâmina conectada à sua cauda enquanto lutava com o Mundo, tentando manipular todo o todo o tipo de coisa, ao mesmo tempo que o tornava invisível para o ataque final.
— Oh, como eu pensei. Realmente interessante. — O Diabo sorriu e Eiro estalou os dedos uma segunda vez, fazendo chamas aparecerem.
O círculo mágico foi ativado e um tremor profundo viajou pelo ar em direção ao centro do círculo mágico. Com um forte impacto, todas as partes que costumavam fazer parte do corpo do Mundo foram espalhadas, incluindo os inúmeros pequenos ‘aspectos’ das versões de Hyjun e aqueles monstros subterrâneos.
Eiro tentou se certificar de que conseguiria encontrá-los depois… Ele estava bastante curioso com o que poderia ser feito com eles, afinal.
Depois que o corpo do Mundo foi mais uma vez reduzido a nada, ele permaneceu ali, em sua forma invisível parecida com uma criança, até que Eiro se aproximou devagar.
Com um balanço do seu braço, ele cortou o corpo invisível.
[Dano letal causado a <O Mundo>]
[Você matou um nobre. Experiência multiplicada por 10.
[Você subiu de nível!]
[Você subiu de nível!]
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[Você subiu de nível!]
[Você tem 420 pontos de status disponíveis!]