
Volume 3 - Capítulo 144
A Virtude do Demônio
Eiro desceu a parede do penhasco enquanto se transformava no seu modo sombra e tentava o seu melhor para permanecer oculto. Isso não foi tão difícil de se fazer, para ser honesto. Goblins não eram tão espertos e a percepção deles também não era das melhores. Ele conseguiu entrar facilmente na casa de um dos goblins.
Fedia a goblin ali dentro, mesmo que o cheiro fosse muito, muito mais tolerável do que estava acostumado com goblins normais e, para sua surpresa, parecia haver uma tentativa de ‘mobiliar’ a casa de verdade. Uma cama de palha, algo como uma mesa de pedra e até mesmo uma fogueira pessoal. Nenhuma delas tinha uma qualidade incrível, mas era melhor do que esperava.
Parecia que os outros lugares eram muito similares a este, mas Eiro percebeu mais um detalhe que esteve ignorando esse tempo todo: a maioria dos goblins vestia colares parecidos com pedras mágicas pendurados apenas por um fio. Assim que percebeu isso, escolheu investigar onde eles conseguiam isso.
Ele descobriu o local que procurava, onde emanava o cheiro de magia.
— Nelli, aqui embaixo. O que você vê? — Eiro perguntou e apontou para um dos buracos no outro penhasco, e Nelli estreitou os olhos.
— Há muita mana ali… E mana elemental de diferentes tipos… É bastante densa, mas a maioria está sendo absorvida pela laje de pedra que encontramos antes. — Ela explicou e Eiro sorriu.
— É mesmo? Mana elemental que é puxada através de camadas e camadas dessa rocha… — Eiro murmurou e decidiu avançar pela vila goblin. Ele continuou se escondendo onde quer que conseguisse para não chamar atenção, tudo isso enquanto continuava investigando se os seus pensamentos estavam certos ou não.
Ele foi até o outro penhasco e subiu em um dos buracos de onde sentiu o odor de magia vindo. Assim que Eiro se aprofundou um pouco mais, logo encontrou o que procurava. Com Magia de Terra, raspou a superfície da rocha para revelar um cristal amarelo embaixo.
— Espere, não me diga…
— É uma mina de pedras mágicas. Mudança de planos: em vez de matar todos esses caras, tenho uma ideia melhor. — Ele anunciou e desceu do buraco olhar ao redor. Coincidente, parecia uma boa hora para começar com isso.
O Demônio continuou escalando a lateral da parede do penhasco e foi em direção ao local em que os nove Hobgoblins se encontravam. Muitos dos outros goblins estavam reunidos ali, lutando uns contra os outros enquanto seus líderes assistiam e se divertiam.
Eiro pensou que poderia assistir por um tempo e ver o que esses caras fariam. Parecia que um duelo estava ocorrendo entre dois goblins bastante frágeis, aparente até a morte.
Ele não pôde se conter, então retirou sua máscara para fechar o seu nariz por conta do fedor repugnante do sangue deles. Eiro não sabia por que o sangue de goblins cheirava tão mal, mas se fosse levar essa ideia adiante, teria que fazer com que todos evoluíssem para se livrar do fedor do sangue deles. Apesar do sangue de um Hobgoblin ainda cheirar muito mal, era pelo menos tolerável. Não era tão ruim como… isso.
Logo um dos goblins morreu e um dos hobgoblins se levantou e caminhou em direção ao cadáver do que perdeu. Ele enfiou seus dedos no peito do goblin e retirou seu coração com as mãos nuas, segurando-o acima da cabeça para deixar o sangue verde e turvo escorrer para o seu braço.
Ele gritou algumas coisas na linguagem dos goblins, mas não parecia importante. Talvez Eiro devesse tentar aprender isso, pois duvidava que alguma dessas criaturas seria capaz de aprender a linguagem comum.
Com um suspiro irritado, observou enquanto o Hobgoblin entregava o coração para o vencedor, que o devorou sem pensar duas vezes. Enquanto comia, o cadáver do perdedor foi jogado para a multidão que começou a despedaçá-lo antes mesmo de pousar.
Enquanto o vencedor terminava de comer, outro entrou na pequena ‘arena’ e a luta recomeçou.
— Hmm. Todos os goblins que estão lutando parecem muito fracos se comparados aos outros. — Eiro murmurou e deu de ombros, descendo até o chão. E com passos casuais, caminhou através do grupo de goblins e sorriu enquanto abria caminho.
— Me desculpe, posso ir para a frente por um instante? Sim, obrigado. — Eiro disse, enquanto os goblins encaravam o intruso, que pulou até a arena.
Os dois goblins interromperam sua luta e rosnaram para Eiro enquanto os oito hobgoblins ‘mais fracos’ se levantavam, prontos para matar o demônio.
— Haha, duvido que você queira isso. — O Demônio comentou, inserindo Força Vital nas suas pernas, quadril e costas e depois chutando o chão. Ele usou a força para expelir mana extra e quebrar as rochas sobre as quais estava. Essas rochas foram controladas por Eiro e flutuaram acima e atrás deles. Os goblins pareceram hesitar por um momento, mas os dois que deveriam estar lutando ainda escolheram atacá-lo. Com os crânios obliterados, caíram no chão.
