
Volume 3 - Capítulo 143
A Virtude do Demônio
Eiro abriu os olhos e respirou fundo enquanto olhava para o Gnomo flutuando na sua frente. Durante a última semana, ele havia progredido bastante. Parecia que Nelli concordava que ele logo encontraria o seu nome e Eiro esperava que isso acontecesse dentro dois próximos dois dias, desde que teriam que atravessar uma cadeia de montanhas em breve.
Isso significava que estariam entrando no habitat natural desse cara. A maioria dos Espíritos de Terra vivia nesse tipo de lugar, afinal. Com sorte eles conseguiram encontrar um lugar onde outros Espíritos viviam ou um lugar onde a mana natural era especial e densa pelo menos. De qualquer forma, isso seria muito útil.
Eiro se levantou do solo e se esticou um pouco. Logo amanheceria, então os outros deveriam acordar em breve. Nesse meio tempo, imaginou que deveria dar mais uma olhada com atenção nos ferimentos da semana passada.
Ele caminhou até a carruagem e colocou sua bolsa em cima do banco na frente da carruagem, retirando sua máscara e capa, colocando ambas na sua tesouraria. A primeira coisa que fez foi começar a limpar os cortes no seu corpo, depois de retirar as bandagens. Ele tentou seu melhor para ter certeza de que não havia sujeira ou algo do tipo.
A maioria dos seus ferimentos estavam cicatrizando muito bem, especialmente ao considerar que Nelli o curava todo dia. Assim que seus ferimentos ficaram limpos, o Demônio retirou um pequeno frasco de couro da sua bolsa e o abriu. Usando Magia de Água, retirou o líquido da garrafa.
O líquido era água refinada feita por Nelli, na qual Eiro colocou algumas ervas diferentes que deveriam ajudar a cura natural do seu corpo. A água refinada absorveu essas qualidades muito depressa, e se transformou em um líquido que poderia ser usado para aprimorar as capacidades curativas básicas de magia de cura.
Eiro espalhou um pouco disso em cada um dos seus ferimentos mais graves e então olhou para Nelli, que começou a usá-lo como condutor para Magia de Cura. E enquanto Nelli o ajudava Eiro colocou o resto do líquido que não usou de volta no frasco e o guardou de novo na bolsa. As partes que Nelli estava usando para curá-lo não poderiam, ou melhor, não deveriam ser reutilizadas. Ela apenas descartaria no lado do caminho mais tarde e tudo deveria ficar bem.
A Náiade terminou o que estava fazendo alguns minutos depois, então Eiro pegou a água usando magia e a arremessou atrás da carruagem, que estava parada ao lado da estrada no momento.
Secou-se e colocou novas bandagens em seus ferimentos, vestindo sua máscara e capa de novo. Nesse momento os outros pareceram acordar e se reuniram para comer. Eiro disse bom dia para todos e depois olhou para Felix.
O Demônio levantou sua mão e a esticou, com os dedos pressionados um contra o outro e colocou as pontas de três dedos seus no lado direito do queixo dele, afastando nova a sua mão para longe do rosto dele. Quando Felix repetiu o mesmo gesto, Eiro acenou leve com a cabeça.
Ele ficou feliz de ver que a linguagem de sinal estava meio que funcionando. Logo antes, ambos fizeram o sinal de ‘bom dia’, mas além disso Felix parecia conhecer o básico de como mais alguns deles funcionavam.
A velocidade de aprendizado de ambos foi aprimorada pela habilidade Entendimento de Linguagem de Sinais que ambos receberam. Bem, a de Eiro foi ainda maior pois tinha a habilidade ‘Aprendizado mais rápido’ que recebeu quando sua Sabedoria atingiu 200 pontos. A de Felix subiu também, já ele não fazia nada além de estudar linguagem de sinais usando anotações que Eiro fez para ajudar a ensiná-lo. Habilidades de Grau Iniciante não tinham muito efeito, afinal.
De qualquer forma, por agora Felix era capaz de pelo menos ‘falar’ com os outros de uma maneira simples. Parecia que isso ajudou a acalmá-lo, pelo que Eiro percebeu.
Depois que todos tomaram café da manhã, os dois Arias
foram conectados à carruagem nova e Arc se sentou na frente dela para dirigi-la. Sem demora entraram na cadeia de montanhas e a subida ficou bem íngreme. Isso os desacelerou um pouco, mas menos do que Eiro esperava.
A carruagem conseguia se virar bem rápido, e os Arias tinham uma boa aderência no solo, então eram capazes de prosseguir muito rapidamente de qualquer forma. Entretanto, como os Arias tinham que puxar uma carruagem pesada por uma ladeira, eles teriam que fazer uma pausa mais cedo do que o normal apesar de ainda demorar mais do que se tivessem viajado com cavalos, e pararam em um local que era um tanto plano.
Eiro percebeu alguns vestígios de fogueiras ao redor, então este era um local popular de descanso para as pessoas que viajavam por essa área.
Isso o surpreendeu, desde que notou alguns monstros vagando por aqui. Para ser honesto, eles não pareciam tão fortes, mas ainda seriam bastante problemáticos para uma pessoa comum, pelo que ele conseguia dizer.
Apesar disso, o Diabrete ficou curioso. Parecia que havia uma aldeia de goblins perto daqui. Não se podia acessá-la por caminhos comuns e era construída entre a parede de dois penhascos que teriam que ser escalados para que pudesse ser vista. Havia apenas um caminho específico que levava a ela, e este parecia ser através de um pequeno sistema de cavernas.
