
Volume 3 - Capítulo 147
A Virtude do Demônio
— Espera, então o Gnomo se tornou um Golem agora? — Arc perguntou curioso, enquanto se levantava para dar uma olhada mais de perto em Gondos, e o Espírito acenou com a cabeça e se curvou um pouco enquanto ainda flutuava no ar.
— É um prazer conhecer todos vocês. Sou de fato o Gnomo que os acompanhou até agora. Meu nome é Gondos. — O Golem explicou, e Avalin pulou animada e caminhou até ele.
— Legal! — Ela exclamou e tentou segurar o Espírito, embora Eiro tenha se agachado e segurado a garotinha.
— Não, não, pare com isso. Ele não é um pet. — Eiro disse para Avalin, e a jovem assentiu.
— Certo! — Ela exclamou. O Demônio foi até a carruagem, observando os outros.
— Todos estão prontos para sair? — Eiro perguntou, enquanto a garota em seus braços abraçava o pescoço do Demônio e se aconchegava nele. Todos estavam prontos para partir, então Arc e Clementine caminharam até os Arias, mas quando os outros tentaram entrar na carruagem, Felix olhou para Eiro e levantou as mãos.
Parecia que ele estava tentando se lembrar de como dizer uma palavra na linguagem de sinais, mas quando conseguiu, Eiro a leu em sua mente.
‘O que eu fiz, hein?’ Ele pensou para si, e Eiro sorriu de volta e começou a explicar, alto para que os outros também conseguissem ouvir, claro.
— Só dominei uma vila de monstros para conseguir uma fonte de pedras mágicas. — O Diabrete explicou, tentando comunicar tudo em linguagem de sinais o mais devagar possível para que Felix compreendesse. Na verdade isso foi bastante difícil de fazer, pois estava carregando Avalin, mas assim que terminou de falar, os outros o encararam confusos.
— Você fez o quê? — Rudy questionou confuso e incrédulo, enquanto Felix tentava entender se havia de alguma forma entendido errado os sinais e olhava para os outros.
— Sim, há uma pequena vila de Goblins da Montanha perto daqui. Lá havia uma mana muito densa que Gondos estava interessado, depois me interessei na mina de pedras mágicas que estava lá. Então, destronei o ‘Lorde’ Hobgoblin daquele lugar e assumi o controle. Um sujeito bem esperto para um Goblin, na verdade. Seu nome é Gobo.
Com uma risada, Arc prendeu um dos Aria na carruagem.
— Você está brincando, certo? — Ele questionou, mas Eiro olhou de volta para ele com uma carranca.
— Claro que não. Estou falando sério. A melhor parte é que há uma cidade bem grande não muito longe daqui, e como estamos em Skyhart agora, posso voltar aqui depois de visitarmos Solomon e aquele pirralho. — Eiro comentou e depois olhou para Felix com um sorriso. Ele sinalizou ‘Conto para você mais tarde’, para que pudesse explicar depois quando tivesse mais tempo.
— Não é bastante perigoso tentar liderar uma vila de Goblins? — Sammy questionou, um pouco preocupada, e Eiro refletiu sobre.
— Claro, mas apenas se alguém descobrir sobre isso. Se alguém me vir naquele lugar, eu “abortarei” a missão, matarei os Goblins e o problema estará resolvido.
— Acho que ela não estava falando sobre sua identidade ser descoberta… — Clementine falou. — Mas, os próprios Goblins são bastante perigosos, não são?
— Hm, eles não pareciam tão fortes para mim, para ser honesto. — Eiro respondeu. — Embora haja muitos deles… Goblins são monstros que matei para subir de nível quando era apenas um Diabrete Inferior, então não acho que sejam tão fortes?
— Eh… Justo… — Rudy murmurou,e Eiro sorriu de volta para eles.
— E, mesmo assim, monstros como esses são bastante fáceis de lidar. Assim que se tornam um pouco mais espertos, eles param de ser tão bestiais e podem ser controlados mais facilmente. Contanto que nenhum deles consiga alguma evolução única, deve ficar bem.
Com isso dito, Eiro queria tentar guiar esses Goblins às evoluções incomuns ou raras, entregando itens que Goblins não teriam em mãos de outra forma. Como alguns monstros poderiam evoluir dependendo do tipo de ‘profissão’ que tinham, dar a eles objetos como picaretas ou algo que podia ajudá-los a minerar pedras mágicas podia resultar em Goblins Mineradores.
Ou se houvesse outras coisas que eram úteis além de mineração, então poderia valer a pena investir nesse tipo de coisa. Treinar alguns deles para serem fortes em combate também seria uma boa ideia, então poderia proteger a vila enquanto Eiro não estivesse por perto.
Então, também precisaria de algumas armas… De qualquer forma, Eiro decidiu que poderia passar o resto da viagem pensando em ideias para isso, mas por ora ajudou a preparar a carruagem para o resto da viagem de hoje.
Arc começou a dirigir e Eiro subiu nas costas de Lugo, vestindo sua máscara enquanto seguia a carruagem. O caminho era bastante estreito no momento, então Eiro não poderia montar na frente deles o tempo todo.
Mas esse tempo foi aproveitado por Eiro, conversando com Gondos e pedindo para ele tentar refinar algumas rochas que Eiro havia recolhido da estrada usando sua Magia de Terra, afinal ‘refinar’ era uma habilidade que apenas Espíritos poderiam aprender. E mesmo que Gondos tivesse ‘amadurecido’ e não fosse mais um Espírito imaturo, o nível e o grau de suas habilidades ainda eram muito baixos. Ele tinha que praticar mais um pouco para ser capaz de realizar o tipo de refinamento que Nelli conseguia.