[Dano letal causado ao Goblin da Montanha]
[Dano letal causado ao Goblin da Montanha]
— Oh, Goblins da Montanha! — Eiro exclamou. — É apenas uma variedade de um Goblin comum, hein? — O Diabrete comentou, enquanto continuava fechando o nariz.
Enquanto Eiro lia as notificações, foi atacado por um dos Hobgoblins. Claro, ele ainda era muito mais fraco do que Eiro. Mesmo que o Demônio fosse atingido pelo monstro, ele sofreria pouco ou nenhum dano, mas em vez disso ele cobriu as mãos com rochas e escolheu dar um soco na mandíbula dele, que estava a alguns passos de distância, enquanto o Hobgoblin gritava.
— Me desculpe, você é um pouco barulhento, então cale a boca. Quero terminar com isso logo. — Eiro comentou, cobrindo a cabeça do Hobgoblin com rochas e esmagando-a até virar polpa, com inúmeras rachaduras cobrindo o seu crânio.
[Dano letal causado ao Hobgoblin da Montanha]
[Você subiu de nível!]
[Você tem 55 pontos de status disponíveis]
Com um sorriso satisfeito por ter subido de nível apesar de não esperar, Eiro passou pelo cadáver e caminhou em direção ao local onde estavam os outros. Nesse ponto, os goblins estavam muito hesitantes para atacar, afinal ele acabou de matar um dos seres que eles pensavam ser um dos mais fortes no mundo, então não havia como encontrar coragem para atacá-lo.
No entanto os outros Hobgoblins ainda precisavam aprender isso.
— Claro, acho que posso poupar metade de vocês para servir de exemplo. — Ele comentou e então dividiu as rochas em pedaços menores que flutuavam ao lado de sua mão.
E no próximo instante o Demônio arremessou rocha após rocha em direção à cabeça desses Hobgoblins. Um deles foi atingido na lateral da cabeça e caiu inconsciente, mas não estava morto, outro ficou cego e outro perdeu a maioria dos dentes.
Sem hesitar, Eiro se aproximou e esmagou suas cabeças com o resto das rochas que ainda flutuavam ao seu lado.
[Dano letal causado ao Hobgoblin da Montanha]
[Dano letal causado ao Hobgoblin da Montanha]
[Dano letal causado ao Hobgoblin da Montanha]
Eiro olhou ao redor e logo viu que até mesmo os outros Hobgoblins pararam de atacar.
— Oh, vocês são mais espertos do que goblins normais, hein? — Ele exclamou. — Pelo menos, perceberam que morreriam se ousassem me atacar! — Eiro ressaltou. Foi isso que presumiu embora, no momento seguinte, descobrisse que um deles ainda era tolo o suficiente para tentar isso.
E esse era o chefe desses carinhas: o ‘Lorde’ desta vila. Ele se levantou da laje de pedra e pisou na arena. Ele era mais alto do que os outros, então era um pouco menor do que o próprio Eiro.
— Olá! Prazer em conhecê-lo, estou assumindo o controle deste lugar daqui em diante! — O Diabrete exclamou com um sorriso brilhante e o Hobgoblin apenas o encarou com um olhar profundo.
— Pele-vermelha… não assustador… Gobo. Gobo… forte. Pele-vermelha… fraco.
Com uma expressão surpresa, Eiro levantou as sobrancelhas e começou a examinar o monstro de cima a baixo com mais atenção.
— Hmm, você sabe como falar na linguagem comum, hein? — Ele questionou, e avistou a coisa que mostrou a ele o que estava acontecendo. Na parte de trás do pescoço dele, o Hobgoblin tinha vestígios de uma tatuagem que havia sido cortada de forma irregular por garras. Eiro reconheceu o padrão, era do mesmo tipo que alguns domadores costumavam usar para colocar seus monstros sob controle.
— Entendo, entendo. — Eiro murmurou, e então começou a sorrir enquanto percebia o que isso significava. — Parece que é por isso que você é o líder. Você sabe como um líder assustador e controlador é. Parece que, através de você, este lugar progrediu muito bem.
O Hobgoblin pegou a espada enferrujada que guardava em sua bainha quebrada e tentou balançá-la na direção de Eiro, mas o Demônio tinha outra ideia. Sem hesitação, Eiro socou o centro do peito dele, enquanto empurrava um leve pulso de mana no corpo da criatura. Imediatamente o corpo dela parou de se mover e ficou tenso, derrubando a lâmina no chão.
— Pelo menos Enka é bom para esse tipo de coisa. Parece muito doloroso, hein? — Eiro questionou, mesmo que soubesse que o monstro não conseguia mais respondê-lo.
O Hobgoblin caiu no chão, se contorcendo de dor sem sofrer nenhum dano real e Eiro decidiu pressionar seu pé direito na parte de trás da cabeça de ‘Gobo’ para pressioná-la no chão.
— Desculpe, amiguinho. Este lugar agora é meu.
…