Os goblins certamente o permitiriam subir de nível se fosse até lá e os matasse, mas ele não sentiu vontade por conta do odor nojento que o sangue dos goblins tinha. No entanto, enquanto pensava nisso, percebeu que o Gnomo também estava interessado no que havia nesta direção.
— Nelli, você consegue ver algo por ali? — Eiro questionou e apontou na direção em que o Gnomo olhava, e a Náiade virou a cabeça e estreitou os olhos.
— Hm… Parece haver muita mana natural ali, sim, mas não acho que seja algo especial. Por quê? — Nelli respondeu, então Eiro apenas cruzou os braços em contemplação.
— Há uma vila de goblins por ali e não tenho certeza se é uma coincidência que havia muita mana no local. Talvez haja algo interessante que fez com que se reunissem? Os goblins que vejo parecem ser uma variante de goblins normais. — Eiro explicou, pelo menos era o que pensava pelo comportamento deles e o odor fétido que chegava até ele. Nelli refletiu sobre e continuou olhando para lá.
— Então, talvez sim. Pode valer a pena checarmos se o Gnomo estiver interessado. — Ela comentou, e Eiro acenou com a cabeça.
— Assim como eu pensei. — Ele disse e depois olhou para as crianças. — Vocês, fiquem aqui. Sairemos por um tempo, talvez uma ou duas horas no máximo, então relaxem um pouco, mas se notarem alguém se aproximando, ajudem Avalin a colocar as lentes de contanto, ou a escondam na carruagem. — Eiro disse com um sorriso.
Ele não mais tinha problemas em deixá-los sozinhos, já que não estavam mais sendo perseguidos! Cerca de um dia depois que acordou após derrotar Enka, recebeu uma carta de Armodeus que ele enviou por meio de algum tipo de pássaro mecânico. Embora pelo cheiro não parecesse que tivesse sido feito pelo Anão Ancião. De qualquer maneira essa carta dizia que Solomon e Armodeus poderiam convencer os guardas de que Eiro não matou Irensen, não importava o que o funcionário dele contasse aos guardas.
Como literalmente o rei de um país e o melhor artesão de uma cidade eram só um pouco mais influentes do que o funcionário do segundo melhor artesão da cidade, o assunto foi resolvido. Eiro ficou muito feliz com isso pois significava que poderia seguir em frente com coisas como essas e deixar as crianças sozinhas por um tempo, em vez de ficar com elas 24/7.
Eiro escalou a parede rochosa atrás da carruagem, seguido pelo Gnomo e Nelli e continuou seu caminho em direção ao topo de um dos penhascos em que a vila foi construída, para que conseguisse explorá-la.
Demorou um tempo, talvez quinze minutos, para encantar um bom caminho e local para observar toda a vila, mas assim que encontrou esse local, Eiro olhou para baixo e observou algumas peculiaridades.
Primeiro, os Goblins eram uma variante. Em vez de terem peles verde-escuras, esses goblins tinham uma pele verde-amarronzada, embora fosse diferente para cada criatura. Uns tinham peles com tons mais claros do que o verde de um goblin normal, enquanto outros poderiam ter peles castanhas tão escuras que eram quase negras. Todos tinham o mesmo cheiro, então a cor da pele aprecia ser uma diferença irrelevante entre eles. No geral, todos esses goblins apreciam ser um pouco mais fortes e mais bem alimentados do que suas contrapartes que Eiro encontrou em algumas florestas antes.
As casas em que viviam não pareciam tão mal construídas, mesmo que a maioria delas fossem buracos na parede, mas entre esses buracos na parede havia algumas pontes bem construídas que pareciam estáveis o suficiente para uma dúzia ou duas deles caminharem de uma vez.
Então entre esses cem ou duzentos goblins que pareciam viver aqui, Eiro percebeu que havia nove deles que eram mais fortes, altos e menos desproporcionais que os outros, tornando suas figuras mais parecidas com um humano ou elfo.
Eiro pensou que esses nove espécimes eram Hobgoblins, uma evolução superior dos goblins comuns. Eles pareciam estar no comando aqui, e eram temidos pelos goblins inferiores.
Um desses Hobgoblins parecia ainda mais forte que os outros. Eiro não estava certo do que havia de tão diferente nele, já que seu cheiro era semelhante, mas ele era mais alto, robusto e temido pelos outros.
Honestamente ele não parecia tão forte para Eiro, mas talvez depois de enfrentar e matar Enka seu padrão tenha aumentado um pouco. De qualquer forma, havia uma coisa nesta cidade que Eiro prestou muita atenção: o objeto em que o líder de todos esses goblins, o estranho Hobgoblin, estava sentado. Era como uma laje de rocha decorada e esculpida, o qual parecia chamar muita a atenção do Gnomo.
— Nelli. — Eiro disse, e o Espírito apareceu.
— Sim, essa laje é o local em que a maioria da mana que percebi antes está focada. Pode ajudar um pouco o Gnomo. — Ela sugeriu, então Eiro acenou com a cabeça.
— Parece bom. — O Diabrete disse e olhou para as paredes do penhasco para encontrar uma boa rota. Nelli olhou para ele com curiosidade.
— Então? O que está planejando fazer? — Ela questionou, e Eiro apenas sorriu.
— Oh, só vou erradicar a hierarquia nessa vila goblin.
…