
Volume 3 - Capítulo 146
A Virtude do Demônio
Eiro olhou para o Espírito da Terra, encarando com curiosidade cada parte do corpo dele. Com um sorriso no rosto o Demônio cruzou os braços.
— É mesmo? Então, pode me dizer o seu nome? — Ele perguntou e o Golem assentiu.
— É claro. Meu nome é Gondos Holmstir. — O Golem explicou.
— Gondos, entendo. É um prazer ser apresentado formalmente a você. — Eiro sorriu e Nelli flutuou até Gondos e olhou para ele com curiosidade.
— Nada mal, nada mal… — Ela murmurou e Gondos se virou para a Náiade.
— Obrigado. Só posso dizer ‘igualmente’. — Gondos disse para ela, olhando em seguida para o Demônio à sua frente. — Mas isso não importa por agora. Eiro, prometi que formaria um contrato igualitário com você depois que amadurecer e essa é uma promessa que gostaria de cumprir. Em breve de preferência, pois não parece que conseguirei continuar assim por muito tempo, sem uma fonte de mana. — O Golem explicou e, em resposta, Eiro acenou a cabeça.
— Entendi. Então vamos fazer isso agora mesmo.
Com um sorriso, Gondos flutuou até Eiro e colocou sua mão no centro do peito dele. Eiro se recordou da forma como fez o primeiro contrato com Nelli, então conseguiram fazer esse sem demora já que era muito fácil. Havia algumas diferenças. Por exemplo, no que dizia respeito aos detalhes do elemento Terra e ao que alguém ‘prometeria’ em relação a isso, mas pela maior parte Eiro conseguiu usar o que se lembrava e o que Nelli disse para ele sobre contratos no geral para acelerar todo o processo.
Claro que durante todo o processo Eiro e o Golem deram sua mana um para o outro, assim como o contrato com Nelli. Um tempo depois uma notificação apareceu na frente do Diabrete.
[Você formou um contrato com o Golem — Gondos Holmstir]
Eiro sorriu e passou os dedos pela notificação, se virando e encarando os goblins que ainda estavam curvados. Pensando que essa era uma boa chance de acabar com aquilo, Eiro se sentou na laje de pedra e se inclinou para frente, encarando o antigo lorde da vila.
— Gobo. Levante-se. — Eiro comandou, mais uma vez amplificando sua voz com magia de vento, e imediatamente o Hobgoblin levantou a cabeça e encarou o demônio. Ele se levantou e encarou Eiro, com um pouco de nervosismo. — Venha. — O Demônio comandou em sequência, e Gobo seguiu o comando, embora um pouco hesitante. Ele parou na frente de Eiro, que apenas apontou para o chão. — Ajoelhe-se. — Ele disse.
Agora que Eiro estava olhando para Gobo, ele começou a falar com o Hobgoblin.
— Por que você minera as pedras mágicas daqui? — Eiro questionou e Gobo levantou a cabeça para responder.
— … Pedras brilhantes e fortes. Gobo não quer escravos. Gobo quer força. Gobo usa pedras brilhantes para força. — Com uma leve carranca, Eiro olhou para o Hobgoblin em contemplação.
Se ele pensasse que as pedras mágicas eram um símbolo de força, então isso significava que ele foi domado por um mago antes, e isso também não era tão incomum, magos domarem monstros humanoides, afinal eles teriam um assistente que poderiam ameaçar sempre que quisessem e que poderia cuidar das tarefas que ninguém queria fazer.
Além disso, como Goblins tinham uma resistência natural contra vários venenos, podiam ser usados especial para testar coisas como poções e outras soluções.
— Hm. Então continue minerando, Gobo. — Eiro comandou e o Hobgoblin ficou muito surpreso. Ele pensou que seria morto e que não poderia continuar o que queria fazer, então essa foi uma surpresa agradável.
De repente Eiro moveu as mãos para o lado e retirou algumas pedras mágicas do ar e as entregou para Gobo.
— Pegue essas como uma pequena ‘recompensa’ por agora. Você conseguirá mais delas quando eu retornar e ver que fez um bom trabalho.
— Mais? Mais pedras brilhantes? — O hobgoblin perguntou, e Eiro acenou com a cabeça.
— Sim, mais pedras brilhantes. Essas são diferentes da que você encontra aqui, certo? — O Diabrete apontou e segurou as pedras mágicas no pescoço de Gobo. O Hobgoblin assentiu, animado.
— Então, eu espero que você faça o seu trabalho. Tenha certeza de não me decepcionar, Gobo. — O Demônio comandou, saindo da laje de pedra.
Ele caminhou por Gobo e o encarou enquanto passava.
— Tenho certeza de que você sabe o que acontecerá se me desapontar, certo? — Eiro anunciou para o Hobgoblin. Parecia que esse cara não conseguiu fugir para escapar da condição anterior, mas em vez disso foi abandonado ou seu dono anterior apenas morreu.
Gobo podia ter um arranhão que rasgou a tatuagem de propriedade no meio, mas estava escutando tão bem que ele duvidava que ele tinha uma força de vontade alta. Ele tinha uma força considerável e parecia mais inteligente do que os outros goblins e hobgoblins aqui.
Depois de passar pelos outros habitantes vila recém-dominada o Demônio caminhou pelo sistema de cavernas que levava para fora deste lugar. Parecia que alguns goblins tentavam segui-lo, e conseguiram fazê-lo com bastante habilidade, mas com a furtividade de Eiro de alto nível, era impossível que eles continuassem o observando por muito tempo se ele quisesse se esconder.
Sem mencionar que Eiro era muito mais rápido. Assim que Eiro se espremeu por uma abertura estreita que formava a saída deste sistema de cavernas, o Demônio desceu por ali e logo encontrou a estrada que usaram.