Tudo o que Gondos poderia fazer era “arrancar” certas coisas de uma massa de terra, mas logo ele deveria ser capaz de mudar como a rocha em si se parecia. Ele havia lido que terra refinada era o solo perfeito para plantar diferentes coisas, então queria tentar algumas coisas. O Demônio não conseguia saber que tipo de coisas poderia fazer crescer.
Plantar algo em solo refinado e regar com água refinada. De alguma forma, ele ficou muito animado com essa ideia. Talvez fosse apenas ele ficando animado com a ideia de ter um novo lugar para ficar tempo suficiente para plantar apropriadamente. Eles não poderiam voltar para a casa onde viveram mais de sete anos, afinal.
Com um suspiro, o Diabrete começou a olhar ao redor da área, tentando ter certeza de que não havia monstros ou pessoas problemáticas por perto e então retirou um livro de sua Tesouraria para ler um pouco.
E desse modo, a viagem para passar a cadeia de montanhas continuou.
—
Olhando para o mapa em suas mãos, Eiro mal conseguia acreditar. Nesse instante, ele conseguiu ver o local que estava procurando. Estavam logo acima de uma montanha gigante, e o que tinham que fazer era subir a montanha para chegar ao templo no topo.
Eiro mal conseguia ver algumas decorações douradas colocadas ao redor das paredes. O Demônio ficou muito animado ao ver isso. Isso significava que poderiam subir a montanha e terminar com isso! Sammy e Leon teriam suas habilidades desbloqueadas, e Eiro não teria mais que se preocupar com eles sentindo dor!
No pé da montanha, logo onde o caminho para subir até o pico começava, havia uma pequena vila. Ela não parecia especial para ele, e as pessoas ali eram bastante quietas. Especialmente nesta época.
Eles estavam no norte, então durante esse tempo em que o inverno estava se aproximando e a primeira neve caía, todos estavam se preparando para passar à estação fria.
Eiro sorriu leve e olhou para frente, enquanto entravam pelo portão da vila e seguiam para o lado mais distante do ‘portão’.
Por algum motivo a carruagem desacelerou logo antes dos Arias colocarem os pés no tijolo onde a ‘estrada’ começava.
— Huh? O que está acontecendo? Vamos! — Arc exclamou, tentando fazer com que os Arias se movessem, mas eles resistiram aos comandos, pelo menos quando se tratava de atravessar o arco de tijolos na frente deles.
Eiro desceu das costas de Lugo e caminhou até o arco para ver o que ocorria. E logo quando tentou, sentiu arrepios percorrerem a sua espinha. Ele se virou e percebeu o que acontecia com os Aria. Eles estavam assustados. Era parecido com Lugo, ele estava com medo de subir esta montanha.
Mas isso era estranho, Eiro não percebeu nada até que parou na frente do portão. Entretanto, esse sentimento era algo bastante familiar. Era semelhante à quando ele ainda estava sob o controle da Avalin original, quando entrou na cidade flutuante acima do lago.
Parecia que havia um monstro sob aquela cidade que era tão forte que sua mera existência assustava os outros monstros.
Mas dessa vez foi diferente, não havia nada se Eiro estivesse a alguns metros de distância, mas no instante em que ficava a um passo de distância do arco, conseguia sentir a pressão do que quer que fosse o que estivesse ali.
— Ah, sim, tenho medo de que você não consiga levar esta carruagem com você. — Um homem explicou. Ele vestia roupas que Eiro só havia visto em ilustrações antes. Elas eram as vestes de um monge, e Eiro se virou para olhar para o homem que se aproximava.
— Algo está selado aqui, certo? — Eiro perguntou com um olhar profundo, e o monge levantou as sobrancelhas, surpreso.
— Esse é de fato o caso. Entretanto não há muitas pessoas que sabem sobre isso. Posso perguntar de onde você é? — O monge perguntou e o demônio olhou para a carruagem.
— Deveria haver alguém lá em cima capaz de ajudar minhas crianças, mas nós não podemos levar a carruagem? — O Demônio perguntou, e o monge balançou a cabeça.
— Receio que não. Esse lugar requer uma força de vontade imensa para se aproximar. O ser que está selado aqui é bastante perigoso. Bestas mágicas em particular podem sentir tais coisas com facilidade, mas é difícil até mesmo para algumas pessoas escalarem toda a montanha.
Com uma carranca profunda, Eiro olhou para Nelli mas ela só balançou a cabeça. Parecia que nem mesmo ela sabia sobre isso.
— Beleza, então nós iremos a pé. — O Diabrete anunciou e estava para dizer a Arc para mover a carruagem para o lado da estrada até que encontrassem algum estábulo, embora o monge tenha o impedido.
— Eu sugeriria que não deixassem algo tão importante como esta carruagem e estas duas bestas mágicas sozinhas. Não há alguém com quem vocês possam deixá-las? — O monge perguntou e Eiro suspirou. Ele estava certo, uma carruagem e bestas mágicas como essas valiam o suficiente para algumas pessoas matarem por isso. Esse lugar era bastante seguro, mas ainda era arriscado.
— Sim… Arc, vamos lá. Levaremos vocês até a pousada. Sammy, Leon e eu subiremos sozinhos. — Eiro anunciou, e o monge sorriu depois de ouvir isso.
— Entendo. Posso mostrar uma pousada para vocês, se desejarem. Estava para subir a montanha também, então vocês três podem me acompanhar… Não me importo de guiá-los até lá.