Era uma caminhada de apenas cinco minutos de onde as crianças estavam, então Eiro escolheu caminhar um pouco e deixar as crianças por conta própria mais um tempo. Ele ainda conseguia percebê-las perfeitamente então elas poderiam agir como se Eiro não estivesse ali.
E de repente ele voltou sua atenção e olhou para a notificação que apareceu na sua frente alguns minutos depois que saiu da vila.
[Agora você é o dono da Vila dos Goblins da Montanha]
[Habilidade Liderança subiu de nível!]
[Habilidade Liderança subiu de nível!]
[Habilidade Liderança subiu de nível!]
— Hm, legal, — Eiro sorriu e fez as notificações desaparecerem.
— Então, por que você fez isso? — Gondos perguntou curioso, observando a névoa azul desaparecer.
O Diabrete levantou as sobrancelhas e desviou os olhos para olhar para o Golem.
— Você estava lá quando eu disse para Nelli, certo? É pelas pedras mágicas. Elas são difíceis de comprar então queria ter uma boa fonte delas.
— Mesmo que esse seja o caso, — Gondos começou — de alguma forma, isso não é exata verdade para você, é? Eu não entendo muito bem, mas um Rei deve ser uma das pessoas que consegue essas pedras mágicas, certo?
— Oh, sim, com certeza. — Nelli concordou.
— E acho que só há um tipo de pedra mágica ali: terra. Você acabou de fazer um contrato com um Espírito da Terra, o que é milhares de vezes melhor do que qualquer tipo de pedra mágica, mesmo que eu não possa te ajudar a praticar magia.
Com um leve suspiro Eiro assentiu, mesmo que olhasse para Nelli um pouco desapontado.
— Pensei que pelo menos você entenderia. — Eiro apontou e começou a explicar, ou pelo menos tentou, pois foi interrompido pela teoria em que Gondos pensou.
— Ah, então você desfruta do ato de dominar aqueles mais fracos do que você? Se é isso mesmo, então-
— Não. — O Demônio interrompeu de imediato. — Apenas porque eu gosto de manter algumas vezes, não significa que eu… — Euro começou, mas virou lentamente a cabeça. — … deixa para lá, na verdade é meio libertador, é confuso.
Eiro balançou a cabeça para que seus pensamentos voltassem ao normal.
— Mas não é isso. Nelli, você se recorda quando testamos a afinidade de todos em casa pela primeira vez? — O Diabrete perguntou e Nelli assentiu.
— Sim, o que tem isso? O que isso tem a ver com o que aconteceu?
— Tudo, talvez? Não tenho muita certeza, mas tenho uma leve afinidade com o elemento sombra. Estou bastante certo de que não fui criado com essa afinidade, caso contrário, ela seria mais potente, mas eu mesmo desenvolvi essa afinidade. É como quando desenvolvi minha afinidade com fogo na água fervendo.
— Oh, espere… então aquelas pedras mágicas das sombras que você usou algumas vezes aumentaram a sua afinidade com a sombra? — Nello perguntou e Eiro assentiu.
— É o que eu acho, pelo menos. Pareceu uma boa ideia tentar aumentar minha afinidade com outro elemento com a ajuda daquelas pedras mágicas. Ou melhor, tentar despertar uma afinidade avançada. — Eiro explicou e Nelli abriu os olhos devagar.
—Oh! Certo! Pedras mágicas da natureza!
De imediato, Eiro acenou a cabeça em resposta à percepção do Espírito.
— Exatamente isso.
Entretanto, parecia que o segundo espírito contratado de Eiro ficou um pouco confuso com tudo isso e olhou para o demônio.
— Então, você está fazendo tudo isso apenas para ter a chance de conseguir magia da natureza?
— Uhum. Uma pessoa importante para mim tinha esse elemento, e agora que tenho tanto um Espírito de água quanto um de terra, que são os dois elementos base para o elemento natureza, espero que isso ajude. Especialmente em lugares como esses, onde a mana natural do ambiente é forte e densa, pedras mágicas da Natureza são bem prováveis de aparecer em minas de pedras mágicas. Elas são o tipo mais comum de pedra mágica, pois existem algumas delas em todo tipo de mina de pedra mágica, mas elas não são vendidas porque algum tipo de reino florestal idiota afirmou monopólio sobre elas. É como a igreja, eles de alguma forma têm o poder para fazer isso. — Eiro suspirou irritado, coçando o seu pescoço.
— Vi algumas pedras mágicas não refinadas que tinham um cheiro um pouco diferente das pedras mágicas de terra regulares, e o cheiro me recordou dessa pessoa importante para mim, então eu sabia que definitiva havia algumas delas ali. — O Demônio continuou explicando. — Espero que, quando voltarmos, possa começar a desenvolver um pouco do meu elemento natureza.
— Você pensou bastante, não é? — Nelli riu e Eiro deu de ombros, com um olhar presunçoso.
— O que eu posso dizer, é o que eu falo. Oh, e aliás… — Eiro disse, depois de recordar de algo importante. — Se algum de vocês mencionar o fato de que tenho a habilidade de tortura, vocês se tornarão lama juntos, entenderam?
Com essa ameaça, Eiro continuou caminhando, enquanto Gondos desacelerava. Nelli percebeu que aquilo era uma piada, mas Gondos não estava com Eiro há muito tempo. Com um suspiro, a Náiade flutuou até o Golem e o puxou, tranquilizando-o de que ele não estava falando sério.
E enquanto revirava os olhos Eiro logo avistou a carruagem. O Diabrete se aproximou com um sorriso e acenou para o grupo quando viu que eles o notaram.